Maria Maria


Há alguns meses eu venho mudando muito a forma como eu encaro a vida. E principalmente as minhas atitudes em relação à sociedade em que vivo e à mim mesmo. Entender o quanto eu era preconceituoso foi parte muito importante para essas mudanças.

Ainda quero falar bastante sobre o comportamento absurdo que temos às vezes – sem que percebamos – em situações comuns do dia a dia. Frases como “Não sou preconceituoso, tenho vários amigos gays (inclua sua minoria aqui)” são ditas com a naturalidade de quem ainda vê as sombras na caverna. Espero que eu consiga com esse texto virar-te a cabeça para o mundo lá fora.

Maria!

Maria!

Como hoje mais cedo acabou o Campeonato Mineiro de 2013, resolvi usar o exemplo do futebol mineiro para falar do assunto.

Em diversos lugares do país – principalmente onde o estado é ‘dividido’ por dois grandes clubes de futebol – existe sempre um time em que seus torcedores tem a fama de serem pobres, sujos e ladrões em contrapartida aos torcedores rivais, ricos, bonitos e efeminados. É uma cultura do futebol do brasileiro, enraizada e disseminada como doutrina desde pequenininho. As mais evidentes, e mais conhecidas são as torcidas de Corinthians x São Paulo e claro, Atlético x Cruzeiro.

O exemplo mineiro ainda tem um agravante, já que o torcedor cruzeirense tem o apelido de ‘Maria’, o subjetivo-adjetivo no caso aqui é empregado de forma pejorativa. Ou seja. Ser Maria, ser mulher, é ser pior. É ser menor. Baixo.

Maria – o subjetivo – para nós brasileiros é a representação máxima da mulher. Representa mais que nossas mães, irmãs e esposas, representa uma luta. Uma luta pela igualdade, pelo fim da violência contra a mulher – que existe em números absurdos no mundo todo.

Maria JAMAIS deveria ser usado de forma pejorativa. Ninguém nunca deveria ser rebaixado por ser ‘Maria’. Não somos nós atleticanos filhos, irmãos e companheiros de tantas? Como estamos errados.

Você imagina a vergonha que eu sinto lembrando todas as vezes que fiz coro junto à tantos outros. Tudo isso por causa da camisa amarela e dos longos cabelos do goleiro galã Raul.

O Cruzeiro perde aqui – para mim – uma oportunidade de marketing gigantesca. Não só de acabar de vez com essa história, como ser um porta-voz da luta pela igualdade travada a tanto tempo pelas mulheres. Assim como o Boca assumiu para si o apelido de bostero e virou motivo de orgulho para eles, o Cruzeiro deveria assumir a Maria. Maria é mãe, é mulher. Que figura melhor representaria o espírito guerreiro que os cruzeirenses se orgulham tanto. Fica a dica para a diretoria celeste.

Gênio.

Você caro atleticano, pare um pouco para pensar no absurdo que é o uso disso. Não sou contra palavrões, gritos e palavras de ordem dentro de um estádio de futebol. Essa discussão é para outro post. Podemos ser mais criativos e fazer graça com o torcedor rival sem disseminar a misoginia e a homofobia.

maria maria

O Lado Rosa

‘Maria’ é usado pela torcida do Atlético em relação aos cruzeirenses. Mas ‘xingar’ o torcedor rival de “gay”, “bicha”, e outros tantos termos que não irei reproduzir aqui é comum à todas as torcidas.

O argumento anterior é o mesmo aqui. Citando – veja só – um ex-BBB eu acho que consigo resumir bem o que penso hoje sobre isso. Quando saiu do programa, ao ser questionado sobre o que achava de ser chamado de gay pelas pessoas Nasser respondeu assim “Por que eu deveria me irritar por me chamarem de algo que eu não considero ofensivo?”

Precisa falar mais?

Eu venho repetindo como louco no Facebook que às pessoas ainda vão se horrorizar pelo fato como se dirigem aos homossexuais hoje em dia. É exatamente a mesma coisa que faziam há 200 anos com os negros. O tratamento é lamentavelmente parecido.

