O belo-horizontino e a água


O belo-horizontino sabe de muita coisa, naturalmente.

Sabe que a vida é uma festa, subindo Bahia e descendo Floresta. Sabe com quantos botecos se faz uma boemia (não a cerveja, que tem um h no meio, mas o modo de vida) e, principalmente, sabe diferenciar um pão de queijo verdadeiro daquele embuste vendido em qualquer lugar que não aqui.

Quem nasce ou vira cidadão de Belo Horizonte sabe dessas e de muitas outras coisas. Mas tem uma coisa que o belo-horizontino não sabe.

Lidar com chuva!

Basta cair umas gotinhas de água do céu que as pessoas em Beagá se transformam, imediatamente, no urso do Pica-Pau:

ai meu deus, ai meu deus, ai meu deus, ai meu deus…

Eu não sei se é por causa de algum balanceamento divino, tipo um personagem de RPG, que gastou seus pontos em carisma, destreza, inteligência, fígado com regeneração comprometida e, para balancear, ganhou o atributo: “toda vez que chover, esse personagem perde todos os bônus e se torna um imbecil.

Sabe aquele negócio de uma pessoa linda, talentosa, humana, altruísta, mas coloca o feijão antes do arroz no prato? Então. Tem que ter um defeito para trazer equilíbrio.

E se tem uma coisa que estraga o belo-horizontino é a precipitação. Não aquela de fazer as coisas antes da hora — apesar de eu conhecer bastante gente ansiosa por aqui, mas a água caindo do céu mesmo (desculpe leitor, estou ficando sem sinônimos).

O trânsito fica insuportável, as pessoas fecham as janelas dos ônibus transformando a condução municipal em saunas móveis municipais. Essas mesmas pessoas abrem o guarda-chuva e andam em lugares que a chuva não chega, tipo em baixo de marquises, desgraçando a vida das pessoas que não tem guarda-chuva, mas se molham porque esses malditos que PODEM se proteger da chuva, estão embaixo de um teto.

Toda a questão de ter um guarda-chuva (que aliás, não serve pra muita coisa), é não precisar de teto, uma vez que aquilo na sua mão é um mini teto portátil feito pra momentos de água caindo do céu. Então porque as pessoas insistem em andar embaixo das marquises? Ou dentro da proteção do ponto de ônibus?

Confesso já ter imaginado a morte de dois idosos no último mês. Não me orgulho. Não de ter imaginado, mas deles não terem morrido as mortes que eu imaginei.

Esse não é o “nosso” único problema com a água. Não sabemos lidar com praia também — aí já expandindo um pouco pro mineiro em geral. Numa praia, dá pra saber direitinho quem é paulista (se acha o dono de qualquer lugar que está mas não repara na vergonha que tá passando), carioca (está em casa, owna o lugar sem nenhum esforço — normalmente está rindo do paulista) e mineiro (rindo do paulista, achando que o carioca vai passar a perna nele e bebendo muito mais que deveria porque ele sabe que está errado).

Até na praia que o mineiro acha que é dele, Guarapari, ele se comporta assim.

Gente, é só água. É uma parada que você ingere todos os dias (pelo menos 2 litros, recomendados pelos médicos)! Tipo, você pode, literalmente, pegar água da chuva e beber. Não você, paulista. Só Deus sabe o tanto de chumbo que tem nesse céu aí.

Enfim, água — muito mais que molhar — seca. Aliás, você sabia que a água não está molhada? E que isso é uma discussão real/oficial?

Veja esse vídeo (em inglês):

Agora veja esse (também em inglês):

E aí BH, já podemos ter uma relação melhor com a água ou eu vou precisar colocar o clipe da Sheila Melo?

Pedro Turambar

Já fui de um tudo nesta vida, mas há uma coisa que nunca deixei de ser: escritor. Escrevo para viver e manter minha sanidade em um mundo tão louco. Sou uma mistura de palavras, lágrimas e reclamações.

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Gosto de escrever, reclamar e não tenho controle sobre chorar. Escrevo há 10 anos sobre a loucura de viver em sociedade, futebol e falo bem e mal das coisas que leio, vejo e ouço.

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