Crônicas do Cotidiano // Do PdH: Ao Longo da Torre de Vigilância

Mesmo quando não tem conteúdo no blog, vai ter conteúdo no blog. Hoje é um conto ‘Ao Longo da Torre de Vigilância’ que eu escrevi baseado na música composta por Bob Dylan tocada magistralmente por Jimmi Hendrix.

Tenho um monte de coisas devidamente postadas no Papo de Homem que nem todo mundo viu. Então, nada melhor que poder te mandar para lá.

Esse em particular é um dos meus preferidos.

***

torre de vigilancia

*Não se esqueça de ler escutando a música acima.

– Ei, Joe!

Chamei novamente a atenção do meu improvável companheiro de fuga, mas assim como da primeira vez, pareceu fingir que eu não estava ali. Ele continuava olhando pela fresta da porta da saleta do chefe da guarda, que continuava imóvel sentado em sua cadeira com um sorriso sinistro no rosto. Morto.

–> Continue a ler.


Crônicas do Cotidiano // Contos do Ôns #0

Não adianta você querer que a gente fale ‘busão’ (que parece nome para bunda grande), ‘balaio’ ou mesmo o nome horrível que deram para os gigantes azuis, o tal ônibus. Mineiro pega ôns e não se fala mais nisso. Uai.

ôns

Eu tenho uma relação um tanto quanto paradoxal com os ôns de linha aqui de beagá. Lembro de praticamente todas linhas que já peguei, mesmo que uma só vez, e costumo me lembrar dos incontáveis causos ocorridos dentro de um desses ôns. Lembro bem do meu tão odiado 4106, que sempre me deixava na mão, nunca passou quando eu precisei, e hoje toda vez que passo perto de um ponto dele, ele passa por mim com aquela risada de canto de boca, meio que me provocando a tacar-lhe uma pedra.

Como esquecer do 9250 e do S20 – que por obra do destino e do acaso, era de fato um coração, porque sempre cabia mais um filho da puta naquele micro ônibus. Esses foram os que me acompanharam no início da faculdade, antes do campus sair do Buritis e ir para a rua da Bahia. Que me fez voltar a contar com o maldito 4106 e mais tarde com o irmão mais velho e melhor 8106, quando já morava no Belvedere.

Depois que a faculdade terminou, essa relação foi cortada quase por completo. A passagem aumentou uns tantos centavos, e eu perdi aquilo que me fascinava dentro do ôns: a capacidade de gerar histórias e situações absurdas. É incrível como você pode observar as pessoas, o que elas fazem, como se comportam. E como o próprio “pegar ônibus” é cheio de protocolos e costumes sociais e antropológicos – porque não filosóficos – incríveis!

É por isso que agora que pego dois ôns todos os dias (um beijo pro 4110, e pro 4113), qualquer um pra ida, qualquer um pra volta, que eu irei escrever uma série de contos e crônicas falando sobre o modus operandi e as loucuras do dia a dia dos famosos mercedões da capital mineira.


Sociedade Alternativa // O Homem que não sabia trepar

Três amigos estavam em uma mesa de bar no momento da noite em que a cerveja já não tem gosto, as bitucas de cigarro já transbordam pelos cinzeiros e já rasgaram em pedacinhos mínimos todos os guardanapos e palitos de dente. É aquele momento em que não chegaram a conclusão alguma durante nenhuma discussão em nenhum assunto. Carlos já não suportava mais ficar ali com os amigos, mas também não tinha nenhum motivo para ir embora. Então pedia mais uma e falava “Ééé… tá foda…” em intervalos regulares.

o homem que não sabia trepar

Depois do que pareceram horas sem que eles pudessem exaurir qualquer outro assunto, Augusto levantou a cabeça que estava apoiada no seu braço e diz:

- Ei Fred, por quê você não conta uma daquelas suas histórias?

- Ahn?

- Boa! Fred, vai lá cara… conta alguma coisa aí pra gente, o Augusto já conseguiu deixar chato todo e qualquer assunto do mundo. Eu não tô nem um pouco afim de ir pra casa às… duas e meia.

- Eu fiz o qu…

- Deixa o Fred contar a história!

- Gente… de novo? Não sei mais de história nenhuma.

- Ah sabe sim – disseram Carlos e Augusto em uníssono.

- Porra, toda vez é assim, vocês ficam falando merda a noite inteira e pedem uma história para irem dormir. Eu sou pai de vocês agora pra botar na cama e contar historinha?

Os dois não queriam nem saber. Pediram mais uma cerveja e uma porção de pastelzinho que só Barnabé sabia fazer, para ouvir mais uma das história que só o Fred sabia contar. Eles frequentemente diziam para outras pessoas que eles nem eram tão amigos assim, mas que se encontravam toda semana só por causa do pastelzinho do Barnabé. A verdade, óbvio, é que eles encontravam para ouvir o Fred. Inclusive o Fred.

- Tá, pode ser que tenha uma história que eu ouvi esses dias… – Fred gostava de começar as histórias assim, como se fossem verdadeiras, como se ele de fato as tivesse ouvido por aí.

“Essa é a história do ‘Homem Que Não Sabia Trepar’. A história de um homem aterrorizado por não saber fazer aquilo que em teoria ele mais amava. Não é uma história feliz meus amigos. Não mesmo.”

Carlos e Augusto pegaram um pastelzinho cada um e tomaram um gole, essa seria uma daquelas. Até o Barnabé ficou ali para ouvir o início.

“Marcos era um cara normal, como a gente assim, boa praça, simpático, inteligente. As garotas curtiam aquele cabelo meio rebelde, a barba por fazer e o sorriso. Marcos tinha um belo sorriso. Daqueles que deixam a gente com inveja e abrem pares e pares de pernas pela noite a fora. Tinha um bom emprego, ganhava muito bem. Saúde boa, pais e irmãos também felizes e bem de vida. Uma vida perfeita, não fosse Deus um cara tão irônico.

Só tinha uma coisa que as pessoas achavam estranha sobre ele, o fato dele ter vinte e poucos anos e nunca ter tido uma namorada. Alguns dos amigos tinham certeza que ele era virgem. Os boatos começaram. Talvez seria gay, ou talvez tivesse o pau tão pequeno que teria vergonha. Ou o pau era gigantesco – vai saber! – diziam elas. Especulavam de tudo, até que ele seria eunuco.

Nenhum deles estava certo. O que eles não sabiam, era que Marcos na verdade não sabia trepar. Na realidade ele sabia. Sabia tudo sobre sexo. Era viciado em sexo, em quase toda e qualquer forma. Era um especialista. Amava sexo. Só não sabia fazer. Ou melhor, detestava fazer.”

“E como é que o cara podia não gostar de sexo Fred? – perguntou Augusto”

“Ele gostava de sexo como um todo, mas odiava ‘fazer’ sexo, entende?”

“Não.”

“Deixa eu continuar”

“Marcos estava dando uns beijos na Marcinha – a garota mais absurdamente linda de todo o colégio -, quando a coisa esquentou um pouco ela foi levando a mão dele para lhe fazer um carinho mais íntimo aconteceu algo horrível…”

“O quê?!”

“Posso tomar um gole de cerveja senhor? – perguntou Fred enquanto pegava um pedaço de pastel da mão do Augusto e bebia um gole. – Traz mais uma porção pra gente Barnabé?”

