Eu queria Julho de volta


Ser adulto é um erro. É só neura, boleto e frustração. E muito se engana quem acha que a adultice começa logo quando se sai de casa, ou se percebe o quanto custa um escorredor de prato. A vida adulta começa no momento em que Julho se torna apenas um Março com frio.

A perda de Julho é um marco. Um mês que, na fase inicial da vida, é quase lúdico. É o feriado fixo do calendário anual, o pequeno foda-se do planeta durante toda a aventura de disparar e girar pelo espaço. É aquela paradinha mística, que dura quase um mês e traz com ela cobertas, roupas confortáveis, bochechas vermelhas e comida gostosa. Uma época em que as saladas somem, os caldos quentes aparecem e as moças usam bota*, é uma época abençoada.

na imagem, dois bonecos, um homem e uma mulher, a mulher veste saia e botas e toca uma guitarra

*eu tenho um certo fetiche por botas :3

Se estivéssemos falando de sexo, julho seria aquela transa nao pensada, aquela que só vem e passa como um furacão, mas fica na memória. Ouso dizer que dificilmente existe transa ruim em Julho. Dezembro e janeiro, no entanto, seria aquele sexo mais cumpridor de tabela mesmo. E já que estamos no futebol, julho é mata-mata e o fim/início do ano é pontos corridos.

Muito tempo de férias é extravaganza. O segredo da vida está no que dura o tempo certo.

Tipo as férias de julho.

Que, ao se transformar em adulto, uma pomba paulista te segue para entregar uma carta, escrita com letras recortadas de jornal, que seu mês querido se tornou uma quinta-feira. “Aí meu, tu é bixão agora.”, diz a pomba ao deixar a carta com você. Ao invés de uma carta de Hogwarts, é só isso que recebemos.

É possível tentar emular as férias de julho. Mas é a versão adulta. E a versão adulta de qualquer coisa é muito chata. No caso de férias, você precisa entender toda a física quântica que é o tal do dinheiro que você recebe a mais — apenas para depois recebê-lo a menos — e um bônus aparentemente positivo. Mas isso apenas se formos devotos da Santa Carteira Assinada.

Eu quero a volta do julho moleque, de várzea, chocolate quente, três cobertas, do julho menos dois graus na fazenda do avô do Augusto e das noites não dormidas jogando War.

1 – Esse texto me lembra um outro que já fez bastante sucesso por aqui — quando eu dei dicas de como se viver como um Hobbit. Que é uma grande dica de como viver num mês desse.

2 – Pensando seriamente em tirar minhas próximas férias.

3 – Eu preciso muito de férias.

Pedro Turambar

Já fui de um tudo nesta vida, mas há uma coisa que nunca deixei de ser: escritor. Escrevo para viver e manter minha sanidade em um mundo tão louco. Sou uma mistura de palavras, lágrimas e reclamações.

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Gosto de escrever, reclamar e não tenho controle sobre chorar. Escrevo há 10 anos sobre a loucura de viver em sociedade, futebol e falo bem e mal das coisas que leio, vejo e ouço.

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