“Tenho vários amigos gays” é o novo “Tenho vários amigos negros”.

Temos que parar com isso. E principalmente, para de achar que isso é “só uma brincadeira”, ou “é só no futebol”. Não. Não é. Se você racionaliza, vê como isso é errado. Não racionalizamos em cima disso porque estamos condicionados a esse comportamento desde que nascemos. A nossa sociedade incute e dissemina essa ideia exatamente através de piadas, brincadeiras e estereótipos.

Um padrão de comportamento que leva a tirar vidas humanas e é abertamente aceito pela sociedade não pode ser brincadeira.

***

Para terminar, queria muito deixar links que irão lhe ajudar – e muito -, a entender um pouco mais sobre o assunto, e sobre como você pode abrir os olhos. Poucas coisas me fizeram pensar mais que o Feminismo, curso rápido e o Cavalheirismo é machismo  do Alex Castro.

Não poderia ainda, deixar de aplaudir de pé a iniciativa da página Galo Queer. Torcedores do Atlético que se juntaram para lutar contra a homofobia, e causaram ‘somente’ a criação de páginas de torcidas por todo país com o mesmíssimo objetivo.

“Galo é amor, não é intolerância” é uma frase muito forte, que me faz acreditar todo dia que é possível acabar com essa cultura no futebol e na nossa sociedade.

Pedro Turambar

Já fui de um tudo nesta vida, mas há uma coisa que nunca deixei de ser: escritor. Escrevo para viver e manter minha sanidade em um mundo tão louco. Sou uma mistura de palavras, lágrimas e reclamações.

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41 Comentários

  • Felipe Ramos
    18/02/2014 at 11:14

    Pedro, discordo da parte que o Cruzeiro deveria usar o Maria no mkt por um motivo: Maria veio de Máfia, de Máfia Azul, quando atleticanos (provavelmente da Galoucura) transformavam o F em R nos muros pichado. Tanto é, que até a Pavilhão chama a Máfia de Maria. E hoje a Máfia Azul é a Pavilhão são os maiores inimigos do torcedor de bem Celeste.

    Quanto ao resto, post genial. Apenas acho que é algo cultural, errado, mas difícil de mudar…

  • Pedro
    09/06/2013 at 03:12

    Talvez nao seja com um intuito preconceituoso, mas se formos pensar no politicamente correto nao poderemos fazer uma das coisas que esta dentro do pacote do futebol, que e o insulto a outra torcida. Por que se formos considerar cada expressao de insulto vera que afetara alguem seja chamando de retardado(olha o que aconteceu com o rafinha bastos), o tao falado fdp de praxe dos juizes(qual o problema de alguem ser filho de uma prostituta) entao as pessoas tem que ler o contexto senao viveremos em um mundo onde brincadeiras serao marginalizadas e temos que encarrar certas ocasioes o insulto como um apelido infame e nao como denegridor de uma parte da sociedade

  • josé
    22/05/2013 at 21:03

    Esse negócio de chamar os cruzeirenses de maria, realmente tem a ver com preconceito do tipo contra mulheres e gays. Embora as “brincadeiras” dos cruzeirenses em relação as camisas rosas lançadas em 2010 pelo Galo. O fato do cruzeiro ter sido fundado por imigrantes italianos, a grande maioria discriminados em seu país de origem por serem do sul da Itália, mas no contexto brasileiro, onde o racismo é às vezes declarado, às vezes velado, mas sempre agressivo, desempenhou ou desempenha algum papel? Será que o brasileiro daquele período tinha algum sentimento de baixa autoestima que justificasse o uso de termos que nominavam um estereótipo próximo do homossexual, feminino, que à época tinham sobre si o peso da perseguição, violência simbólica, física, e utilizavam esse comportamento como afirmação sobre algo que consideravam superior? Sim, à época, ser preto, pardo, ou seja, negro, pobre, do povão, não era valor. Outra questão, é avaliar se a torcida do atlético mineiro é povão e da cruzeiro é classe média, hoje e ontem, Será isso verdade? Parece que há uma tese, dissertação que investigou essa questão e mostra a relação de uma elite econômica com o Galo. Mas que o rótulo de torcida popular para o Galo e torcida majoritariamente branca e elitizada para o Cruzeiro existe e exerce alguma eficácia. Sobrou para as mulheres e gays, já que ser chamada de Maria não é propriamente uma atitude carinhosa dos atleticanos em relação aos cruzeirenses. Bom era o tempo em que o futebol era importante entre as coisas menos importantes, se é que esse tempo existiu no Brasil.