“Trago depois que você contar o que aconteceu quando o rapazinho foi abrir o botão da rosa…”

“Então… coitado do Marcos. Quando ele colocou a mão lá e sentiu aquele toque húmido de pura vitória e felicidade para qualquer garoto, ele sentiu um nojo tão grande que vomitou. (Putamerda! – soltou o Barnabé indo fazer mais uma porção de pastel.) Isso mesmo, vomitou enquanto estava beijando ela. Ela obviamente vomitou nele de volta. Foi uma merda. A situação foi tão traumática e horrível, que Marcinha se entregou para um convento acreditando piamente que o diabo quase a possuiu. Já Marcos ficou horrorizado por meses, pensando e tentando descobrir o que havia de errado com ele.”

“Já sei! Marcos era gay gente, é lógico que era! Aonde já se viu ter nojo de boceta?”

“Deixa de ser idiota pô, não tem nada a ver, quer prestar atenção na história? Calma que você vai entender.”

“Só de pensar naquele toque Marcos ficava enojado e o vomito logo aparecia. O primeiro pensamento é de que era gay. Antes fosse, pensou ele depois. Sentia atração por mulheres, disso tinha certeza. Mas começou a perceber que não suportava a troca de fluidos com ninguém, homem ou mulher. Ele realmente não gostava tanto de beijos assim. E isso começou a aterrorizá-lo. Como ele poderia amar alguém? Como poderia se casar? Porra, como teria filhos!?”

“Depois de um tempo, Marcos aprendeu a conviver com seu problema. Se tornou um viciado em sexo, contando que nada nem ninguém encostasse nele. Se tornou um voyeur dos mais especialistas em sexo, dava dicas para os casais que ele pagava para ver, mostrava como devia ser feito e se deliciava. Uma vez, uma das mulheres cismou que ia chupá-lo de qualquer forma. A crise nervosa foi tão grande que ele desmaiou. Tirando esse ou outro ‘acidente’, Marcos ia levando a vida o mais normal possível.”

“Até o dia em que se apaixonou.”

“Alá, sabia que ia dar merda. Certeza que ia dar merda.”

“Você pode ter suas próprias maluquices, mas sempre tem uma mulher pra ferrar com sua vida.”

“Machista. Me dá mais um pastel aí e escuta..”

“Carla era uma mulher mais ou menos. Mais ou menos linda, mais ou menos foda pra caralho, mais ou menos sensacional. Aquela mulher tão cheia de mais e menos que todos praticamente todos os homens que ela conheceu durante a vida se apaixonaram por ela. Eram tantos pequenos defeitinhos e imperfeições que a tornavam perfeita. Uma mulher irresistível. Incrível. Que Marcos teve o azar de conhecer um dia quando foi no dentista. Ela estava lá para um clareamento, ele para fazer um canal. Ainda hoje dizem que nunca se deve cair em um relacionamento com uma garota que você conheceu quando foi fazer canal. Todas as vezes que isso aconteceu, ao redor do planeta, acabou em tragédia.”

“A Míriam! A Míriam! Eu conheci ela quando fui fazer canal! PUTAMERDA!”

“Shhhhh tá bom Augusto, a gente sabe.”

“Não Carlos, você não ouviu o Fred? Conhecer uma mulher quando tá fazendo canal é tragédia. Putamerda eu sou parte de uma estatística. Estou chocado. Meu mundo caiu..”

“Tá bom Augusto, chega. Deixa eu terminar.”

“Putz… vai lá.”

“Eles se apaixonaram, é claro. Marcos a amava tanto que não sentia nada além de tesão e carinho por ela e pelo toque dela. Ele estava em puro êxtase, conseguira uma cura. O seu caminho para a felicidade perdida após Marcinha e o vômito. Ele era o cara mais feliz do mundo… até o dia em que eles foram fazer amor pela primeira vez….

“Ele cagou nela?”

O bar inteiro caiu na risada. Nesse momento, todo mundo já tinha parado tudo o que estava fazendo para ouvir a história.

“Hahaha, não Carlos, não.”

“Então conta porra!”

“Se você deixar…”

“Marcos não conseguiu. Não teve crise, nem vomitou nem nada, conseguia iniciar os trabalhos mas parava logo. Ele simplesmente não conseguia. Devia ser o cara que mais sabia comer uma mulher no planeta, mas simplesmente não conseguia fazer isso. Ele então abriu o jogo e chorando contou sobre seu problema. Carla ouviu tudo e disse que o amor que ela sentia por ele era maior que tudo isso. Que eles iriam resolver juntos.”

“E eles tentaram de tudo. Benzedeira, Preto Véio, Umbanda, missa, culto, exorcismo, até psicólogo. E nada. Nada no mundo fazia com que Marcos conseguisse trepar. Cansado de ver o amor da sua vida ‘perder seu tempo’ com ele, decidiu que deveria deixá-la. Ela obviamente não aceitou. Ele então propôs o absurdo. Que ela transasse com o tanto de gente que ela quisesse, contando que ele sempre estivesse junto para vê-la. Era o único jeito deles sentirem prazer juntos, disse Marcos para Carla. Ela de início achou um horror. Depois foi pensando mais na ideia e cedendo à vontade de Marcos.”

“Mas já devia tá beliscando azulejo a menina também né?”

“Beliscando o quê?”

“Azulejo. Fica quieto.”

“Cala a boca que tá acabando”

“No fim das contas, Marcos acabou convencendo ela. Começaram com michês escolhidos a dedo, depois foram pegando homens e mulheres em barzinhos, boates e festas. Eram de longe, em qualquer lugar que iam, o casal mais bonito e mais feliz. Marcos e Carla eram muito satisfeitos juntos, sexual e espiritualmente. Ela se tornou insaciável, aproveitava seus parceiros para satisfazer o seu amor. Se descobriu uma devassa. E Marcos um voyeur que não podia reclamar da vida. Sua mulher satisfazia todas suas fantasias e ele não podia pedir mais nada da vida.”

“Nos primeiros anos foi uma maravilha mesmo. Foram muito felizes. Depois de um tempo, as coisas foram ficando um pouco estranhas. Marcos já captava uns olhares diferentes, Carla parecia gostar, mais do que costumava, da situação. Ela já não pedia mais opinião para ele na hora de escolher os parceiros. Ficava irritada quando ele falava algo ou fazia algum pedido para o ‘casal’. E Marcos, por incrível que pareça, passou a ter ciúmes. Ciúmes mortais de sua esposa. Tudo que ela fazia era motivo para brigas. Ele passou a seguir todos os seus passos. Abandonou o emprego, ficou obcecado. Até o dia em que descobriu tudo. Ela estava namorando um dos rapazes que aparecia com muita frequência nos últimos meses. Ele a viu entrando no apartamento deles com o cara. Ele então esperou alguns minutos e entrou.”

sadkeany

Não se ouvia um pio no BARnabé. Ninguém piscava.

“Quando Marcos entrou no quarto sua esposa estava como ele nunca a havia visto. Ela estava… livre! Eu pensei que ela fosse feliz – pensou Marcos com amargura – mas ela nunc’a foi tão feliz assim. Ela fez o que fez por amor. Mas o amor não resistiu. Ela só queria se sentir normal… e eu pensei em matá-la por isso. Eu sou um monstro!’”.

- Então meus amigos… após essa epifania, nosso Marcos foi em direção à varanda do seu apartamento no vigésimo quinto andar, e pulou. – e com um sorriso no rosto, Fred completou: – Fim.


