Contos do Ôns #9 – O Casal

01 April 2015

Contos do Ôns #9 – O Casal

O casal mais lindo que vi na vida foi num ônibus.

Se fosse um filme romântico de Hollywood, esta seria a parte logo depois do casal ficar junto pela primeira vez. A paixão está no seu auge, os dois são lindos, os passarinhos cantam e eles precisam estar tocando um no outro o tempo todo, caso contrário, o mundo explodiria.

Eles eram de fato muito bonitos. Morenos, ela, baixinha, longos, belos e lisos cabelos negros. Ele, alto, de black power. Ela, com a cintura fina e bunda perfeita. Ele, magro. Estavam agarrados um no outro, ela, o abraçando e olhando para cima, ele, segurando no alto com uma das mãos, enquanto a outra abraçava a amada. Ele olhava para baixo e eles se beijavam a cada dois segundos, sem se importarem um minuto sequer com qualquer outra coisa.

Não importava o sacolejar do ônibus, as outras pessoas, o destino, quem era presidente ou o que iriam fazer amanhã. Nada, absolutamente nada além daquele momento importava.

A princípio, achei que eles tinham fumado um baseado. O olho dele mal abria, e os dois não tiravam dos lábios (os dele bem grossos) o sorriso de quem não estava dando a mínima, para nada. Pareciam de fato entorpecidos. Mas acho que estava enganado, já que existe outra coisa que deixa pessoas meio drogadas daquela forma. Até dá fome, veja só. Essa coisa se chama gozar. O orgasmo libera a toxina mágica chamada endorfina, que “Além da sensação de bem-estar, o hormônio anestesia o corpo” diz a diretora do Instituto Kaplan de Sexualidade, Maria Helena Vilela. Anestesia o corpo, entorpece.. dá fome. Maconha ou orgasmo?

Voltando ao casal, prefiro pensar que ao invés de um baseado, os dois, talvez, estavam vindo, do sexo mais sensacional de suas vidas. Isso os tornava ainda mais bonitos. Aquele brilho, aquela aura, era consequência disso.

Eu não conseguia desviar o olhar. Eles eram lindos demais.

Foi assim até eu descer no ponto e eles continuarem lá, como seres de outra dimensão, em outro plano espiritual e atemporal.

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Esse texto faz parte do meu livro, Crônicas do Cotidiano:

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Criei esse blog em 2007 para me incentivar a escrever uma saga que eu daria o nome de O Crepúsculo. É, pois é. Tudo mudou e hoje uso o blog para falar mal de coisas, usando meu dom divino de ser chato para car*&$#%.