Crônicas do Cotidiano // A Bermudinha Azul

vergonha

Você tem algum momento particular da sua infância que ficou gravado na sua memória de tal forma que se lembra dos mínimos detalhes?

Eu tenho. Foi um dos momentos de maior vergonha da minha pequena vida até então. Foi quando eu estudei numa escolinha chamada AMEC, então eu estava no segundo período, ou no pré escolar. Tinha lá os meus incríveis 7 anos, na idade média eu seria quase um adolescente. Todo santo dia eu almoçava com a minha mãe e esperava o tio da Kombi, que infelizmente não consigo me lembrar o nome, nesse dia particular eu estava atrasado, algo aliás, que é uma constante na minha vida até hoje. Coloquei a “roupinha” entrei na Kombi do tio e fui feliz e fagueiro para a escolinha.

O que eu não sabia, é que meu short estava com um rasgo enorme na parte de trás.

Durante a ida para a escola, eu estava como sempre, falando, gritando, rindo, todo animado na Kombi. No meio do caminho percebi que as duas garotas mais velhas (uns 12 anos) estavam rindo desesperadamente de alguma coisa. Todo confiante achando que estavam rindo das minhas piadas, me senti encorajado. Sim, com 7 anos eu já queria “impressionar” com minha extrema inteligência, bom humor e simpatia. A gente usa as armas que tem não é mesmo?

Coitado.

Minha escolinha na época fazia com que todas as crianças subissem para o pátio antes da aula começar para cantarmos o hino nacional – as escolas ainda fazem isso? -. Foi por causa do hino e por causa do imenso rombo que tenho no braço que aprendi qual é o meu lado direito e qual é o esquerdo. O Rombo caso não saiba é fruto de uma operação que fiz com 6 anos, que foi meio louco, pois uns médicos diziam ser câncer, outros diziam que era câncer e que eu tinha só mais uns 2 anos de vida. De qualquer modo, era uma pinta chata que entre idas e vindas deixou um rombo no meu braço direito. E como eu me confundia feito louco – pra mim não fazia a menor diferença saber que lado era qual -, a “Tia” falou que na hora do hino eu devia levantar o braço da cicatriz. Nunca mais esqueci.

Antes de ir cantar o hino, a gente deixava nossas coisas nas nossas carteiras e corria lá pra cima. Foi aí que percebi que as risadas que me acompanharam durante todo o caminho até a escola, e depois até a minha carteira, não eram provenientes de um dia muito bem humorado de todos. Acho que foi a Rafaela que acabou ficando com dó e me contando que eu estava com a “bermudinha” rasgada. Era uma bermudinha azul, me lembro agora. A Rafaela era legal, filha de uma professora nossa, então ela meio que se sentia responsável e tal. Estudei com ela depois no fim da carreira escolar, namora com o Ítalo até hoje eu acho. Gente fina demais. Ajudou muito no início desse blog.

Estou me desviando de novo. Acho que é por que foi muito traumático, sabe aquelas coisas que os psicólogos falam? De bloqueio e tal.

A notícia caiu como uma bomba pra mim. Rapidamente coloquei a mão “lá atrás” e um dos maiores horrores que uma criança poderia ter tinha virado realidade quando constatei que havia um rasgo imenso na bermudinha azul.

Sentei.

E me lembro de ficar olhando para o vazio torcendo para o mundo acabar ali mesmo, naquela hora. Queria me enfiar num buraco e não sair nunca mais. Eu me recusei a levantar. Enquanto todos seguiam para o hino eu fiquei lá. A professora, o resto dos coleguinhas malditos que riam até as tripas, todo mundo tentou me convencer e eu só falava que não saia dali por nada no mundo.

Chamaram a coordenadora. Ou outra professora mais chata. Sei lá. Devia ser coordenadora mesmo, que pra mim sempre foram piores que as diretoras. Dona Ilca – que tem um nome que eu nunca vou esquecer na vida, pelo fato de parecer LTDA que até uns 14 anos foi um mistério inacreditável pra mim. LTDA que pra mim era Íltida. – era uma diretora bacana. Exceto pela vez que eu cortei o dedo do Marcelo de fora a fora com uma tesoura no pré, e quando me acharam no banheiro das meninas de cueca, acompanhado de mais três meninas de calcinha. Nessas vezes aí ela ficou possessa comigo. (Citando essas histórias agora, sinto que devia contá-las depois.)

A coordenadora chegou, puta da vida, gritando comigo me mandando levantar e perguntando porque diabos eu não estava lá em cima. Eu só lembro de responder calmamente “Não” e “Porque não”. Até que ela foi lá fora mais uma vez e aparentemente descobriu o problema. Não sei se seria possível, mas ela parece ter ficado mais brava ainda. Que era besteira, que não sei o que, e que era pra eu ir pro banheiro e que esperasse ela lá, que ela iria costurar minha bermudinha azul.

Peguei um caderno, fiquei segurando atrás e tampei o rasgo e fui até o banheiro. Ela chegou lá e mandou eu tirar a maldita bermuda. Tinha tato com crianças não? O tempo todo que ela ficou costurando a bermuda ela me xingou. E eu chorei. Pra caralho se me lembro bem.

Mulher filha da puta.

Como diabos eu deveria me comportar? Ninguém ensina isso pra gente quando se tem sete anos. A vergonha que eu senti foi gigantesca. E ficar ali de cueca, na frente da coordenadora costurando a peça de roupa sem vergonha que causou aquilo tudo, foi demais. Enquanto todos lá em cima cantavam o hino.

