O carteiro eletrônico endoidou


Quando o email nasceu, muita gente ficou irritada. Diziam que não ia dar certo, e que, se desse, seria uma maldade com os carteiros, que estão aí desde que o Leônidas fez aquele rapaz correr uma maratona, para contar sobre os homens de tanquinho e a luta contra o Rodrigo Santoro. Um amigo do meu pai contou que, na verdade, quem ficou puto mesmo com essa história foram os colecionadores de selos.

Outra coisa que muita gente comemorou, além do fim do selo — que só faz sentido para colecionador —, foi o fim daquela inconveniência de carta faltando. Os Correios te mandavam uma carta para avisar que a carta que você mandou voltou. Mandavam também, para a pessoa que não recebeu a carta, outra carta avisando que tinha uma carta que eles não conseguiam entregar. Acho que alguém nos correios encheu o saco dessas metas cartas todas, e resolveu que devia existir uma maneira inteligente de fazer isso. Afinal, todo mundo sabe que por trás de toda grande invenção tem alguém puto da vida com alguma coisa.

carteiros

No início, tudo funcionava perfeitamente. Emails iam e vinham com a lindeza e a vagareza da internet discada. Um ou outro voltava, sem problemas. Era o nascimento do Mail Delivery Subsystem. Um sistema, criado por pessoas espertas, que reúne num galpão — deve ser um galpão — todos os emails que voltam. Um limbo para onde foi aquele Power Point que sua tia mandou para a ratinha_chorona14 ao invés de gatinha_mandona14 no ZipMail. O gerente do galpão avisava pra sua tia, que ignorava e tocava a vida.

Só que depois de tanto tempo, esse gerente, já meio doido, por tanto tempo sozinho lidando com todas essas frustrações, todos esses emails enviados errados, todos os casos de amor perdidos, amizades não retomadas e receitas de vó perdidas para sempre, perdeu completamente a noção. Ele um dia decidiu que bastava! Não é porque um e-mail não existia, ou não funcionava mais, que ele nunca mais iria funcionar. Então ele decidiu que essa porra ia mudar, e botou os emails pra rodar. 

É por isso que hoje, um email não se contenta em voltar. A mensagem não é mais aquela que seu email não foi entregue, e você que se foda. Agora eles — o gerente enlouquecido, provavelmente — incluiu uma mensagem “Message will be retried for ‘x’ more day(s)”.

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Mais que loucura gente. Será a vingança dos colecionadores de selos? Agora eu tenho que ser lembrado, todos os dias, em todos meus aparelhos — porque nós humanos, não nos contentamos com uma caixa de correios só — o quão tapado eu sou por mandar um email errado? É isso mesmo? Já não tenho sou eu frustrado o suficiente?

Não aceito. Estou mandando e-mails insistentes para o galpão, reclamando. Todos eles voltaram até agora. Mas eu não sou de desistir. Uma hora vai.

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Pedro Turambar

Já fui de um tudo nesta vida, mas há uma coisa que nunca deixei de ser: escritor. Escrevo para viver e manter minha sanidade em um mundo tão louco. Sou uma mistura de palavras, lágrimas e reclamações.

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Gosto de escrever, reclamar e não tenho controle sobre chorar. Escrevo há 10 anos sobre a loucura de viver em sociedade, futebol e falo bem e mal das coisas que leio, vejo e ouço.

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