Crônicas do Cotidiano // Tomates Causam Câncer: Pecados

Eu disse que as novidades vinham a galope…

Hoje estreia a primeira das várias colunas que eu espero que o blog tenha: Tomates Causam Câncer. Quem escreve é Felipe Ramos, um grande amigo que eu tenho o prazer não só trabalhar com ele todos os dias como também de tê-lo escrevendo aqui. Não é a primeira vez, aliás, ele escreveu um dos textos mais bestas – e por isso, mais geniais – que esse blog já teve, o texto é o que dá o nome à coluna: Tomates Causam Câncer. Ele também escreveu mais um texto que como quase todos os posts desse blog, deveriam ter virado uma seção periódica, mas né…

Bom, fiquem agora com o primeiro texto… e anotem aí, toda terça-feira ele volta. Podem acreditar… se tem uma coisa que esse viado cara gosta, é de cumprir prazo.

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Quando Pedro me convidou para escrever no Blog, disse que gostaria que escrevesse as bobagens que falo. Fiquei muito feliz, pois sempre gostei do blog. Mas, como diria ele, “e ai?”. O que escrever?

Não sei até este momento sobre o que escrever. Cada pessoa diz que escreve por um motivo, algumas para desabafar, algumas para mostrar seu ponto de vista sobre o mundo, alguns por amor a escrita e por ai vai. Eu escrevo por vaidade. Por isso sempre que escrevo gosto que as pessoas comentem positivamente ou negativamente, tanto faz.

Não tenho nenhuma vergonha de dizer isso, pois, sem nenhum medo posso dizer que quase todo mundo que escreve, em blogs principalmente, o faz pelo mesmo motivo, e pior, nega isso. Bem, isso não quer dizer que vou falar sobre isso no meu primeiro post oficial aqui (tenho posts antigos que o Pedro postou), mas isso me deu uma idéia:

Vamos falar de pecados. Vaidade eu já disse que tenho. Mas vaidade é pecado? Acho que depende. Definir pecado em minha opinião é simples: Pecado é tudo aquilo que te prejudique ou prejudique o outro. Se minha vaidade não prejudica a mim e a ninguém, tá tudo certo. Mas vaidade pode prejudicar em determinados casos.

O problema desses tais “pecados” é que todo mundo tem sua teoria, e todos os debates que tenho sobre isso terminam com a mesma frase: “você tem que ir mais a casa de DEUS”. Pra mim DEUS é tipo Papai Noel, em quase tudo (mas acho que ele veste azul), inclusive nunca o visitamos, ele é quem vai na nossa casa quando a gente deixa a cartinha na meia . Imagina o que penso quando me pedem para in na casa dele! Se avião é punk, voar de “carroça enfeitada nem fudendo morto”.

Voltando ao foco, tomei a liberdade de modificar, incluindo algumas exceções e observações, os sete pecados capitais:

Sete pecados capitais universais:

1.Gula (exceto magros, velhos, crianças e pessoas que sofrem de stress ou demência)

2.Avareza (exceto para pobres e emergentes)

3.Luxúria (exceto no carnaval e para parceiros fixos – neste ultimo caso nem tem muito mesmo)

4.Ira (exceto para amantes do Rock nacional, atendimentos publicitários e assinantes na Net)

5.Inveja (exceto para mulheres com relação à Gisele Bündchen)

6.Preguiça (preguiça não tem perdão)

7.Vaidade (exceto para blogueiros, pais orgulhosos de seus filhos e proprietário de Ferraris)

8.Mandar email de correntes (sem perdão)

Punições: Cada pecado tem o valor 01 ponto em seu passe espiritual, pecados reincidentes valem 02 pontos. Somando-se de 04 a 07 pontos você vai para o purgatório, somando-se mais de 07 pontos vai para o Inferno e na nas somas iguais ou menores que 3 pontos vai direto para o Céu.

Perdões: Estão automaticamente perdoados pessoas que se encaixam nas condições de exceção.  Demais pedidos de perdão podem ser solicitados diretamente pelo pecador ou representante espiritual e encaminhados a um santo ou a Buda, ou Moisés,ou Jesus, ou outra entidade devidamente credenciada, que por sua vez encaminhará o pedido ao Senhor dos Céus.

Muito bem, agora que atire a primeira pedra quem nunca pecou. Ops, contam-se também os pecados que o líder da sua igreja não viu, ou você acha que o cara lá de cima (DEUS segundo Xuxa) não vê tudo!?

***

1 – Como diz minha mãe meu lema é “pra que simplificar se podemos complicar”. Tudo o que vai ler nessa coluna tem muito mais a ver com minha vida pessoal do que com o meu trabalho,  pois se no meu trabalho crio várias soluções e sou prático, na minha vida pessoal sou complexo e polemico. Gosto de duvidar de tudo, e teremos a chance de juntos tocarmos nos pontos mais intocáveis da nossa “culturazinha”. Bem, o mais importante não é que goste de mim ou da coluna, mas que sinta que alguém está cutucando a ferida.



Sociedade Alternativa // Crônica: repartição pública

-Identidade, por favor.

- Toma.

-CPF.

-Toma.

-Trouxe o título?

-Trouxe sim. Taquí ele.

-Comprovante de votação.

-Aqui…

-Foto 3×4.

-Só um momento – puxa a carteira e busca pela foto rapidamente – aqui, achei…

E calmamente a típica funcionária pública – gordinha, roupa brega, meia calça para varizes, óculos de secretária – pega a cola para colar a foto no formulário.

Conversando sozinha a respeito da cola:

-É isso que me revolta… Esse governo só compra coisa vagabunda…

Concorda: “é…”

-É impressionante! Tudo que eles compram, tem que ser do mais barato. Olha só o cheiro dessa porcaria – e enfia a cola no meu nariz – tá vendo? Tem um cheiro horríiiiiiivel!

-É verdade…

-Cheira aí pra você ver.

-Não obrigado – com cara de espanto.

-Cheira aí a cola pra você ver rapaz!

-Não. Obrigado. Eu acredito na senhora…

-Não precisa ficar tímido… Cheira a cola aí pra você ver. Sente só o futum.

