Notas sobre criatividade

14 April 2015

Notas sobre criatividade

O cérebro humano é, em alguns aspectos, uma criança mimada, ansiosa e preguiçosa. Se a gente não cuidar, ensinar novos truques e treiná-lo, ele crescerá sem saber exatamente o que fazer quando chegar a hora. A ideia desse texto é explicar, de forma mais rápida e objetiva possível, que todo mundo não só tem o potencial para ser criativo (como todo ser humano), mas que existem métodos de ativar, condicionar e melhorar a forma de encontrar soluções para qualquer tipo de problema.

Aliás, é muito importante explicar isso. Durante toda minha vida, principalmente durante a faculdade e depois que comecei a, efetivamente, ganhar dinheiro com minha “criatividade”, eu ouvi coisas como — “Nossa, queria ser criativo como você…”; “Se eu fosse criativo igual a você, iria para a área de criação”; “Meu sonho era ser criativo, mas não sei usar Photoshop…”; “Eu adoro conhecer pessoas como vocês, que tem ‘aquelas ideias’”.

  • Criatividade não é dom divino. Uma pessoa não nasce ‘com’, ou ‘sem’.

  • Criatividade não está ligada a uma profissão ou a um tipo de profissional.

  • Saber usar um software não te faz ser uma pessoa criativa

Não saber, ou pior, não entender os números um, dois e três, não é culpa minha, sua, ou das pessoas que falam sobre criatividade como se fosse um super poder. Desde a primeira revolução industrial somos condicionados a não pensar, a não criar e a não questionar.

criatividade

Em um artigo escrito pela professora Eunice Soriano de Alencar, da Universidade Federal de Brasília — citando especificamente Morris I. Stein, um dos maiores nomes quando se trata de estudos sobre criatividade, individual ou dentro de um grupo social, diz que:

Dra. Eunice Soriano Alencar

  • Uma sociedade favorece a criatividade na medida em que encoraja uma abertura a experiências internas e externas. Desta forma, uma sociedade onde predomina “não faça isto”, “não tente aquilo”, restringe a liberdade de questionar e a autonomia necessária à criatividade.

  • Uma sociedade encoraja a criatividade na medida em que valoriza a mudança e a originalidade.

  • A criatividade é encorajada em uma sociedade onde os indivíduos criativos são reconhecidos socialmente e encorajados em suas pesquisas e indagações.

Eu não sei de você, mas eu não estudei em uma escola que incentivasse isso. Muito menos via a sociedade em que vivi como uma sociedade que valorizasse a “mudança.” Muito pelo contrário.

Não é de admirar, portanto, que pessoas vejam pessoas criativas como seres de outro mundo, rebeldes, até mesmo interessantes, ou peculiares.

Criatividade é uma habilidade. E, como qualquer outra, pode ser aprendida, melhorada e aperfeiçoada por, absolutamente, QUALQUER UM. Quanto mais tempo gastar fazendo isso, melhor, mais rápida e mais eficaz sua ‘habilidade’ será. Pronto, é isso. Não tem fórmula mágica, não tem dom divino, muito menos “sorte.” Como praticamente qualquer coisa na vida, ser criativo custa apenas vontade. E tempo. E o resultado disso é que você se tornará uma pessoa, um profissional, imprescindível para qualquer empresa.

Mas por quê, afinal de contas, ser criativo?

Porque todo mundo precisa resolver problemas. O tempo todo, durante a vida inteira, e a criatividade pode ser aplicada a qualquer área profissional e à qualquer escala pessoal.

De pendurar um quadro na parede a criar uma máquina que revolucionará a produção de copinhos de plástico. De ir ao supermercado ou ir a Lua. De um corte de cabelo a um vestido de alta costura.

Para tudo isso existe uma sequência de quatro etapas que nunca muda:

 

Problema – Plano – Execução – Resultado

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Pode-se adicionar mais um milhão de etapas, mas elas sempre poderão ser resumidas nessas quatro. Da mesma forma que elas podem ramificar, mas nunca fugirão disso.

Equivocadamente pensa-se que a criatividade só entra no espetáculo no segundo ato, para depois desaparecer no esquecimento. E aí está o erro de muitos profissionais que, teoricamente, deveriam entender tudo sobre isso. Tentam, a todo custo, resolver um problema que, na verdade, ninguém sabe, ou entende, qual é.