Sociedade Alternativa // A Saga do CD – Parte 1

- Opa, entraê cara.
- Iae, beleza? Tá tudo pronto?
- Na boa. Quase tudo só falta terminar a torta… sentaí.
- Caralho, que sofá foda!
- Né? Comprei semana passada…
- Pow, e esses CDs aqui?
- Ah é… olhaí.
- The Who, Beatles, Guns…
- Tem a discografia completa do Elton John também…
- Foda… opa, a torta tá pronta?
- Aham, as garotas devem chegar daqui uns 15 minutos…
- He… CARALHO. Não acredito que cê tem esse CD!!!!!
- Ahh… é…
- Porra véi, como cê conseguiu isso?!?!
- … na loja…?
- Mas só tem 1000 cópias NO MUNDO e elas acabaram em questão de segundos…!!!
- É…
- Eu TENHO que por isso pra tocá!!
- Hm…
- Pow, a capa tá quebrada! Como cê OUSA deixar isso cair?!
- Não dexei.. é que me roubaram…

- E como cê conseguiu isso de volta?
- …
- Desembucha maluco!!!!
- Eu fui até o Inferno pegar esse CD.

Quinta-Feira: lançamento do álbum mais aguardado da história da música (e de todas as outras histórias também). Dezeseis horas na fila, só um exemplar na loja: a única do país que o tinha, e pela “bagatela” de “todos os meus salários dos próximos 30 anos + minha mesada pra faculdade”. Foda-se, eu tenho que comprar. Felizmente o dono da loja é um filho da puta e só vai abrir a porta lateral… ter que surrar toda essa gente da fila seria foda…

Três pras dez… Estou à menos de 3 minutos da minha felicidade eterna… e aquela mina alí na fila…? Até que é boa… daqui à cinco minutos eu mostro meu… É AGORA, ELE TÁ ABRINDO A FECHADURA!!!!!

Vuei.

É meu. A cara de decepção das outras setenta e seis dúzias de milhares de pessoas me fez soltar uma risada dígna de bandido de desenho animado… nem acredito que consegui ser o primeiro na fila. No caixa a preocupação com o empréstimo que ia comer meu cu sequer me passava pela cabeça: mandei até embrulhar o CD pra presente, só pra poder rasgar todo o papel, feito criança mesmo. Dalí do caixa vi a garota da fila (já tinham aberto as portas da loja agora, mesmo com 99% da galera já estando longe)… mas era um momento demais especial para perder com joguinhos: tinha a maior obra já produzida, e se não escutasse no talo nos próximos minutos, ficaria loco. Já tava saindo (passei do lado dela de propósito), mandei aquele olhar de canto: dois milhonésimos de segundo, mas ela pegou.

Não sei se ela demorou de propósito, mas só me alcançou alguns quarteirões mais pra frente… pra despistar acho, afinal, saí praticamente jurado de morte da loja. Ela tocou no meu ombro, meio que senti um calafrio (totalmente ocasional, é claro, eu levo jeito com as mulheres), mas nem liguei. Me virei e alí tava ela: morena, botas, peitos incríveis, ropa leve, naquele estilo “underground-cool”, aquelas meias listradas e meu sentido de aranha dizia que a bunda não deixaria à desejar.

Ela nem se apresentou, foi logo falando do CD, de quanto queria ter comprado e que faria qualquer coisa pra conseguir ouvir. QUALQUER COISA: a frase do sonho de todos os homens do universo e lá estava eu, com o CD mais foda do universo e com uma gostosa implorando pra ouví-lo, porra, tinha a desculpa perfeita pra levar ela pra minha casa.

Durante o caminho a gente mal se falou, tirando alguns comentários sobre a produção do CD e a narração de como eu tinha conseguido comprá-lo. Mesmo com ela falando poco eu notei que ela tava… molhada, pra ouvir as 16 músicas inéditas que eu carrega na sacola como se fosse um galão cheio de nitroglicerina, olhando pros lados pra ver se ninguém tentava praticar um 157.

Depois de 10 minutos chegamos em casa. Foi só quando eu botei a chave na fechadura que lembrei da zona que tava o lugar, abri a porta com medo e só não agradeci de joelhos pela visita da faxineira pra não perder a pose na frente da garota. Falei pra ela sentar no sofá novo (e que felizmente teve todas as migalhas de Ruffles tiradas) enquanto ia no quarto pegar o controle do som. Voltei já fazendo a maior encenação pra tirar o CD do papel de presente e botar pra tocar, tirando alguns sorrisos tímidos dela (pra minha total felicidade e com um toque de perplexidade).

Assim que apertei o “play” só não gozei pra não fazer feio com ela. Foi só os primeiros acordes da “Faixa 01″ tocarem que eu e ela já távamos pulando e cantando junto sem sequer saber a letra. Porra, música foda pra caralho, num tinha nem 30 segundos de música e eu já sabia que vender minha alma pro banco tinha valido à pena. Assim que a primeira música terminou nós dois nos abraçamos no mais puro e simples êxtase, jurando que era a melhor coisa que a gente já tinha ouvido… até começar a “Faixa 02″. A Faixa 2 definitivamente é uma das melhores do CD, e logo no refrão eu e ela já nos considerávamos conhecidos de longa data. Meu sofá já tava virado, vários livros no chão e eu tinha certeza que se eu saísse de casa, todos os vizinhos se ajoelhariam perante mim.

Eis que veio a “Faixa 3″. Foi só o vocalista gritar “NOW EVERYBODY’S GONNA HAVE SEX” que nós dois nos agarramos. Nem existia mais sala, sofá, vizinho, só a música e nós dois. E devo dizer que eu acertei, a bunda também era boa pra caralho, os peitos cabiam certinho nas minhas mãos e putaquepariu, aquela boca… foram os melhores 7 minutos da minha vida: o tempo até começar a “Faixa 4″. Os próximos 30 minutos cê pode até imaginar… quando a gente acabou (na Faixa 15) eu tinha certeza que eu morria se ficasse sem ela e a música. Pra falar da última música só tem uma palavra: PERFEITA. Cara, fazer sexo sem ouvir essa música devia dar pena de morte. Olhei pro lado e lá tava ela: olhando pra mim com um sorriso de canto de boca… só lembro dela me dando mais um beijo e de pegar no sono.

Acordei umas 3 horas depois. Olhei pro lado e ela não tava lá, não tinha nehuma música tocando. Pensei logo de cara que ela tinha me abandonado, mas ouvi o barulho de descarga. Olhei pro aparelho de som e vi o “STOP” piscando pra mim. A sensação de calma foi quase tão boa quan… não, tudo tinha sido muito melhor. Resolvi me juntar à ela prum “banho”… o banheiro tava vazio. Chequei todos os cômodos da casa: nada. Corri pro som, já apertando “Eject”, na bandeja só um bilhete: “Desculpa”.

Desolado… completamente arrasado: perdi a minha coisa mais preciosa e a mulher da minha vida numa tacada só… foi aí que bateu o desespero, corri pela casa toda gritando à plenos pulmões e, admito, chorando feito uma garotinha…  aquelas poucas horas que passamos juntos já pareciam uma vida distante… eu tinha decido deixar o mundo pra trás… só até eu ver a enorme entrada de um túnel bem na minha sala.

***
1 – Parte 1 de 3, a parte dois vem só daqui a 15 dias (tá, 14).

2 – Eu sei que vocês gostaram.

3 – O número 3 é importante…


Crônicas do Cotidiano // Contos da Cripta: Carter’s Village Hotel

Seguinte, todos sabemos que o Crepúsculo tem uma longa história de promessas não cumpridas (da qual eu me orgulho de fazer parte), e uma delas é a coluna (sé é que pode ser chamada assim) Contos da Cripta. Como o Chefe havia prometido era pro troço (sim, Chefe, “troço”) sair semana sim, semana não, maaaas, como o senhor Turambar gosta de tradições, a coisa ficou no primeiro episódio mesmo e cabe à mim salvar a honra (em partes, claro) deste blog. Aprocheguem (não perguntem) aí!