E meio a contragosto, tímidamente pego a cola e encosto no meu orifício nasal.

-É. Realmente. A senhora tem razão. O cheiro é horrível! Parece… parece merda mesmo.

-Por favor, olhe o palavreado, hein! O senhor não me venha com esse tipo de palavrão aqui na minha repartição hein? Onde já se viu? Só porque a cola cheira a merda não quer dizer que você tem que ficar falando, não é? O senhor fique sabendo que é esta cola aqui que está colando essa sua foto e quem paga ela sou eu, você, somos nós. Sai do nosso bolso, hein? Atrevido…

E a partir desse dia, toda vez que eu visito uma repartição pública, menos falo. Só concordo.


Crônicas do Cotidiano , Sociedade Alternativa // Onde houver fé eu prego a dúvida

- Como você sabe que Deus não existe? Que tipo de prova você possui?

-  Como você sabe que não existe Coelho da Páscoa? Como você sabe que não existe Papai Noel? Você achou provas que provam a inexistência de Thor e Osiris?

- Tá brincando?! Estes são só mitos produzidos pelos homens. Eu estou falando sobre Deus!

- Na verdade, oobrigação de provar algo recai sobre que afirma a existência deste algo. Eu não tenho que provar uma negativa universal. O ônus da prova recai sempre naquela pessoa que alega a existência de alguma coisa.

- Não vou cair nessa. Você tem que provar que meu Deus não existe.

- Seu Deus? Singular? Como você sabe que não há vários Deuses? Você provou a não-existência de Deusas?

- Não seja ridículo! Eu estou falando da existência de Deus, o criador do universo.

- Ah! Agora estamos chegando ao ponto! Você está falando sobre mim!

- Desde quando você é Deus?

- Há um pouco mais que uma quantidade infinita de tempo. E Claro, eu criei você três minutos atrás.

- O que?! Whatafuck?! Isso é loucura! Eu tenho 57 anos de idade!

- É claro que você tem: eu criei essas memórias em você, e também alterei a memória de todas as pessoas, para fazer parecer que você estava andando por aí antes de três minutos atrás.

- Eu suponho que você tenha criado minha certidão de nascimento também! Que evidência você tem para sustentar tamanho absurdo?

- Ah! Então você está começando a entender que o ônus da prova é de quem alega a existência de algo. Você não acha que deveria tentar “desprovar” a alegação de que eu sou Deus?

- Bom, talvez, se você é Deus, porque não realiza um milagre?

- Boa pergunta. Infelizmente, eu não faço milagres mais. Eu poderia se quisesse, mas eu decido que de agora em diante, as pessoas tem de acreditar em mim através da fé. Sendo um Deus, eu acabei de ler a sua mente e eu vejo que você está pensando que pode ser capaz de me torturar e me forçar a confessar que não sou Deus. Bom, execute esta idéia! Eu posso muito bem decidir fingir estar com dor e “confessar” todo tipo de bobagens. Mas acredite em mim, eu puniria você pela eternidade depois que você morrer!

- Isto não é argumentação válida. Não haverá nada que eu possa fazer para sua alegação de divindade. Você sempre poderá se desviar dela alegando que só vai me mostrar a verdade depois que eu morrer!

- Exato! Você está aprendendo o quão difícil é provar uma negativa universal. Mas você está aprendendo uma lição ainda mais importante.

- E qual é?

- Você está aprendendo que é burrice argumentar sobre proposições que não podem ser testadas nem mesmo na imaginação. Para cada teste que você puder imaginar fazer, eu poderia vir com uma maneira de me desviar de seu argumento – da mesma maneira que todos os pregadores me falam que seu Deus não quer se envolver em meus testes. Minha alegação de ser uma divindade não pode ser testada. Sua alegação da divindade de Jeová, ou Jesus não pode ser testada também. Se eu pedir a seu Deus para me acertar com um raio na cabeça se eu estiver errado, posso garantir que nada vai acontecer. Seu Deus não se interferirá mais da mesma maneira que eu não interferiria. Hipóteses que não podem ser testadas nem mesmo na imaginação são inúteis, sem significado. Elas não podem nem mesmo ser falsas. Não precisamos perder nosso tempo tentando “desprovar” elas. Você não irá perder seu tempo tentando provar que eu não sou um deus, e nenhuma pessoa em sã consciência irá tentar perder tempo tentando provar a não-existência do seu Deus não testável e improvável. E é claro, quando você fazer uma afirmação sobre seu Deus escolhido, e que for testável, pessoas sãs podem tirar tempo para mostrar como os resultados do teste se mostram negativos. Mas no geral, ninguém irá perder tempo tentando provar que Jeová e eu não somos Deus.

Então pare de se preocupar com Deuses e outros conceitos impossíveis de ser testados. Foque-se no mundo real. Diferentemente de deuses e mulas-sem-cabeça, o mundo real pode afetar a sua vida para o bem ou para o mal. Somente o ideal de deuses pode afetar você. Se deuses, eles mesmos, pudessem afetar nosso mundo, nós não precisaríamos debater a sua existência.

***

1 – Garoto americano dizendo à mãe que não acredita mais em Deus. Pense numa mulher que pegou ar.

2 – Sinfonia da Ciência. Lindo, quase chorei.

3 – Criação de Identidade visual em promoção.


Crônicas do Cotidiano // Enfim Sorte

(VEM DUAS DE CADA VEZ SE NÃO DA BRIGA!)

SIM! SIM! SIM! Esse é um momento histórico para esse blog, para a história da minha vida e para as pessoas que me conhecem. Hoje, eu tive sorte meus amigos… MUITA sorte. E antes de continuar eu queria mandar um recado para uma pessoa muito especial que eu guardo S2 no meu coração….

EI MURPHY! VAI TOMAR NO CU!

Pronto. Recado dado, agora eu conto minha estória.

Como você sabe, eu faço faculdade de publicidade e tal, pago a faculdade através de um financiamento maldito que arrancará os meus olhos no futuro, mas que de certa forma me possibilitou entrar para esse mundo de putaria, orgias homéricas, drogas e rock n roll conhecimento, cabeça-aberta, profissional e sério que é a Universidade.

