Nerds Gonna Nerdar // Sessão de Cinema: Rio

Parafraseando o grande Maurício Saldanha (Cabine Celular), digo que Carlos Saldanha – sem parentesco com o Maurício, eu acho – deixou de ser frio com seu A Era do Gelo (que pra mim deveria ter ficado no primeiro) e colocou um pouco de calor no seu novo filme, Rio. Em todos os sentidos, seja nas cores, no clima, na paisagem, seja no amor, na paixão, na amizade e no calor de seus novos e queridos personagens. Rio se mostrou uma grande surpresa, e nada melhor que uma surpresa boa.

A trama pode até ser um pouco clichê se você analisar friamente, um animal é capturado em seu habitat, espécie em extinção… personagens secundários que permeiam todos os filmes desse tipo. Mas tudo acaba quando se trata de um diretor brasileiro – carioca – fazer tudo isso se passar no Brasil. Nunca tinha visto o Brasil ser mostrado de forma tão bonita e verdadeira no cinema, muito menos por Hollywood. Tá tudo lá. Como disse também o Maurício, eu me senti em casa, conhecia as referências, conhecia os lugares, a trilha sonora… tudo, tudo lembra o Brasil que eu conheço.

Obviamente, tudo isso num filme para crianças, mostrado de uma forma sutil de uma forma que nós entenderíamos. Para mim, o toque genial foi justamente o calor, uma palavra clichê, mas de maneira alguma de forma ruim ou é algum demérito para o filme. Você consegue ver o conflito do menino da favela, que não tem família, que sabe que fez uma coisa errada. Essa, aliás, é uma das melhores e mais emocionantes cenas do filme.

Só perde para quando Blu – o personagem principal – e você entendem o que Rafael – o tucano – diz com “você deve voar com o seu coração, e não com sua cabeça”. Esso é Brasil. Esse é o calor que eu disse lá em cima. Nós somos um povo muito mais passional do que racional, nós somos um povo que de certa forma é bom, ingênuo, mas bom. Estamos ali representados por Rafael, que ajuda o gringo sem pedir nada em troca, somos os dois passarinhos loucos Nico e Pedro, somos Fernando, o menino da favela e somos também – por que não? – os traficantes de aves, somos Nigel, somos no final das contas o Brasil.

Enfim, acho que Rio será a melhor animação do ano. Grandes chances de estarmos vendo aí o primeiro Oscar brasileiro, já que esse ano a Pixar vem com sua franquia mais fraquinha, Carros. Não vou dissertar sobre as qualidades técnicas do filme, é tudo simplesmente perfeito, e isso é um grande elogio, já que deve ser uma dificuldade tremenda renderizar e fazer penas e mais penas de aves com uma qualidade absurda.

Assisti em 3D – que é ótimo – e dublado. As ressalvas que faço aqui são Rodrigo Santoro (que dubla tanto a versão original, quanto a nossa aqui), essa ressalva eu faço apenas para criticar o quanto a dublagem estragou um filme que eu gostei muito (Enrolados). Luciano Hulk de dublador foi uma coisa horrenda. Dublagem não é algo simples, que basta um figurão qualquer, até porque todo dublador é antes um ator. E Guilherme Briggs, que faz maravilhosamente o vilão Nigel.

Bom, é isso. Não sei se consegui passar direito, mas assista Rio e leia o texto de novo. Você vai entender direitinho o que eu quis dizer.

Nota: 5

(sistema de notas)

***

1 – Sei que disse no texto, que no fim das contas somos um povo bom. Somos sim, tenho que acreditar que somos. O que aconteceu na tragédia do Realengo no mesmo Rio de Janeiro, é uma triste e terrível fatalidade, que não discerne credo, cor, ou nacionalidade.


Alta Fidelidade // Sessão de Cinema: Kick-Ass Quebrando Tudo

Alô Fábio Baldino (vulgo @fbaldino), chupa essa!

Depois dessa mensagem carinhosa a um leitor incrédulo eu volto a falar de cinema no blog. O que eu pretendo fazer mais vezes daqui pra frente. E volto chutando bundas.

Kick Ass é mais uma das trocentas adaptações de quadrinhos que vem acontecendo de uns tempos pra cá, e que vem dando certo. O quadrinho, criado por Mark Millar (roteiro) e John Romita Jr (desenhos) [vai ganhar uma resenha aqui já já] em 2008, foi distribuído por um selo da Marvel Comics, e rapidamente virou filme. Filme esse que – assim como a própria revista – foi rodado de forma independente em 2009, e lançado esse ano.

Ainda bem. Porque a parada é violenta e é chocante ver uma garotinha de 11 anos cortando membros e matando bandidos a torto e a direita.

E se o filme é violento, nem queira saber dos quadrinhos. Alí o nível triplica. Mas eu estou aqui para falar do filme e do que eu achei dele.

Vamos lá.

