O Espadachim de Carvão – Review


espadchimdecarvão

Quando eu descobri que o Affonso Solano, co-criador de um dos meu podcasts preferidos há muitos anos, iria lançar um livro – O Espadachim de Carvão – eu fiquei curioso. Que tipo de história esse ilustrador com opiniões muito fortes e bagagem cultural bem comum aos que cresceram bombardeados pelas obras dos anos 80 e 90 poderia escrever?

Quando li algumas sinopses pensei que ele estava sendo um pouco prepotente. Como assim ele me manda um mundo fantástico, cheio de nomes, deuses, histórias e muita, muita ‘base’ para sua aventura?

Bem, para falar sobre o Espadachim de Carvão, e sobre como Affonso Solano conseguiu de muitas formas me surpreender, eu tenho que falar um pouco sobre o Matando Robôs Gigantes, o podcast do qual falei ali em cima. O MRG foi criado em Julho de 2008, eu fui virar ouvinte em algum lugar de 2009, como o próprio Affonso escreveu no meu exemplar do EdC, sou um ouvinte vintage.

Quando você ouve um podcast como o MRG (de uma forma um tanto sinistra) você vira amigo dos participantes. Porque você passa a conhecer aquela pessoa, mesmo que ela não te conheça. E conhecer alguém é saber quantos robôs gigantes ela dá para qualquer coisa. E se ela mata ou pilota outras tantas coisa. Até você saber isso sobre alguém, você não pode se considerar um amigo.

Dessa forma, ouvindo o Sr. Affonso e seus companheiros Beto Duque Estrada e Diogo Braga, eu não só passei a conhecê-los como também eles passaram a moldar o meu gosto e a minha opinião em relação à algumas coisas. Sem eles eu não teria lido nem 10% das HQ’s fodas que eu li. Não teria conhecido Game of Thrones (eles foram os primeiros a falar sobre o livro). E obviamente, não teria rido tanto dos três.

Voltando ao livro.

Ok, quase.

Eu fiquei sabendo através da Priscila que trabalha comigo, que o Affonso viria até BH para autografar o Espadachim de Carvão e também participar do HQ Festival – novo evento voltado para o ~público nerd~ aqui em Bh. Depois de saber que o Diogo Braga também viria, não pensei duas vezes e comprei os ingressos do evento.

Você pode procurar por depoimentos de um monte de gente que já conheceu pessoalmente os matadores, todos, absolutamente todos vão falar que eles são gente boas demais, e lindos, e etc. Talvez nem todos falem que são lindos, mas enfim. Nenhum desses depoimentos, muito menos o que eu escrevo aqui faz jus ao que são Affonso e Diogo ao vivo, ali, brincando e trocando ideias.

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Aqui posso afirmar com todas as letras que Diogo Braga é de outro planeta. Não pode existir aqui um cara tão legal. Simplesmente é impossível acreditar que exista um cara tão incrivelmente gente boa. Ele era exatamente aquele cara que eu aprendi a gostar ouvindo o MRG, as mesmas brincadeiras, a mesma voz, a mesma postura. Ainda consegui fotos e momentos memoráveis com ele. A foto é a que está aí em cima, e um dos momentos foi a massagem relaxante que ele me fez enquanto eu – nervoso – perguntava ao Affonso sobre possíveis continuações para o Espadachim de Carvão.

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O Affonso obviamente estava ali num papel um pouco mais “profissional”,  afinal ele era um autor autografando sua obra. Acho que era por isso sua postura era um pouco mais… digamos séria do que me acostumei a “ver” nos podcasts. Isso de forma alguma é uma coisa ruim, é um comportamento até esperado. Mas mesmo assim ele brincava, conversava e atendia a todos, sem exceção. Consegui ainda brincar com ele e arrancar uma gargalhada com meu nome fictício. Hollaybson.

Infelizmente não conheci o matador que mais se parece comigo – em questão de opinião principalmente, porque o Roberto não é tão gordo assim. Mas não tenho dúvida que ele seja tão incrível quanto os outros dois. Ainda quero realizar o sonho de sentar em um buteco e beber umas cervejas falando sobre futebol com o Duque.