Mas como nada vem de graça, esse financiamento que possibilitou isso tudo para mim, veio com uma maldição. Sério, uma maldição.

[Momento Flashback]

Ao assinar o primeiro contrato, financiando o meu primeiro semestre na faculdade, foi lá no final de Dezembro de 2006, eu ainda morava em Monlevade, eu tinha que trazê-lo até um dos Campi da UNA e entregar, assinar e o escambau. Pois bem, fui lá no site e retirei o meu contrato. Imprimi tudo bonitinho, meus pais assinaram como meus fiadores e tudo certo.

Em pleno mês mais conturbado do ano para comerciantes (meus pais), fui para BH com meu pai, fui até a faculdade e tranquilidade total. Como sempre, era o último dia para a entrega do contrato. Cheguei lá todo serelepe e fui atendido prontamente, entreguei o contrato para o rapaz e….

E O CONTRATO ESTAVA ZICADO! Saiu cheio de erros.

Ou seja, só mesmo um cara sortudo como eu poderia ter um contrato zicado. O cara disse que foi o único que ele tinha visto daquele jeito.

Resultado: perdi os primeiros dois meses de financiamento.

Avançando um pouco nessa história, e explicando o porquê da Maldição do Contrato FilhadaPuta, é que todo semestre eu tinha que renovar o contrato, meus pais tinham que assinar e eu tinha que entregar novamente na faculdade. TODAS AS VEZES, sem nenhuma exceção eu quase perdi o financiamento por alguma merda. Correio não entregou, empregada jogou fora… milhões de situações que quase me impediram de fazer a porra da faculdade.

Até que finalmente, eu tive sorte.

No post anterior, você ficou sabendo como eu estou esse semestre, extremamente perdido, ferrado e sem tempo para nada. Eu recebi o e-mail avisando que era para entregar o contrato dali uma semana. Aí tudo bem, daria tempo de mandar minha mãe imprimir assinar e mandar via algum amigo que iria a Monlevade aquele fim de semana.

O problema meus amigos, é que isso simplesmente foi varrido da minha mente. Junto tudo o que eu estou passando com a Copa do Mundo. Porra, aí é querer demais que eu me lembre de uma das coisas mais importantes para minha formação acadêmica.

De qualquer modo, na segunda-feira após eu sair da aula – umas 11 horas da manhã mais ou menos – liguei para minha mãe e comuniquei a ela o que estava acontecendo. Desesperada como só ela, disse que ia tentar resolver. PAM! 16 horas e ainda nada, liguei novamente para minha mãe… foi aí que a sorte começou a sorrir para mim.

- Mãe…

- PEDRO! E aí!?

- É… acho que não vai dar, tem que imprimir, vocês assinarem, alguém trazer para BH e eu entregar na faculdade até 20h em ponto.

- MININO, escuta… você não acredita, Diana* tá aqui na loja, ela vai pra BH daqui a pouco..

*Diana estudou comigo no colégio, famílias amigas e tal e minha vizinha aqui em bh.

- OQUE!? PELAMORDEDEUS, pergunta ela aí..

- Ela falou que pode..

- QUEHORASELACHEGA!?

- Ela disse que umas 9 e meia ela tá em casa

- PUTAMERDA, não dá…

- Pera, tá… me liga daqui a pouco, me manda o contrato por e-mail – minha mãe tá toda chic informática.

Foi nessa hora que eu tive um pequeno fio de esperança. Liguei para o Tiago da minha sala, que trabalha na UNA e pedi uma ajuda. Como eu sempre tive problemas com esse contrato, meio que já conhecia o pessoal do departamento de financiamentos da UNA, então queria ver uma maneira de trocar uma ideia lá e mandar o pacote no outro dia.

Tiago me passou o telefone e… só dava ocupado. A PORRA DO DIA TODO.

Minha mãe me ligou de novo, disse que tinha imprimido o contrato, assinado e que Diana estava vindo. E que ela disse que viria antes para casa para me entregar o contrato. Porém, ela chegaria às sete e meia, mais ou menos. O que me daria não mais que uns 25 minutos para chegar lá. Quase impossível com o trânsito, mesmo pegando um táxi.

Ou seja, eu teria que conversar com o pessoal da faculdade de qualquer maneira. E tava difícil.

O dia foi passando, e eu resolvi tocar o foda-se. Trabalhei normalmente até umas 6 horas… nessa hora, desci para fumar um cigarro e resolvi ligar para outro amigo que trabalha na UNA, o Rodrigo. Só para ver mesmo, sem muita esperança..

- Faaala..

- Fala Rod, bão?

- Beleza

- Cara… to precisando de uma ajuda sua cara, tô desesperado.

- Ahn, fala..

- Velho, você tem um jeito mais fácil de falar com o pessoal do financiamento? Tô com uns problemas com meu contrato.. (fiz um resumo da história).. aí ela só chega umas 7 e meia, não vai dar tempo de chegar aí até as 8. Eu preciso falar com a Roberta…

- Ahaahahahahahahahaha, cara.. você não vai acreditar..

- OQUE?!

- A Roberta tá aqui do meu lado…

- SKAPLOFTSFLUPITLAFT! – Onomatopéia para meu cigarro caindo, eu soltando o celular pra pegar e eu tropeçando no meio disso tudo.

- …

- RODRIGO!?

- O que que aconteceu aí?

- Nada… cara, sério que ela tá aí?

- Sério.

- Passa o telefone pra ela agora!

Sério, qual a probabilidade de um amigo meu que trabalha na UNA – que tem trocentos funcionários, departamentos e o cacete – estar ao lado da mulher que eu precisava desesperadamente falar? Normalmente, quando envolve a minha pessoa: ZERO. Maaaaas, esse é uma história em que eu tive SORTE! E isso não poderia passar batido aqui.

Mas a história ainda não acabou.

Eu conversei com a Roberta e ela disse que tudo bem, mas que eu não demorasse muito.

Era mais ou menos 7 e meia quando a Diana me ligou para me entregar o contrato, eu ainda estava no trabalho (que é na mesma rua aqui de casa) e fui logo ligando para a empresa de táxi. Peguei o contrato e pronto, era só pegar o táxi ir lá e resolver o negócio. O TÁXI NÃO CHEGAVA NEM FUDENDO.

