Histórias de Carnaval – Vidas de Vendaval – Pt.1


Vidas de Vendaval – Histórias de carnaval

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Epígrafe:

“Virgínia dos lábios de mel
quando te beijo vou ao céu
seu sorriso resplandece
quando te vejo algo acontece

Virgínia tú és linda como a flor
Tudo que faço é por amor

Virgínia teus olhos escuros
escondem a alegria do seu rosto
Mas são tão belos quanto a
imensidez da sua alma pura.”

por Lover Boy.

Dia 1º de Fevereiro | 1º Dia de Carnaval – 2008

Por motivo de força maior, os relatos do primeiro dia estão sendo escritos no segundo. Ontem eu simplesmente não tinha forças para falar…muito menos escrever.

Vamos lá.

Malas prontas. Dinheiro contado na carteira. Primeiro encontro: Terminal Rodoviário de João Monlevade, a maioria dos componentes da casa com seus respectivos “kits de sobrevivência na selva” se preparam para a viagem. E a viagem pode ser definida com apenas uma palavra: Merda! Povo feio, fedendo, ônibus de 1940 sendo guiado por um completo retardado. Ele tentou…e quase conseguiu colocar 100 pessoas dentro do ônibus. Calor insuportável, mais pessoas feias e mais fedor (começamos bem!), Pumba poderia ter soltado a tufa. Só pra “causar”. Passamos por “belíssimos” momentos.

Uma senhora obesa se sentou no braço da cadeira de Tomé, Bodão tomou algumas sacoladas na cabeça, Adam Sandler estava esmagado por mim, “mim” que estava ao lado dum rapaz “jóia” (daqueles que recebem dias especiais fora da prisão).

No meio disso tudo Nostradamus fazia suas “adoráveis” previsões: Vai chover todos os dias do carnaval, esse ônibus maldito vai cair numa vala. (por enquanto ele errou, não choveu no primeiro dia e não caímos em nenhuma vala. Mas ainda pode acontecer. Lembrem-se que “Ninguém morre na ida”.

Finalmente “apiamos” em Alvinópolis. (esqueci de contar, um velho estava com uma “árvore” dentro do ônibus e disse ao motorista: “éé, aki memo…para aí qui eu vou apiar aqui memo”). Antes de pararmos, Pumba já fazia merda. Paramos a um kilômetro da casa, isso por que o primeiro ponto era em frente à dita cuja, mais o idiota disse que era no outro ponto. Bom, chegamos à casa. E que casa!!! (a constução deve ser datada de mais ou menos 1756) Ficamos 200 horas esperando o “tiozin” pra abrir a porta. Nostradamus já demonstrava todo o seu “bom-humor”. Encontramos com Pink Boy, todo animadinho. Mal começa o carnaval e a cerração de cigarros já bate recorde.

Finalmente…e um finalmente bem demorado, entramos na “casa”. Quartos de 1 m², banheiro sem tranca, matagal no “terreiro” e um pote de veneno de escorpião. Lindo. No quarto (o maior, cabiam quatro colchões de porta fechada) eu (carinhosamente o Pumba Branco), Pink Boy, Adam Sandler e Nostradamus…esse último reclamando de tudo como sempre, e anti-social…como sempre. E começa o alcoól, junto com a fome. Fomos nos empanturrar antes de envernar na bebida, como manda o figurino. A maioria pediu mesmo um “AVC”, (ovo, bacon e diversos outros ingredientes entupidores de artéria) não sem antes é claro, recebermos o aval de Marçonita (ex-Acosta) “Pode pedir qualquer um, que é de qualidade”. Na saída outra frase brilhante, dessa vez do garçom “Sô cês quisé, pode voltá viu?”. Putz, graças a Deus que ele disse isso, porque…não sei, se ele não deixasse…agente nem ia poder voltar.

Bom pessoal, a partir daqui…devo pedir desculpas pelos relatos sem ordem cronológica ou lógica, pois voltamos do coisa do hamburguer “de qualidade” e eu abri a minha garrafa de vodka. Aí já viu né?

