Mais Turambar, Menos Américo #1


Eu já não fazia resoluções de fim de ano há muito tempo, mas de 2014 para 2015 eu resolvi que precisava mudar minha vida radicalmente. E eu não ia esperar mais nem um minuto para isso. Tentei, inúmeras vezes, ser senhor do meu destino. Falhei por não ouvir um velho mestre:

Do or do not, there is no try.

Resoluções de fim de ano são, assim como o Tutu de Feijão e os relógios digitais, uma das piores invenções da humanidade. Como várias outras coisas que criamos, mandamos muito bem na ideia, mas a execução deixa (muito) a desejar.

A ideia de que na virada do ano você pode reunir toda aquela motivação?—?e sensação de recomeço—com o objetivo de melhorar a sua vida ou a forma como a encara, é genial. O problema foi terem ensinado as pessoas a fazerem isso da forma errada.

O erro começa no namming. “‘Resolução’ de Fim de Ano.” Não seja um Sith, não lide em absolutos. Isso quer dizer que você estabelece uma meta sólida e, na maioria das vezes inalcançável. O lado escuro da motivação (hoje eu tô demais nas referências a Star Wars) é justamente achar que você é um super herói. É um mega combustível, eu sei. Você, naquele momento, tem a plena convicção que vai entrar na academia, começar o regime e ter, finalmente, o corpo que sempre quis. Ou que sempre mereceu (tome cuidado com esse pensamento).

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Você tem a plena convicção que seu romance não só vai ser escrito, como será aceito por uma editora, e se transformará no mais novo bestseller, com um baita contrato (se deus quiser) com a Warner, para um filme estrelado por Channing Tatum e Jennifer Lawrence. E então você poderá viver de entrevistas, sessões de autógrafos e nunca mais terá que ouvir um cliente na vida. Muito menos um chefe.

Você sabe que, organizando direitinho, vai conseguir ler todos aqueles livros que estão acumulando poeira. Além dos clássicos. Você sabe que, desse ano, os Irmãos Karamazov não passa. Você vai sair do Facebook, e vai se dedicar a leituras mais construtivas, discussões mais adultas. Chega da dicotomia sem sentido da rede do Mark.

Você tem a plena convicção de que vai encontrar o amor da sua vida. De que você sendo essa nova pessoa, que cuida do corpo, da mente, você é, imediatamente, um partidão, o último biscoito do pacote. Você não é mais um daqueles alienados, que vive a vida preso na tela do celular. Agora você é muito mais, você evoluiu.

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Ah, o próximo ano vai ser MEU ano…

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Só que não.

O ano começa e… ir na academia? Seu corpo é ridículo, as pessoas vão rir de você. Como você tem coragem de sair de casa?

1*wlUqkYL2ho33kIGDnvsSdwUm romance? Você não consegue escrever nem um cartão de natal, quem você acha que é para escrever um livro? Suas ideias não são originais, você não tem noção de narrativa e jamais! JAMAIS vai conseguir publicar essas merdas…

Ler mais livros? Espera aí, que você não pode perder esse novo meme no 9gag…

Olhe para o espelho. Você não gosta de você. Você quer ser outra pessoa. Por quê, então, alguém iria se interessar? Perda de tempo. Compre mais um pote de sorvete e desça essa barra de rolagem como nunca.

Nada é mais importante agora, nesse sábado lindo, que o resultado de Manchester United x Hull City. Ou que essa tonelada de likes que você tem aí pra distribuir.

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Pegue a fórmula e o modus operandi acima e repita, ano após ano até sua morte.

Entrar na academia é muito mais assustador do que parece no dia 31 de Dezembro. Ser bom em alguma coisa é muito mais difícil que sonhar em ser bom em alguma coisa, exige muitas, mas muitas horas de trabalho. Parar um tempo para ler um livro é muito difícil quando se tem bolinhas vermelhas de notificação para visualizar. Dividir sua vida com outra pessoa é muito complicado quando você não faz ideia de quem é que te olha no espelho.

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Sai fora que é rabo.

Sair do seu quadrado é excruciante. A comodidade é, talvez, um dos maiores males da humanidade. Primeiro porque é muito, muito complicado sair dela, segundo por é melhor que qualquer droga. É igual quando a gente acha aquele lugarzinho na cama, aquela posição de membros, cabeça e tronco, aquela momento, perfeito, que você poderia aproveitar pela eternidade. O que acontece quando você acha esse ponto de perfeição? Sua bexiga grita para ser esvaziada e nunca mais, nessa vida, você irá encontrar aquele jeitinho. Mas logo você acha outro, e dorme do mesmo modo, talvez até melhor.

People don’t change, diz Dr. House. But they habbits do, diria eu.

Mudar não é um botão de on e off. É um processo e, por esse motivo, não pode ser resolutivo, absoluto e imutável. Ser bem sucedido não é atingir objetivos a qualquer custo, é saber se adaptar, reconhecer suas limitações, seus limites e como ultrapassá-los, com inteligência ao invés de pressa.

Se eu estou conseguindo, eu tenho a absoluta certeza, que qualquer pessoa pode. Continue acompanhando essa série de textos, que eu irei falar sobre o que eu estou fazendo e como estou conseguindo, aos poucos, mudar vários aspectos da minha vida, para ser, enfim, a pessoa que eu sempre quis ser.

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Mais Turambar, Menos Américo é uma série de textos que tem o objetivo de ser um diário da minha mudança de hábitos e, se puder, ajudar outras pessoas a acreditar que elas também podem transformar suas vidas, sem metas malucas e frustrações sistemáticas e com um pouco de humor.

A ideia inicial é postar um por mês, além desse, que é o texto introdutório. Totalizando 13 (talvez eu inclua outros 6, por motivos cabalísticos).

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Esse texto foi originalmente postado no Medium.com

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1 comentário

  • Rafael Oliveira
    22/04/2015 at 09:39

    É mais difícil fazer a lista no primeiro ano…no outros é só repetir os 90% do que você não cumpriu que a lista já ta praticamente pronta.

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Pedro Turambar

Pedro Turambar

Gosto de escrever, reclamar e não tenho controle sobre chorar. Escrevo há 10 anos sobre a loucura de viver em sociedade, futebol e falo bem e mal das coisas que leio, vejo e ouço.

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