Eis que a Vânia que trabalha no financeiro lá, me ofereceu carona. Mais um golpe de sorte. Cheguei na Faculdade, e fui direto no financiamento. A mulherzinha lá sentada olhou pra mim com cara de cu e disse:

- Não pode, já encerrou..

- SaiforasuaVACA Boa noite, eu conversei com a Roberta e ela disse que eu poderia entregar.

- Só ela pode autorizar, ela tá no auditório.

Fui até o auditório, com a ajuda de uns caras lá que intermediaram a conversa com a toda-poderosa, que mandou um estagiário ir até lá comigo para assinar os papéis e entregar finalmente a porra do último contrato. Tive vontade de mandar a menina lá ir se fuder, mas só queria acabar com aquilo logo.

No fim, por incrível que pareça, deu tudo certo.

Eu só estou com medo de ter gasto toda a cota de sorte do ano, ou da década… vai saber.

***

1 – Estou preparando vários posts, novas seções e pequenas mudanças no layout, novas interações e cositas mas. VEMNIMIM FÉRIAS.

2 – Férias da faculdade, é claro. O que já tira metade da minha carga de tensão e estress. Além de liberar boa parte do meu tempo e da minha saúde.

3 – =)


Sociedade Alternativa // Crônica: O Psicanalista

Se eu pudesse te comia toda, sem dó nem piedade. Aprendi a ser assim com o Balzac. Ele sempre dizia que a frase inicial de uma conversa com uma mulher devia ser sempre a mais impactante. Tem que ser direto, linguagem de bandido, é a bolsa ou a vida. Ela olhou como que pra ter certeza que eu falava com ela mesmo. É isso mesmo, te comia toda, tirava foto, te chupava até os ossos do cotovelo e te vestia com seu salto alto, pra depois te comer de novo. Agora definitivamente ela sabia que eu falava com ela. Tirou um papel da bolsa, escreveu um telefone me entregou e foi embora. Guardei o papel. Andei um pouco e me sentei num bar-padaria-loja-de-conveniência e esperei até a garçonete resolver me atender. Atendeu. Enfiei um papel-bilhete que tinha preparado dobrado no bolso dela. Ela tirou e abriu uma aba. Abriu outra. Mais outra. Mais uma aba. Abriu o guardanapo até ele ficar todo aberto. Tinha um palito de dente no meio e a frase “precisa de um pau? Escolha o meu porque é mais grosso que esse na sua mão. O lenço a gente usa mais tarde”. Ela riu pra mim e saiu. Resolvi tirar do bolso o papel que a mulher que eu comeria toda tinha me dado e realmente tinha um telefone, mas o nome escrito era um nome de homem. José da Silva, Psicanalista. Não sou louco. Liguei. Alô Dr. José, aliás, tira o doutor porque psicólogo não é doutor porra nenhuma. Você acha que eu sou louco José? Eu vou gozar José. Eu vou gozar Maria. Eu vou gozar a vida do jeito que eu quiser, e se eu fizer cagada eu sei limpar, tu não vem cagando regra que na regra que tu caga eu vou pisar. Aí eu parei de citar Gabriel. O Pensador, não o Marquez. Parei de rimar. Afinal, rima é coisa de viado, e mulher quando ouve rima quer casar, e eu quero é foder. Saí e caminhei pela cidade até dar numa praça. Encontrei uma mulher sentada num banco e decidi que ia sentar também. Esperei um poco. Fui chegando perto do ouvido dela. Comecei a cantar bem baixinho aquela música do Fábio Júnior: “Senta aqui. Não tenha tanta pressa. Senta aqui! Porque toda essa angústia? Não fique aí tão quieta. Quebra o teu silêncio. Se abre comigo…”. Ela se abriu comigo quer dizer ela abriu a bolsa e puxou uma faca e falou passa o dinheiro senão eu te furo. Enfiei as mãos nos bolsos e só tinha o telefone do psicanalista que imediatamente entreguei a ela. Ela leu aquilo e não sei o que se passou na cabeça da desgraçada mas ela largou a faca e começou a chorar. Fui embora porque mulher chorando não precisa de foda. Precisa de psicanalista. E eu precisava foder, precisava foder, foder, foder. Resolvi passar no bar do Balzac e conversar entrecopos e entrelinhas. Aquela ali tem cara de puta, não tem? Aquela? Aquela é uma santa. É até ministra na igreja. Mas o Balzac sempre foi irônico e, afinal, seu bar era um bordel. Sem falar que eu desconfio das santas, e pra mim ela parecia mais ministra do boquete, ministra do anal ou ministra do caralho a quatro. Caminhei até ela pra ver se ela não tinha pra me apresentar alguma assessora de imprensa de seu ministério, daquelas que te imprensam na parede mesmo. Oi princesa. Ela disse que era 300 paus e eu perguntei se ela parcelava. “No amor não existe parcela nem prazo meu bem, tem que ser a vista”. Como eu andava meio quebrado, perguntei se o Balzac não me ajeitava uma permuta, afinal, era renomado taxidermista, e podia empalhar qualquer bicho seco pra enfeitar o bar do homem. É engraçado como vocês sempre aparecem na minha vida Sr. José. Vocês psicanalistas sempre aparecem na minha vida por coicidência. O Balzac pediu que eu empalhasse um psicanalista e cá estou eu, no seu consultório, contando esta história. Não sei se ele fez o pedido de forma irônica, mas o Balzac nunca quebra uma promessa de permuta. Hoje vou foder alguém.

***

1 – Crônica curta hoje. Espero que tenham gostado do final.

2 – Já viram o comercial que a gente aqui na Elefantte criou pra um evento contra o câncer? Ficou cuti-cuti. Clique aqui pra ver.

3 – Tô pensando em publicar um e-book com uma espécie de coletânea de crônicas minhas. O que vocês acham?


Crônicas do Cotidiano , Sociedade Alternativa // E Se Não Houvesse Amanhã?

