na imagem, poster de divulgação do filme os últimos jedi

A magia, a rebeldia e a esperança de Star Wars: Os Últimos Jedi


Já vou tirar isso logo de cara, eu saí de Os Últimos Jedi completo. Feliz como poucas vezes na vida. E chorando litros.

Quando saí do cinema após O Despertar da Força, eu era uma criança extremamente alegre e empolgada. Uma das minhas histórias e universos favoritos estava de volta. Repensado, reimaginado, replanejado. Um novo começo, com novos ares e fora das “garras” de seu criador genial. Episódio VII foi maravilhoso. Junto com a felicidade, porém, veio a angústia e a ansiedade por saber as respostas para tantas perguntas.

“Quem é Rey?”
“Quem é Snoke?”
“O que aconteceu com Luke?”
“Qual a história do sabre de luz de Anakin?”
“Onde estão os espíritos da força? Obi-Wan, Yoda, Qui-Gon?”
“Porque a República é tão frágil?”

Dois anos inteiros tiveram que se passar para que algumas respostas fossem dadas. Em meio a isso, teorias, certezas frágeis e muita discussão. Star Wars estava de volta com tudo.

Depois de um spin-off com a cena mais satisfatória da história da saga, finalmente eu me sentei numa sala de cinema para ver Os Últimos Jedi. Que, independente de chilique de certos “críticos”, permanece sem ter plural.

Em suma, Star Wars: Os Últimos Jedi é absolutamente tudo que eu queria ver. Nada ali foi esperado, nada ali estava em teoria nenhuma e, mesmo assim, foi gratificante, maravilhoso e mágico. O filme em si, já seria ótimo, um dos melhores da saga — falo com tranquilidade. Porém há duas cenas, em particular, que fazem esse filme ser o melhor filme da franquia, junto com Ep. V: O Império Contra-Ataca.

“The best teacher, failure is.”

na imagem, uma cena mostrando mestre Yoda, presente no filme Os Últimos Jedi

Mais uma vez é do Mestre Yoda o maior ensinamento da saga. Qualquer pessoa que já viveu algumas dezenas de anos sabe o peso e o significado dessa frase.

Entender e aceitar isso é desvendar um dos segredos da vida.

Uma das coisas que eu pensei que poderia haver neste filme seria, enfim, algum fantasma da Força. Eis que vemos a silhueta de Yoda, enquanto Luke se dirige para destruir os textos sagrados da Ordem Jedi. A cena que se segue é majestosa. Me lembrou tudo de fantástico e tudo que eu mais amei, durante toda a vida, sobre Star Wars. Do Yoda boneco, louco de gás do pântano, a Luke, seu eterno padawan, até as frases que me fizeram chorar. De nostalgia, de alegria e de amor.

Veja bem, Star Wars é algo muito significativo para mim. Me impressionou na tenra idade de 8 anos, quando vi a trilogia clássica numa tarde inesquecível. Império é meu filme favorito não por causa de Vader ser pai de Luke, ou a cena do congelamento de Han. É o meu favorito por causa de Yoda e toda cena que ele aparece, além de todas as falas que saem de sua boca, controlada pelo genial Frank Oz.

A cena é uma ode ao treinamento de Luke que, aparentemente, nunca terminou. Além da referência aos ensinamentos em Dagobah, Ryan Johnson, diretor de Episódio VIII, fez uma segunda alusão às prequels — na minha opinião melhorando muito a antiga ‘nova’ trilogia (leia o texto do link). Após Luke cuspir, com bastante desgosto, sua opinião sobre os Jedi, e como foram cegos ao deixar Darth Sidious fazer tudo que fez e, sem dúvida, sua raiva ao entender que foi a própria Ordem que criou Darth Vader. Privando-o então de uma família de verdade e uma criação ‘normal’. Todo aquele ressentimento, brilhantemente atuado por Mark Hammil.

Yoda é bem claro ao dizer o quanto os Jedi estavam errados. Se apegar às tradições de forma cega é tão errado quando ficar olhando para o horizonte, sem conseguir viver o “agora” — como ele muito bem diz a Luke, após bater em sua cabeça. Yoda, usa a Força para destruir a árvore sagrada e os textos sagrados (só que não). Mais uma vez, Yoda, como um bom mestre, não precisa contar toda a verdade para ensinar uma lição e isso foi genial.