Agora sim, sobre o livro.

Voltando de ônibus no primeiro dia de evento, já comecei a ler meu autografado e novíssimo livro. E o legal de você “conhecer” o autor, é que você vai identificando no texto dele, todas as influências, todas as opiniões tantas vezes ouvidas ali nas entrelinhas.

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O livro é um absurdo. Em algum episódio do MRG, o Affonso disse que a música tema de Indiana Jones é a Aventura em sua essência. Ele inclusive transformou os “tân tân tân tâns” em letra e cantou “A aventura, começou…”. O Espadachim de Carvão é isso. Do início ao fim. Aventura. Incrível, fantástica, rica e dolorosamente curta. O personagem principal, Adapak é de uma inocência e riqueza única, você se identifica e quer estar do lado dele logo no início. A profusão de nomes complicados, lugares incríveis, situações às vezes impossíveis e.. ufa!

Você consegue respirar um pouco da ação quando volta no tempo para entender como Adapak se tornou o espadachim. E é aí que a história brilha, é nessa troca e nessa alternância que Affonso Solano se mostrou como ótimo contador de histórias. Ele conta o passado e o presente de forma correta, sem se apressar, e você vai aprendendo a gostar de Adapak, a virar um fã dele. Em alguns momentos você quer estar lá para dar força, outros para dar-lhe um abraço.

A influência dos livros-jogos que eu tanto joguei quando era criança é absurda. Eu esperava a todo momento um parágrafo terminar com “Se quiser entrar na casa vá para a página 290, se quiser investigar ao redor vá para a 187”. O mais incrível é que na maioria dos casos Adapak escolhia exatamente a ação que eu escolheria se estivesse jogando. E isso é uma das coisas que mais me cativou.

Kurgala é um mundo riquíssimo, cheio de povos e criaturas estranhas mas ao mesmo tempo fascinantes. Um dos dois problemas que tive ao ler o livro foi exatamente as descrições dos seres de Kurgala, foram apresentados muitos seres em um curtíssimo espaço de tempo, então era um pouco difícil identificar onde que ia o tentáculo de quem, a terceira perna do outro ou até mesmo quem é que tinha seis patas. Ou seis braços? Como eu disse, o livro é dolorosamente curto, e tantos seres peculiares poderiam ser melhor degustados e entendidos com um pouco mais de tempo. Não dá muito tempo para você conhecer as particularidades de cada raça.

Mas isso de forma alguma tira a grandeza do livro. Grandeza na história. Porque repito, a duração do livro faz você quer ler mais dez logo em seguida. Quero mais aventuras de Adapak!

O Espadachim de Carvão é um drops de um novo mundo fantástico que eu já adoro e quero conhecer afundo, como é comum a todos os nerds.

Nota: 5 Robôs T-800. Gigantes.

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15 Comentários

  • Sérgio Roberto Santos
    13/05/2013 at 23:22

    Um dos melhores livros que eu já li ! muito legal mesmo,fiquei surpreso com a criatividade e originalidade da obra,que o Affonso escrevia muito bem eu já sabia,vide os textos que ele redige no TECHTUDO são otimos!espero ansioso por uma continuação.

    • Pedro Américo
      15/05/2013 at 00:01

      @Sérgio Roberto Santos, POIS É cara. Os textos do Affonso lá eram demais. Uma pena que ele quase não posta mais nada por lá…

      Não me esqueço do antológico texto sobre Shadow of the Colossus!

  • rodrig souza
    06/05/2013 at 22:21

    Acabei de ler o livro ontem, só achei que ele correu um pouco com o final do livro, nunca comparando a obra mas esperava um “A Batalha do Apocalipse”, tem denso contato toda a historia de Adapak. Mas recomendo e espero que os próximos não demore muio 🙂

    • Pedro Américo
      15/05/2013 at 00:00

      @rodrig souza, Pois é cara… mas é uma estratégia, para “testar” o mercado, e pra ver como tudo seria recebido…

      Ele mesmo me disse isso quando fiz uma pergunta no painel. Pode ter certeza que vem mais por aí.