Se não houvesse amanhã eu não iria transar com o máximo de mulheres que eu conseguisse pegar. Se não houvesse amanhã eu não iria usar as drogas mais pesadas do “mercado”. Se não houvesse amanhã eu não iria correr pelado pela rua. Se não houvesse amanhã eu não iria dar um soco na cara daquela vagabunda do atendimento… tá, um tapa eu daria. Se não houvesse amanhã, eu não iria fazer nada daquelas coisas que todo mundo diz que faria se não houvesse amanhã.

Se não houvesse amanhã eu iria dizer para as pessoas que eu amo que de fato as amo, e ainda pediria perdão por não ter dito isso mais vezes. Desses, não iria querer ver nenhum. Falaria por telefone, por e-mail ou mensagem. Iria para o trabalho, apenas para encontrar as portas fechadas e lamentar por não ter trabalhado com pessoas que pensam da mesma forma que eu.

Se não houvesse amanhã, eu iria para um lugar bem alto, com uma bela seleção de músicas escolhidas a dedo para o momento, umas cervejas, cigarro e nada mais. Ficaria lá, em companhia do céu e da terra. Do céu eu esperaria apenas o crepúsculo mais lindo de todos os tempos, da terra eu pediria licença pelas guimbas de cigarro e latas de cerveja que deixaria lá.

Iria deixar minha mente livre, iria me concentrar no horizonte, e deixar a música me levar para onde ela quisesse ir. E no final, iria me lembrar de toda minha vida, e ver que no final das contas, não foi lá de todo ruim.

***

1 – Essa crônica foi feita especialmente para o Desafio 01 do PSV Crônicas

2 – E estou postando aqui para convidar você caro leitor, que gosta de crônicas, textos bacanas, e que também gosta de escrever, que participe do Desafio 02 do PSV Crônicas que terá ninguém mais ninguém menos que os editores/colunistas deste blog como jurados.

3 – Parabéns ao Mauro Sérgio pelo grandioso trabalho à frente do PSV e pela ótima ideia do PSV Crônicas. Esse cara põe a galera para produzir de verdade. =D


Crônicas do Cotidiano , Sociedade Alternativa // 23

Hoje, dia 06 de maio de 2010 faço 23 anos de idade. O que isso significa? Nada. Como eu digo neste mesmo texto que escrevi com a já saudosa idade de 21 anos, eu ainda estou saindo do início da vida para entrar no meio dela. A campanha está no início e ainda não dá pra saber muita coisa.

O que mudou em 2 anos? Bom, pela maneira que eu escrevi o texto inicial (aliás, muito melhor que muita coisa que eu escrevo hoje em dia, o que também não significa grande coisa) a minha cabeça, a minha maturidade e o meu caráter, não mudaram nenhum pouco. A diferença daquele Pedro, para o Pedro de hoje, é simplesmente experiência. Em todos os sentidos.

Trabalho na mesma empresa a quase um ano, convivo com pessoas mais velhas, mais experientes e a vida ficou muito melhor, ao mesmo tempo que muito mais difícil. As responsabilidades cresceram e muito, as besteiras que faço aumentaram também na mesma proporção. De qualquer forma, repito o post porque ainda acho que o que falei lá é muito válido. A cada ano que passa, o que eu escrevi se torna mais real. Viver é fantástico, aproveitar a vida é muito bom.

Só fica mais difícil, cada vez mais difícil, prestar atenção nos pequenos detalhes. Mas é errando que aprendemos.

Estou mais velho, mais bobo, mais lerdo e muito mais chato. Mas entendo melhor certas coisas que queria entender com 17 anos.

Que venha a temida idade em que nós homens não gostamos de ter.

Boa Leitura.

***

22 anos, quem diria em? Ok, todo mundo diria… é pouca idade e tudo mais, como diria o poeta (sempre quis dizer isso) “Ninguém morre jovem”. Não, não sei qual poeta, mas alguém disse isso. Mas quando você tem 15 anos (foi ontem) 22 é uma idade inatingível. 22 anos é aquela idade em que os irmãos viram caretas, aquela idade em que você se arruma bonitinho para ir ao trabalho. É aquela idade em que as pessoas não são novas o bastante para fazer um moicano nem velhas demais para tomar um porrezinho com a galera da faculdade.

Desde que virei rapazinho e mudei pra BH e ver do que a vida é feita, meus aniversários não têm sido lá muito legais, por exemplo ano passado que eu trabalhava em 2 empregos, estudava a noite e ainda comi pizza com cebola – eu odeio cebola. Antes de qualquer coisa, fazer aniversário em dia de semana é igual fazer sexo e não gozar, comer pizza e vomitar, comer comida japonesa com garfo, cantar pagode com blusa do iron maiden, colocar só a cabecinha, emo beijando mulher, botafogo ganhando título, cruzeirense macho, ateu dizendo ‘Meu Deus’, a propaganda da Dell… Ou seja, TEM ALGUMA COISA ERRADA AÍ! Devia ser lei, aniversário só no fim de semana.

Bom, de qualquer modo, vou reproduzir um texto que escrevi em 04 de Maio do ano passado, um texto que serviu na época e acho que irá servir por muito tempo.

***

Como estou próximo de completar 21 anos (terça-feira, dia 6 de maio) e como nesta quinta, vi dois momentos distintos da vida humana, o início e o fim, além de estar vivendo o meio de tudo, resolvi escrever esse artigo sobre a vida.

Primeiro gostaria de dividir a vida em 3 momentos: do nascimento aos 21, dos 21 aos 60 e dos 60 até a morte. Infelizmente nem todo mundo consegue passar por todas as etapas. Infelizmente também, alguns conseguem. Eu estou no momento de transição, entre o início e o meio. Mas antes de falar nisso, vou dizer como classifico cada momento. O primeiro momento é aquele que define tudo o que você vai ser e o que vai fazer no segundo momento. O segundo é aquele que você começa a por em prática tudo o que aprendeu e tudo o que viveu, é aqui que começa a vida de verdade. No primeiro você tem apenas alguns vislumbres da vida. O terceiro e último é aquele em que você se recorda dos dois primeiros com carinho. É o momento em que você ensina mais que aprende, fala mais do que escuta e filosofa mais que produz.

Pense como se fosse uma campanha publicitária. Primeiro o teaser, que deixa aquele gostinho na boca para ver como é o resto da campanha. Segundo o lançamento e a manutenção da campanha e por último, os resultados.