O bloco vai pra rua! Eu, Lover Boy, Tomé e Cu-Cabeludo (depois vocês vão entender o por quê do apelido) fomos atrás do bloco. Música, bebida, mulheres, gente feia, marchinha. E o resto da casa se encontra no melhor momento do bloco. Pink Boy começa seu tour por mulheres…er digamos…desprovidas. A menina da noite devia ter uns 14 anos mais ou menos, mas Pink Boy…aaaa Pink Boy mandou ver. Lover Boy encontra sua musa Virgínia, amor à primeira vista. Mais bebida, mais música, mais mulheres. Nós homens, já quase bêbados entoavamos os nossos gritos de acasalamento..eita carnaval!

A partir daí, não me lembro de nada. Vodka é realmente “desmemoriante”. Temos um relato da madrugada feito por Cu-Cabeludo.

Vamos a ele.

(vou escrever exatamente da forma como foi escrito no caderno)

Alvinópolis | 01 de Fevereiro de 2008 | Escrito às 03:90 a.m

Adam Sandler teve a manha de “podau” na hora que Sagatti chegou. Bodão…Bodou! Durante 30 minutos ao relento do “posse gozonde e zuiu mbuo” da madrugada. Pumba ensaiou todas as velocidades do créu. Ficou tristonho e “souolu”. Pumba Branco deixou sua alma…(o que vem depois é simplesmente ilegível). To be continued.

Meus parabéns CC. Deu pra entender tudo.

Bom é isso. Aguardem o segundo dia. Esse entrou pra história…foi o melhor dia!

 

Editado dia 4/10/2011

Reeditado dia 4/3/2013

Passei mal de rir relendo isso. “Bodão… bodou!”. Preciso urgentemente achar o caderno onde tem isso escrito e continuar o relato.

 

Pedro Turambar

Já fui de um tudo nesta vida, mas há uma coisa que nunca deixei de ser: escritor. Escrevo para viver e manter minha sanidade em um mundo tão louco. Sou uma mistura de palavras, lágrimas e reclamações.

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7 Comentários

  • Pink Boy
    04/03/2013 at 23:09

    Boa Pedrão!

    Porra, esperei cinco anos pra poder reviver essas histórias!

    O segundo dia é foda! A chegada do Doidão-do-cunhaque deixou a insanidade ainda mais insana. Tomara que o próximo episódio não demore mais 5 anos!

  • Thais Waack
    04/03/2013 at 15:38

    Não sei se sou louca mas sua narrativa me faz imaginar o pessoal de Trainspotting (Spud, Tommy, Sick Boy, etc) indo pro carnaval. (Mas sem a heroína, espero. hahaha)
    Obs.: Se isso te ofende de alguma maneira, ignore o comentário e me desculpe. Não foi a intenção. 😛

    • Pedro Turambar
      Pedro Américo
      04/03/2013 at 16:30

      @Thais Waack, não Thais… você não é louca, de forma alguma. A vibe era bem essa, de tão, mas tão insanamente bizarro e sem sentido que foi esse carnaval. Sem a heroína, claro. Troque-a por alcool, muito alcool.

      E falando sério, o que está aí, o no diário escrito naqueles dias, não foi nem 10% do que realmente aconteceu lá.

      obs.: não me ofenderia de forma alguma. =D

  • C.C
    04/03/2013 at 14:37

    huahueaueauuhahuaeuueahuaeuhaehuuhae sensacional posta tudo pelo amor de deus huaehuhaeuheahuhuea bodao,bodou! é no passim ding dim digmg dim! hueahuuhaeuhae

    • Pedro Turambar
      Pedro Américo
      04/03/2013 at 16:28

      @C.C, Velho, eu juro que se eu achar o caderno eu termino a história.

  • didi
    23/02/2008 at 16:50

    Continua postando, PELAMORDEDEUS!!!

  • Anonymous
    22/02/2008 at 18:32

    Põe o segundo dia logo ai porco branco! ahiauhaiaha
    Ass.: Tomé

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Pedro Turambar

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Gosto de escrever, reclamar e não tenho controle sobre chorar. Escrevo há 10 anos sobre a loucura de viver em sociedade, futebol e falo bem e mal das coisas que leio, vejo e ouço.

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