Ela me deu a maldita bermuda e saiu falando que era pra eu ir direto pra sala. Conferi a costura, iria dar. Vesti a bermudinha e fui pra sala. Antes da primeira aula terminar eu já estava fazendo minhas besteiras normalmente. Porque é assim que criança é.

Mas eu nunca esqueci.


Sociedade Alternativa // Primeiro Dia de Aula

sala de aula

aula

Eu já escrevi sobre isso aqui no blog, mas infelizmente eu não achei o post para linkar. De qualquer maneira, é como se fosse uma revisão daquele texto. Nele, eu falava sobre a volta às aulas (acho que foi quando eu fui para o primeiro período, um minuto… achei! Segue o link do texto). Graças a deus não escrevo mais assim. Ou escrevo? Achei muito auto-ajuda o texto.

Bem, você deve saber que obviamente não é o meu primeiro dia de aula, primeiro porque eu já estou no sexto período (meu teclado não tem a bolinha numeral, desculpe), segundo porque minha aula (re)começou na terça-feira. Mas a questão da coisa toda é que nesses dois anos e meio de faculdade eu sempre estudei a noite. E me espanta nunca ter passado pela minha cabeça, estudar de manhã.

A verdade é que não me espanta nada, sério. Eu odeio acordar cedo, eu e 4 bilhões de pessoas no mundo (por aí… e devem ser mais). Segundo porque eu além de ter que trabalhar, gosto de trabalhar e fazer o que eu faço. Ou seja, só poderia estudar a noite, certo? Errado. Dos dois anos e meio que eu estou estudando aqui em BH, somente um ano eu passei trabalhando em período integral. Se eu não me engano, primeiro período, quarto período e metade do quinto.

Então porque diabos, eu não estudei de manhã no ano em que trabalhava na agência da faculdade que era na faculdade?! Olha só, a manhã é um período que você de cara perde metade dele. Isso se não perder ele todinho. É muito mais fácil estudar, trabalhar e chegar em casa lá pelas 7 horas e PRONTO do que sair de casa meidia com a comida na garganta, pegando um sol docarái e voltar às 11 pra casa.

Digo isso, porque agora que eu to trabalhando novamente – no período da tarde – o pensamento me veio num dia em que eu estava indo pegar o segundo busão para ir pro Belvedere torrando no sol. Senti-me um completo idiota por não ter pensado nisso antes. E isso foi na terça, logo no primeiro dia de aula.

Pensei, não só vou mudar de turno como vou ver se levo os Cavaleiros do Apocalipse comigo (Desculpe interromper, mas tenho que explicar o apelido: No terceiro período eu, o Tiago, o André e o Daniel ganhamos essa alcunha – você pode imaginar o porquê – da querida professora Carol de Pesquisa em Comunicação.  O André e o Daniel saíram da faculdade e eu e o Tiago logo iniciamos outros no nosso grupo) No final das contas, nós os cavaleiros vamos todos para o turno da manhã. Hoje somos cinco: Além do Tiago, os irmãos gêmeos Édson e Rodrigo e o Celso.

Chegando ao ponto que eu queria chegar (que introdução gigante em Pedro!) digo que mesmo mudando de turno com os amigos, mesmo conhecendo metade da turma da manhã (coisas da viagem a Sampa) eu to me sentindo como sempre me senti a vida toda antes de qualquer primeira aula. O que me leva diretamente à minha infância, quantas vezes eu não passei noites em claro, ansioso como uma doninha no inverno, contando os minutos para poder me arrumar e ir pra aula.

Me faz um bem danado sentir isso de novo. Isso quer dizer que eu to mudando minha vida sem medo, tomando decisões que antes nem passavam pela minha cabeça. Tomando uma decisão que vai me ajudar no meu trabalho, já que tenho hora para chegar, mas não tenho hora para sair (outro dia foi só até as 4 da manhã).

Melhor ainda é que isso quer dizer que eu tenho a possibilidade de conhecer mais pessoas, fazer novas amizades, e sentir aquele gostinho frio da manhã com a missão de ir para aula, como não sinto há quase 5 anos. Isso também quer dizer que eu vou poder ser nostálgico junto com meus amigos “É… naquele tempo que a gente estudava a noite não era assim…” “Era bom quando a gente podia dormir até tarde né?” “Que saudade das estrelas me acompanhando na volta…”

***
1 – Gente, como eu estou sem ler meus feeds há umas duas semanas, eu não faço a mínima idéia de quem indicar. Faz o seguinte, clica nos parceiros aí de lado. ;D ótimos blogs!

2 – Eu ia dar um recado… mas esqueci. (uns minutos depois…) Lembrei, só ia dizer que eu enganei vocês, falei sobre outra coisa o texto todo. Ahahahaha quase nada do tal primeiro dia. Malz ae galera.

3 – Só para ter o número 3 mesmo.


Crônicas do Cotidiano // Confissões de infância

Eu tenho um complexo…

Sempre reparei que era diferente das outras crianças no colégio. Achava aquilo absurdo e alguns até riam me chamando de esquisita.
Eu cresci escondendo, mas depois de um tempo passei a me orgulhar, achava o máximo ser diferente. Quando alguém perguntava porque eu era daquele jeito eu respondia com orgulho “isso é pra quem pode”.
Mas eu nunca entendi exatamente porque isso aconteceu comigo. Na minha família ninguém tem isso, então não era genético.