    • Pedro Turambar
      Pedro Américo
      22/05/2013 at 22:01

      @josé, muito bacana seu comentário.

      De fato, essa ‘configuração’ – Atleticano: preto, pobre, ladrão / Cruzeirense: branco, rico, efeminado – é coisa moderna. Nos idos de 60 pra trás era exatamente o contrário. Essas ‘particularidades’ eram invertidas.

      Eu concordo plenamente com você. Bom seria se a gente pudesse se preocupar apenas com o futebol.

  • Angélica
    22/05/2013 at 20:41

    Sou atleticana e adoro futebol, concordo plenamente que essa questão tem que ser discutida pois não só o “Marias” como também o “Cachorrada” (que é o usado pelos cruzeirenses para denominar os atleticanos) que também é humilhante não só para nós torcedores, que não temos nada a ver com isso, e muito menos os cachorros! Vamos assim dizer. Os cruzeirenses ficam ofendidos mas também ofendem. Dentre outros tantos, estes apelidos remontam à uma rivalidade suja e ignorante o que não se espera da diversão que é o futebol. Seja atleticano, cruzeirense, São Paulino, corinthiano… os apelidos e xingamentos existem. É necessário um trabalho com os torcedores para não só acabar com a homofobia e o racismo, mas também com as ofensas e violências tão presentes dentro de campo.

  • luisk
    22/05/2013 at 13:04

    Sou Galo e sempre fiquei desconfortável com esse “xingamento”: é machista e homofóbico. Pior ainda é quando vejp mulheres atleticanas usando-o. Prefiro lembrar as raízes fascistas do cruzeiro. Aí eu xingo mesmo.

    • Pedro Turambar
      Pedro Américo
      22/05/2013 at 15:04

      @luisk, mesmo sem fazer essa reflexão eu achava muito estranho uma mulher chamando cruzeirense de ‘Maria’.

      É como eu que sou gordo querer rebaixar outra pessoa gorda, chamando ela de gorda. Não faz sentido.

  • Jefferson Andrade
    22/05/2013 at 12:41

    Excelente texto, Pedro! As pessoas têm que começar a entender que não é necessário ser homossexual para debater ou lutar contra a homofobia.
    Sou heterossexual e sou seguro da minha orientação sexual. Pra mim, o homofóbico é alguém que morre de medo de ver torcedores gays ao seu lado no estádio… vai que a proximidade cria um clima, né?
    Humor à parte, já passou da hora de estirpar esse tipo de preconceito ignorante.
    Abraço!

    • Pedro Turambar
      Pedro Américo
      22/05/2013 at 15:08

      @Jefferson Andrade, obrigado cara.

      Eu concordo com você. Muito é desinformação e status quo de que homossexuais são promíscuos, querem que todo mundo seja homossexual como eles e outros tantos mitos disseminados através de piadas e brincadeiras.

      Parte é desinformação parte é puro preconceito e medo de se descobrir um.. não sei. É mais complicado mesmo que isso.

      Já. Já passou da hora. Espero sempre contribuir para que isso acabe.

  • Gilberto Souza
    21/05/2013 at 16:26

    Ok!
    Mais um texto bonitinho para dizer como somos cruéis, não pode chamar de Maria, de Zé nem de mané, infelizmente estamos vivendo na era dos ofendidos.