Queria falar um pouco sobre o maior medo da história da humanidade. O medo da morte. Morro de medo dela, muito mais para as pessoas que amo do que para mim mesmo. Não estou sendo nobre, nem nada, é que lidei poucas vezes com a morte de pessoas próximas, mas as raras vezes em que experimentei, achei doloroso por demais. Voltando à morte, uma das maiores sabedorias que adquiri lendo foi entender como J.R.R Tolkien tratava a morte. Em O Silmarillion, Tolkien explica de uma maneira muito simples a fragilidade humana frente à dor e à morte. Os humanos no épico do escritor, invejavam os elfos por sua imortalidade. Esses no entanto estavam cansados do fardo de viver para sempre e passaram a invejar os humanos pelo tempo que lhes era dado.

E era aí que eu queria chegar. No tempo que nos é dado. Outra “pequena” lição aprendida com este maravilhoso escritor. Em O Senhor dos Anéis, Frodo pergunta a Gandalf por que ele, por que ele tinha que decidir de alguma forma o destino do mundo, por que aquilo teria acontecido logo com ele, um mero hobbit do condado. Eis que a resposta é um dos maiores segredos da vida. Onde Gandalf diz que a vida é assim, que temos que fazer o que tem de ser feito com o tempo que nos é dado. Sem perder tempo com pensamentos como “por que eu?” ou “Se isso tivesse acontecido de outro jeito…”. O que podemos tirar disso, é que às vezes damos valor a pequenas coisas que se tornam fardos gigantes e nos atrapalham imensamente viver a vida como ela deveria ser vivida. Eis aí o motivo de depressões, crises de estresses e livros de auto-ajuda.

Temos que assumir, o mais cedo possível, o que nascemos para ser e para fazer. Acontecem coisas que podem nos desviar do nosso caminho. Nunca é tarde para acordar. Nunca é tarde para pedir um perdão, arriscar e aprender. Arriscar, para mim, é o grande barato da vida. Arriscar em tudo. Desde as coisas mais bobas como “chutar de trivela ao invés de chutar de chapa” até coisas de suma importância como largar o emprego estável em um escritório de advocacia para cair na estrada com a banda de garagem e tentar a vida como músico. Sinto pena de quem tem que sobreviver e não viver. Mas sinto nojo de quem pode viver, mas apenas sobrevive.

A vida deveria ser mais divertida para alguns e mais séria para outros. Uns levam a vida na brincadeira o tempo todo, outros deveriam brincar mais, sorrir mais. Seria de uma chatice imensurável se a vida fosse: nascer, brincar, estudar, estudar, estudar, casar, trabalhar, trabalhar, trabalhar, aposentar e morrer. Tenho certeza que esse não foi o modelo de vida que Deus imaginou para a humanidade. Por que tanta beleza e genialidade (Dele) se não podemos para nem dois minutinhos que seja para apreciar. Parar um pouquinho, ver o pôr-do-sol, olhar para um sorriso inocente no rosto de uma criança, ver um olhar saudoso de um senhor ao contemplar a casa onde morou por 20 anos (era possível enxergar as lembranças nos seus olhos cheios d’água). Ver a pureza do rosto de um recém nascido, que coisa linda imaginar as experiências pelas quais aquele pequeno ser ainda vai passar.

Diga-me você leitor, que graça teria a vida sem as pequenas coisas do dia-a-dia? Que graça teria a vida sem a diversão, o frio no estômago, as surpresas e as ironias? Nenhuma, leitor. Nenhuma.

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1 – Só para não passar em branco, dia 04 de Maio foi o Star Wars Day. Tudo por causa da eterna “May the Force be with you” que se transformou em “May the 4th be with you”.

2 – Obrigado a todos os parabéns que os @’s mandaram agora no twitter.

3 – Sem links. Esse post é meu, só meu… meu precioso.

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4 – Espero que repita esse ritual por vários anos ainda.


Crônicas do Cotidiano , Sociedade Alternativa // Do Leitor: Camila Marciano

Eu sei, tinha que ser “Da Leitora”, mas o nome da seção é no masculino então vai ficar assim.

Bom, Camila foi daquelas prazerosas “descobertas” que tive no e-mail do Crepúsculo, em meio aos milhões de spams. Claro que tive que ter a ajuda dela – ela avisou que tinha mandado e-mail. Aliás, caro leitor, ou cara leitora (olha, vamo combinar uma coisa… quando eu escrever caro leitor entendam caro leitor, ou cara leitora. De jeito nenhum vou escrever caro (a) leitor (a)) quando você mandar um e-mail para o crepusculo@ocrepusculo.com, avise. A chance deu ler seu e-mail aumenta 99%. Se for por twitter, melhor ainda.

Bom, voltando à Camila, ela me mandou os links dos textos dela e eu adorei. Ela tem um estilo próprio e escreve de um jeito que te prende ao texto e faz a imaginação voar.

Aproveitem os dois textos que eu separei do Tumblr dela.

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Texto 01

E seu salto agulha espeta o chão, como se fosse seu pior inimigo. Pretos, de couro, brilhantes. Vorazes. Não sou só eu quem está bobo com a vista da bela mulher que invade a porta do bar, roubando a cena. Metade dele está. A outra metade só está bêbada demais para vê-la. Sentou-se sobre o balcão e não olhou para ninguém.

Ver uma mulher de vestido sentar-se, é colírio para os olhos. Um único movimento e os coxões morenos estão de fora. Eu sentado a poucos metros dela, a devoro com os olhos, enquanto seu perfil se mostra uma das coisas mais lindas que já vi.

Tão logo, o barman coloca o primeiro drink de graça sobre o balcão, de frente para ela. Cortesia de um otário de meia idade, do outro lado do bar. Ela mal olhou para o drink à sua frente, tampouco para o mané que tentava a cortejar.

Pensei na possível aproximação. Tá, era uma idéia idiota. Uma mulher gostosa e sozinha intimida qualquer macho predador nesse mundo. Inclusive a mim. Nos iguala a crianças de frente para o maior ídolo. Por momento algum, desgrudei os olhos. Minha cerveja poderia esquentar, eu pediria outra. Mas ela poderia sair por aquela porta a qualquer momento e eu não teria a chance de comê-la.