Um belo dia eu resolvi perguntar pra minha mãe se acontece alguma coisa quando eu era beeem pequena, daquelas coisas que a gente não lembra nem com muito esforço. E ela me contou. Eu fiquei em choque, perguntei como ela deixou aquilo acontecer, ela disse que não podia fazer nada, porque quando viu, já estava feito.
Eu jamais deixaria isso acontecer com um filho meu, jamais. Só que minha mãe percebeu tarde demais, nada podia ser feito pois na minha cabeça aquilo já tinha mudado minha vida.
Ainda descobri que na minha época era comum essa prática e ninguém fazia nada para reverter a situação. Uma falta de respeito tremenda.

Resolvi então aproveitar esse espaço pra contar minha história, desabafar e deixar todos atentos. Isso pode ter acontecido com você ou alguém próximo.

Mamãe, eu era canhota!

Hoje eu faço a maioria das coisas com a mão direita, mas tenho habilidades com a esquerda. Na verdade eu comecei a reparar isso no colégio quando eu tinha uns 8 anos, porque eu conseguia segurar a borracha com a esquerda sem rasgar a folha, escovar o dente com a mão esquerda, cortar e outras coisinhas mais.
Aí surgiu a palavra “ambidestro” na minha vida e eu achei o máximo. Puta palavra bonita, era quase que O cara. O pessoal do colégio não entendia e eu ainda explicava.
Claro que não deixou de ser estranho, mas era um estranho com muito luxo e glamour!

Enfim, os anos passaram, eu deixei isso pra lá e sempre aproveitei as vantagens de escolher a mão que ia passar manteiga no pão.
Existem coisas que eu faço melhor com a direita, outras com a esquerda, algumas eu consigo com as duas…só escrever que ainda é meio “jardim da infância”.

Bom, essa parte da história não importa, vamos para o momento “como assim, mãe?”

Um belo dia eu reparei que minha mãe é toda atrapalhada com a mão esquerda. E não só ela como a minha família toda. Então eu comentei isso, disse que a estranha era ela que não tinha coordenação motora, até que minha mãe revelou:

- Filha, você sempre desenhava e fazia tudo com a mão esquerda em casa. Mas quando você foi pro colégio você passou a usar a mão direita. A sua professora forçou você a mudar de mão pra escrever porque você era a única da sala e era estranho. Você era canhota, querida.

Tá, pára o mundo que eu quero descer. COMOASSIM?????

Eu era uma criança linda, feliz e canhota que foi forçada a ser destra?
E minha mãe sabia e não fez nada a respeito?

Ela disse que quando percebeu eu já havia mudado a mão e por isso nem tentou me fazer voltar ao que era.
O melhor (pior) foi que eu conheci outras pessoas que passaram pela mesma coisa.

Alguém me explica pra que forçar uma criança a ser o que não é. Eu não tenho traumas, na verdade eu descobri que posso usar as duas mãos para várias coisas, mas isso não é coisa que se faça com uma criança, forçar para que ela seja igual ao restante.
Existem tantos canhotos no mundo, inclusive famosos. Deixem os canhotos livres.


  1. Quer ser o novo rei do Pop? Saiba como. Beeeeeeeem ácido =D
  2. O blog de frases do Tenório Cavalcanti. Super vale a pena.

Alta Fidelidade , Crônicas do Cotidiano // coisas que marcaram minha infância: filmes

Depois de quase 2 meses voltamos com a série de posts das Coisas Que Marcaram Minha Infância e dessa vez é um dos melhores e que eu mais queria fazer: FILMES. Sabe aqueles filmes… é aqueles que formaram seu caráter, que fizeram você sair pulando como louco na sala da sua mãe, deixando ela mais louca ainda. Aqueles filmes que fizeram você querer brigar na escola para dar seus golpes favoritos. Aqueles que você assistiu 80 vezes e ninguém mais aguentava ver você vidrado em frente a TV. Pois é, tenho certeza que você vai encontrá-los neste post.

Antes disso, confira os outros posts da série Coisas Que Marcaram Minha Infância

- Jogos de Super Nintendo

- Músicas

- Edição Especial Dia das Crianças

- Brinquedos, Jogos de Tabuleiro e Coisas do Tipo

Hoje o post é mais do que especial, já que foi feito por mim e por um convidado muito especial, o maior ativista gay de Belo Horizonte Rafa Barbosa do blog.. RafaBarbosa.com (mais original e criativo impossível não?). Pois bem, a idéia inicial era de fazer a lista de 6 filmes… vimos que era impossível e passamos para 8 filmes. Falhamos. Então são 10! Filmes inesquecíveis que marcaram a infância de todo mundo. Tenho certeza.

E sim! Um monte de filme ficou de fora. Ou você esperava que nós fizessemos a lista dos 89 filmes que marcaram nossa infância? (Pedro)

Não dá pra falar de infância sem citar aqueles filmes que a gente sempre fazia questão de assistir na Sessão da Tarde ou no Cinema em Casa. Era uma época mágica. As nossas únicas preocupações eram se concentrar em fazer o para-casa, jogar vídeo-game e ver TV. Bons tempos aqueles.

E por falar em Sessão da Tarde e Cinema em casa, é claro que teriam aqueles filmes especiais que marcaram a nossa infância. E pode acreditar, não são poucos. Mas eu e o homossexual do Pedro vamos falar sobre os filmes que temos mais carinho. Aqueles cujo nosso caráter não seria o mesmo sem a sua influência direta.