***

Quartos em hotéis antigos sempre o lembravam dos clássicos contos de terror que ouvia com seus amigos, no antigo clube abandonado – Passávamos horas naquela piscina velha… o vento fazendo barulhos que até mesmo o J.J. tremer de medo. Há uma vasta coleção de coisas que acontecem em hotéis e poucas delas são mais estranhas do que os rumores que rondavam o Carter’s Village Hotel: não são poucas as narrativas de corpos enforcados nos velhos lustres de cristal, bailes dignos da realeza acontecendo nas madrugadas e livros sendo folheados na ainda mais velha e empoeirada biblioteca.

Ele havia chego na cidade há pouco mais de uma semana, mas só se registrara no velho hotel havia algumas horas. Estava à procura de um certo Willian, que segundo o dono do bar próximo era gerente do hotel, que havia herdado nada menos que um relógio de bolso de família, que segundo a empregada da casa, tinha mais de 150 anos. Chegando no hotel, ele fora informado que o senhor Willian não era visto há mais de 3 dias, porém que esta era uma situação normal, uma vez que o gerende trancava-se para poder resolver os problemas financeiros que a má reputação do hotel causava há mais de 40 anos. O mais estranho é que todas as vezes que perguntava sobre o gerente, este não estava ou não sabiam de seu paradeiro.

- Asseguro-lhe, meu senhor, se o gerente continuar não me recebendo, voltarei para a capital, tendo entregue o relógio ou não!

- Mas senhor, o gerente estava aqui até o senhor entrar! Já procurei em seu escritório e mandei um recado para os seus aposentos, requisitando sua atenção, com urgência! Garanto-lhe que o senhor Willian responderá o mais rápido possível.

Nove dias e nada desse tal de Willian… não poderei ficar por muito mais tempo, tenho de voltar ao trabalho! Sendo onze da noite e sem sono algum, nada mais lhe sobrava a não ser preparar toda a papelada da herança. Após duas horas de trabalho faltava apenas entregar o maldito relógio e a assinatura do “muitíssimo pontual gerente”. Quem esse Willian pensa que é? Falarei algumas verdades para ele quando encontrar, tenho certeza disso! “Muitíssimo pontual” é?! Pois se ele não me receber até o meio dia, eu mesmo irei até os aposentos dele!

O sino da pequena igreja badalava pela quarta vez e o senhor, deitado em sua cama, ainda sem conseguir dormir, teve um sobressalto ao ouvir as batidas na porta de seu quarto. Sou eu, Willian, sei que ainda está acordado senhor. Estranhando a hora que o gerente escolheu para tratar de negócios, ele ficou desconfiado, mas já que estava com tudo pronto e não conseguia dormir, deixou o gerente entrar. Mesmo com o dossel de veludo ele pôde notar a figura alta e rechonchuda do gerente entrando e se sentando ao lado da cômoda. Abrindo o dossel e sentando-se os pés da cama, viu, pela primeira vez, a imagem abatida e preocupada do gerente.

- Desculpe-me pela demora, como já deve saber, o hotel está passando por sérios problemas financeiros e não sei se aguentaremos mais um ano… Mas não é isso que o traz aqui, fui informado de que recebi uma herança?

- Sim, é isso mesmo, mas devo lhe dizer que alguns cálculos e assinaturas podem esperar alguns momentos, considerando que estou aqui a trabalho e com pouquíssimo tempo de sobra!

- Sim, sim, estou ciente de que não fui respeitoso com o senhor, e em meu nome e do hotel, ofereço uma estadia completa para o senhor. Bem, creio que o senhor queira dormir, não? Então vamos resolver o assunto de uma vez…

- Muito bem – ele foi até sua bolsa de viagem e retirou os papéis nos quais trabalhara mais cedo – assine aqui e aqui. Assim que assinar, lhe entrego o relógio e parto pela manhã.

Foi com enorme surpresa que o senhor notou que o relógio havia desaparecido de sua bagagem, afinal, ele mesmo checara para ver se o relógio continuava em boas condições. O gerente, com um óbvio ar de desapontado – porém sem nenhum pingo de surpresa – concordou que ele deveria procurar o relógio, e pela manhã lhe entrar em mãos, em seu escritório. Acertado isso e alguns outros detalhes, o gerente deixou o único hóspede dos últimos meses pensativo, em seu quarto, até ele cair no sono.

Já eram dez da manhã e após intensa procura por todo o quarto, pela recepção do hotel e pelo bar, o relógio continuava desaparecido. É simplesmente impossível! O que direi à Willian?! Ninguém mexeu no relógio desde que cheguei aqui… a não ser eu mesmo, claro, mas por que eu roubaria um relógio de bolso velho? Já tenho o meu próprio! Sem muitas escolhas – e após procurar em mais lugares – ele decidiu subir ao escrito do gerente e lhe informar que o relógio havia evaporado o ar, que sentia muito pela perde e que iria ressarcir o gerente no valor do relógio.

Chegando ao escritório, bateu na porta de carvalho – Um belo trabalho de arte esse! Não se faz mais coisas como essa há muito tempo! – e não ouvindo uma resposta, resolveu entrar no escritório. Bastou apenas um olhar para que ele ficasse aterrorizado, sem poder se mover e nem mesmo gritar. Passados alguns minutos, ele vai e informa ao recepcionista que o gerente estava morto há dias, pendurado no velho lustre, bem como diziam os boatos.

A polícia fora chamada e para total perplexidade de todos, o relógio fora encontrado no bolso interno do gerente, marcando 12: 47 h, que segundo os oficiais, fora, com grande certeza, a hora da morte do gerente, há cerca de três dias atrás. Além do relógio, de seu lenço e de uma caneta, fora encontrado no bolso do gerente um recado, que está indexado no relatório da polícia sobre a morte de Willian Carter:

“Creio que devo explicações à todos. Aos meus funcionários e à minha família, meus mais sinceros pedidos de perdão por não conseguir fazer deste o hotel que fora um dia. Aos meus amigos, meus agradecimentos, por fazerem todos esses anos valerem à pena, tanto nos bons quantos nos maus momentos. E finalmente, meus agradecimentos ao senhor George Alvin, que há duas semanas atrás me presenteou com o relógio que fora de meu bisavô.”

***
1 – Pensem aí.

2 – Escrevi isso com portas e janelas fechadas e com a luz acessa. Sério.

3 – Repito as palavras do Chefe: “Como esse é o primeiro conto peço um pouco de paciência. Prometo que vou melhorar com o tempo. Espero que gostem.”

4 – Se vocês forem filhos da puta, como eu, avisem seu chefe que você é um filho da puta, assim ele não tem razão em reclamar quando você o provoca.


Crônicas do Cotidiano , Sociedade Alternativa // Do Leitor: Camila Marciano

Eu sei, tinha que ser “Da Leitora”, mas o nome da seção é no masculino então vai ficar assim.

Bom, Camila foi daquelas prazerosas “descobertas” que tive no e-mail do Crepúsculo, em meio aos milhões de spams. Claro que tive que ter a ajuda dela – ela avisou que tinha mandado e-mail. Aliás, caro leitor, ou cara leitora (olha, vamo combinar uma coisa… quando eu escrever caro leitor entendam caro leitor, ou cara leitora. De jeito nenhum vou escrever caro (a) leitor (a)) quando você mandar um e-mail para o crepusculo@ocrepusculo.com, avise. A chance deu ler seu e-mail aumenta 99%. Se for por twitter, melhor ainda.

