O Pichador Sincero


A luta contra o sistema opressor estava em seu sangue. Seus pais lutaram nas ruas contra a ditadura militar, agora ele tinha que encontrar uma forma de se expressar contra aquilo que ele não concordava. Ele concordava com Toninho do Diabo e discordava da Igreja. De todas elas. Ele precisava se expressar.

Tentou primeiro a música. Slayer, Slipknot, Sammael, Robert Johnson, seus ídolos. Todos com uma coisa em comum, a luta contra a tomada evangélica. Alguém precisava resistir. Tentou em vão, pois não tinha talento. Conseguiu ser rodie dos Gargantas Cortadas por algum tempo, mas era péssimo até nisso. Os caras gostavam dele. Mas ele tinha autocrítica. Sabia quando parar.

Depois de assistir Exit Through the Gift Shop e não entender nada ele se descobriu. Sua forma de falar com o mundo era a arte. Qualquer um pode se expressar pela arte, pela arte urbana. As ruas eram sua casa, seu mundo e seriam agora sua grande tela, esperando para ser preenchida por sua voz que insistia em ser ouvida.

Enquanto se vestia – jeans surrado, blusa cinza e moleton com capuz pretos – e se equipava, ele se sentia um super heroi. Pronto para lutar contra tudo e contra todos pela liberdade. Sua lata era sua arma, a parede o seu microfone. Respirou fundo e mandou ver.

pichador sincero

“fiko errado =/”

Só que ele era péssimo nisso também.

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Hoje ele tem um blog, Pentagrama de Nove Pontas ponto blogspot ponto com.

Pedro Turambar

Já fui de um tudo nesta vida, mas há uma coisa que nunca deixei de ser: escritor. Escrevo para viver e manter minha sanidade em um mundo tão louco. Sou uma mistura de palavras, lágrimas e reclamações.

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Pedro Turambar

Pedro Turambar

Gosto de escrever, reclamar e não tenho controle sobre chorar. Escrevo há 10 anos sobre a loucura de viver em sociedade, futebol e falo bem e mal das coisas que leio, vejo e ouço.

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