Portanto, se você nasceu nos anos 80, cresceu nos anos 90 e hoje em dia acha que todas as refilmagens são uma bosta, sente-se confortavelmente em sua cadeira, pegue o seu baldinho de pipoca e relembre com a gente aqueles filmes clássicos que fizeram parte da infância de todos nós, marmanjos com seus vinte e poucos anos. (Rafa)

Goonies – Rafa Barbosa

goonies

Esse é sem dúvida alguma o filme que mais marcou a minha infância. Sabe aquela aventura que você sente uma vontade enorme de fazer parte? Então. A primeira vez que assisti a esse filme, minha reação imediata quando os créditos começaram a subir foi correr para pegar a minha bicicleta e sair atrás de um mapa do tesouro.

Na época eu estava no sítio da avó do meu vizinho. Ou seja, as possibilidades eram reais (pelo menos na minha cabeça e na dele) e então fizemos isso. Saímos andando de bicicleta pela propriedade procurando alguma entrada secreta que nos levasse a alguma aventura fantástica. Infelizmente isso não aconteceu.

Desse dia em diante, aqueles nomes nunca saíram da minha lembrança: Gordo, Bocão, Mikey, Dado, Stef, Andy e é claro, o símbolo desse filme, Sloth Fratelli.

Não sei vocês, mas Goonies definitivamente moldou o meu caráter. Aquele sim foi um filme de aventura.

Conta Comigo – Pedro Turambar

conta comigo

Esse é o típico filme que você sempre viu, e sempre quer ver denovo. Apesar de quase nunca lembrar o nome dele, você nunca se esqueceu. Mas conhecido como o filme dos 4 garotos que vão atrás do corpo de outro garoto morto. O filme é marcante por vários motivos, um deles é pela aventura sem tamanho de sair junto com mais três cara para ver o corpo de um garoto da sua idade.

Que garoto nunca quis fazer uma coisa assim? Conta Comigo foi um dos filmes que mais marcou a minha infância, pela aventura, pela amizade e principalmente pelas histórias dos garotos. A história não poderia ser de ninguém menos do que Stephen King, o grande mestre – É uma das histórias do ótimo livro Quatro Estações.

O melhor de tudo é que o final é o pior, justamente porque a aventura acaba. Durante toda minha vida eu quis desviar do trem. E é claro, tenho pavor só de pensar em sanguessugas no meu saco.

**UPDATE** – Assim como Karate Kid, Conta Comigo também está no Youtube, divido em partes. Veja a primeira parte aqui e vá seguindo.

Rambo – Rafa Barbosa

rambo

Não importa se é Rambo – Programado para Matar, Rambo II – A missão ou Rambo III. O que importa é que a história do exército de um homem só sempre fez parte dos filmes da sessão da tarde. Mas, em especial, o que mais me empolgava era Rambo.

Sabe aquele cara que você olha e admira. Aquela admiração do tipo “Caralho, que cara foda. Quero ser ele quando crescer”? Eu ficava exatamente assim quando via John Rambo em ação.

A idolatria era tamanha que eu não sosseguei enquanto minha mãe não me deu a faixa vermelha e faca do Rambo. De plástico, mas ainda sim uma perfeita e precisa arma letal. E pra coroar, meu primo me deu “o relógio do Rambo” com cronômetro, bússola e pulseira camuflada. Eu estava pronto para a guerra.

Não preciso nem dizer que foi tremendamente emocionante assistir Rambo IV, né? Um dos meus maiores ídolos da infância ali, vinte anos depois em plena forma e ainda sim uma máquina de matar como nenhuma outra.

Eu só não saí matando ninguém, mas Rambo foi mais um dos filmes que marcaram a minha infância.

Duro de Matar – Pedro Turambar

durodematar

Antes de qualquer coisa eu gostaria de dizer… Yippie-Kay-Yay MOTHERFUCKER! Duro de matar não marcou apenas a minha infância, marcou também pela vontade dos meu familiares me matarem. Imagine o que é ter em casa um garoto de 8 anos de idade gritando Yippie-Kay-Yay Motherfucker o dia inteiro. “Pedrinho meu filho, como foi a escola?” “Foi Yipikaiei módefoque, mãe”, “Pedro vai dormir anda!” “´Tá bom… Yipikaiei módefoque”.

Tudo, absolutamente tudo que saia da minha boca terminava com essa frase. Meus heróis na infância? Meu pai, John McClane, Han Solo e Axel Foley. Com orgulho. Eles deram sorte que quando eu vi o primeiro, já tinham lançado os 3, se não seriam três fases de Yippie-Kay-Yay e ninguém iria aguentar.

Duro de Matar me marcou tanto, que toda vez que eu brincava com meus comandos em ação, ou eu imaginava que era um policial ou qualquer coisa, sempre tinha aquela parte em que eu pisava em cacos de vidro, deixava um rastro de sangue e depois retirava caquinho por caquinho do pé. Nunca soube da onde eu tirei isso. =D

Karate Kid – Rafa Barbosa

karate kid

Ah a história de superação. Do carinha franzino que apanha de todo mundo e no final enfia o pé na cara de todo mundo. Quem aqui nunca viu a história de Daniel LaRusso e o seu insuperável mestre Sr. Miyagi?