Bom, voltando à Camila, ela me mandou os links dos textos dela e eu adorei. Ela tem um estilo próprio e escreve de um jeito que te prende ao texto e faz a imaginação voar.

Aproveitem os dois textos que eu separei do Tumblr dela.

***

Texto 01

E seu salto agulha espeta o chão, como se fosse seu pior inimigo. Pretos, de couro, brilhantes. Vorazes. Não sou só eu quem está bobo com a vista da bela mulher que invade a porta do bar, roubando a cena. Metade dele está. A outra metade só está bêbada demais para vê-la. Sentou-se sobre o balcão e não olhou para ninguém.

Ver uma mulher de vestido sentar-se, é colírio para os olhos. Um único movimento e os coxões morenos estão de fora. Eu sentado a poucos metros dela, a devoro com os olhos, enquanto seu perfil se mostra uma das coisas mais lindas que já vi.

Tão logo, o barman coloca o primeiro drink de graça sobre o balcão, de frente para ela. Cortesia de um otário de meia idade, do outro lado do bar. Ela mal olhou para o drink à sua frente, tampouco para o mané que tentava a cortejar.

Pensei na possível aproximação. Tá, era uma idéia idiota. Uma mulher gostosa e sozinha intimida qualquer macho predador nesse mundo. Inclusive a mim. Nos iguala a crianças de frente para o maior ídolo. Por momento algum, desgrudei os olhos. Minha cerveja poderia esquentar, eu pediria outra. Mas ela poderia sair por aquela porta a qualquer momento e eu não teria a chance de comê-la.

A porta de madeira do bar se escancara novamente. Olhando aquela mulher à minha frente, esqueci-me que estava esperando alguém. Uma qualquer. Qual era o nome dela mesmo? Já não fazia muita diferença. Eu só sei que a minha companhia para aquela noite exalava um perfume forte, terrivelmente doce, a saia curtinha, as pernas finas. Olhei-a de relance e depois me levantei para cumprimentá-la, com um galante beijo na bochecha. Tão ruim conhecer o paraíso e ter de se conformar com o purgatório!

Por educação, dei mais atenção à mulher que estava comigo, do que aquela que eu definitivamente queria. A magricela era chata, ciumenta, não falava nada mais do que “Aiiinnnn Amorrr!”. Quem foi o maldito que criou essa mulher? Onde fui arranjar aquilo? Conteite-me com a escolha que fiz. Não era o suficiente para mim, mas aguentei firme. Só sei que voltaria naquele bar mais vezes. E uma dessas vezes, eu teria vergonha na cara e tentaria falar com aquele fascínio.

Qualquer dia, Hoje não. Hoje ei de me contentar com a escolha.

[/comentário] Esse é o meu preferido, é fantástico. Foda.

***

Texto 02

Ela me puxa para baixo quando goza. Dá pra sentir cada parte do ser dela cravando-se em mim. As unhas nas minhas costas, as mãos suadas, espalmadas, trêmulas, sedentas.

E a brisa passa nos olhos dela. Ganham brilho. Um brilho que não estou acostumado a ver. Linda. A cabeça reclinada ligeiramente para trás, enquanto a boca entreaberta, quase me pedindo um beijo. Enlouqueço. Fácil. Seguro-me para não gozar junto. E é relativamente fácil amá-la assim. De boca fechada. Sem cuspir os rotineiros palavrões contra mim. Os cabelos roçando em minhas mãos enquanto em suas costas, quase como um abraço.

Deixo escapar um gemido e ela sorri. Odeio gemer perto dela. Ela volta para o incrível pedestal de mandona de sempre. Os olhos me desafiam, a boca se abre em um sorriso cafageste que homem nenhum nesse mundo consegue resistir. Um misto de amor e ódio se encontram no meu peito, enquanto os seios dela roçam em mim. Está de volta a mandona de sempre. O ódio se esvai, conforme as sensações se intensificam. Sobram só o amor e o sentimento de como sou sortudo. Se ela não me botar nos eixos, ninguém botará.

E eu deixo. Não tem como dizer não àquela carinha. Brisa nos olhos dela de novo. E um sorriso limpo, dessa vez. Meu controle e meus instintos em suas mãos. Dói ter o ego confrontado. Doerá mais ficar sem ela.

Outro gemido me escapa. Agora já era. Ela sabe que me tem de todas as maneiras possíveis. Dói saber disso. Mas não consigo dizer não.

***

1 – Mais uma vez, o Tumblr da Camila. Nem preciso dizer para vocês assinarem o feed né?

2 – Mais uma vez, o e-mail para contribuições é o ocrepusculo@ocrepusculo.com; Coloque “Contribuição do Leitor” no assunto do e-mail. =D

3 – Só uma dica: pode ser texto de qualquer tipo, pode ser pra divulgar seu blog (Textos, ok?), pode ser resenha de filme, jogo ou banda. Enfim, qualquer coisa.


Sociedade Alternativa // Desventuras Amorosas de Um Cara Legal – Parte 1

Era alguma coisa de Março do saudoso ano de 2003 – o Brasil ainda tinha a melhor seleção do mundo, Michael Jackson ainda não havia morrido e os emos não existiam – quando o nosso cara legal entra em cena. Não em cena propriamente dita, ele vem caminhando grotescamente para a última carteira da segunda fila na aula de qualquer coisa no segundo ano do colegial. Eram 7 e pouca da manhã, você não queria que ele se lembrasse de tantos detalhes assim, ou queria?

Tenho que dizer que essa época foi o auge do ódio do nosso padawan contra a madrugada – nessa época uma boa manhã começava lá pelas 11. Após o ritual de parar a aula – ele sempre chegava atrasado – jogar a mochila num canto e desabar na carteira, o professor retomar sua (provável) chatice sem método do terrível sistema educacional brasileiro, um amigo lhe chama a atenção. Estava ele também com os olhos inchados de sono, mas lia uma carta (sim, ainda existiam cartas nessa época) com um sorriso bobo na cara.

- Ou.. Hudim, que porra é essa?

- …

- Ou..psss!

- Quê?

- Porraéssa?

- Uma carta de Lorinha Jones

- Han!?

- Lorinha… do canal… – Talvez você não saiba, mas na época de adolescente desses caras em Monlevade só conhecíamos outra pessoa pelo nick que ela usava no canal de Monlevade no eterno mIRC.

- Não conheço…

- Entra no Chefia, cê precisa prestar mais atenção Pedrão.

- E quem é essa retardada?

- Aahahahaha, Pedrão, pelamordedeus bicho, cê tem que parar com esse mal humor, cê é grosso demais, ahahahahha.

- Putaquelpariu Hudim, fala logo.

- Lorinha Jones sô. Maria de Lourdes – Ah, a “retardada” ganhou um nome – lá de Piracicaba – e um lugar! -, amigassa minha. Vai fazer 15 anos mês que vem. – após ele dizer isso deu aquele olhar que sinceramente dizia “Eu se fosse você, escreveria uma página para colocar no final da minha carta de resposta, ficava amigo dela e ganhava o convite pra festa.”