    • Laíse Ribeiro Dutra
      21/05/2013 at 16:33

      @Gilberto Souza, bem como dos preconceituosos e ignorantes.

      • Pedro Turambar
        Pedro Américo
        21/05/2013 at 16:36

        @Laíse Ribeiro Dutra, bati palmas aqui.

        • carollopes
          22/05/2013 at 15:04

          @Pedro Américo, kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

    • Pedro Turambar
      Pedro Américo
      21/05/2013 at 16:35

      @Gilberto Souza, Mané pode. Mané.

  • Laíse Ribeiro Dutra
    21/05/2013 at 15:33

    Muito bom, Pedro. Pôr essas discussões na mesa é um importante passo para começarmos a combater a homofobia, não somente no futebol, mas tbm nas demais áreas da sociedade.

    Bela iniciativa, não só pelo post mas pela mudança de postura no pensa e agir, mudar para melhor é sempre um grande exemplo aos estagnados na ignorância.

  • Laíse Ribeiro Dutra
    21/05/2013 at 15:32

    Muito bom, Pedro. Pôr essas discussões na mesa é um importante passo para começarmos a combater a homofobia, não somente no futebol, mas tbm nas demais áreas da sociedade.
    Bela iniciativa, não só pelo post mas pela mudança de postura no pensa e agir, mudar para melhor é sempre um grande exemplo aos estagnados na ignorância.

    • Pedro Turambar
      Pedro Américo
      21/05/2013 at 16:36

      @Laíse Ribeiro Dutra, o/

      É uma luta diária e constante, mas um dia me livro. Obrigado. =)

  • Mara Nogueira
    21/05/2013 at 12:08

    Caro Pedro,

    Em primeiro lugar, parabéns pelo texto. Essa discussão é muito importante e aguardo o dia em que a sociedade vai olhar com vergonha para esse passado homofóbico. Também escrevi um texto sobre isso, através de uma nota publicada no Facebook dia 17/04: https://www.facebook.com/notes/mara-nogueira/sobre-marias/10200994505211700. Não sei se você chegou a ler, mas nossos argumentos são bastante semelhantes.

    Por fim, gostaria de fazer uma sugestão. Já que você manifestou essa opinião, acredito que seria coerente alterar o seguinte trecho da descrição do seu blog:
    “Quando comecei a faculdade – faço Publicidade e Propaganda na UNA B (termina no fim do ano, se Illúvatar quiser!) – pegava um ônibus que passava por um certo caminho, todo dia neste caminho eu podia ver um dos crepúsculos (a verdade é que eu escrevo crepúsculos porquê nunca escrevo pôr-do-sol certo e porque por do sol é gay demais) mais lindos do mundo.”

    Grande abraço

    • Pedro Turambar
      Pedro Américo
      21/05/2013 at 12:24

      Oi @Mara Nogueira, tudo bem?

      Antes de qualquer coisa, tenho que agradecer por me mostrar isso. Estou reeditando várias coisas antigas do blog, e inclusive vou usar minha próprias falas para mostrar como certas coisas que não vemos como preconceituosas são, e muito.

      Tem textos meus que eu sinto vergonha de ter escrito. Mas eu ainda chego neles e vou usá-los como exemplo de que é possível ver as coisas de outro modo e mudar as atitudes enraizadas por uma criação numa sociedade extremamente preconceituosa como a nossa.

      Se encontrar mais coisas do tipo, por favor, me avise.

      .

      Bem, Mara, não havia lido o seu post, mas quisera ter lido para ter compartilhado e dado ainda mais força. (Farei isso agora).

      Eu pensava exatamente da forma como a maioria pensa hoje em relação às ‘brincadeirinhas’. Principalmente em relação ao futebol. O que eu nunca pensei foi que isso por mais “inocente” que fosse – e de inocente não tem nada – só contribui para a manutenção do status quo.