Todo mundo já foi o Daniel LaRusso pelo menos uma vez na vida. O cara que todo mundo tirava uma onda, batia e ainda zoava com a cara. Mas aí ele conhece um velho com “certas habilidades” que o transformariam em um dos maiores karatecas do mundo.

Cenas marcantes como o a surra para os alunos da Cobra Kai vestidos de caveira, as técnicas infalíveis para encerar um carro e limpar um chão e, por fim, a cena mais clássica de todas: o chute da garça acertando em cheio o nariz de Johnny Lawrence.

Pooorra! Sensacional. Não tem um sentimento maior de Win do que esse. É o tipo de história que, ao final da projeção, o Daniel LaRusso pode sentar e falar: Epic Win!

Com esse filme eu aprendi uma coisa: só devo lutar no tatami. Por isso eu não ando por aí demonstrando meus dotes marciais.

Para entender melhor o que eu estou falando, apenas clique e aprenda

Um Tira da Pesada – Pedro Turambar

umtiradapesada

Antes de qualquer coisa, clique neste link. Então, agora que você está no clima, vamos falar de Um Tira da Pesada… ei, pare de rir… foco.. vamos lá, eu sei que é difícil, mas você está lendo um texto, segure o riso só um pouquinho. Axel Foley o homem, o mito, a lenda.

Antes de falar dos filmes, tenho que dizer que Eddie Murphy é um ídolo pra vida toda. Ele simplesmente estava uma vez por semana na sessão da tarde com milhares de outros filmes marcantes. Existem rumores de que Um Tira da Pesada 4 será feito. Só digo que estarei lá, na estréia, e terei 9 anos de idade denovo.

As coisas que mais me marcaram, é que o maldito nunca estava na jurisdição dele – idêntico a Duro de Matar-, e sim naquela época eu aprendi o que era a jurisdição policial. Além das trabalhadas e das armações incríveis que ele fazia, os filmes eram mais engraçados que qualquer coisa. Eu ainda choro de rir das cenas em que “Akwel” se encontra com o incrível brilhoso Serj. Lágrimas correm só de lembrar.

A cena mais épica para mim é quando Axel vai usar aquela arma espalhafatosa no terceiro filme, e ao invés de atirar toca música, solta fumaça… Axel Foley sempre vai ser o policial mais divertido da história do cinema.

Indiana Jones – Pedro Turambar

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Eu contei isso para poucas pessoas, mas Publicidade foi a minha segunda escolha de carreira. Na verdade, a terceira… mas eu logo descartei ser um policial de Nova York ou de Detroit. Eu queria porque queria ser Arqueólogo. Sério. Pô, eu gostava de história, geografia e era aficcionadoapaixonadomalucopelamordedeus com Indiana Jones.

Olha, quantos domingos eu não passei assistindo A Última Cruzada, com a familia toda. Meu pai vibrava, minha mãe adorava, eu e meus irmãos não desgrudavamos o olho da televisão. Durante muito, mas MUITO tempo, eu sempre pedia de natal/aniversário/páscoa/diadascrianças/semanasanta/quaresma uma jaqueta de couro, um chapéu e claro, um chicote igual do indiana.

A jaqueta eu até ganhei, mas minha mãe barrou o chapéu e o chicote. Indiana foi um que rendeu anos e anos de história épicas com meus comandos em ação. Sem contar o que eu aprendi de história, cultura e conhecimentos gerais vendo os filmes. E obviamente eu não podia deixar de linkar esta cena.

Rocky – Rafa Barbosa

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Você reconhece o filme só pela música de introdução. Quando as primeiras notas de Gonna Fly Now começam, você sabe que está prestes a assistir a história de um campeão. De um cara foda. De um cara que você jamais será igual, mas ainda sim o admira pra caralho.

Estamos falando do Garanhão Italiano – The Italian Stallion – Rocky Balboa. O “cobrador” da máfia que se tornou o maior boxeador da história. Mohamed Ali? Evander Holyfield? Não são nada perto de Balboa.

Vai dizer que você não torceu por ele em cada minuto durante a primeira luta contra Apollo Creed? Na revanche então nem se fala. E depois a surra épica para Clubber Lang ou então o trágico fim de Apollo e o famoso discurso pela união entre “América e URSS”? O quinto filme a gente ignora, mas a surra no Tommy Gunn é memorável.

E aí, em 2006, o cara vai e ME presenteia com um novo filme de Rocky Balboa. Sim, pois essa foi a minha sensação. Stallone fez esse filme pra mim. Da mesma forma que você acredita que ele fez esse filme pra você.

Temos uma história com esse cara. Uma história que começou bem antes de nascermos, lá nos anos 70. E de repente, sabendo que quem cresceu assistindo esses filmes hoje em dia são em sua maioria adultos, nos presenteia com o bom e velho estilo Rocky Balboa de ser.

Sem esquecer que o tempo passou. Vai dizer que não foi lindo ver um senhor de 60 anos de idade surrando um boxeadorzinho metido a fodão? Olho do Tigre! Nunca fez um Cooper tocando Eye of the Tiger na cabeça não? Pois eu já e acredite, você se empolga completamente.

A sensação que eu tenho é de que esses caras nos ensinam tudo o que precisamos para sermos bons adultos. Nos ensinam a brigar, nos ensinam a combater terroristas, nos ensinam praticamente tudo sobre a vida. E é por isso que eles são marcos para nós.