A porta de madeira do bar se escancara novamente. Olhando aquela mulher à minha frente, esqueci-me que estava esperando alguém. Uma qualquer. Qual era o nome dela mesmo? Já não fazia muita diferença. Eu só sei que a minha companhia para aquela noite exalava um perfume forte, terrivelmente doce, a saia curtinha, as pernas finas. Olhei-a de relance e depois me levantei para cumprimentá-la, com um galante beijo na bochecha. Tão ruim conhecer o paraíso e ter de se conformar com o purgatório!

Por educação, dei mais atenção à mulher que estava comigo, do que aquela que eu definitivamente queria. A magricela era chata, ciumenta, não falava nada mais do que “Aiiinnnn Amorrr!”. Quem foi o maldito que criou essa mulher? Onde fui arranjar aquilo? Conteite-me com a escolha que fiz. Não era o suficiente para mim, mas aguentei firme. Só sei que voltaria naquele bar mais vezes. E uma dessas vezes, eu teria vergonha na cara e tentaria falar com aquele fascínio.

Qualquer dia, Hoje não. Hoje ei de me contentar com a escolha.

[/comentário] Esse é o meu preferido, é fantástico. Foda.

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Texto 02

Ela me puxa para baixo quando goza. Dá pra sentir cada parte do ser dela cravando-se em mim. As unhas nas minhas costas, as mãos suadas, espalmadas, trêmulas, sedentas.

E a brisa passa nos olhos dela. Ganham brilho. Um brilho que não estou acostumado a ver. Linda. A cabeça reclinada ligeiramente para trás, enquanto a boca entreaberta, quase me pedindo um beijo. Enlouqueço. Fácil. Seguro-me para não gozar junto. E é relativamente fácil amá-la assim. De boca fechada. Sem cuspir os rotineiros palavrões contra mim. Os cabelos roçando em minhas mãos enquanto em suas costas, quase como um abraço.

Deixo escapar um gemido e ela sorri. Odeio gemer perto dela. Ela volta para o incrível pedestal de mandona de sempre. Os olhos me desafiam, a boca se abre em um sorriso cafageste que homem nenhum nesse mundo consegue resistir. Um misto de amor e ódio se encontram no meu peito, enquanto os seios dela roçam em mim. Está de volta a mandona de sempre. O ódio se esvai, conforme as sensações se intensificam. Sobram só o amor e o sentimento de como sou sortudo. Se ela não me botar nos eixos, ninguém botará.

E eu deixo. Não tem como dizer não àquela carinha. Brisa nos olhos dela de novo. E um sorriso limpo, dessa vez. Meu controle e meus instintos em suas mãos. Dói ter o ego confrontado. Doerá mais ficar sem ela.

Outro gemido me escapa. Agora já era. Ela sabe que me tem de todas as maneiras possíveis. Dói saber disso. Mas não consigo dizer não.

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1 – Mais uma vez, o Tumblr da Camila. Nem preciso dizer para vocês assinarem o feed né?

2 – Mais uma vez, o e-mail para contribuições é o ocrepusculo@ocrepusculo.com; Coloque “Contribuição do Leitor” no assunto do e-mail. =D

3 – Só uma dica: pode ser texto de qualquer tipo, pode ser pra divulgar seu blog (Textos, ok?), pode ser resenha de filme, jogo ou banda. Enfim, qualquer coisa.


Crônicas do Cotidiano , Sociedade Alternativa // Do Leitor: Mictório de político, até quando?

Pois é, essa seção já foi muito usada numa época negra do Blog, mas agora é diferente…

Venho recebendo ótimos textos de leitores e esperei juntar alguns para reativar de vez essa seção. Já que ninguém do blog mesmo posta [/risada maléfica on]muahahahahha[/risada maléfica off] até esse trabalho eu vou deixar para os leitores. Além desse post de hoje, já estou programando o próximo com dois ótimos textos da Camila para sexta-feira.

O texto de hoje é o primeiro da leva que o blog terá sobre as eleições de outubro. Vamos soltar o verbo sem dó aqui. Vai ter comentando propaganda especial sobre as maravilhosas campanhas on-line dos candidatos e post`s periódicos sobre a parada toda. O negócio vai ser movimentado daqui pra frente, Copa do Mundo, Eleições… o bixo vai pegar.

Segue o ótimo texto do meu querido amigo Thiago Carmona, ou Mona… para os íntimos

***

Mictório de político, até quando?

Quem nunca se deparou com um banheiro tão, mas tão fedido que dava até medo de entrar? Geralmente, as mulheres, por sua anatomia, não se arriscam a encarar. Homens, entretanto, não ligam muito para isso, encaram qualquer tipo de banheiro para se aliviar.

Um dia desses passei por esse constrangimento. Estava em um local com os amigos e fiquei, como dizia minha avó, com a bexiga cheia. Não foi difícil encontrar o banheiro. Mesmo para uma pessoa como eu, que tem um olfato ruim, foi fácil identificar o odor horrível e forte que brotava daquilo que era chamado de sanitário.
Mas a situação estava séria. Era ali ou nas calças. Tomei fôlego e fui.

Como já estava escuro, ascendi a luz, sem nenhum problema, e entrei. A situação era pior do que imaginava, mas confesso que o que chamou minha atenção não foi o estado do banheiro, que era horrível. O que me deixou intrigado mesmo é como nós, seres humanos, conseguimos criar um código, uma forma, que não importa quem vai entrar no banheiro, sempre sabemos onde se encontra o interruptor da luz. Não importa se somos baixos, altos, magros, gordos etc. Basta procurar a uma meia-altura, do lado da porta, que ali está o interruptor. Pode parecer loucura a comparação que fiz instantaneamente, mas, por favor, no fundo, há um pouco de sanidade. Ao encontrar o interruptor e entrar naquele banheiro, a primeira coisa que veio à minha cabeça foram as eleições presidenciais que se aproximam.
Parece que não tem nada a ver, mas, calma, vou explicar. Primeiramente, com relação ao banheiro e aos políticos, a semelhança é obvia. Em sua maior parte, ambos fedem.