      Quando eu tomei consciência disso, tomei também o objetivo de ajudar a mudar isso da forma que eu puder.

  • Joseph
    21/05/2013 at 11:51

    Não estamos, obviamente, nas Olimpíadas da Opressão.
    Mas o desrespeito da torcida homofóbica cruzeirense é infinitamente maior. O termo “Maria”, que anteriormente era utilizado de forma absurdamente preconceituoso pela torcida atleticana, sofreu uma contrassignificação importantíssima. Sim, porque a utilização de um termo relacionado ao feminino não deveria JAMAIS ser atribuído a inferioridade.
    No entanto, a utilização de termos obviamente aceitos como pejorativos e chulos, que vão além, fazendo direta associação especicista e ainda por cima de inferiorização feminina como os termos “frangas” ou “galinhada”, por parte da torcida cruzeirense não é suscitadas.
    Definitivamente, nenhuma ofensa é aceitável, mas ignorar que a ofensa cruzeirense tem um grau muito maior de preconceito, sexismo, diminuição do outro e do reconhecimento do outro como um ser humano, não é algo admissível. Merece, no mínimo, uma discussão no mesmo nível do termo “Maria”.

    • Pedro Turambar
      Pedro Américo
      21/05/2013 at 12:08

      @Joseph, Concordo totalmente com o que você diz. Somados a esse ainda temos o ‘cachorrada’ e os termos para diminuir o atleticano pela ‘classe social’ da torcida.

      Porém eu preferi focar apenas no ‘Maria’ neste texto específico por ser atleticano. Esse é apenas o primeiro texto que eu falarei de preconceito no futebol. Queria abrir a discussão com o ‘Maria’, mas a discussão vai muito além disso e dos termos homofóbicos.

      Essa pauta não acaba aqui, pode ter certeza.

  • Richard
    21/05/2013 at 11:39

    Mesmo suscitando uma discussão bacana, não concordo com o seu texto. Leve em consideração o contexto das expressões. Imagina se não podermos falar nada nem no estádio de futebol? Uma expressão pode ter vários significados e o “Maria” daí é uma simples forma de zuar. Nada tem a ver com a representação das mulheres e blá, blá, blá… Minha avó chama-se Maria. Mas o “Maria” que usamos para os cruzeirenses nada tem a ver com ela. Qualquer palavra pode ser usada pejorativamente. Então vamos ter que uma lista de palavras que podem ou não ser usadas para provocar? Homossexuais usam essa expressão para zuarem entre si. Qual o problema? Acho que atribuirmos essas expressões às questões de preconceito e racismo é fugir do foco do problema. É hipócrita. “Tenho vários amigos cruzeirenses”. Não sou preconceituoso. Viva o bom humor e provocação pacífica.

    • Pedro Turambar
      Pedro Américo
      21/05/2013 at 13:59

      @Richard, quando você entender que “Maria” não é uma simples forma de zuar, e que inferiorizar o sexo feminino é mais uma das coisas que contribuem – entre outras coisas – para os números absurdos de violência contra a mulher, você irá entender o que eu disse no texto.

      • Richard
        22/05/2013 at 14:46

        @Pedro Américo, Oi Pedro! Segundo quem a expressão “Maria” (usada no estádio) quer inferiorizar ou inferioriza o sexo feminino? Não concordo. Os números absurdos de violência contra a mulher, para mim, tem outras causas que nada tem a ver com questões no campo de futebol. Eu entendi seu texto, por isso estou argumentando.

        • Pedro Turambar
          Pedro Américo
          22/05/2013 at 15:03

          @Richard, tudo bom cara?

          A partir do momento que o torcedor cruzeirense, chamado pelo torcedor atleticano com escárnio, com raiva e para colocá-lo abaixo de si usando o termo ‘Maria’ ele está querendo dizer que por ser Maria, por ser ‘menina’ ‘moça’ ‘mulherzinha’ ele é muito pior que ele.

          Entende?