Star Wars – Pedro Turambar

starwars

A lista foi feita em dupla, e nos 8 primeiros filmes da lista eu e o Rafa colocamos juntos e concordamos em todos. Os últimos dois ficaram a escolha de cada um. Eu jamais faria qualquer lista falando de cinema sem citar Star Wars, jamais! Assim como nos maiores personagem de cinema eu coloquei Darth Vader em primeiro lugar.

Eu tinha exatamente 10 anos de idade quando meu irmão Mateus – sempre ele – falava de um tal de Guerra nas Estrelas pra cima e pra baixo. Até que um dia ele alugou a triologia – a clássica, por favor – e com o uso de sua inteligência moleque, sua malemolência, ele gravou os três filmes em apenas uma fita VHS. Duas horas para cada filme certinho, 6 horas gravadas em EP na fita. Graças a nossa saudosa câmera filmadora.

Aquilo para mim e para meu irmão era o tesouro mais valioso que tínhamos. Sério mesmo, eu dava meus comandos em ação mas não deixava a fita de lado. TODA SEMANA, eu e ele fazíamos a seção Guerra nas Estrelas, o que deixava meus pais malucos. Quem não gosta não entende, nem nunca vai entender a paixão e a fascinação que SW causa nos fãs. Porra, você queria o que? Poderes especiais, naves espaciais, guerras intergaláticas e é claro ESPADAS LASER! Que criança não ficaria maluca? E Darth Vader então?

Toda vez que vejo a triologia clássica eu me sinto denovo aquele menino de 10 anos que ficava 6 horas em outro mundo, com os olhos brilhando vendo uma das obras artísticas mais fantásticas de todos os tempos. A cara… como eu fui uma criança feliz!

Curtindo a Vida Adoidado – Rafa Barbosa

curtindoavidaadoidado

Da mesma forma que Português e Matemática são matérias básicas da escola, Curtindo a Vida Adoidado é bibliografia básica da vida. Tudo o que você precisa saber sobre se divertir, a não perder tempo e aproveitar o que de melhor à vida pode oferecer, você aprende com Ferris Bueller.

Ferris Bueller é um cara que te inspira. Você não quer ser o cara, você quer ser apenas como ele. Você quer apenas tirar um dia de férias durante o ano letivo, pegar a sua namorada e seu melhor amigo e aproveitar tudo aquilo que tem direito.

Desde almoçar em um restaurante caro, andar de Ferrari até cantar em pleno desfile no meio da cidade lotada. E tudo isso sem se preocupar com as conseqüências. Apenas se divertir com seus amigos.

John Hughes fez filmes que marcaram toda uma geração. Inclusive a minha, que pegou esses filmes bem depois, quase dez anos após o lançamento. O cara conseguiu captar toda a essência dos jovens e transformar em dois roteiros de filmes que são essenciais para qualquer pessoa: Curtindo a Vida Adoidado e Clube dos Cinco.

Curtindo a Vida Adoidado está aqui na minha lista pelo simples motivo de que é insuperável, de longe, a melhor comédia adolescente já feita. O mais próximo dele que vi recentemente foi SuperBad. Mas a história de Ferris Bueller continuará sendo insuperável. Pelo menos pra mim.

***

Olha, sinceramente nós esperamos que você tenha se divertido tanto quanto nós nos divertimos fazendo esse post maravilhoso. Maravilhoso não por ser uma lista de filmes, não porque foi eu e o Rafa, não porque é meu blog… maravilhoso pelos momentos inesquecíveis que eu tive vendo milhares de vezes todos esses filmes.

Maravilhoso pelo fato de no MSN não saber qual era a criança mais feliz escrevendo. Há muito tempo não tinha uma conversa tão animada, só para você tentar entender um pouco o que tudo isso representa para nós.

Me chamem de nostálgico, de sonhador… sou mesmo. E um post desse, falando sobre tudo isso, é como rever as aulas de cultura, caráter, amor por minha família. Porra, não é todo dia que você se lembra de vários momentos de pura felicidade e êxtase numa tacada só. (Pedro)

A cada palavra digitada sobre os filmes acima, a vontade de correr e baixar só aumentava. Sim, baixar, porque dificilmente encontraria alguns deles na locadora do bairro que hoje estão repletas de Camp Rocks, Crepúsculos e High School Musical’s da vida.

São filmes que não importa quantas vezes assistimos, a emoção é a mesma. Quem vê de fora enxerga um Pedro e um Rafael velhos, barbudos e gordinhos em frente a TV ou computador. Mas só a gente sabe que naquele momento não somos adultos, e sim aquelas duas crianças de 15 anos atrás se divertindo ao rever as aventuras daqueles caras que nos moldaram a ser o que somos hoje.

Sim, porque eu, pelo menos, aprendi muito mais com todos esses personagens do que os meus professores poderiam me ensinar.

Nostalgia? Sim, por favor. Se não pudermos lembrar do que marcou a nossa infância, então que graça tem ser adulto?

Espero que gostem dessa pequena listinha que friso em dizer, é completamente pessoal. Não é um Top nada, são apenas os filmes que marcaram a nossa infância. (Rafa)

Depois de tudo isso só posso dizer uma coisa: OBRIGADO Harrison Ford, Sylvester Stallone, George Lucas, Matthew Broderick, Steven Spilberg, Stephen King, Bruce Willys, Eddie Murphy… caras, OBRIGADO MESMO! (Pedro e Rafa)

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1 – Num post como esse, eu sou obrigado a linkar o blog que inspirou a seção. Quem Matou a Tangerina? Do sensacional Fred Fagundes, culpado também de ser um eterno nostálgico.