Yoda sabia que Rey havia levado os tomos sagrados. Mas Luke não precisava saber. Cinema feito com perfeição.

“Let the past die. Kill it, if you have to.”

na imagem, kylo ren, personagem do filme os últimos jedi se ajoelha perante um fundo vermelho

Essa não é apenas uma frase, ou o lema de vida de Kylo Ren. Essa é uma mensagem da Disney para todo mundo. Fãs hardcore da trilogia clássica, novos fãs e, principalmente, para quem nunca se importou muito com Star Wars.

A história dos Skywalkers está terminando, o passado está sendo morto e a franquia está indo para um novo caminho. Os Últimos Jedi faz isso, mas o faz em forma de uma carta de amor aos personagens que amamos tanto.

Han Solo está morto, Luke se foi e Carrie Fischer, infelizmente, faleceu. Vi pessoas reclamando da cena em que ela volta para a nave, usando a Força e eu sinceramente sinto pelos corações mortos. Leia é filha de um dos seres mais poderosos de todos os tempos, Anakin Skywalker, ela sente a Força e convive com essa noção há anos. Nós sabemos que ela não treinou para ser uma Jedi Knight, mas isso — nem de longe — quer dizer que ela não possa usar a Força do jeito que quiser. Inclusive, foi uma das coisas que me deixaram muito feliz no filme. Não é só uma homenagem a Carrie, como respeito total à sua personagem, uma das mais importantes figuras da cultura pop na história.

É provável que Leia esteja morta na primeira linha do texto de Episódio IX.

Essa temática, de deixar o passado morrer, é imortalizada na cena mais linda de toda a saga.

No fim das contas, Star Wars são histórias sobre heróis lendários que lutam pela justiça, paz e que dão esperança a aqueles que tem tão pouco. É sobre lutar contra a opressão. É sobre ser um garotinho com sonhos de, um dia, se tornar um herói como Luke Skywalker. Literalmente, milhares de garotinhos pegaram uma vassoura ou algo do tipo e fingiu segurar um sabre de luz em uma aventura épica em prol da rebelião.

Essa cena leva esse filme para um outro patamar.

Só um passado que eu espero nunca ser morto: John Williams. Meu Deus, como a trilha sonora é fantástica. Digna de ser colocada entre as melhores da saga (Império, mais uma vez).

“Godspeed Rebels.”

Eu não sei o que esperar de Episódio 9.

Aliás, eu nem vou esperar por esse novo filme assim como esperei por Os Últimos Jedi. Não existem mais perguntas a serem respondidas. Eu me sinto completo. Tudo que eu queria como fã está ali.

Como Ben Solo vai deixar o legado dos Skywalker na galáxia? Não me importo.

Como Rey vai reviver a Ordem Jedi? Também não me importo.

Eu sei que vai ser bom. Sei que eu vou gostar. Star Wars está em boas mãos e, uma vez que JJ Abrams vai dirigir o último filme desta trilogia, podemos esperar algo sensacional de novo. Mas esperaremos algo novo.

Talvez Anakin retorne para trocar umas ideias com seu neto. Talvez vejamos Obi-Wan, para nos despedirmos uma última vez. Luke certamente retornará. A primeira Ordem certamente cairá com Kylo Ren. Talvez vejamos algum aprendiz.

Eu só sei que meu coração descansa feliz após ver esse filme.

Que a Força esteja com você.

1. Este é mais um ótimo texto sobre o filme.
2. Eu já comecei a minha caminhada para ver todos os filmes novamente, e você?
3. Há dois anos eu escrevi sobre a importância de O Despertar da Força.
4. Não fique perdido, o blog voltou de verdade.

Pedro Turambar

Já fui de um tudo nesta vida, mas há uma coisa que nunca deixei de ser: escritor. Escrevo para viver e manter minha sanidade em um mundo tão louco. Sou uma mistura de palavras, lágrimas e reclamações.

You may also like

LEAVE A COMMENT

Quem?

Pedro Turambar

Pedro Turambar

Gosto de escrever, reclamar e não tenho controle sobre chorar. Escrevo há 10 anos sobre a loucura de viver em sociedade, futebol e falo bem e mal das coisas que leio, vejo e ouço.

Newsletter - ¡Desmotive-se!

Fanpage

Mais

Arquivos