Capacitor de Fluxo // Meus Amores Platônicos

Amor platônico é, por definição, o amor sem interesse algum, além da virtude. É o amor centrado na beleza do caráter e da inteligência — ou das habilidades — de uma pessoa, em detrimento dos atributos físicos, carnais ou sexuais. É quando você ama incondicionalmente uma pessoa, personagem — ou o ideal que você faz dela — mas a ideia de dividir a cama com ela é ridícula (no caso das mulheres dessa lista em particular, essa afirmação é totalmente duvidosa). Amizade, por exemplo, pode ser caracterizada por esse amor. O que não impede, que esse sentimento evolua, claro. Milhares de pobres coitados na friendzone dependem disso.

Eu já tive, tenho e terei vários amores platônicos. Desde a infância, a enorme maioria deles foram/são personagens. Sem que eu, necessariamente, amasse as pessoas que interpretavam esses personagens. Até porque alguns deles nem interpretados eram, vinham de livros ou desenhos. Vai ser difícil manter em cinco, mas eu vou tentar. Vamos a eles:

Gillian Anderson/Dana Scully

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Ai meu deus do céu, essa mulher <3.

Meu primeiro amor platônico pra valer mesmo. Nesse caso, é personagem e intérprete mesmo. Escrevi um texto inteirinho só para ela no Judão. Você pode ver aqui. Sempre fui, e sempre serei apaixonado por essa mulher. 

Maximus Décimus Meridius

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Esse é o caso em que eu amo mesmo o personagem. Gladiador é o meu filme preferido de todos os tempos, nunca escondi isso. Assisti, e assisto de todas as formas possíveis, nunca vou me cansar, nunca vou enjoar. Se é para escolher um momento, em que o General me conquistou, é a eterna cena em que ele, escravo, desafia um Deus. Ninguém nunca ensinou tanto sobre coragem como Maximus Décimus Meridius. 

“Meu nome é Maximus Decimus Meridius, comandante dos exércitos do norte, general das Legiões Félix, servo leal do verdadeiro Imperador, Marcus Aurelius. Pai de um filho assassinado, marido de uma esposa assassinada e terei minha vingança nessa vida ou na próxima.”

PUTA. QUE. PARIU. Choro até hoje com essa cena.

Mr. Ozzy Osbourne

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Eu tenho muito motivos para amar esse hoje velhinho doido. Primeiro foi a voz, depois a história. Ozzy e o Black Sabbath mudaram a minha vida. Tudo mudou naquela tarde em que ouvi dois dos discos da minha vida, Paranoid e Sabbath Bloody Sabbath. Eu já falei um pouco naquele texto, e no que está linkado nele. Ele é o puto do Príncipe das Trevas. Meu cachorro se chama Ozzy. Meu primeiro nick na internet foi Ozzy, e eu amo toda e qualquer merda que ele faz. 

Foi amor a primeira vista. E se mantém firme e forte até hoje.

Videl

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Não sei explicar. Juro. Não faço ideia de como explicar, mas na época em que a TV Globinho passava a saga de Majin Bu eu meio que fazia questão de assistir Dragon Ball, única e exclusivamente por causa dela. Depois que ela aprende a voar e corta o cabelo então…

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É uma personagem que eu adorava, sei lá. Acho que era o nome. Provavelmente era a roupa, a blusinha branca e o shortinho preto… Ela tinha algo que a Bulma — motivo de sonho molhado de muito marmanjo por aí — nunca teve. 

Regina – Dino Crisis

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Eu nunca joguei Dino Crisis. Minto, joguei umas duas horas e larguei de lado. Eu me apaixonei por essa moça aí quando vi uma capa da extinta Ação Games, revista especializada, que logo após mudar sua identidade visual, me presenteou com uma capa inesquecível com ela:

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Ela é ruiva, linda e luta contra dinossauros. Tem como não amar? Eu cheguei a criar várias histórias onde a Regina se tornava a esposa do primeiro personagem que eu criei quando era criança. Juntos eles eram uma espécie de Sr. e Sra. Smith. <3

Menção honrosa – Túrin Turambar

Por que né? Turambar significa ‘Senhor do Destino’ em alto élfico. Túrin foi o senhor do seu destino, mas por ele foi destinado, como diz a frase em seu túmulo em Cabed-en-Aras. Ele foi amaldiçoado, humilhado, julgado e mesmo assim continuou levantando e agindo sempre da forma mais honrada possível. Apaixonou-se e casou-se, sem saber, com a própria irmã, e não suportou a morte dela, dando cabo da sua vida por sua espada negra.

