Simplicidade


O que é simplicidade? bom, pra início de conversa vamos ao dicionário.

Simplicidade: s. f. 1. Estado, qualidade ou natureza do que é simples. 2. Naturalidade, espontaneidade. 3. Forma simples e natural de dizer ou escrever. 4. Despretensão, desafetação, modéstia. 5. Franqueza, sinceridade. Vou dar uma outra definição de simplicidade e humildade, uma pequena história.

simplicidade-ocrepusculo
Um garoto, uma cidade pequena. Ele tinha 18 ou 19 anos, já havia se formado no ensino médio, todos amigos tinham ido embora fazer faculdade em vários lugares. Ele ficou. A família não tinha condições de pagar os estudos na capital e a única coisa que ele fazia era pagar contas para a mãe – a família tinha uma loja. Ou seja, conta para pagar todos os dias. Ele chegou a loja como sempre com cara de poucos amigos (entre os amigos já ganhara a fama de mal-humorado), ele já estava cansado daquilo. A mãe disse:

– Meu filho, tem duas contas para pagar hoje. As duas no Banco do Brasil.

(Puta merda! o Banco do Brasil)

A discussão se desenrola como sempre, e como sempre ele sai (com as contas na mão) de cara emburrada. Puto da vida. Pensando em como tinha uma vida ruim, em como seria pro resto da vida um boy da mãe. Chegou ao banco e a fila como sempre, homérica. Ele ficou atrás de um homem, que devia ter mais de 45 menos de 55. Negro, simples e humilde. Simples e humilde significando pobre. Pela roupa e pelas manchas nas roupas e nas mãos era fácil descobrir o que fazia este senhor. Pedreiro. O homem estava na mesma fila, mas parecia se divertindo (é o que eu posso dizer pela expressão em seu rosto), e nosso garoto revoltado lá, atrás dele sentindo raiva de tudo.
“Ele que não se atreva a conversar comigo” pensou o garoto.  Mas o senhor é claro, se divertindo, virou para trás e disse:

– Fila grande né? – e sorriu

– É – respondeu o garoto (“é” saiu como um grunhido)

– Tô aqui rapaz…pra pagá esse negócio aqui (mostrando a conta)…só não tô enxergando direito a data. E nem sei se dá pra pagá nesse trem aqui.

– Deixa eu ver – disse o rapaz (talvez se ajudasse o senhor logo de uma vez ele calasse a boca).

Quando o garoto foi ver o que era a conta, ele ficou chocado. Aquele senhor, é aquele mesmo estava enfrentando uma fila gigante em um banco para pagar 32 reais e 90 centavos para uma instituição de caridade. O senhor disse:

– Eu gosto de ajudá o zoto, tenho um pouquinho mas ajudo, sempre é bom.

Neste momento, o nosso “garotão” sentiu as lágrimas chegando aos olhos, mas se segurou, devolveu a conta para o senhor e disse que estava tudo bem, que ele poderia pagar a conta ali e depois não disse mais nada. Mais tarde, chegou à loja da mãe e chorando pediu desculpas pelo idiota que ele estava sendo.
O que podemos aprender com essa história: crescemos e vivemos em função de coisas irrelevantes e f’úteis e achamos que o mundo vai acabar por conta dessas mesmas coisas, ao invés de nos preocuparmos com o que realmente importa. O que importa? Se importar com pessoas e não com coisas. Simples assim.

***

Editado dia 4/10/2011

Reeditado dia 3/3/13

Pedro Turambar

Já fui de um tudo nesta vida, mas há uma coisa que nunca deixei de ser: escritor. Escrevo para viver e manter minha sanidade em um mundo tão louco. Sou uma mistura de palavras, lágrimas e reclamações.

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6 Comentários

  • Dias
    01/11/2010 at 17:56

    Cara, belo texto esse seu viu
    ateh imagino a cara do rapaz qnd viu do q se tratava a conta
    =]
    sao com pequenas coisas q temos os nossos maiores aprendizados
    abração ae meu velho

    =]

    • Pedro Turambar
      Pedro Américo
      03/03/2013 at 12:39

      @Dias, Eu ainda fico chocado que você passeou por quase todos os posts comentando eles cara. =)

      • Dias
        03/03/2013 at 14:37

        @Pedro Américo, Sempre gostei das suas escritas!! E muita coisa colocada aqui faz parte de uma boa fase da minha vida!! Sempre foi um prazer acompanhar O crepúsculo!!

        abração velho!!

  • Rodrigo R.®
    13/01/2008 at 15:54

    O Pedrão, ta pegando o jeito, tenta ser menos pessoal, sendo tocante (saca?), cria personagem e coloque na sua pele, não conta historias suas… so conte historias… seja ludico nas partes mais monotonas e encha de sentimento (como ta fazendo) nas parte de sentimento (oras bolas! kkkk)

    fico show velho… bom mesmo…

    Abraço…

  • Thiago "Baiano"
    12/01/2008 at 22:21

    Pedro, você lê os comentários aqui? Já fiz alguns e você nada de responder. 😛

    Mas, então. Experiências próprias, caso de amigo de amigo seu, ou invenção da própria cabeça, muito bom o texto.

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Pedro Turambar

Pedro Turambar

Gosto de escrever, reclamar e não tenho controle sobre chorar. Escrevo há 10 anos sobre a loucura de viver em sociedade, futebol e falo bem e mal das coisas que leio, vejo e ouço.

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