Primeira vez


A primeira vez a gente não esquece não é mesmo? Pois esse foi o primeiro texto de verdade postado no blog. Resolvi corrigir pequenas coisas do orginial, nada que mude a forma como eu escrevia nessa época. Isso não vale a pena mudar.

Boa Leitura!

primeira vez

Não, não é de sexo que eu estou falando. Não agora. Daqui a pouco.

Já que estou prestes a começar o meu 2° Período na faculdade, decidi falar sobre as nossas várias primeiras vezes. Quero falar disso, pois por incrível que pareça, sinto que eu estou começando o primeiro período, sem conhecer ninguém, sem nem nunca ter entrado em uma faculdade. Você fica nervoso, qualquer um fica.

Mas sentir esse famoso “frio-na-barriga no segundo período… pô, já é demais”. Mas nem é tanto. Fiquei pensando sobre como nós, seres humanos ficamos ansiosos perto do novo. Perto daquilo que é surpresa. Quem nunca pensou milhões de coisas no primeiro dia de aula de um colégio novo? Quem nunca teve aquela dor no estômago quando iria entrar em uma turma que já se conhecia? Duvido que ninguém tenha sentido isso. Têm aqueles (e eu me incluo nessa classe) que parece que o universo conspira e quando vai fazer algo pela primeira vez sempre, veja bem, SEMPRE dá algo errado*.

Eu particularmente gosto. Gosto de sentir o frio-na-barriga. Não acho que estou errado em falar que o desconhecido é o que nos move. Imagina que chato seria se você soubesse de tudo. E fosse uma pessoa 100% realizada. Pode parecer bobeira, mas não é**. Pense você que está lendo, depois que você soubesse tudo, e fosse 100% realizado (com a idade que você tem hoje)… e aí? O que vem agora? Você pode morrer não é? Você quer morrer? Acho que não. Duvide-ó-dó ó-ó.

O que move as pessoas, o que nos dá força para continuar, é justamente esse vazio, é justamente o novo, o não-saber. E é também a conquista. Vamos supor que você acabou de realizar o maior sonho da sua vida, instantaneamente você vai querer outra coisa e assim vai. Quando você faz sexo pela primeira vez (e olha que você queria isso muito) pra você vai estar bom, ou vai querer fazer sempre? Acho que nenhuma pessoa é feliz, ela pode “estar” mais “ser” eu duvido muito***. Posso estar redondamente enganado, o que é totalmente possível.

Então levante a mão ai quem é uma pessoa realizada, completamente feliz. Se você diz que é, então você mentiu. Você tem uma Ferrari? Você é dono de Ibiza? Seu time não perde nenhum jogo? Você não acha que dinheiro traz felicidade. Ok. Você tem uma família que nunca teve problemas e vive perfeitamente bem? Seu cachorro tem 54 anos?  A questão é que se pudéssemos teríamos várias primeiras-vezes todos os dias. Os momentos em que estamos felizes servem para buscarmos cada vez mais… momentos felizes! Pense nisso. Tenha os seus momentos felizes, busque-os. E aproveite cada segundo deles. Aproveite pois eles não duram para sempre.

Eu guardo os meus com muito carinho, e quando está difícil – quando está foda – eu lembro deles, lembro muito bem.

Por que eu aproveitei.

Cada segundo.

***

*Por algum motivo eu não quis especificar muito bem o quê exatamente dava errado. Ver um parágrafo acabar assim é como ver alguém dando com o nariz numa porta de vidro.

**Eu posso explicar essa demência de escrever três palavras e colocar um ponto final. Eu tinha um professor que dizia que minhas ‘sentenças’ eram longas demais (aliás, ‘sentença’ é uma palavra que só professor de português usa para denominar frases, é igual médico se referindo ao orgão sexual masculino como ‘pênis’) e que eu deveria colocar mais pontos finais. Acho que fiquei com essa merda na cabeça. Foi só depois de escrever bastante que eu pude finalmente me libertar disso. Ah, resolvi não corrigir, se o fizesse esta explicação não faria o menor sentido, porém fiz o favor de corrigir o que veio depois disso.

***Sabia que tinha algo de bom nesse texto. Eu mantenho a mesma opinião, de que felicidade é um estado dinâmico e não definitivo.

Este texto foi editado no dia 3/3/13 por motivos de … puta merda como era mal escrito.

Pedro Turambar

Já fui de um tudo nesta vida, mas há uma coisa que nunca deixei de ser: escritor. Escrevo para viver e manter minha sanidade em um mundo tão louco. Sou uma mistura de palavras, lágrimas e reclamações.

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3 Comentários

  • Dias
    27/10/2010 at 19:42

    pedrao e seus belos textos
    nada como um dia apos o outro neh velho
    e quem dera se no dia apos o outro as pessoas tivessem esse frio na barriga
    a descoberta do novo
    a primeira musica de uma banda q vc acha foda
    a primeira figurinha de um album novo
    a primeira revista de mulher pelada comprada escondida
    hauhauhauhauhauhua
    tudo isso muito bom de viver
    e vc mandou mt bem com esse texto

    forte abraço meu velho
    e ateh a proxima
    =]

  • Na Caixola
    08/08/2007 at 14:02

    Pedro, meu camarada

    as pessoas têm medo de tudo que é novo, repulsam tudo que é desconhecido e por isso se acomodam e viram vegetais. Mas como viver sem novas experiências, desejos, sonhos?
    Para não viver adrenalizado com as novas experiências, com os frios na barriga, é melhor se trancar em um quarto por toda a vida ou quem sabe morrer, pois a cada instante nos deparamos com o novo. Realmente o que nos move é a descoberta de algo diferente, de desejar novas aventuras, novas descobertas, novas decepções, novos obstáculos.
    Eu adoro essas sensações, sempre acho que não vai dar certo, mas como tudo que começa conturbado, o final é sempre muito bom. E sabe o que eu sinto depois de tudo? Eu quero sempre mais. Sempre mais que hoje, que ontem… e por aí vai.

    Muito bom o texto. Todos os dias entro no seu blog para me alimentar de novas culturas.

    Valeu,

    Ícaro Vieira

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Pedro Turambar

Pedro Turambar

Gosto de escrever, reclamar e não tenho controle sobre chorar. Escrevo há 10 anos sobre a loucura de viver em sociedade, futebol e falo bem e mal das coisas que leio, vejo e ouço.

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