E foi exatamente o que ele fez. E fez bem, afinal escrever é uma das poucas coisas que nosso cara sabe fazer, e uma das únicas que ele faz bem. Logo aconteceu de Pedro e Lorinha Jones ficarem amigos. Bons amigos até. Agora me ocorre (desculpe a memória fraca do autor) que ele até ficou com uma garota que era amiga de Maria (melhor que o nick não é?) uma tal de Drielle, que (vocês não irão ficar surpresos) se apaixonou pelas palavras – no inicio pelo menos – de Pedro, mas depois de um tempo enjoou. Talvez pelo fato dele querer apressar um pouco as coisas. Foi quando ele aprendeu que “Eu te amo” só é bonitinho em Hollywood.

Vale contar que por causa de uma conversa no “canal” ela largou o namorado (foi mal Thiago… se bem que eu acho que eu te fiz um baita favor) para ficar com o tal Pedro. O mais incrível ainda foi nosso Maximus encontrar a mesma Drielle nos corredores da faculdade. O que fez ele (não pela primeira – e se Deus quiser –, não pela última vez) se arrepender de falar bonito por uns amassos e depois se “apaixonar” pelos lábios e curvas da primeira que aparecesse.

Ele tinha 15 anos, que culpa ele poderia ter?

Continuando. Pedro e Maria ficaram amigos, ela ficou amiga dos amigos de Pedro e Hudson (acabou namorando por um bom tempo com o Roia) e claro, convidou todo mundo para sua festa de 15 anos. Você ainda se lembra do que significa uma festa de 15 anos para uma turma de 16? Significa comida e, principalmente, bebida de graça. Aniversários de 15 anos querem dizer mais duas coisas para um jovem mancebo, garotas em vestidos minúsculos (ah, as meninas de 15 anos) e roupa social.

Nosso personagem, apesar de detestar esse tipo de roupa – talvez pelo fato de ser gordo e ser gordo e comprar roupas é uma merda – ele até que ficou… digamos, bem apresentável. Todo de preto, é claro, como convêm a um bom rockeiro e um bom gordo, a gravata do Mickey (estava na moda) deu um toque especial. Ele já até usava a sua marca registrada, o alargador – na época era só um, na orelha esquerda -, tenho que dizer que uma garota poderia facilmente ficar com ele naquela noite. Ele sinceramente esperava isso, esperava ainda que fosse a tal Drielle.

Pedro só havia esquecido uma coisa naquela noite inesquecível (ninguém deixa que o dia em que conheceu seu primeiro – e até hoje o grande – amor da sua vida e anda uns 8 quilômetros na chuva às 6 da manhã, cair no esquecimento). Ele havia esquecido o fato de que a tal amiga-irmã de Belo Horizonte estaria na festa e todos iriam finalmente conhecê-la. A garota havia surgido em uma das cartas que ele e Hudson continuavam trocando com Maria, que não parava de falar em Bárbara, a amiga-irmã-superfofa-linda-simplesmente-de-mais que ela tinha e que estaria na festa.

Hudson já estava de olho, já até conversava com ela no ICQ – lembra disso? – Pedro até chegou a trocar algumas palavras, mas havia se esquecido completamente do fato, só pensava noutra moça. Eis que entre vários copos de cerveja e vinho, uma mão no ombro e um “Pedrão, olha só quem tá aqui!” mudou a vida de nosso Bilbo Bolseiro. Aquela coisinha morena, radiante, com olhos imensos brilhando simplesmente nocauteou nosso amigo. O mundo todo simplesmente ficou cinza. Só ela tinha cor, só dela saíam sons. O resto era uma nuvem difusa preta e branca. Era como Frodo colocando o Anel. As tais borboletas no estômago eram dignas de um documentário no Discovery Channel, e o sinos facilmente poderiam entrar naquelas músicas de 20 minutos do Pink Floyd. Em 5 minutos de conversa, ambos já tinham certeza de que se conheceram lá no berçário. Ele se esqueceu de fumar, de beber, esqueceu o nome, onde estava. Esqueceu tudo. Aquilo era a coisa mais maravilhosa que ele já havia sentido. E aquele era definitivamente os seios mais estonteantes que ele já vira em um decote. Aquele momento foi atemporal – quero acreditar que tenha sido assim para os dois –, e ele ainda está acontecendo, em algum lugar perdido no tempo e espaço das pessoas mais felizes do mundo.

O que eu odeio no Mundo Real é que sem nenhum remorso ou sutileza ele volta como um balde (Caro Microsoft Word, eu NÃO quero dizer “uma balde”, grato) de água fria. A conversa teve que parar um pouco e a vida tinha que continuar, e como eu disse lá em cima, Hudson já estava de olho. Você talvez não saiba também, mas existem homens que são Paladinos honrados. Eu não poderia então, pelo código de honra, estar a frente do meu amigo e atirar a flecha na presa dele. Isso matava de verdade o nosso amigo Pedro.

Sabe o que é pior de tudo? Essa maldita condição de ser um cara legal. Essa condição fez com que Pedro negasse veementemente (veja bem) a oferta do amigo para ficar ele com ela, ao invés dele mesmo. Homens podem ser bem desprezíveis minha cara. Eu até hoje chamo Pedro de burro por isso. Ele fica bem puto comigo, mas ele sabe que é verdade.

O final dessa história é fácil de descobrir, Hudson ficou com ela, e a noite acabou sendo na fossa. Ouso dizer que foi literalmente na fossa. O aniversário terminou como toda fossa em festa deve ser. Olhares gulosos e invejosos para o cara que ficou com a mocinha, olhos marejados com as musicas melancólicas de final de festa e obviamente a embriaguez, mãe de todos atolados na maldita fossa.

(Continua nos próximos capítulos)

***

O que parecia ser o suficiente para uma noite, era só o começo. Mas isto meus caros, vocês só saberão quando lerem o próximo capítulo das desventuras amorosas de Pedro, que se você estupidamente não percebeu, sou eu mesmo.

Desde quando isso (e o resto) me aconteceu queria escrever a história. Mas só depois de 6 anos resolvi numa madrugada whatever de sábado escrevê-la. E não me perguntem, eu não sei por que eu fiz isso na terceira pessoa. Talvez por querer ser a consciência daquele Pedro de 16 anos e fazê-lo exorcizar um pouco dos seus demônios. E já que é pra esculhambar com o coitado, decidi publicar isso no blog.

Essa seção, ou este conto autobiográfico, ficará em cartaz por mais ou menos duas semanas. Acredito que seja o tempo que eu vou levar para escrever mais duas vezes para contar a história inteira. Se eu achar que, por algum acaso, o exorcismo funcionou – de algum modo – escreverei pelo menos outra grande desventura amorosa.

E se você quer saber, ela ainda é bárbara.


Sociedade Alternativa // Quem conta um conto ganha um ponto (e alguns leitores)

Faz algum tempo que não posto. O Pedro até falou que ia colocar uma teia de aranha por cima da minha foto ali na barra lateral (mentira isso). Bom. O importante é que voltei e vamos ao que interessa. O post.

O primeiro blog que tive foi um blog de contos. Desses blogs de contos que tem aí pela internet aos montes. Na época eu nem tinha essa visão blogueira cheia de pageranks, SEO, tags e WEB 2.0. Era só um blog comum de contos e tal. Eu gostava muito de escrever e tinha até alguns contos muito bons. Aí eu tive a idéia de publicar aqui no Crepúsculo alguns desses contos, de vez em quando. Aí eu lembrei que este blog não é um blog de contos e crônicas. Resolvi fazer o seguinte. Vou postar um conto aqui, e deixar o link deste blog antigo para quem quiser ler o resto dos contos.