Túrin, dizem alguns textos, foi o algoz de Melkor na Última Batalha, vingando assim a maldição do Inimigo Escuro do Mundo. 

O espada  negra de Nargothrond, Túrin Turambar, Senhor do Destino, Perdição de Glaurung


Crônicas do Cotidiano // Dend’água

Algumas expressões da minha infância foram muito importantes na formação do meu caráter. Várias delas, eram exemplos do que você não queria ser. Ninguém queria ser um ‘prego’ no bairro. “Deixa de ser prego sô!”, era uma frase usada em última instância, quando se queria algum favor, e o indivíduo estava resistente. Dizer que alguém poderia ser um ‘prego’ era o maior recurso de convencimento daquela época.

Mais tarde, na adolescência, aprendemos a não sair abrindo a boca por aí. Era importante não ser taxado como um ‘cagueta’. Se você caguetasse alguém, já era. Sua vida estaria marcada para sempre.

Dend'água

Porém, nenhum rótulo/expressão me aterrorizava tanto quanto ‘dend’água’. Eu tinha pavor de ser um Zé Dend’água. O medo vinha de duas formas, primeiro pelo desconhecido, “porque estar dentro da água fazia de você uma pessoa inferior?”, eu comecei a ficar com medo de piscinas. E se alguém da rua me visse lá? Nadando, me divertindo e… imagine só se me vissem mergulhando? 

“Robertinho é quem mesmo?”, “É aquele dend’água que mora do lado Totó.”

Será que eu era um? E se fosse, como deixava de ser? Comecei a me policiar mais. Dar respostas rápidas e usar sacadinhas pré ensaiadas. Jamais poderia ser um dend’água, tinha que zelar o nome da família, já que, nenhum dos meus irmãos haviam sido. E eu sabia, que mais de que um prego, mais quem um cagueta, NADA consegue apagar a marca de um dend’água. Outro dia casou um que morou na rua de baixo. “Ou, você viu que aquele dend’água do Fabrício vai casar?”

Aqui não violão. Tirando os breves momentos da minha vida, em que eu efetivamente estava dentro da água, nunca fui um dend’água. Ou fui, e aqueles pregos nunca caguetaram. 

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Crônicas do Cotidiano // A Bermudinha Azul

vergonha

Você tem algum momento particular da sua infância que ficou gravado na sua memória de tal forma que se lembra dos mínimos detalhes?

Eu tenho. Foi um dos momentos de maior vergonha da minha pequena vida até então. Foi quando eu estudei numa escolinha chamada AMEC, então eu estava no segundo período, ou no pré escolar. Tinha lá os meus incríveis 7 anos, na idade média eu seria quase um adolescente. Todo santo dia eu almoçava com a minha mãe e esperava o tio da Kombi, que infelizmente não consigo me lembrar o nome, nesse dia particular eu estava atrasado, algo aliás, que é uma constante na minha vida até hoje. Coloquei a “roupinha” entrei na Kombi do tio e fui feliz e fagueiro para a escolinha.

O que eu não sabia, é que meu short estava com um rasgo enorme na parte de trás.

Durante a ida para a escola, eu estava como sempre, falando, gritando, rindo, todo animado na Kombi. No meio do caminho percebi que as duas garotas mais velhas (uns 12 anos) estavam rindo desesperadamente de alguma coisa. Todo confiante achando que estavam rindo das minhas piadas, me senti encorajado. Sim, com 7 anos eu já queria “impressionar” com minha extrema inteligência, bom humor e simpatia. A gente usa as armas que tem não é mesmo?

Coitado.

Minha escolinha na época fazia com que todas as crianças subissem para o pátio antes da aula começar para cantarmos o hino nacional – as escolas ainda fazem isso? -. Foi por causa do hino e por causa do imenso rombo que tenho no braço que aprendi qual é o meu lado direito e qual é o esquerdo. O Rombo caso não saiba é fruto de uma operação que fiz com 6 anos, que foi meio louco, pois uns médicos diziam ser câncer, outros diziam que era câncer e que eu tinha só mais uns 2 anos de vida. De qualquer modo, era uma pinta chata que entre idas e vindas deixou um rombo no meu braço direito. E como eu me confundia feito louco – pra mim não fazia a menor diferença saber que lado era qual -, a “Tia” falou que na hora do hino eu devia levantar o braço da cicatriz. Nunca mais esqueci.