2 – Agradeço imensamente ao Rafa Barbosa pela ajuda e por dividir comigo os momentos de criança feliz.

3 – Não tem nada a ver com o post, mas o recém lançado blog A Melhor das Intenções merece demais uma citação. Ótimo tema e texto das meninas: @camillaconde, @lucianasabbag e @pripoashampoo

4 – Esse, na minha humilde opinião, é de longe o melhor post que este blog já viu.


Sociedade Alternativa // Sonhos de Criança

Sonho de Criança
Dia 11 de outubro – Sábado

Marcinho se levanta às 7 da manhã como todos os outros dias. Mesmo no sábado ele tinha de trabalhar, ia para o sinal, enquanto a mãe cuidava de seus 4 irmãos mais novos. O pai ele não via há quase um ano.

Se despediu de sua mãe que disse “Vê se traz algum dinheiro dessa vez seu imprestável!!”

Marcinho engoliu sua resposta e saiu para a rua. Ele entendia sua mãe afinal de contas, coitada, casou cedo o pai batia nela e nele. Um dia o pai exagerou e quebrou o braço de marcinho. Mesmo bêbado como estava, o pai dele ficou horrorizado com o que tinha feito e abandonou a família. “Melhor assim” pensou ele. A mãe tinha que cuidar dos outros e ele tinha que trazer dinheiro da rua. Nunca tinha estudado. Quando estava no sinal via outras crianças e as invejava. Apesar de não conhecer essa palavra, ele sentia o que ela significava.

Ele queria ser uma daquelas crianças, de mochila nas costas, rindo voltando da escola. Queria ter outra vida, queria poder reclamar do professor de matemática, queria poder dizer que estava de saco cheio de estudar…só por dizer. Queria estar em um daqueles carros que paravam no sinal, indo para casa, almoçar e depois ir para o clube ou para aula de inglês.

Marcinho chegou ao sinal. Sábado era um dia ruim, provavelmente ia apanhar quando chegasse em casa com pouco dinheiro. Mas tudo bem, era essa a vida que Deus tinha reservado para ele. Mas não custava nada sonhar. E ele sempre sonhou que um dia, daqueles carrões sairia uma mulher ou um homem e mudaria a vida dele. Iam deixar ele ir para escola e tudo mais. Sonhava com um Herói que iria mudar sua vida. Apesar de também não conhecer a palavra egoísmo, sabia que só pensava aquilo para ele. E era errado – pelo menos assim o pensava – e os irmãos? A mãe? Que a vida a havia transformado numa mulher seca, má e inimiga do mundo.

“Se a sorte aparecer para mim…aparecerá para eles.” pensava o inocente Márcio. Ele ia todo dia para o sinal com esta esperança. E hoje é dia 11! Ele pensava. Um dia antes do dia das crianças. Ele nunca havia ganhado um presente. Aliás, sempre detestou esse dia. Todos felizes, na televisão faziam programas especiais e ele nunca havia tido aquela felicidade. Mas acreditava dentro dele, que era um dia mágico, um dia que tudo poderia mudar. Porque nesse dia Deus olhava para as crianças que não eram crianças de verdade.

O dia 11 terminou e ele realmente apanhou quando chegou em casa com míseros 33 reais. Ele dormiu chorando silenciosamente na cama em que dividia com seus irmãos. Marcinho chorava e dentro dele explodia a esperança para o dia seguinte. Ele sonhou denovo, sonhou que iria estudar, que iria se tornar um homem bom, ia ter uma família de verdade. Ele amava muito sua mulher. Sonhou também que se tornou um grande profissional. Era médico, pesquisador de sucesso. Sonhou que ganhava prêmios.

O dia 12 veio e passou.

Marcinho tinha 8 anos nesta época. Ninguém o salvou de nada, e ele não estudou, muito menos se tornou médico. Com 12 anos começou a fumar maconha. Aos 13 fez o seu primeiro assalto. Aos 15 andava armado e vendia drogas. Com 16 matou um dos motoristas dos carrões porque ele não quis dar o dinheiro. Marcinho morreu aos 19 em uma troca de tiros com a polícia.

***

1 – Pensem só um pouquinho.

3 – Pensem bem sobre isso.



Music is Very Porreta // Mamonas Assassinas, não tem como não amar

Mamonas Assassinas

Tenho a certeza absoluta que todos, todos mesmo, conhecem esta imagem. Não só conhecem como sentem milhões de coisas ao vê-la.

Eu sinto o sorriso subindo e crescendo até a uma gostosa gargalhada ao mesmo tempo em que sinto as lágrimas descendo e levando a um choro sincero e silencioso. Sinto uma felicidade quase instantânea, acompanhada na mesma intensidade, por uma tristeza e saudades profundas. Sinto uma grande vontade de vencer e ao mesmo tempo, toma conta de mim, um grande sentimento de injustiça.

Neste momento escrevo sobre eles ouvindo o único CD de uma banda que fez história e marcou a vida e a infância da minha geração. Tenho certeza que, como eu, todo mundo ainda sabe as letras. Mesmo se não escuta há tantos anos e tal. Você nunca esquece algo que escutou pelo menos 1 zilhão de vezes.