- A Atriz -

Ela era assim. Marina tinha mania de atriz. E isso era só um detalhe em sua vida. Não fosse as mentiras que ela criava. E os papéis que inventava para a vida real. Afinal, o trabalho do ator é mentir convincentemente. E isso ela fazia muito bem. Se tornou uma mania. Uma obsessão. Conhecia outras meninas no playground ao lado de casa e inventava nomes diferentes para si mesma. Inventava outras famílias. Mudava até mesmo a idade. Se apresentava e se portava como uma pessoa da idade que dizia ter.

Uma vez fingiu para a família ter perdido a memória. A história durou 4 meses e só não se prolongou por mais tempo porque se cansou do papel. Começou a criar disfarces. E fazia com tanta perfeição que nunca a descobriam. Ai de quem a descobrisse. Isso para ela, não podia acontecer. Conseguia convencer até mesmo o diabo de que ele sim, ele era o bonzinho da história. Ser descoberta não. Nunca.

A mania chegou ao seu ápice quando ingressou na faculdade. Artes Cênicas. Resolveu criar um papel de moça perdidamente apaixonada. Na terceira semana, entrou na sala e se declarou para o colega.

-Arthur! Eu te amo loucamente! Nunca me senti assim durante toda a minha vida. Você é tudo pra mim! Foi amor a primeira vista! Entrego a ti meu corpo e a minha alma! Derrame em mim ou seu líquido sagrado do amor.

E o beijou como nunca tinha beijado ninguém antes. Foi um estouro. Tinha criado o disfarce da sua vida. O de namorada, e futuramente, esposa dedicada somente ao marido. Tinha que manter o disfarçe afinal, ser descoberta não. Nunca.

Transaram no primeiro mês de namoro. Tinha que levar o papel até o final. Mostrou ser a pessoa mais apaixonada e dedicada de todo o mundo. A mais servil. A mais amante. A mais esposa de todas. Se entregou de corpo e alma ao papel. Largou a faculdade. Iria se dedicar somente ao parceiro. Tinha de desempenhar bem o papel. Não poderia falhar. Ser descoberta? De jeito nenhum.

Logo que Arthur se formou, os dois se casaram. Viviam uma vida plena. Tiveram filhos. Ele era extremamente feliz com ela. Nunca conhecera mulher mais dedicada em todo o mundo. O que posso dizer? Viviam bem. Ficaram velhos. Os filhos cresceram. Se casaram. Foi a melhor sogra do mundo.

Como todo papel, o de Marina chegou ao fim. Ela morreu por uma doença qualquer. Casada ainda. Nunca amou o Arthur, nem um pouquinho que seja, mas manteve o papel até o fim. No seus sonhos, tinha sido a melhor atriz do mundo. Desempenhou o papel até o fim. E quando morreu, tinha a certeza. Não seria descoberta nunca. Ser descoberta? Só por cima do próprio cadáver.

No velório só se ouvia choro. O marido estava inconsolável. Os filhos ainda mais. Todos falavam sobre como tinha sido boa esposa, boa mãe, boa mulher. Que vida! Que ser humano ela era! No enterro todos choraram. Fazia sol. Na sua lápide, a família escreveu o epitáfio.

“Aqui jaz Marina. Nasceu atriz, mas abandonou seu sonho para ser a melhor mãe, esposa e mulher do mundo”.

Lá no além Marina resmungava. “Desgraçados! Mãe é o cacete! Eu sou atriz! E o Arthur é um filho da puta. Filho da puta!”. E Deus a acalmava. “Calma Marina. Nós sabemos que você foi uma boa atriz. Juro por mim mesmo que sempre te achei uma excelente atriz”. E ela resmungava cada vez mais.

***

Bem. Esse é um dos melhores contos que eu já escrevi (na minha opinião completamente parcial). Se você não gostou, nem se dê o trabalho de ler o resto.

***

1 – A você mulher bonita e respeitosa. Se estiver disponível, já tentou desencalhar o Wanderson?

2 – Você tem twitter e trabalha com propaganda? Siga o @pedroporto. O cara é foda. E digo por experiência própria. Já assisti a uma palestra dele.

3 – Você já viu o portfolio do Fernando Valente? Olha só esse manual de identidade visual que ele fez. Que primor de trabalho!


Sociedade Alternativa // Como fazer uma crônica

Várias pessoas já me perguntaram sobre como se escreve uma crônica. Bem, não é uma das coisas mais difíceis de se construir, visto que uma crônica é só um relato de um pequeno acontecimento do cotidiano. O problema é que ninguém quer parar e observar esse pequeno acontecimento do cotidiano, que acontece todos os dias na frente de todos. Veja bem. É fácil. Se você não tem alma vagabunda, alma de flâneur, do tipo que gosta ficar observando tudo ao seu redor, você pode inventar a crônica a partir de suas experiências. Mas a observação constante do cotidiano é, de fato, o que faz a crônica.

Mulheres são ótimas personagens de crônicas. Convenções e hábitos sociais juntos com as mulheres fazem crônicas melhores ainda. A quebra e a desconstrução destas convenções e hábitos onde personagens do gênero feminino participem do enredo fazem crônicas muito mais que melhores. Por exemplo, não seria genial um pai viajar para encontrar com o filho na cidade onde este mesmo cursa faculdade, e ao chegar, descobrir que o filho estuda muito, não sai a noite, não se envolve com mulheres, e gasta todo o dinheiro recebido com livros ao invés de bebidas e cigarros? Isso para o pai é revoltante! Como esse canalha do filho dele pode gastar todo o seu dinheiro com estudo? Onde estão as mulheres? Onde estão as garrafas de whisky? E o pior, comprar livros às custas dele? Isso é um horror!

Pois é. Isso é uma crônica do Luís Fernando Veríssimo. Genial, não? Quase, para ser genial só faltaram as mulheres. Fazer crônicas é fácil. Basta algum conhecimento da língua portuguesa e alguma prática em redação. Vou provar isso começando a escrever uma crônica aqui mesmo e agora.

Primeiro, criemos dois personagens. Acho que vou me decidir por duas mulheres, elas sempre são imprevisíveis e qualquer coisa pode ser feito por elas. As duas se encontram no meio da rua, são amigas a mais de 10 anos. A intimidade entre elas é visível. Encontram-se e resolvem parar em um café para colocar a conversa em dia. Dessa situação podemos desencadear várias outras. Elas podem ir ao banheiro juntas, ou pode aparecer na porta do café um ex-namorado de uma que a trocou por outro homem, ou podemos até fazer com que um carro entre voando pela vitrine e mate instantaneamente as duas, mas isso não seria bom pois a crônica terminaria precocemente, e essa não é a nossa intenção. Vou me decidir então pela opção de uma delas resolver ir ao banheiro. Como sempre, a outra vai atrás, um hábito social tipicamente feminino. Pelo fato das mulheres sempre irem juntas ao banheiro, alguns deles já são construídos de maneira que cada box tenha dois vasos sanitários, para que as duas possam sentar e conversar enquanto fazem o que tem de fazer.

Um banheiro bonito (e só isso, porque crônica narrativa não tem muita descrição). As duas entram conversando no banheiro. Um fato normal. Uma puxa o batom da bolsa enquanto a outra vai ajeitando o soutién (sei lá como se escreve isso). Até aí, um fato normal da rotina de qualquer mulher. Então aqui, nesta parte em que o texto já está se tornando chato, inserimos a surpresa, o ápice, a virada de mesa da crônica. Paula (é o nome de uma delas) abre a porta de um dos boxes do banheiro e se depara com o seu ex-namorado (aquele que a trocou por um homem) sentado num vaso. Ela solta um grito escandaloso (“Seu sem-vergonha!”) enquanto a outra amiga grita assustada.