      • Richard
        22/05/2013 at 14:47

        Oi Pedro! Segundo quem a expressão “Maria” (usada no estádio) quer inferiorizar ou inferioriza o sexo feminino? Não concordo. Os números absurdos de violência contra a mulher, para mim, tem outras causas que nada tem a ver com questões no campo de futebol. Eu entendi seu texto, por isso estou argumentando.

  • carollopes
    21/05/2013 at 10:34

    sempre tem q ter um pra dar de bobão!!!Hoje os torcedores não sabem o q é torcer e nem sabem o q é futebol de verdade.Sangue els dão pq o dinheiro na conta eles querem ,torcedores gostam de difamar o outro time e esquecem de torcer de verdade .Palavras pejorativas teremos pro resto da vida,respeito já será uma palavra q daqui uns tempo saíra do dicionário e do cotidiano da sociedade.O q vale hoje em dia são as palavras maléficas .Até onde aceitaremos isso!!!Vamos levantar essa bandeira já!!!MELHOR TEXTO Q JÁ LI SOBRE PRECONCEITO.

  • Maria do calvario
    21/05/2013 at 05:52

    Quanta bixisse…

    • Pedro Turambar
      Pedro Américo
      21/05/2013 at 08:31

      @Maria do calvario, É porque ser ‘macho’ de verdade é comentar como anônimo não é mesmo?

    • Maria José
      21/05/2013 at 09:51

      @Maria do calvario,
      Quanta ignorância…

  • Diego Souza
    20/05/2013 at 23:12

    Excelente texto! É muito bom ver que a luta contra o preconceito e a opressão está chegando finalmente no futebol, um dos meios mais reacionários neste sentido!

    Acho um ABSURDO o uso do “maria” por parte da torcida do atlético, estamos acostumados a ver “ofensas” como bicha, gay, etc, mas o termo “maria” é TÃO descaradamente machista que me surpreende que ninguém tivesse falado contra isso ainda!

    Quando você falou dos dois clubes grandes, um pobre e lutador outro rico e afeminado, lembrei na hora da dupla gre-nal. Como gaúcho e apaixonado por futebol, presencio isso desde sempre. O inter sempre teve o estigma de ser o club do povo, o primeiro club do RS a aceitar negros como jogadores, e até hoje a torcida do grêmio se refere aos colorados como “macacos”, algo tão descaradamente racista que tbm me surpreende que ninguém fale contra! O inter até adotou o macaco como mascote, mas continuo vendo como algo racista e nojento por parte da torcida do grêmio usar isso como ofensa. Por outro lado, a torcida do inter sempre pega no pé do grêmio em relação a coligay, que foi uma das primeiras torcidas LGBT do Brasil! Algo que deveria ser orgulho e virou zoação! Isso só mostra o quão ATRASADO está o meio futebolístico nesses assuntos, enfim, é algo a ser combatido. Abraços.

  • Marcela Linhares
    20/05/2013 at 22:56

    Tem uma página da torcida do Cruzeiro que se chama Cruzeiro Maria: http://www.facebook.com/torcidacruzeiromaria?fref=ts

    Surgiu uma na época da Galo Queer, no mesmo dia, chegou a ter muitos likes, mas foi apagada. Essa chegou depois que a primeira foi deletada, e acabou não angariando tantos fãs, porque o pessoal nem viu.

    • Pedro Turambar
      Pedro Américo
      21/05/2013 at 08:34

      @Marcela Linhares, na época do surgimento da Galo Queer que eu comecei a ver algumas discussões tanto sobre o uso de ‘Maria’, quanto de alguma parte da torcida querer assumir isso para levantar uma bandeira.

      Porém – como você mesmo disse – isso acabou sumindo.

      Eu apoio qualquer tipo de luta contra preconceito seja ele qual for. Futebol é bem menor que isso.