“Pois pra mim, você é uma besta mitológica com cabelo pixaim parecida com a medusa, eu disse isso pra rimar com a soma dos quadrados dos cateto é igual a porra da hipotenusa” “Você foi, agora, a coisa mais importante que já me aconteceu neste momento, até hoje, em toda minha vida” “Um paradoxo do pretérito perfeito complexo da teoria da relatividade”.

Essas frases, para mim em especial, resumem tudo que eles significaram para um país, para uma geração. E para mim. Podem discordar o quanto que quiserem. Mas para mim eram gênios. Quer ver?

A melhor música nordestina da história: “Jumento Celestino”
A melhor balada da história: “Uma Arlinda Mulher”
O melhor Heavy Metal do Brasil: “Débil Metal”
O melhor pagode da história: “Lá Vem o Alemão”
A melhor música Portuguesa da história: “Vira-Vira”
A melhor música de corno da história: “Boys Don’t Cry”
A música mais engraçada da história: “Mundo Animal”
A melhor música pop da história: “Pelados em Santois”
A música mais crítica da história: “Robocop Gay”
A melhor música romântica da história: “Chopis Centis”
Os melhor hinos de excursão da história: “Sábado de Sol” e “Sabão Crá-Crá”

Nos exatos 38 minutos e 59 segundos que esses cinco rapazes fizeram uma revolução danada, eu volto a ser criança. Volto ao tempo em que a única coisa que importava era a diversão e o sorriso. Foi nestes minutos que eu aprendi a gostar de música. Comecei a procurar aqueles riffs, aquela guitarra. Foi quando comecei a prestar atenção no que as letras das músicas me diziam. Foi quando eu me apaixonei pelas palavras, pelo prazer de escrever, pelo humor e pela música.

Obrigado, de coração, Dinho, Júlio, Sérgio, Bento e Samuel.
Aonde quer que estejam, nem que seja apenas na memória de milhões de outros saudosos, vocês foram muito fodas.

 


Crônicas do Cotidiano // Nossas coisas antigas

Se tem uma coisa que eu adoro fazer é fuçar coisas antigas. Seja para recordar ou juntar toda a tralha num saco de lixo e jogar fora. Papéis em geral, panfletos, anotações, coisas quebradas, coisas inúteis. E o melhor de tudo isso, é depois de uns cinco anos, você ir lá e revirar tudo e lembrar de vários momentos bacanas, ou nem tanto. Isso eu aprendi com a minha querida mãe. Ela guarda de receitas prescritas pelos milhares de médicos que ele insiste que todos nós precisamos ir, até aqueles desenhos de arte “moderna” que fazíamos quando estávamos no maternal.

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E foi em um desses lindos momentos em que minha mãe estava revirando suas (nossas) velharias que eu descobri um pequeno caderno com uma história, escrita e desenhada por mim mesmo.

Antes de falar sobre essa pequena história, tenho que dizer que criançassão um poço de inocência, criatividade e inteligência (alguns pelo menos). Você já viu uma menino brincando (na minha época) de Comandos em Ação? Ou uma menina brincando de casinha? Já percebeu que eles criam verdadeiros mundos paralelos, histórias complexas cheias de tudo que vemos em filmes ou lemos nos melhores romances hoje em dia? Isso eu acho simplesmente incrível nos melequentos… digo nas crianças.

Bom, vamos à história que eu achei.
(vou reproduzir aqui, exatamente como está no caderno, com a mesma pontuação e erros.)

“Briga de Uma Nota Só.

Era uma vez uma dupla de amigos.

Totó e seu amigo Bob_Dog estavam jogando futebol no campinho. De repente, Bob_Dog chutou bem alto. A bola caiu em uma nota CR$500,00.

Totó e Bob_Dog ficaram confusos com aquela nota. Os dois pularam na nota e falaram: “É minha! É minha!” E começaram a briga. Soco pra lá, soco pra cá! Bob_Dog tomou a nota de Totó rápido. Bob_Dog saiu correndo com a nota. Totó foi atrás. Totó conseguiu a orelha de Bob_Dog. Totó foi mais esperto. Bob_Dog pegou o rabinho de Totó.

Depois eles ouviram uma buzina. Eles tiveram uma idéia. Eles compraram dois sorvetes e ficaram felizes.”

Lindo não? Suspense, aventura, amizade, drama, pobreza, e felicidade. Uma bela trama.

Bom, eu não tenho certeza da data desse pequeno conto, mas como eu escrevi CR$500,00, isso mesmo 500 cruzeiros - se você não se lembra, então foi antes de 94. Eu tinha então no máximo 6 anos. Os pontos altos pra mim são: Bob_Dog, um nome incrível; “Totó conseguiu a orelha de Bob_Dog”, o que diabos eu quis dizer com isso? Bom, só espero que vocês não pensem besteira com “Bob_Dog pegou o rabinho de Totó”. Toda história é acompanhada por verdadeiras obras de arte abstrata. *Que infelizmente eu não tirei foto quando fiz esse post.

Só posso dizer que me diverti muito relembrando o passado e vendo as coisas que eu fazia, vocês aí deveriam experimentar. Você esquece que cresceu, que tem mil e uma responsabilidades e sente saudades maravilhosas de um tempo em que o mundo era o quintal de casa, a escola e que seu pior problema era alguma traquinagem que sua mãe estava a poucos momentos de descobrir. Viva a nostalgia!

Editado dia 4/10/2011

Reeditado dia 4/3/2013