Eu diria que é muito mais difícil fazer a pergunta certa do que respondê-la. Ou seja, encontrar o “Problema” exige, na maioria dos casos, uma capacidade muito maior de entendimento e “criatividade”, que o “Plano” para resolvê-lo.

Douglas Adams foi um dos maiores gênios que viveram nesse planeta. Poucas pessoas tiveram tanta capacidade de entender o ser humano e como nós funcionamos como ele. Na obra da sua vida, O Guia do Mochileiro das Galáxias, um dos temas centrais é o grande computador, o Pensador Profundo, criado no planeta Magrathea, para responder o seguinte: “Qual é a resposta para a vida, o universo e tudo mais?”

Depois de 7,5 milhões de anos, o Pensador Profundo termina de calcular. A resposta? 42.

Indignados, os seres superinteligentes (descendentes daqueles que criaram o super computador), disseram que aquela não era uma resposta satisfatória. Eis que o Pensador Profundo diz que eles mesmos não sabiam o que perguntar. E que a resposta, 42, faria total sentido, assim que eles soubessem A Pergunta.

Além de vários outros sentidos (tais como uma crítica à incessante e insuportável busca humana por “sentido” e “respostas”), podemos encontrar aí uma perfeita explicação de porquê, também, não sabemos ser criativos, ou não conseguimos encontrar a resposta para um problema.

Exatamente. Porque ainda não fizemos a pergunta certa.

Você já teve a sensação de pensar, pensar, pensar e nunca conseguir encontrar uma solução minimamente viável? Já teve a angústia de nunca encontrar a resposta certa para um problema? Tenho certeza que sim.

Existem três linhas de chegada possíveis, nesses casos.

Você:

– Encontra uma boa solução. — (20% a 40% dos casos)

– Encontra a solução que buscava da forma mais mágica e incrível do mundo. Geralmente, esse momento “Eureka!” é acompanhando da célebre frase “Mas como é que eu não pensei nisso antes!?” — (0,1%)

– Faz o que todo mundo faz mesmo e se livra daquilo. — (40% a 60% dos casos)

– Vive eternamente num abismo escuro de angústia e desolação. (40% a 20%)

Essas porcentagens estão direta e proporcionalmente ligadas à qualidade do Problema, ao tempo que temos para resolvê-lo e ao tempo de prática resolvendo o mesmo tipo de problema.

Para um escritor, é muito mais fácil criar uma solução original para um impasse entre seus personagens que criar uma nova fórmula química que permita interromper a queda de cabelo, sem efeitos colaterais. E é muito mais fácil para um publicitário criar uma campanha com alto índice de retorno do público-alvo se ele tiver o tempo necessário para fazer testes com várias ideias diferentes.

Como criatividade não é uma ciência exata, não existem limites. Um escritor pode, de repente, inventar sem querer, algo que anos mais tarde venha a ser produzido por um engenheiro, e algum tempo depois mudar, por completo, o destino da humanidade. Isso na verdade aconteceu, com Julio Verne e H.G Wells, e as ideias de viagens espaciais e satélites.

Você provavelmente resolve coisas no modo automático, da maneira mais eficaz, utilizando o menor tempo possível, todos os dias, e nem percebe. E quando precisar de conexões parecidas, para chegar a um resultado, provavelmente chegará na solução antes que qualquer outra pessoa. Porque o seu cérebro já está condicionado a resolver aquele tipo de problema.

Existem diversas formas, exercícios e incentivos que podemos dar ao cérebro para que ele fique mais esperto. Eu vou, aos poucos, explicar o meu processo, e como você pode adaptá-lo para torná-lo seu. O objetivo disso pode ser aplicado de várias formas. Em casa, no trabalho, na escola/faculdade…

Tenha em mente que você pode ser criativo e se você começar a prestar atenção nisso, vai mudar mais coisas que imagina.

Até semana que vem!

 

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Criei esse blog em 2007 para me incentivar a escrever uma saga que eu daria o nome de O Crepúsculo. É, pois é. Tudo mudou e hoje uso o blog para falar mal de coisas, usando meu dom divino de ser chato para car*&$#%.

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