Antes de ir cantar o hino, a gente deixava nossas coisas nas nossas carteiras e corria lá pra cima. Foi aí que percebi que as risadas que me acompanharam durante todo o caminho até a escola, e depois até a minha carteira, não eram provenientes de um dia muito bem humorado de todos. Acho que foi a Rafaela que acabou ficando com dó e me contando que eu estava com a “bermudinha” rasgada. Era uma bermudinha azul, me lembro agora. A Rafaela era legal, filha de uma professora nossa, então ela meio que se sentia responsável e tal. Estudei com ela depois no fim da carreira escolar, namora com o Ítalo até hoje eu acho. Gente fina demais. Ajudou muito no início desse blog.

Estou me desviando de novo. Acho que é por que foi muito traumático, sabe aquelas coisas que os psicólogos falam? De bloqueio e tal.

A notícia caiu como uma bomba pra mim. Rapidamente coloquei a mão “lá atrás” e um dos maiores horrores que uma criança poderia ter tinha virado realidade quando constatei que havia um rasgo imenso na bermudinha azul.

Sentei.

E me lembro de ficar olhando para o vazio torcendo para o mundo acabar ali mesmo, naquela hora. Queria me enfiar num buraco e não sair nunca mais. Eu me recusei a levantar. Enquanto todos seguiam para o hino eu fiquei lá. A professora, o resto dos coleguinhas malditos que riam até as tripas, todo mundo tentou me convencer e eu só falava que não saia dali por nada no mundo.

Chamaram a coordenadora. Ou outra professora mais chata. Sei lá. Devia ser coordenadora mesmo, que pra mim sempre foram piores que as diretoras. Dona Ilca – que tem um nome que eu nunca vou esquecer na vida, pelo fato de parecer LTDA que até uns 14 anos foi um mistério inacreditável pra mim. LTDA que pra mim era Íltida. – era uma diretora bacana. Exceto pela vez que eu cortei o dedo do Marcelo de fora a fora com uma tesoura no pré, e quando me acharam no banheiro das meninas de cueca, acompanhado de mais três meninas de calcinha. Nessas vezes aí ela ficou possessa comigo. (Citando essas histórias agora, sinto que devia contá-las depois.)

A coordenadora chegou, puta da vida, gritando comigo me mandando levantar e perguntando porque diabos eu não estava lá em cima. Eu só lembro de responder calmamente “Não” e “Porque não”. Até que ela foi lá fora mais uma vez e aparentemente descobriu o problema. Não sei se seria possível, mas ela parece ter ficado mais brava ainda. Que era besteira, que não sei o que, e que era pra eu ir pro banheiro e que esperasse ela lá, que ela iria costurar minha bermudinha azul.

Peguei um caderno, fiquei segurando atrás e tampei o rasgo e fui até o banheiro. Ela chegou lá e mandou eu tirar a maldita bermuda. Tinha tato com crianças não? O tempo todo que ela ficou costurando a bermuda ela me xingou. E eu chorei. Pra caralho se me lembro bem.

Mulher filha da puta.

Como diabos eu deveria me comportar? Ninguém ensina isso pra gente quando se tem sete anos. A vergonha que eu senti foi gigantesca. E ficar ali de cueca, na frente da coordenadora costurando a peça de roupa sem vergonha que causou aquilo tudo, foi demais. Enquanto todos lá em cima cantavam o hino.

Ela me deu a maldita bermuda e saiu falando que era pra eu ir direto pra sala. Conferi a costura, iria dar. Vesti a bermudinha e fui pra sala. Antes da primeira aula terminar eu já estava fazendo minhas besteiras normalmente. Porque é assim que criança é.

Mas eu nunca esqueci.


Crônicas do Cotidiano // Primeiro Dia de Aula

Eu já escrevi sobre isso aqui no blog, mas infelizmente eu não achei o post para linkar. De qualquer maneira, é como se fosse uma revisão daquele texto. Nele, eu falava sobre a volta às aulas (acho que foi quando eu fui para o primeiro período, um minuto… achei! Segue o link do texto). Graças a deus não escrevo mais assim. Ou escrevo? Achei muito auto-ajuda o texto.

