Parar de fumar

31 March 2015

Parar de fumar

Há dois tipos de pessoas que eu não suporto: ex-fumante, ex-gordo.

O ex-fumante e o ex-gordo já foram pessoas do bem, pessoas legais que, por causa de uma coisa que eles tinham ou faziam em abundância e não têm ou fazem mais, tornaram-se pessoas insuportáveis.

O que me irrita nessas pessoas que são “ex” alguma coisa é o ar superior e a aparente consagração e título de Deus Todo Poderoso do Universo supostamente dado a eles. Seja o gordo que até outro dia se tremia todo por causa de um brownie, e depois de 3 cirurgias pode, finalmente, usar M e que de repente se sente no direito de julgar o meu Big Mac. Ou aquele que, depois que parou de fumar, de repente sabe de cor todos as mazelas causadas pelo cigarro. E ele está sempre lá, tal qual um Chapolin Colorado do Ministério das Verdades Universais, para fazer O Discurso para você.

Eu prometi a mim mesmo que, se um dia parasse de fumar e ficasse magro, nunca, seria ex-gordo ou ex-fumante. Se eu emagrecer, eu vou ser um Era Gordo. Como eu parei de fumar, eu me sinto um Já Fumei. Já fumei e não fumo mais. Simples assim, no meu cantinho, sem encher o saco de ninguém. Eu, na verdade, tenho é inveja daqueles fumantes todos.

Ah, que saudade de uma tragadinha.

Acender, puxar e soltar, balançando levemente a cabeça. Fumar é respirar fundo com um monte de produto químico que o mata, sim. Mas é gostoso demais. Quando há alguém fumando perto de mim, eu adoro ficar ali, sentindo o cheiro, respirando aquelas toxinas de tabela. Voltei a ser fumante passivo. Mas só pode ser fumante passivo se você Já Fumou.

Essa inveja que eu tenho dos fumantes é a mesma inveja que você tem dos solteiros. Aquela invejinha gostosa dos que estão aí, degustando os mais variados cardápios. Fico feliz por eles. Mas não trocaria aquele domingo dormindo de conchinha por nenhum Menu de ppkas. Por mais variado que fosse.

É exatamente assim que me sinto hoje em relação ao cigarro. Adoraria voltar a fumar, mas seria um tremendo idiota se o fizesse. Simplesmente porque não existe, em absoluto, a necessidade.

Não que eu tenha tido trabalho para parar, foi bem fácil, na verdade. Estava tomando um remédio contra ansiedade e fui diminuindo naturalmente, um dia, simplesmente, parei de comprar. Fui fumando emprestado, comprava um picado aqui, roubava do irmão ali… engraçado pensar que parei de fumar exatamente do modo como comecei.

Até o derradeiro dia que meu irmão só tinha Free.

Eu, literalmente, preferi parar de fumar a ter que fumar Free. Quem disse que o cigarro não faz o bem? Cigarro ruim, pelo menos, pode fazer.

Dizem que eu sou cabeça dura, acho que sim. Minha cabeça funciona assim, se algo não faz mais sentido para mim, ela simplesmente não faz e ponto final. Mesmo parando de tomar o tal remédio pouco tempo depois, eu nunca nem cheguei perto de voltar a fumar. E isso já faz quase um ano. E olha que eu tive inúmeros “motivos” para voltar a fumar.

O motivo de eu ter parado de fumar? Por amor. Por amor à Ingrid e pelo amor que ela sente por mim. Uma vez ela me disse: “Eu tenho medo que você morra cedo, sem aproveitar a vida comigo.”

Se esse não é um bom motivo não só para ter parado, como para nunca mais voltar, eu não sei mais o que é.

Eu ainda estou tentando treinar minha mente a não fazer mais sentido ser tão sedentário, procrastinador e preguiçoso. Mas, para ela, isso tudo e as delícias que todo gordo adora comer faz muito sentido, sim, senhor. A esperança é que, depois de conseguir parar de fumar, eu acredito ser possível conseguir outros feitos.

Um dia, serei ex-fumante e ex-gordo. O universo há de se dividir e recomeçar, pois o cosmo não suportará tal ser tão insuportável.

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Esse texto faz parte do meu livro, Crônicas do Cotidiano:

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Criei esse blog em 2007 para me incentivar a escrever uma saga que eu daria o nome de O Crepúsculo. É, pois é. Tudo mudou e hoje uso o blog para falar mal de coisas, usando meu dom divino de ser chato para car*&$#%.

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