Nossas coisas antigas


Se tem uma coisa que eu adoro fazer é fuçar coisas antigas. Seja para recordar ou juntar toda a tralha num saco de lixo e jogar fora. Papéis em geral, panfletos, anotações, coisas quebradas, coisas inúteis. E o melhor de tudo isso, é depois de uns cinco anos, você ir lá e revirar tudo e lembrar de vários momentos bacanas, ou nem tanto. Isso eu aprendi com a minha querida mãe. Ela guarda de receitas prescritas pelos milhares de médicos que ele insiste que todos nós precisamos ir, até aqueles desenhos de arte “moderna” que fazíamos quando estávamos no maternal.

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E foi em um desses lindos momentos em que minha mãe estava revirando suas (nossas) velharias que eu descobri um pequeno caderno com uma história, escrita e desenhada por mim mesmo.

Antes de falar sobre essa pequena história, tenho que dizer que criançassão um poço de inocência, criatividade e inteligência (alguns pelo menos). Você já viu uma menino brincando (na minha época) de Comandos em Ação? Ou uma menina brincando de casinha? Já percebeu que eles criam verdadeiros mundos paralelos, histórias complexas cheias de tudo que vemos em filmes ou lemos nos melhores romances hoje em dia? Isso eu acho simplesmente incrível nos melequentos… digo nas crianças.

Bom, vamos à história que eu achei.
(vou reproduzir aqui, exatamente como está no caderno, com a mesma pontuação e erros.)

“Briga de Uma Nota Só.

Era uma vez uma dupla de amigos.

Totó e seu amigo Bob_Dog estavam jogando futebol no campinho. De repente, Bob_Dog chutou bem alto. A bola caiu em uma nota CR$500,00.

Totó e Bob_Dog ficaram confusos com aquela nota. Os dois pularam na nota e falaram: “É minha! É minha!” E começaram a briga. Soco pra lá, soco pra cá! Bob_Dog tomou a nota de Totó rápido. Bob_Dog saiu correndo com a nota. Totó foi atrás. Totó conseguiu a orelha de Bob_Dog. Totó foi mais esperto. Bob_Dog pegou o rabinho de Totó.

Depois eles ouviram uma buzina. Eles tiveram uma idéia. Eles compraram dois sorvetes e ficaram felizes.”

Lindo não? Suspense, aventura, amizade, drama, pobreza, e felicidade. Uma bela trama.

Bom, eu não tenho certeza da data desse pequeno conto, mas como eu escrevi CR$500,00, isso mesmo 500 cruzeiros – se você não se lembra, então foi antes de 94. Eu tinha então no máximo 6 anos. Os pontos altos pra mim são: Bob_Dog, um nome incrível; “Totó conseguiu a orelha de Bob_Dog”, o que diabos eu quis dizer com isso? Bom, só espero que vocês não pensem besteira com “Bob_Dog pegou o rabinho de Totó”. Toda história é acompanhada por verdadeiras obras de arte abstrata. *Que infelizmente eu não tirei foto quando fiz esse post.

Só posso dizer que me diverti muito relembrando o passado e vendo as coisas que eu fazia, vocês aí deveriam experimentar. Você esquece que cresceu, que tem mil e uma responsabilidades e sente saudades maravilhosas de um tempo em que o mundo era o quintal de casa, a escola e que seu pior problema era alguma traquinagem que sua mãe estava a poucos momentos de descobrir. Viva a nostalgia!

Editado dia 4/10/2011

Reeditado dia 4/3/2013

Pedro Turambar

Já fui de um tudo nesta vida, mas há uma coisa que nunca deixei de ser: escritor. Escrevo para viver e manter minha sanidade em um mundo tão louco. Sou uma mistura de palavras, lágrimas e reclamações.

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1 comentário

  • Baiano Araújo
    25/01/2008 at 03:16

    Muito boa a história. Se não fosse pela época, apostaria que a história da orelha tem a ver com o Mike Tyson. AUHUHAUHAHAU

    Mas, eu também adoro coisas velhas… mais digitais. Tem cada montagem que estou achando. Sem comentários!

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Pedro Turambar

Pedro Turambar

Gosto de escrever, reclamar e não tenho controle sobre chorar. Escrevo há 10 anos sobre a loucura de viver em sociedade, futebol e falo bem e mal das coisas que leio, vejo e ouço.

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