Kick Ass parte de uma premissa muito simples: “Por que diabos até hoje ninguém nunca vestiu uma roupa de borracha e saiu por aí descendo o cacete em bandidos?” E é exatamente a partir dessa pergunta que Dave Liasjfhjanekinsky digo, Lizewski resolve ser o cara a fazer essa idiotice. Dave é um adolescente comum que passou a vida toda lendo histórias em quadrinhos, sendo assim, ele compra uma roupa de mergulho no eBay e resolve combater o crime.

O problema de Dave Sputnicky é só um. Ele vive no mundo real.

E quando você se veste feito um palhaço e parte para brigar com nego “armado e perigoso”, apenas uma coisa pode acontecer com você. Você vai se ferrar bonito.

Após se tornar KickAss, Dave acaba se metendo em altas confusões com a galerinha da pesada.

O filme superou todas minhas expectativas. E ainda bem que eu vi o filme antes de ler os quadrinhos. A melhor definição que eu encontrei sobre KickAss: O Encontro de Superbad com Kill Bill. E o filme é isso.

Começa como um filme de adolescentes americanos, nerd no colégio, louco pela mais gostosa da sala, vira “super-herói” e… bem, é aqui que as coisas começam a ser um pouco diferentes. Na primeira vez que Dave vai enfrentar bandidos de verdade, ele toma porrada pra caramba, é esfaqueado e depois atropelado.

Parando com os spoilers por aqui, Kick Ass surpreende pela violência, humor e originalidade da história. Isso sem contar a garotinha aí da foto, que assim como nos quadrinhos ROUBA totalmente a cena. Chloe Moretz mais uma vez fantástica numa atuação perfeita. Ela me fez acreditar que uma garotinha de 11 anos pode chutar bundas bonito por aí. Ela é demais, mas os outros atores não ficam para trás. Nicolas Cage finalmente fez um papel que lhe cabia, o garoto Aaron Johnson não comprometeu – não achei nada demais, mas é um bom ator, tanto que foi cotado para ser o novo Homem-Aranha nos cinemas -, McLovin não me convenceu como mini-vilão, o que nem chega a ser surpresa… porra.. é o McLovin.

De qualquer forma, Mark Strong faz o vilãozão perfeitamente. As duas cenas da bazuca são brilhantes, de você pedir para pausar o filme e poder rir. Na parte técnica o filme é quase perfeito também, direção, fotografia, efeitos.

Sobre o roteiro, tenho algumas coisas para falar. Apesar de começar a ser rodado como independente e tudo mais, o roteiro é beeem hollywoodiano, o que nem sempre é ruim. Não vou dar spoilers, mas digo que achei as mudanças feitas em relação à revista foram ótimas, aquelas que tratam da história central. As pequenas mudanças é que poderiam ser descartadas.

Enfim, KickAss é um filme que cumpre muito bem sua proposta de divertir o público. Filme mais divertido do ano, de longe. E como eu gosto de violência e quadrinhos, é perfeito.

Nota 7 para Kick Ass.

(Não sei porque, mas decidi que a escala de notas aqui nos reviews será de 0 a 7, sendo 0 “Eu diria para você assistir Super Pop ao invés desse filme” e 7 sendo “CORREPROCINEMASEUMALUCO!”)

***

1 – Site oficial do filme

2 – Trailer

3 – No próximo post da seção de quadrinhos eu falarei sobre a Graphic Novel. =D


Crônicas do Cotidiano // Palanque

Nossa! Vim tirar algumas teias de aranha da minha conta, na verdade eu estou a ponto de ser demitida do blog caso não escrevesse, com toda razão, alias não cumpri a promessa de escrever pelo menos duas vezes na semana.

Na verdade sinto uma falta de inspiração, falta brilho para escrever, mas nem por isso quero parar.

Bem, essa semana comprei vários livros e quando chegou fiquei pasma! O livro veio com uma baita publicidade no verso. Fiquei decepcionada, e com vontade de reclamar – Sr. Turambar feelins – o que problema foi que o livro custou um preço consideravelmente caro e a propaganda do livro foi pra onde?

Sei que publicitários aceitam bem propaganda, mas quando é boa publicidade, provavelmente essa pagava a impressão ou a tradução do livro, mas podia ser algo diferente pelo menos pelo preço do livro.

Aproveitando a onda de reclamação quero deixar minha indignação com o Cinemark que já deu problema no filme duas vezes e nunca respondeu nem se importou com nenhuma reclamação que eu fiz.

Deixe sua indignação ai.


Nerds Gonna Nerdar // Roberto Carlos, O Contador de Histórias

A primeira coisa que eu queria dizer é que sempre quis fazer essa seção de sessão de cinema no blog. Mas nunca fiz. Sei que já falamos sobre cinema aqui, mas até hoje não tínhamos uma seção própria para isso.

