Independência. O que é? Onde vive? O que come?


Eu moro sozinho há 7 anos e meio e, ao contrário do que você pensa, isso não tem nada a ver com independência.

Até porque não moro assim soziiiiinho. Desses sete anos, porém, pelo menos 3 totalmente alone. Só que se eu não fosse “independente” desde novo, isso não adiantaria em nada para meu amadurecimento. Porque, se você não sabe, aí vai: você nunca será independente, se não tiver maturidade para isso.

Eu já falei sobre morar sozinho aqui no blog, e no Papo de Homem. E eu não estou nem um pouco afim de voltar nesse assunto, até porque, ser independente é muito mais que isso. Você pode sê-lo morando com os pais, e não estar nem perto disso sendo um forever alone.

independencia

Eu agradeço demais a meus pais pela educação livre que eu e meus irmãos tivemos. Até pelo fato de sermos homens, tudo foi mais tranquilo nessa parte. A partir de uma certa idade, meu pai respondia a pergunta “Pai, posso ir em tal lugar?” com “Você tem dinheiro pra ir?” Com isso eu aprendi a primeira independência que eu poderia ter, a financeira.

Ganhe seu próprio dinheiro, faça o que quiser com ele. Anotado.

Eu cresci numa cidade pequena — Monlevade tem aprox. 75 mil habitantes. Ou seja, ir para qualquer lugar era relativamente simples, e eu, se quisesse, poderia ir pra ‘qualquer lugar’. No início ia com meus irmãos, aprendendo os caminhos e entendendo, mais ou menos, pra onde eu deveria ir. A partir daí, aprendi outro tipo de independência, a geográfica.

Aprenda os caminhos, não dependa de ninguém para seguí-los, vá para onde bem entender. Anotado.

Quando era adolescente, caí na besteira de aprender a fumar. E como sempre fui gordo, começava a querer me atuchar de remédio para emagrecer. Criava aí uma das merdas da vida que é uma variação bem merda de dependência química. Depois de quase 10 anos fumando, consegui parar de fumar, e há uns bons anos, venho botando na minha cabeça que remédio — qualquer remédio — deve merecer ser tomado. Ou seja, dor de cabeça passa, sintomas de gripe passam e, a não ser que seja realmente necessário, não preciso de remédio.

Fumar é uma delícia e ninguém deve sofrer de dor. Mas você pode aprender a criar um pouco de casca e aprender que tempo de vida é melhor que um trago.

Eu fui o terceiro e último filho dos meus pais, e eu demorei um poquinho para vir, tenho 5 anos de diferença para o Mateus. Ao contrário do que diz a lenda, ser o caçula é uma merda. Quase tudo que você tem é de segunda mão, e se a diferença de idade é grande, você tem que aprender a passar muito tempo com a pessoa mais importante da sua vida, você mesmo. Eu descobri, então, que é muito, muito importante aprender a conviver consigo mesmo, afinal, você irá fazer isso para o resto da vida. Você tem que aprender a se ver de verdade, por mais que você queira esconder para os outros, sozinho, no quarto escuro, você tem que saber o quê, e quem eres. Sem verniz, sem máscaras, sem mentiras. É duro, mas a independência mental é uma das mais importantes.

Aprender a conviver com seus monstros, entendê-los, compreendê-los é uma das coisas mais importantes para a saúde mental.

independência

Acredito que a união dessas independências primordiais fará de você o Capitão Planeta, e outras menores (independência tecnológica — saiba consertar suas coisas, espacial — conheça o seu próprio habitat, nutricional — aprenda a cozinhar! E tantas outras…), são o que te dão maturidade para tomar decisões, resolver problemas e viver a sua própria vida.

Outra dica importante, não dependa de ninguém para ser feliz (independência emocional). O que não quer dizer que você não possa dividir sua felicidade com outra pessoa, muito, mas muito pelo contrário. Quando duas pessoas independentes se amam, é muito mais fácil ser pleno. Não ser dependente não te torna um eremita da montanha, ao invés disso, te prepara para aceitar as particularidades e defeitos de outra pessoa, de forma muito mais natural.

Não existe fórmula, nem regra. Essa é só a minha visão do que é essa palavra que tanta gente brada, sem ter a menor ideia do peso que ela tem.

*Esse post faz parte de uma iniciativa de um grupo fantástico de pessoas chamadoRotaroots, que tem o simples objetivo de resgatar a blogagem de raiz, a blogagem moleque, de várzea que reinava no início da primeira década. Se quiser saber mais, clique aqui e aqui.

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10 Comentários

  • Juliana Regis
    09/09/2014 at 10:04

    Eu adoro teus textos, mas de todos que li esse foi um dos meu preferidos, especialmente a parte do Capitão Planeta. Daí sabe quando você gosta tanto de um texto que não sabe nem o que acrescentar? Então… texto foda.

    https://comolivrosbeboseries.wordpress.com/

    • Pedro Américo
      09/09/2014 at 12:38

      Aeaeaeaeae na união das Independências ele é o Capitão Liberdade!

      Óin. Obrigado. <3

  • Gabrielle Távora
    08/09/2014 at 20:25

    Adorei o texto, lacrou! Estou passando por um processo de independência emocional forçado ( namorado viajou pra pqp) e estou me policiando para não descontar no cigarro e na bebida, não quero ser uma dependente química haha, enfim acho que ter um blog ajuda com esse tipo de coisa. Gostei mesmo do post, comecei a participar do rotaroots agora e me deparei com seu blog, achei muito bacana. (:

    • Pedro Américo
      09/09/2014 at 12:37

      Melhor parênteses ever pra explicar ahahahah, e pode ter certeza que escrever sempre ajuda.

      Espero que tenha gostado mesmo e que volte mais vezes. 😀

  • Poly Quintas
    08/09/2014 at 19:02

    Eu também divido independência em financeira, geográfica, emocional, etc. Adorei a forma como vc conseguiu expressar isso tudo em palavras.
    Texto foda!

  • Marina Laterza de Paiva
    08/09/2014 at 09:13

    Não vou mais ficar nesse mimimi de ah, que texto bom, ah, que texto foda por motivos de: acho que já passamos dessa fase, rs. No mais, que foda! <3

  • Helena Arruda
    08/09/2014 at 02:18

    Primeiramente, adorei o título!!! Posso jurar que ouvi a vinheta do Globo repórter hihihi!

    Pensamos tão diferente; há aspectos em que chegamos a ser exatamente opostos nos nossos posts!! Mas é isso que eu adoro nas postagens coletivas. Ler outros pontos de vistas é tão enriquecedor!

    Mas em uma coisa concordo com você; “Aprender a conviver com seus monstros, entendê-los, compreendê-los é uma das coisas mais importantes para a saúde mental.”

    É incrível como nos ensinam o tempo todo como respeitar o próximo, conviver com diferenças, interagir… mas a nos aceitar, nos entender, nos conhecer; é tão negligenciado!

    No mais, é um ótimo post!

    beijinhos e até!

    • Pedro Américo
      08/09/2014 at 13:13

      Ahahahaha objetivo atingido.

      Nisso eu concordo com você. Adoro encontrar opiniões diferentes e outros pontos de vista sobre um mesmo tema. Só se constrói um pensamento inteligente dessa forma.

      o

      Que bom que gostou.

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Pedro Turambar

Pedro Turambar

Gosto de escrever, reclamar e não tenho controle sobre chorar. Escrevo há 10 anos sobre a loucura de viver em sociedade, futebol e falo bem e mal das coisas que leio, vejo e ouço.

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