Como separar o Futebol da FIFA?


Você com certeza já ouviu, leu e provavelmente falou bastante sobre a Revolta do Vinagre nas últimas duas semanas né? Eu já falei, logo no início sobre as manifestações, e depois falei muito mais no Facebook. Foram duas semanas de dois extremos. Na primeira, tudo era lindo, caminhávamos e cantávamos seguindo a canção. Aquele Gigante gato, lindo, loiro e de olhos azuis havia levantado e estava salvando o Brasil.

separar futebol da Fifa

Na segunda semana a galera descobriu que o Gigante era o Sloth. E começaram as teorias conspiratórias, a violência, a pancadaria, o pau cantando e a quizumba.

Pois bem. Não é bem disso que eu quero falar aqui. De tudo que eu vi nessas duas semanas, o tantas vezes compartilhado e visto vídeo da garota dizendo que não vai na Copa do Mundo de 2014 foi o que mais me fez pensar. E pensar de forma amarga, já que eu estava com raiva de uma das coisas que eu mais amo no mundo. O futebol.

Concordo com tudo que ela diz. Mas também queria achar uma forma de separar o futebol da FIFA. E de tudo de ruim que vem com esse nome.

Como eu posso então olhar para os dois ingressos que eu tenho da Copa das Confederações (semifinal e final) sem me sentir culpado? Explorado? Como eu posso olhar pro garotinho que chorou feito criança que era, quando Branco fez aquele gol antológico contra a Holanda? Ou pro garoto que sentia que o mundo era perfeito quando Baggio chutou o pênalti longe? Aquele garotinho que sonhou tantas vezes com uma Copa no Brasil, para que enfim Barbosa (que tanto me fez chorar com sua história sofrida e marcada) pudesse descansar em paz.

Como explicar para mim mesmo que tudo aquilo que eu amava (amo) é controlado por uma instituição tão nefasta como a FIFA? E o pior, como separar o que acontece dentro das quatro linhas, daquilo que acontece dentro das salas fechadas em Zurique?

Quem salvou aquela criança que amava futebol, e o adulto que se sentia tão mal em relação a ele, foi o Taiti.

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Posso estar sendo ingênuo, inocente e principalmente cabeça dura ao ponto de querer arranjar uma desculpa para não me sentir culpado. Mas o exemplo dado pela seleção do Taiti, e o exemplo dado pelo esporte, como se gritasse para nós “não culpe o martelo, culpe a mão que o branda”. Um time amador, viajou meio mundo para o Brasil, para jogar contra os melhores jogadores do mundo.

E deram um exemplo de alegria, de coração e mostraram porque o futebol é um esporte tão fantástico.

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Obrigado Taiti, por me fazer acreditar que o futebol é maior que isso. E que apesar da FIFA o futebol pode um dia prevalecer e cair em boas mãos. Até lá, não temos muito o que fazer. Eu vou me sentir um pouco ruim ainda, mas não tanto.

Porém, eu estou indo apenas pelo fato de já ter os ingressos. Quando os comprei não existia esse contexto de hoje, e certamente me arrependi. Assim como me recuso a torcer pela Seleção Brasileira (por causa da CBF, e por quem a comanda hoje, e quem a comandará amanhã), me recuso a dar mais dinheiro para FIFA, além da minha audiência, vendo jogos pela TV.

Ps.: Existe apenas uma exceção. Alemanha e/ou Argentina jogando em BH. Meu amor pelo futebol falará mais alto.  

Pedro Turambar

Já fui de um tudo nesta vida, mas há uma coisa que nunca deixei de ser: escritor. Escrevo para viver e manter minha sanidade em um mundo tão louco. Sou uma mistura de palavras, lágrimas e reclamações.

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Gosto de escrever, reclamar e não tenho controle sobre chorar. Escrevo há 10 anos sobre a loucura de viver em sociedade, futebol e falo bem e mal das coisas que leio, vejo e ouço.

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