  • Pedro Sá
    20/05/2013 at 13:56

    Muito bem colocado, xará! Não por ser cruzeirense, mas esse apelido pejorativo me incomoda, acho desnecessário. Já fui muito ligado em futebol, acompanhava tudo, assistia os jogos, etc. Hoje em dia, deixei de dar importância a isso, e não sinto falta. Nada que eu fizer fará diferença nesse “mundo” do futebol, os times, dirigentes e jogadores continuarão ganhando rios de dinheiro. Se eu me “desligo” um pouco disso tudo, só quem ganha sou eu, já que não gasto grana, não perco tempo e posso dar atenção a outras coisas, às pessoas que gosto. Fico satisfeito quando ganha, mas nada muda quando perde também. =)

    • Pedro Turambar
      Pedro Américo
      21/05/2013 at 13:57

      @Pedro Sá, eu não consigo largar o futebol como vc fez. Eu amo o esporte, o que ele tem de bom e de fantástico é muito melhor do que ele tem de ruim, de podre.

      E é por acreditar que o que ele tem de bom irá prevalecer e que o futebol e seus problemas irão melhorar que eu não largo. Vou sempre acreditar e tentar mudar.

      • Pedro Sá
        21/05/2013 at 14:15

        @Pedro Américo, na verdade, não deixei de gostar do futebol. Ainda assisto algumas partidas, leio notícias, vejo replays, etc. Só não gasto fortunas pra ir ao estádio em todos os jogos (como fazia antes), evito usar camisas na rua e não entro em discussões acaloradas e sem fim sobre qual dos times é o melhor, maior e com história mais gloriosa. =)

  • Matheus Martins
    19/05/2013 at 23:45

    No futebol o politicamente incorreto é liberado. As crianças desde cedo vão aprendendo a assistir o jogo e usar ofensas, assim como vê seus pais fazendo. Acho que de forma sutil, aquela ofensa e o preconceito que ela carrega vai enraizando e ficando cada vez mais tolerável de ser dito. Aqui em Pernambuco, tal time é o da Barbie e os outros dois dos favelados, interessante ver que isso se repete em outras capitais.

    • Pedro Turambar
      Pedro Américo
      21/05/2013 at 08:36

      @Matheus Martins, isso não tem nada a ver com politicamente correto ou incorreto. As pessoas colocaram isso na nossa cabeça e a gente simplesmente aceita, que se é preconceituoso, sexista, homofóbico, é “politicamente incorreto” mas totalmente normal, aceito e saudável.

      Não, não é. Não deveria ser assim. Politicamente incorreto é ooooutra coisa.

      Se repete sim cara.. pelo que eu estou vendo, se repete em todas as capitais.

  • Ruan
    19/05/2013 at 21:15

    Eu não vejo o “Maria” como uma ofensa por se tratar de uma mulher. Maria, pra mim, é por ser feminino (no caso, querem dizer que os cruzeirenses são afeminados,gays), e isso é diferente.

    Segundo me contaram (eu não ligo pra futebol) Maria veio porque a torcida era a Máfia Azul, ai trocaram uma letra com o intuito de tornar em algo feminino: Maria. O que estou tentando dizer aqui é que podia ser Maria ou podia ser Richarlyson ou podia ser Jean Wyllys ou Freddie Mercury ou Daniela Mercury. Não é o fato de ser mulher, é o fato de ser gay, só coincidiu.

    • Pedro Turambar
      Pedro Américo
      19/05/2013 at 21:29

      @Ruan, o seu comentário é um exemplo perfeito do que eu estou tentando falar com o texto.

      Não importa. Mulher, gay, negro, judeu…

      Não é, e não deveria ser usado como termo ofensivo. Eu não disse que é por ser ‘mulher’ fiz a comparação de mulher com Maria para falar do feminino mesmo. Desde quando ser feminino é ser pior?

      E a fama de time efeminado veio com por causa do goleiro Raul Plasman, e não por causa da Máfia.

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Gosto de escrever, reclamar e não tenho controle sobre chorar. Escrevo há 10 anos sobre a loucura de viver em sociedade, futebol e falo bem e mal das coisas que leio, vejo e ouço.

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