  • Mayra
    06/05/2013 at 20:37

    Só um detalhe, não é HQ Festival, é Heroes Festival. E lembro de você lá, fazendo a pergunta e recebendo massagem XD Realmente é surreal encontrar os caras e ver que são os mesmos que “conhecemos” do cast. O Affonso foi super atencioso e o Diogo é uma pilha de felicidade!
    Muito boa análise do livro!
    Abraço

    • Pedro Américo
      14/05/2013 at 23:59

      @Mayra, Ai… nem me fala. HQ Festival, se não me engano é a premiação não é? ahahahahahah. Heroes Festival.

      o/ Que legal!! Vc me viu lá!

      Um grande abraço e obrigado pelos elogios à resenha.

  • Divano A. Silva
    06/05/2013 at 12:20

    Ops, quando mencionei ‘Diogo’ ali no início, leia-se Beto… rs

  • Divano A. Silva
    06/05/2013 at 12:19

    Boa tarde, Pedro! Muito bom seu texto e resenha. Ainda não terminei o livro (e olha que comprei na pré-estréia), mas é por conta do meu TCC em andamento. Mas posso dizer que faço das suas palavras as minhas: é uma obra muito rica, detalhada e com gosto de ‘quero mais’ a cada lida. E quanto à equipe do MRG tenho a mesma opinião. Os caras são ótimos e super gente boas! Consegui ir à tarde de autógrafos aqui no RJ e conheci o Affonso, Diogo, Gaveta, Draccon, Carol e por pouco não vi o Eduardo Spöhr, que chegou ao final, pouco depois d’eu ter saído. O Beto é isso aí mesmo. Super gente boa também, trocamos umas ideias rápidas, tiramos fotos e sempre com o sorriso estampado. O Gaveta? Nem se fala… a mesma pessoa dos NerdOffices e até mais engraçado. O Affonso super solicito e engraçado. Não sei como ele teve paciência para tantas horas de fãs loucos, tirando fotos e o mais incrível é que ele não repete um autógrafo; ou seja, são todos personalizados e baseados em uma pequena conversa com ele durante o contato. Os caras merecem todo esse retorno e espero que venha muito mais por aí. Continuação? Sim, por favor! Tem muito o que aproveitar desse mundo e desse escritor.

    Obs.: Eu só lamentei que o Diogo não tenha vindo ao RJ, mas em uma outra oportunidade eu conseguirei vê-lo.

    Abração

    • Pedro Américo
      14/05/2013 at 23:58

      @Divano A. Silva, tudo bem?

      Que ótimo que gostou do texto. Espero que já tenha terminado por agora, o livro é de fato muito bom. Mas também sei como é o período do TCC, apesar de que não foi tão traumático pra mim.

      Eles são incríveis cara. Dá mais gosto ainda ser fã dos caras.

      Não deixe de falar suas impressões do livro aqui quando terminar.

      Grande abraço!

  • Mayaa
    04/05/2013 at 14:37

    Só faltou no autografo do Diogo o desenho fálico de sempre! kkkkkk Ótimo texto!

    • Pedro Américo
      06/05/2013 at 11:34

      @Mayaa, O Diogo disse pra mim que eu não merecia uma “piroca” desenhada pq eu era ouvinte antigo. =)

      • Mayaa
        06/05/2013 at 13:23

        @Pedro Américo, aah que legal! O Diogo parece ser muito simpático mesmo!

  • Sandro Ataliba
    04/05/2013 at 14:32

    Mandou bem no texto, cara. O livro realmente é isso que você descreveu. Não conheço os caras pessoalmente, mas dá pra se sentir amigo de longa data fácil fácil.
    Abraço.

    • Pedro Américo
      06/05/2013 at 11:35

      @Sandro Ataliba, Eles são demais. Não perca a oportunidade – quando a tiver – de conhecê-los. Grande abraço!

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Pedro Turambar

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Gosto de escrever, reclamar e não tenho controle sobre chorar. Escrevo há 10 anos sobre a loucura de viver em sociedade, futebol e falo bem e mal das coisas que leio, vejo e ouço.

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