A segunda coisa, é do orgulho que eu tenho de estrear a seção falando desse cara aí ó. Roberto Carlos Ramos. Muita gente já ouviu falar dele, mas o principal é que muita gente já ouviu as histórias dele. A primeira vez que ouvi falar nele, foi na primeira entrevista que ele deu no Jô. Eu era novo, e me emocionei pra caramba com a história de vida dele e morri de rir dele contando.

Para você ter noção de como esse cara aí é incrível, estréia hoje nos cinemas de todo o Brasil o filme sobre a vida de Roberto Carlos de Ramos. O filme se chama O Contador de Histórias.Veja o trailer logo abaixo.

Imagem 3

Me dá mais orgulho ainda, por esse post ter sido uma sugestão do Leornardo Sacco do Blog do Governo de Minas Gerais, mais precisamente da coluna Orgulho de Minas – vale a pena visitar a coluna. Gostei tanto da idéia, e de com o maior prazer não só fazer um post para divulgar o filme, como também assistí-lo e fazer uma resenha aqui, que vou reproduzir o texto do pessoal do Blog do Governo de Minas sobre o filme.

De tanto contar sua história, Roberto Carlos Ramos teve sua vida retratada na telona no filme O Contador de Histórias que estreia dia 7  de agosto.

Tentar contar a história de Roberto Carlos Ramos é quase uma ousadia. Ele, um verdadeiro contador de histórias, mudou sua vida quando começou a compartilhar com as pessoas suas aventuras e desafios. A primeira a ouvi-lo foi a francesa Margherit Duvas, que o conheçou na Febem de Belo Horizonte, com 13 anos. A história que ela ouviu começava com um menino soltador de pipa, nascido numa favela da capital, caçula de 12 irmãos, que foi levado para a Febem aos 6 anos pela mãe, que acreditava estar dando uma vida melhor ao filho. E que naquela idade, já havia fugido mais 100 vezes da instituição, tinha sido violentado, havia cheirado cola, fumado maconha, roubado, vivido na rua etc.

O pequeno Roberto, com muita resistência de sua parte e persistência de Margherit, acabou aceitando conviver e compartilhar sua história com aquela moça de sotaque estranho. Ali nasceu uma relação de amor, de mãe e filho. Roberto acabou adotado pela francesa e foi morar na Europa onde completou seus estudos. Formado, ele voltou ao Brasil e foi estagiar na mesma Febem. Reencontrou a mãe, ajudou os irmãos e começou a contar sua história em palestras pelo país, sempre com um sorriso no rosto. “Minha mãe francesa me ensinou que poderia ser ordinário ou extraordinário. Esse extra faria toda a diferença. Eu tinha passado por dificuldades, mas estava ali formado e vivendo uma boa vida. Podia optar por contar minha história chorando ou distribuindo lenços.”

Sua história, que já é quase um roteiro pronto para o cinema, ganha as telonas no dia 7 de agosto, no filme O Contador de Histórias do diretor Luiz Villaça. “Luiz estava lendo um dos meus livros para o filho e acabou lendo a minha história e me procurou. Primeiro fiquei preocupado, eles vão contar a minha história? Ela é minha!”, diverte-se. “Começamos a conversar e trabalhar. Foram sete anos até a conclusão do filme”, lembra ele, que mesmo sendo o narrador do filme, só teve permissão de vê-lo depois de pronto.

Na obra, os personagens que interpretam Roberto aos 7, 13 e 18 anos são crianças e jovens da periferia de Belo Horizonte selecionadas especialmente para o filme. Marco Antônio Ribeiro dos Santos, Paulo Henrique Cândido Mendes e Cleiton dos Santos respectivamente. Os três dividiram o prêmio de melhor ator no primeiro festival em que o filme foi exibido, em Paulínia, no interior de São Paulo.

Hoje, com 43 anos, 13 filhos (adotados em idade tardia, quando ninguém mais se interessa, como faz questão de ressaltar), Roberto vive em Ibirité, é autor de livros infantis e continua a contar histórias em palestras pelo mundo, com o mesmo bom humor. “Estou contribuindo com o  melhor que faço para ajudar a mudar a realidade a minha volta.”

Garanto que você ficou no mínimo curioso para conhecer mais sobre Roberto Carlos Ramos e também para ver o filme. O trailer já é impagável, das melhores cenas de roubo a banco que eu já vi. Eu conheço a história e sempre que ouvia a história pensava em como isso daria um bom filme. E deve ter dado, porque vale a pena. Roberto é um brasileiro, um mineiro, um belo horizontino, vencedor. Como tantos outros que temos por aqui.

Tenho certeza que vou começar o post da resenha parafraseando o próprio Roberto quando garoto: Puta que na merda! Que filme! Que história!

***

1 – Siga o Blog do Governo de Minas no Twitter – @governomg

2 – Vale a pena ver o belo – belo layout e belo conteúdo – do Blog do Governo de Minas

3 – Lembra daquela campanha O Melhor do Brasil é o Brasileiro? Veja o comercial que fala do Roberto Carlos Ramos.


Página 1 of 3123