Bem, você deve saber que obviamente não é o meu primeiro dia de aula, primeiro porque eu já estou no sexto período (meu teclado não tem a bolinha numeral, desculpe), segundo porque minha aula (re)começou na terça-feira. Mas a questão da coisa toda é que nesses dois anos e meio de faculdade eu sempre estudei a noite. E me espanta nunca ter passado pela minha cabeça, estudar de manhã.

aula

A verdade é que não me espanta nada, sério. Eu odeio acordar cedo, eu e 4 bilhões de pessoas no mundo (por aí… e devem ser mais). Segundo porque eu além de ter que trabalhar, gosto de trabalhar e fazer o que eu faço. Ou seja, só poderia estudar a noite, certo? Errado. Dos dois anos e meio que eu estou estudando aqui em BH, somente um ano eu passei trabalhando em período integral. Se eu não me engano, primeiro período, quarto período e metade do quinto.

Então porque diabos, eu não estudei de manhã no ano em que trabalhava na agência da faculdade que era na faculdade?! Olha só, a manhã é um período que você de cara perde metade dele. Isso se não perder ele todinho. É muito mais fácil estudar, trabalhar e chegar em casa lá pelas 7 horas e PRONTO do que sair de casa meidia com a comida na garganta, pegando um sol docarái e voltar às 11 pra casa.

Digo isso, porque agora que eu to trabalhando novamente – no período da tarde – o pensamento me veio num dia em que eu estava indo pegar o segundo busão para ir pro Belvedere torrando no sol. Senti-me um completo idiota por não ter pensado nisso antes. E isso foi na terça, logo no primeiro dia de aula.

Pensei, não só vou mudar de turno como vou ver se levo os Cavaleiros do Apocalipse comigo (Desculpe interromper, mas tenho que explicar o apelido: No terceiro período eu, o Tiago, o André e o Daniel ganhamos essa alcunha – você pode imaginar o porquê – da querida professora Carol de Pesquisa em Comunicação.  O André e o Daniel saíram da faculdade e eu e o Tiago logo iniciamos outros no nosso grupo) No final das contas, nós os cavaleiros vamos todos para o turno da manhã. Hoje somos cinco: Além do Tiago, os irmãos gêmeos Édson e Rodrigo e o Celso.

Chegando ao ponto que eu queria chegar (que introdução gigante em Pedro!) digo que mesmo mudando de turno com os amigos, mesmo conhecendo metade da turma da manhã (coisas da viagem a Sampa) eu to me sentindo como sempre me senti a vida toda antes de qualquer primeira aula. O que me leva diretamente à minha infância, quantas vezes eu não passei noites em claro, ansioso como uma doninha no inverno, contando os minutos para poder me arrumar e ir pra aula.

Me faz um bem danado sentir isso de novo. Isso quer dizer que eu to mudando minha vida sem medo, tomando decisões que antes nem passavam pela minha cabeça. Tomando uma decisão que vai me ajudar no meu trabalho, já que tenho hora para chegar, mas não tenho hora para sair (outro dia foi só até as 4 da manhã).

Melhor ainda é que isso quer dizer que eu tenho a possibilidade de conhecer mais pessoas, fazer novas amizades, e sentir aquele gostinho frio da manhã com a missão de ir para aula, como não sinto há quase 5 anos. Isso também quer dizer que eu vou poder ser nostálgico junto com meus amigos “É… naquele tempo que a gente estudava a noite não era assim…” “Era bom quando a gente podia dormir até tarde né?” “Que saudade das estrelas me acompanhando na volta…”

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1 – Gente, como eu estou sem ler meus feeds há umas duas semanas, eu não faço a mínima idéia de quem indicar. Faz o seguinte, clica nos parceiros aí de lado. ;D ótimos blogs!

2 – Eu ia dar um recado… mas esqueci. (uns minutos depois…) Lembrei, só ia dizer que eu enganei vocês, falei sobre outra coisa o texto todo. Ahahahaha quase nada do tal primeiro dia. Malz ae galera.

3 – Só para ter o número 3 mesmo.


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