Fedem por causa do xixi que é feito no chão, no caso do banheiro, e pelas safadezas, jogo de influências e corrupções no caso dos políticos. Além disso, os banheiros sujos e os políticos se parecem porque, muitas vezes, eles são bem mais contaminados do que imaginamos. Basta apenas acender a luz para percebermos. Porém, o mais preocupante mesmo é a posição do interruptor. Os políticos safados aprenderam a colocar pequenos interruptores na nossa frente. São frases de efeito como: “É hora da renovação!” “Por uma saúde digna à nossa população!” “A esperança venceu o medo!” “Por uma melhor educação!” Blá, blá, blá, blá. São frases que não dizem nada, mas desde que vivemos essa pseudo-democracia, têm convencido milhares de pessoas a votar ou não em determinado candidato. Não procuramos saber nada sobre a pessoa em quem pretendemos votar.

Precisamos mudar isso e parar de apertar o interruptor irracionalmente. É hora de pesquisarmos em quem votar. Não vote em ninguém que tenha qualquer processo na justiça, procure saber o que o camarada já fez. Há sites que ajudam nisso, um deles é o transparenciabrasil.com.br. Você pode pesquisar e saber as mazelas de cada político. Se isso vai resolver o problema não sei, mas, pelo menos, depois que a luz estiver acesa talvez seja possível ver menos merda no congresso e nas câmaras municipais e estaduais. E  quem sabe, pensando mais positivamente, não conseguimos colocar bons políticos que até ajudem a limpar o grande sanitário que virou o reduto dos nossos políticos.

Thiago Carmona
Publicitário, comediante e
produtor do  1º Grupo de Stand Up de Minas Gerais
o Queijo, Comédia e Cachaça.

[/comentário] Tá cheio das coisas agora esse Thiago não?, publicitário… comediante… aiai… cismou, deixa. Ahahahahah

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1 – Se quiser entrar em contato com o Mona mandem e-mails para: thiago.carmona@gmail.com

2 – Quer ver seu texto aqui também? Mail para ocrepusculo@ocrepusculo.com / Coloque “Contribuição do Leitor” como Assunto do e-mail. Fica mais fácil de ver junto aos 49t98475833 de Spams que eu recebo nesse e-mail.

3 – Quando o Thiago tiver a coragem de me passar, eu coloco mais informações sobre o grupo de Stand-up dele.


Sociedade Alternativa // Crônica: Estado de Minas | Culto

textos-cronicas-crepusculo

Alô. Alô? Opa, é do Estado de Minas? Sim? Sim, boa tarde para o senhor também. Quem fala? Aqui é Neto Macedo, e gostaria de falar com o editor do jornal. Como? Ele não pode me atender? Tudo bem. Pode ser o senhor mesmo. O negócio e que eu preciso falar com alguém do jornal. Tenho certeza que o senhor poderá me atender. Bom, eu tenho algumas crônicas aqui, sabe como é, trabalho genial, coisa de primeira meu amigo. Acho que vocês ficariam interessadíssimos em publicá-las. São realmente geniais. Como? O senhor não acha que sejam geniais? Claro que são. Isso é indiscutível. Sem falar que eu cobro um preço ínfimo unitário de 1000 reais para que eu deixe que o senhor as publique. Ahn? É claro que o senhor quer as minhas crônicas, só não percebeu ainda. Pois fique sabendo que se fosse um Fernando Sabino da vida iria te sair muito mais caro uma crônica. Como? Fernando Sabino morreu? Nossa! Como ele morreu? Eu? É claro que eu sabia! Pois que seja então uma homenagem a memória dele. Não. O senhor vai ouvir sim. E vai publicar as minhas crônicas. É claro que já fui publicado em outros lugares. Onde? Onde… No meu blog na internet. E fique sabendo que… Como? O senhor acha que eu sou um idiota viciado em internet? Olhe, o senhor que não me ofenda. Tudo bem então. Eu diminuo o preço. Cobro só 50. Muito bem,  o senhor não quer por preço nenhum. Percebo. Tudo bem. Já presumi isso. Sou um cara prevenido. Tá bom. Me diz quanto o senhor quer para publicar as crônicas? Pago o quanto quiser. Como? O senhor vai aceitar suborno sim senhor. E não me venha com chorumelas de honestidade e ética profissional. Eu acho… Mentecapto é a senhora sua mãe! Aquela porca! Olha lá, não me venha com ofensas! Eu vim aqui lhe oferecer o trabalho da mais alta qualidade por um preço justo o senhor me vem com insultos!? Pois eu vou desligar e pode falar aí para esse editor que eu não quero mais publicar porcaria nenhuma. Que ele passe bem e vá pro diabo que o carregue.

Morava sozinho no apartamento. Ao lado de seu prédio residia o seu inimigo mortal. Uma igreja evangélica. Já tinha se perdido em contas de quantas vezes chamara a polícia para interromper a algazarra dos pulos e gritos do pastor que eram amplificados potentemente por um sistema de microfones e alcançavam seu apartamento perfeitamente. Até já conhecia os discursos do homem de cor. Recitava salmos de olhos fechados. Podia ouví-los todos os dias a noite antes de dormir. O som chegava diretamente ao seu ouvido, nítido e claro.

Havia chegado a um momento da sua vida em que já sentia pena do diabo, de tanto o coitado ser ofendido e enxotado todos os dias, pela voz do pastor tão determinado em acabar com seu legado de tentações. O importante é que os planos para a tarde já estavam prontos. Estava tudo certo. Tudo sistematicamente pensado. Conferiu tudo para que nada saísse errado.

Às três da tarde, desceu as escadas do prédio e parou em frente a porta da igreja. Jogou a bomba e saiu correndo. Depois parou na padaria da esquina. Comprou quatro pães e um picolé de côco. Enquanto pagava a compra no caixa ainda pode ouvir o barulho da explosão. Saiu da padaria calmamente, entrou no prédio onde morava e foi tomar o seu café, na sua calma e tranquila tarde de domingo.

***

1 – Resolvi postar duas crônicas mais curtas de uma vez só. Qual delas é a melhor?

2 – Tô sem links.


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