Se quisermos, podemos interromper a narrativa aqui e começar outra aparentemente não conectada a nossa história. Atenção. É aqui que acontece a mágica da crônica:

Naquela tarde, Laércio dirigia seu carro tranquilamente pela rua. Tinha marcado de encontrar com seu namorado, Luis, que tinha recentemente assumido sua homossexualidade e largado de sua namorada para ficar com ele. Foi neste momento que um homem empurrando um carrinho de pipocas entra na frente do seu veículo sem perceber o perigo, o que fez Laércio se desviar bruscamente numa guinada de volante, indo de encontro à parede de um café, destruindo todo o banheiro feminino do estabelecimento, matando duas mulheres perto do espelho e um homem vestido de mulher sentado na privada.

***

1 – Este é o manual de como fazer uma crônica ao estilo Luís Fernando Veríssimo. Quem gosta do autor vai entender rir muito.
2 – Alguém conhece a Érika Machado? A mineirinha é, para mim, uma das melhores cantoras no país. Tempos atrás fiz até um “clipe” (bem vagabundo), pra uma música dela. Quem quiser assistir, está aqui.
3 – Já criou um desenho com dominós? Visite o Drawminos e entenda do que eu estou falando.

Sociedade Alternativa // Jack Kraven – Episódio 1 – Parte 2

Veja a primeira parte do primeiro episódio: Jack Kraven – Episódio 1 – Parte 1

***

Jack se levantou enquanto sacava suas pistolas, foi um movimento que ninguém naquela taverna pode ver, quando assustaram Gamble já estava com os miolos pregados na parede, antes que alguém conseguisse se mexer mais 4 já estavam entrando no vale da morte. Jack Kraven era rápido, céus como era rápido e certeiro. Ele nunca disperdiçava uma bala. Enquanto alguns se atreviam a atirar nele outros fugiam prometendo a Deus que nunca mais fariam nada de mau. Jack parecia dançar, o corpo se movia perfeitamente, as armas pareciam espadas que eram brandidas pelo melhor dos espadachins.

Tinha apenas mais uma bala no tambor e ainda havia vários porcos para matar, mas ele não se preocupou, ia mostrar sua mágica. Rapidamente viu quem iria receber a última bala, Trevor Hausban ia saindo de fininho enquanto seus homens atiravam ‘protegidos’ pelas mesas do Antro Gumble. Jack se projetou para frente e enquanto caia no chão acertou o joelho de Hausban, não era hora…ainda. Ele foi se deslocando calmamente em direção a parede oposta a seus inimigos, colocou os tambores para fora e girou-os no cinto. Pronto, tambores cheios denovo. Ele apontou as armas e assobiou. Todos pararam de atirar, o cheiro de sangue e morte impregnava o local e Jack ria, ouvia-se apenas a respiração ofegante dos corajosos combatentes, o choro da viúva Caty e o som da dor de Trevor Hausban.

- Vocês tem certeza que vão continuar atirando em mim? – perguntou Jack com uma voz que fez seus inimigos pensarem seriamente em responder ‘não’.

Um a um eles foram levantando com os braços levantados num sinal de trégua. Um a um foram tombando mortos com um tiro no meio da testa. Jack Kraven também não jogava limpo. Quem mais estivesse no local não iria aparecer para atrapalhar.

- Levante daí sua PUTA! – gritou Jack para Cat Gumble.

- Não me mate…não me ma..

- AHAHAHAHA Essa é boa, levante-se e morra com um mínimo de dignidade, se é que você merece isso.

Ela foi se levantando vagarosamente e Jack foi se aproximando, ele deu apenas uma olhadela para o lado. Tudo bem, o Sr. Hausban continuava lá, perto da porta de vai-e-vem sem se mexer. Ele então olhou para a mulher parada em sua frente, ela tremia de cima embaixo, um forte cheiro de urina vinha de seu ventre e o fez sentir ainda mais nojo daquela mulher. Jack primeiro cuspiu no rosto de Cat e antes que ela pudesse se afastar segurou ela pelo pescoço e disse:

- Abra a boca.

- Rmmsslwmm. – Cat disse de boca fechada sem que ele pudesse entender. Mas ele havia captado a mensagem.

Ele então atirou de lado. Metade da boca da senhora Gumble viajava pelo saloon, junto com seus dentes. Ela urrava de dor, colocou as mãos na boca mas o sangue não parava de jorrar. Jack resolveu deixá-la por um momento e foi em direção ao seu próximo alvo. Hausban já estava com metade do corpo para fora da estalagem quando o seu algoz o puxou de volta. “Aonde pensa que vai Trevor? Temos contas a acertar seu puto!” Quando ouviu isso Trevor teve a certeza que jamais sairia vivo daquele lugar, enquanto a isso tudo bem ele já esperava desde o momento em que viu os olhos daquele ‘menino’ prometendo sua vingança, só tinha medo do quanto iria sofrer até poder finalmente morrer.

Quando Jack o trouxe para dentro ele pisou no joelho em fragalhos de Trevor, queria ouvi-lo gritar. E ele gritou, ó como gritou, parecia uma puta, os gritos eram como música para o ouvido de Jack. Ele então atirou no outro joelho e subiu em cima. O que parecia impossível aconteceu, Trevor gritou ainda mais alto, enquanto Jack Kraven dava sonoras gargalhadas, quase tão altas quanto os gritos de dor. Ele então saiu de cima do seu inimigo antes que este desmaiasse, quando se endireitou viu que a viúva Gumble estava de frente para ele com uma arma apontada diretamente para sua testa. Jack parara de sorrir, mas olhava triunfante para a viúva coberta de sangue segurando uma arma. Ela estava tremendo, mas não erraria o tiro não sai Gumble – como diria um outro pistoleiro.

- Então, vai atirar ou vai ficar aí igual a um zumbi olhando para mim? – perguntou Jack quase rindo da situação.

Antes que ela pudesse responder, eles ouviram um estouro e a cabeça de sai Gumble explodiu do lado explodiu do lado esquerdo. Hart, o barman havia matado a esposa do seu ex-patrão com uma escopeta. Antes que ele pudesse carregar a arma para mais um tiro, Jack já estava atirando. Ele atirou nas mãos do barman, que se transformaram numa massa disforme de carne.

- Eu não iria poupar você por isso.

- Arrrrgh…e-eu sei..é que…há te-tempos, eu queria fazer isso.. – disse Hart se segurando para não demonstrar seu medo e sua dor, “Isso – pensou Jack – era morrer com dignidade”.

Jack não poupou balas para Hart. Fez uma ‘peneira’ como costumava dizer. Ele foi se dirigindo à saída, parou apenas para olhar sua vítima ‘sem joelhos’ e dizer:

- Você merece sofrer um pouco mais, mas não se preocupe, você não terá nem tempo de sentir saudades.

Ele então colocou suas ‘garotas’ no coldre e saiu da Taverna Gumble deixando apenas a morte para trás.

Fim do primeiro episódio

***

1 – Agora meu querido amigo Ignus tem um Blog, vocês que provavelmente gostam de ler vejam o – FalaNau. Garanto ótimas histórias

2 – No que se transformou o Jack aí em? Putz. Nem eu sabia que ia ser assim.

3 – Tem mais post pra hoje! Não mudem de canal.

4 – Só para eu provar par o Alvin que eu gosto dele – Acessem o Seu Estranho e o WW.Brogui.com. O último aí está parado, mas tem ótimos post’s lá…e você com certeza conhece o Seu Estranho..não?? Corre então!


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