A pior cantada pode ser a melhor cantada


Existem três tipo de cantadas, as boas – que “desarmam” e abrem caminho -, as ruins – que se você tinha uma chance, acabou de perder -, e as que não fazem diferença – você iria conseguir ou falhar de qualquer jeito. E quem decide se elas são boas, ruins ou ‘tanto faz’ é o alvo da cantada.

Todo mundo já passou uma cantada, ou tomou uma cantada. Nem que seja virtual, aquela cutucadinha “de leve” no facebook, só pra ver de qualé. Ou o famoso “jogar verde” nos chats da vida. Afinal, ninguém além do seu cachorro está vendo você se fazer caras e bocas e comemorar feito idiota cada smile piscando que ela manda.

Cantadas podem ser divertidas ou desastrosas, mas sempre, sempre dão boas histórias.  As que seguem eu juro de pé junto que foram verdade. Um amigo que me contou. Amigo a gente confia.

***

Carnaval. Salvador, Bahia. Atrás do Trio Elétrico.

cantada carnaval

  – Opa! Bola rola?

  – O QUEEEEÊ???

  – Heh, BOLA ROLA?!

  – BOLO DE ROLO!?

  – Hunf… BOOOOOLA.. *começa a fazer um círculo com as duas mãos* ROLA?? *gira os dedos continuamente em movimentos circulares*

  – *repete os gestos* e pensa “não conhecia essa dancinha do bolo de rolo! Gostei”

  – NÃÃÃO

  – “Ihhh tô fazendo errado..” – MAS EU REPETI TUDO QUE VOCÊ FEZ!

  – BOLa.. ah, me dá um beijo?

  – O QUEEEEÊ?

  – *digita “bola rola?” no celular e mostra para ela*

  – *balança a cabeça afirmativamente sorrindo intrigada*

  –  *digita “e nós dois, rola?”*

Gargalhadas dela.

Ele ¯\_(?)_/¯

Beijo.

***

Um bar qualquer, numa cidade qualquer, em numa quinta-feira a noite do mês de maio. O bar é frequentado por casais, pessoas que saíram do trabalham e deram uma esticada, grupos de amigos, jovens adultos quase nos 30 que já descobrindo que talvez não saibam tanto da vida assim, ainda querem se divertir ‘como antigamente’.

cantada bar

Dois amigos conversam no balcão quando um deles vê uma garota e numa epifania tem a certeza de que é ela. Daquelas certezas todo homem solteiro já teve uma vez na vida, toda semana, em um bar.

  – CARA! É ela!

  – Quem?! A Manu?

  – Que mané Manu! Ali ó, atrás do cara que parece o Joaquim Phoenix..

  – Joaquim Phoenix antes ou depois da loucura?

  – Tá cumprimentando as amigas ali ó, de terninho cinza, usando Jean Paul Gaultier, morena, olhos azuis e batom vermelho. Marina o nome dela, trabalha no Atlanta, dois quarteirões daqui, tem 24 anos e é doida para saltar de paraquedas, gosta de aventuras e caras corajosos.

  – Você descobriu isso só OLHANDO PRA GAROTA?!

  – Pssss, fala baixo porra. Não né ô. Eu já venho.. não.. ‘stalkeando’ não é a palavra, observando, ela há um tempo. Eu venho bolando uma estratégia única e épica para chamar a atenção dela e conseguir chamar ela para sair comigo.

  – Humm.. não seria mais fácil chegar pra ela e pedir, sei lá, o telefone dela, dizer que quer conhecê-la?

  – Tá louco?

  –  Ué..

  – Não. Preciso que você vá lá até ela e diga, gentilmente, que seu amigo, instrutor de paraquedismo quer pagar um drinque para ela..

  – Instrutor? Jorge você morre de medo de altura cara…

  – Não importa! Eu tenho tudo planejado… vai lá.

E Marcos foi. Sorrindo pensando que o amigo iria se embananar e iria passar vergonha mais uma vez. No caminho lembrou de uma história de um cara que ia servir de wingman para o amigo mas se confundiu na hora. Com essa história na cabeça ele chegou na mesa de Marina deu “oi” e soltou:

  – Meu amigo ali está perguntando se você quer sair comigo.

O pavor sentido por Marcos só não foi maior porque antes de sequer poder consertar Marina sorria lindamente sexy e respondia:

  – Fala para o seu amigo que eu animo sair com você sim. Vamos pra onde?

***

Manu estava fazendo sua caminhada do dia na pista quando ela avistou de longe Aquele Cara. As amigas já não aguentavam mais ela dizer “Aquele Cara é demais!”. Sem contar que nenhuma das amigas acreditava mesmo que o tal Cara era de verdade. Achavam que era mais uma das loucuras que a Manu cismava em acreditar serem de verdade. Como o homem ter ido a Lua.

cantada caminhada

Ela sempre via ele na pista, levando seu ‘bichinho’ para esticar as pernas. Nunca teve coragem para falar com ele, porque também né? Mas hoje ela ia acabar com isso. Precisava criar coragem, estava apaixonada… já tinha lido tudo sobre ele. Era um cara legal, com uma família legal, boas ideias, simpático e amava animais. Além de ter que ser muito bem humorado para se ter um..

Ele estava se aproximando, e Manu reunindo toda a coragem que tinha soltou:

  – E aííí, o rinoceronte tem telefone? – “Não acredito que perguntei isso.”

  – Ahahahaha, tem sim. – “Não acredito que ela perguntou isso!” 

“Roooufhglktsgh…” pensou o rinoceronte girando os olhos.

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Pedro Turambar

Já fui de um tudo nesta vida, mas há uma coisa que nunca deixei de ser: escritor. Escrevo para viver e manter minha sanidade em um mundo tão louco. Sou uma mistura de palavras, lágrimas e reclamações.

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Gosto de escrever, reclamar e não tenho controle sobre chorar. Escrevo há 10 anos sobre a loucura de viver em sociedade, futebol e falo bem e mal das coisas que leio, vejo e ouço.

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