Lutar Por Aquilo que Acredita


Eu duvido muito que você conheça esse senhor com cara de árabe aí em cima, eu não o conhecia há algumas horas atrás. Na verdade, eu o conhecia sim, o conhecia em outra vida. Dele, não minha. Explico.

O nome desse homem é Yusuf Islam, é um muçulmano que dedicou grande parte da sua vida a ajudar outras pessoas, e que luta até hoje por tudo que acredita: paz, amor, ajuda mútua e bondade. Esse homem, sempre foi um em um bilhão, mas depois que eu o conheci de verdade há poucas horas, esse homem é mais do que isso. Yusuf Islam merece muito mais que o meu respeito e admiração. Esse homem é um símbolo de tudo aquilo por que ele sempre lutou. É um símbolo de um mundo que eu gostaria de viver. É um exemplo de esperança na raça humana.

Você provavelmente não está entendendo nada. Afinal, qual é a diferença entre esse cara e qualquer outro bom samaritano que vemos por aí vez ou outra, o que ele fez de diferente afinal?

Bom, antes de ser Yusuf Islam, esse homem era conhecido nada mais nada menos que Cat Stevens.

Alguns provavelmente estão chocados, outros não, a maioria, eu aposto está com cara de “Ahn?!”. Veja e ouça isso aqui, se você nunca ouviu essa música, morra dolorosamente em algum porão escuro.

Eu fiquei chocado. Primeiro porque pra mim, Cat Stevens foi mais um daqueles gênios da música da década de 70 que morreu prematuramente com 27 anos, vítima de overdose de alguma substância alucinógena. De certa forma, eu estou certo. “Cat Stevens” de fato morreu naquela época.

Ontem, eu estava vendo pela milésima vez o clipe de Father & Son – a música do clipe acima. Essa música, me conforta quando sinto saudades de casa. Me faz sentir criança, me traz milhares de memórias da minha infância, do meu pai e da minha família. De qualquer forma, como sempre imaginei que ele tinha morrido, fui pesquisar um pouco pra fazer um post sobre essa música. No natal, seria o post. Eis que eu descubro que Cat Stevens não só está vivo, como ele é Yusuf Islam e como ocorreu essa baderna toda.

Em suma, aconteceu que Cat Stevens quase morrera algumas vezes, cedo demais, como era o destino dos gênios da música naquela época. Um dia, ele estava nadando no mar e foi pego pela correnteza. Tomou caldo atrás de caldo e simplesmente não tinha forças para voltar à margem, foi então que ele pensou “Deus, por favor, eu prometo que se você me salvar, vou dedicar minha vida inteira a sua palavra”. Algo do tipo. Segundos depois uma onda forte tirou Stevens do imbróglio que se metera e ele conseguiu se salvar. Ele disse que não esqueceria de sua promessa, e que mesmo sem saber como fazer, ele iria cumpri-la.

Um dia, de repente, Cat Stevens ao tocar Father & Son decidiu que aquela seria a última vez. Pelo menos em muito tempo. Ele então agradeceu e se despediu do público, desplugou o violão e deu adeus a milhares de fans, extasiados e incrédulos.

Um show e uma carreira que acabava prematuramente.

Isso foi em 1978. Cat Stevens, que nasceu como Steven Demetre Georgiou deixava pra trás uma vida que milhões de pessoas queriam ter. Deixava pra trás a fama, o showbiz, a loucura, as drogas e o rock. O que ele nunca deixou pra traz, foi tudo aquilo que ele pregava na maioria de suas músicas. O que ele nunca deixou pra traz foi tudo aquilo que ele acreditava.

Nessa época, ele se converteu ao islamismo e passou a se chamar Yusuf Islam. Se dedicou realmente esse tempo todo a atividades beneficentes.

No Youtube, vi vários comentários (quase todos de americanos), criticando de forma veemente a escolha de Yusuf. Para resumir, segue o comentário de uma pessoa que resume tudo que eu gostaria de realmente dizer aqui:

“Can every one just shut the hell up and listen to the god damn music. You may actually learn a thing or two! This man has lived his entire life in search of peace and love. I’d like to see what any of you have achieved in your lives! Nothing…………shit all. Cat stevens is a ledgend! Nothing compares to his work, both on and off the stage.. So if you dont like it……….move on, it’s that simple!”

Que importa se Cat Stevens é cristão, muçulmano, budista ou acredita em uma árvore? Que importa quais foram as motivações dele para a mudança? Que importa?

Para mim importou demais saber que nem todos nossos ídolos morreram jovens. Para mim importou saber que ele está lançando discos de novo. Para mim importou vê-lo cantando com a barba grisalha. Para mim importa existir um símbolo como Yusuf Islam para jovens como eu. Para mim importa existir uma lenda que resolveu abdicar de tudo para lutar por aquilo que acredita. Sem fazer disso uma demagogia, sem querer mostrar para o mundo “olha, eu sou um ex-maluco que ajuda as criancinhas”.

Não, Yusuf Islam é uma verdade. É um exemplo. Quero ter metade da coragem dele para lutar por aquilo que eu acredito.

Suas músicas fazem mais sentido ainda. Obrigado Steven.

***

1 – É sensacional vê-lo cantando hoje “i am old, but i’m happy”

2 – Só queria deixar claro, que ainda acho que o Rock precisa – e muito – de ser louco como antigamente. O que me fascina não é a mudança dele, mas sim a coragem de fazer essa mudança e continuar lutando por algo que ele sempre acreditou, e mudar a vida de muita gente com isso.

3 – Yeah, it’s a wild world indeed.

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3 Comentários

  • Bárbara
    30/10/2012 at 01:03

    Parabéns Pedro ….a vida é isso descobrir e conhecer o que há de melhor independente de qq ideologia .
    O Cat Stevens/ Yusuf Islam é uma pessoa/artista de 1ª grandeza!!! Uma pessoa rara em todos os aspectos…daquelas que valem a pena acompanhar.
    Um beijo

  • Neto Macedo
    02/03/2011 at 02:27

    Pedro, você me conhece e sabe que eu sou a pessoa mais open mind do mundo. Mas porra, muçulmano? Foda. Prefiro ter um filho veado do que um filho muçulmano. De qualquer forma, o cara é gênio.

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Pedro Turambar

Pedro Turambar

Gosto de escrever, reclamar e não tenho controle sobre chorar. Escrevo há 10 anos sobre a loucura de viver em sociedade, futebol e falo bem e mal das coisas que leio, vejo e ouço.

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