Momentos que definem uma amizade


Existem alguns momentos que definem uma amizade. Alguns segundos em que ficam pregados de forma tão profunda nas nossas mentes que podemos reviver hoje, mês que vem, daqui 20 anos.

bro's before hoe's

bro’s before hoe’s

É aquela pancadaria numa festa em que seu amigo pula por você caído no chão para socar algum idiota. É quando você olha pro relógio e vê que são 7h30 da manhã e nenhum nem outro aguenta mais ficar de olho aberto de tão bêbado. É aquele choro da derrota pro rival na arquibancada. Ou o choro de alegria quando seu goleiro salva o time no último minuto. É aquele momento em que seus dedos já não se movem, de tanto que você bebeu e tentou tocar 3’s and 7’s do Queens of The Stone Age (modo hard com joystick) no Guitar Hero III.

Acontecimentos únicos e inesquecíveis de fato. Mas nenhum desses momentos que definem uma amizade são maiores que virar o jogo nos acréscimos da prorrogação na final e ganhar o título da Eurocopa às 3 e meia da manhã, depois de catorze tentativas. Nada define uma amizade melhor que isso.

Você está lá, bebendo com o seu amigo e jogando FIFA, mais precisamente o DLC da Eurocopa. Coisa que vocês fazem toda semana praticamente. Porém é nenhum tem que trabalhar no dia seguinte e o desafio é: ganhar a Eurocopa jogando os dois no mesmo time. Quem já jogou assim, sabe que é dificílimo. Além das edições de competições nacionais serem particularmente mais difíceis que os jogos normais.

Maldita Espanha, mal posso prever seus movimentos.

Maldita Espanha, mal posso prever seus movimentos.

Você começa meio despretensioso. É só diversão. Até que você começa a perder, e não conseguir fazer um ponto que seja. Até que seu orgulho de jogador começa a ser ferido por uma inteligência artificial nem tão inteligente assim. Até que você assume o compromisso moral de vencer a máquina. Custe o que custar, demore o tempo que for. Não iríamos desistir.

O tempo foi passando e fomos melhorando, obviamente. O tempo nos dá experiência, nos ensina cada vez mais um sobre o outro. A hora certa do passe, do lançamento, a hora certa de tentar uma jogada individual. Aprendemos a marcar o passe do adversário. Técnica imprescindível para qualquer dupla vencer na vida, anotem aí, SEMPRE marque o passe do adversário.

Sofremos derrotas inacreditáveis. Quase sempre para a Espanha, que se transformou na maior Último Chefão que meu videogame já viu. Uma das derrotas, em uma campanha que estávamos com a certeza da vitória, uma semifinal, quase nos desmotivou. Espanha x Inglaterra. Vencíamos por 2 a 1, faltando o quê, segundos no máximo para o jogo acabar e irmos para a final. Certeza de faturar a taça, uma vez que os toureiros eram o time a ser batido.

Eis que surge Xavi. E iniesta. E o gol.

Os súditos da rainha sucumbiram fortemente na prorrogação. Tomamos mais dois gols se não me engano. Eliminados. Duas e pouca, já bêbados.

“Só mais uma”. “Pega mais uma cerveja que eu começo outra.”

Começamos outra campanha, do início. Fomos destruindo um oponente atrás do outro. E eis que a chave das finais nos presenteia a Espanha na final. Tensão pura. Decidimos parar por alguns momentos. Respirar fundo. Pensar na estratégia. Papo sério. Final é final e vice-versa. A hora da verdade.

O jogo foi tenso. Fechado. Complicado. Para as duas equipes claro. Eis que a sucessão de eventos foi inacreditável a partir dos acréscimos do segundo tempo.

Inglaterra toda na frente, pressionando, querendo o gol da vitória, não se contentando com o 1 a 1. Queríamos o título no tempo normal e acabar logo com aquilo porque já estávamos bêbados demais. A pressão rendeu uma bola na trave e um grito de horror quando Iniesta, Xavi e Villa partiram contra Ferdinand completamente perdido.

O contra-ataque seria certamente o nosso fim. Não fosse claro, o sacrifício do eterno guerreiro, capitão da seleção, Rio. Um carrinho perfeito. Falta e vermelho. Batida na barreira e fim do jogo.

A prorrogação começa e não tínhamos ninguém para colocar no lugar do zagueiro expulso. As pedras no caminho podem ser enfrentadas de várias formas. Uma delas é descer a bicuda na pedra, aguentar a dor e seguir em frente. Foi o que fizemos. Continuaríamos a frente. O Gol sairia.

O problema é que sofremos um pênalti. E mais um foi expulso. Acho que Carrick, ou outro volante. Tomamos o 2 x 1 e o primeiro tempo da prorrogação havia acabado.

A derrota era certa. Mas como não havia nada mais a perder… All in España!

Coração na ponta da chuteira virtual. E juro para você leitor, não sei explicar como, nem quem fez os gols. Mas nós empatamos. E antes do apito que nos levaria aos pênaltis, por algum milagre proporcionado pelos deuses do videogame, fizemos o gol da virada.

Define

Não foi o meu jogador nem o do meu amigo que chutou aquela bola. Fomos nós dois juntos. Paramos de respirar por microssegundos. Poucas vezes na vida gritei tanto. Saímos correndo pelo apartamento, cada um prum lado, feito dois malucos, gritando, chorando, xingando. Os vizinhos não devem ter entendido nada. Gritos de “É campeão!” às três e meia da manhã de um sábado não é normal.

Não falamos nada. Apenas continuamos bebendo e rindo. Nada mais precisava ser dito.

Foi um daqueles momentos que definem uma amizade saca?

***

amizade

Texto em homenagem ao irmão mais novo que a vida quis me dar de presente. Que você consiga dar bicudas nas novas pedras, que caia, que seja derrotado, que aprenda com os erros e que vença de forma triunfal essa nova etapa meu irmão.

Você merece. 

Pedro Turambar

Já fui de um tudo nesta vida, mas há uma coisa que nunca deixei de ser: escritor. Escrevo para viver e manter minha sanidade em um mundo tão louco. Sou uma mistura de palavras, lágrimas e reclamações.

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1 comentário

  • Caio
    26/06/2013 at 20:43

    Um agradecimento sincero pelo o post mais que especial e pelo os anos incontáveis de amizade. The Bro Code estará sempre conosco!!!!

    Amém!

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Pedro Turambar

Pedro Turambar

Gosto de escrever, reclamar e não tenho controle sobre chorar. Escrevo há 10 anos sobre a loucura de viver em sociedade, futebol e falo bem e mal das coisas que leio, vejo e ouço.

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