Music is Very Porreta // 10 músicas para você curtir o Halloween

A combinação do Halloween e o heavy metal é um belo casamento feito no inferno. Desde o início do século XX, uma indústria inteira foi construída em torno da data de 31 de outubro. Quer se trate de livros, filmes, a indústria milionária de fantasias, o Halloween fez um monte de pessoas ricas. Os músicos acharam infinitas inspirações na imagem sombria desta data, e lendas e alguns dos maiores artistas do heavy metal também não ficaram de fora.

10 músicas para você curtir o Halloween

Para ajudar na celebração desta data, o site Noisecreep colocou no ar uma lista de 10 músicas de metal para o Halloween que eu assino embaixo! Confira:

HELLOWEEN – “Halloween” do “Keepers of the Seven Keys, Pt. One” (1987)

O quinteto alemão é uma das bandas mais adoradas do gênero. A saga do “Keeper of the Seven Keys” fez deles uma das maiores bandas de power metal de todos os tempos. Inspirado por músicas como “Rime of the Ancient Mariner” do Iron Maiden, o Helloween escreveu essa música de 13 minutos. Apesar de ser um clichê para um jornalista de rock, a palavra “épico” se encaixa perfeitamente na música. Os vocais de Michael Kiske são a cereja do bolo, mas o time de guitarras formado por Kai Hansen e Michael Weikarth são os heróis desta canção.

THE MISFITS – “Halloween” do single “Halloween” (1981)

Ok, o Misfits não é exatamente metal, mas a influência desta banda em grupos como o Metallica não pode ser negada. No dia do Halloween em 1981, o grupo lançou o single “Halloween” e a música teve uma vida longa e ilustre na coleção de discos de muitos músicos. Há algo positivamente assustador nos vocais de Glenn Danzig e nos riffs de guitarra de Bobby Steele. Essa música ainda merece um espaço dentre os clássicos do 31 de outubro.

KING DIAMOND – “Halloween” do “Fatal Portrait” (1986)

Tudo em Kim Petersen cheira a esta data. Mais conhecido por King Diamond, o Halloween é o pano de fundo perfeito para o metal deste dinamarquês. “Halloween” é parte do primeiro álbum solo do vocalista do Mercyful Fate, “Fatal Portrait”. Ela tem um pouco de hard rock nos vocais contagiantes e no ritmo, mas a letra é o que coloca esta música na lista. A aberta com a frase “Every night to me is Halloween” (Toda noite para mim é Halloween) diz tudo, e se você conhece a extensa discografia de King você sabe o que ele quis dizer com isso.

ENTOMBED – “Left Hand Path” do “Left Hand Path” (1990)

No início da década de 90, Uffe Cederlund e Alex Hellid eram como KK Downing e Glenn Tipton do death metal. O jovem dueto de guitarristas do Entombed trouxe um maligno riff atrás do outro. “Left Hand Path”, a música de abertura do álbum de estreia com o mesmo nome, introduziu boa parte do mundo do metal ao death metal. A primeira metade da canção serviu de modelo para grande parte da cena do metal sueco durante os anos que se seguiram, mas é o final da música que fez com que ela entrasse na nossa lista. Na marca de 3:38, a canção se rompe e um coro de gritos maníacos, e isso é apenas o começo das coisas boas! Alguns segundos depois a banda entra no tema do filme cult de terror “Phantasm” de Fred Myrow. Escutar as guitarras de Cederlund e Hellid durante o refrão é um prazer puramente assustador.

ALICE COOPER – “Welcome to My Nightmare” do “Welcome to My Nightmare” (1975)

Para alguns dos leitores mais jovens, Alice Cooper pode ser apenas um cara velho que joga golfe e “era cantor ou algo do tipo”. Apesar do nativo de Detroit ter atenuado sua imagem pública nos últimos anos, você não deve subestimar o trabalho de Cooper na década de 70. Álbuns como “Killer” e “Billion Dollar Babies” ajudaram a dar nascimento a um estilo de rock que seria adotado por incontáveis bandas em torno do globo. A música título do “Welcome to My Nightmare” é cinemática em sua produção, letras e vocais. Ela é como uma versão de áudio de 5 minutos de um daqueles filmes clássicos de horror do Reino Unido. Golfe ou não, essa música ainda provoca arrepios!

BLACK SABBATH – “Black Sabbath” do “Black Sabbath” (1970)

Em três notas simples, Tony Iommi criou algo mais assustador do que qualquer coisa que George Romero ou Thomas Harris jamais inventaram.

SLAYER – “Dead Skin Mask” do “Seasons in the Abyss” (1990)

O serial killer Ed Gein foi a inspiração de incontáveis filmes, livros e programas de televisão. Já foi dito que os ícones Norman Bates e Leatherface foram baseados nesse infame maníaco real. Durante os anos, o medonho assassino também alimentou o trabalho de muitas bandas de metal. De todos os artistas do mundo que se influenciaram na história dele, “Dead Skin Mask” do SLAYER é a que chega mais próxima da mística mortal de Gein. Os riffs de guitarra na introdução dão o tom e os vocais quase monótonos de Tom Araya selam o acordo, mas há uma outra seção na canção que leva ela a um novo nível de depravação. Até a conclusão da música, a voz de uma garotinha aparece do nada pedindo por misericórdia. Aqui estamos há quase 20 anos e “Dead Skin Mask” ainda soa descomunal tanto quando ela apareceu pela primeira vez na loja de discos local.

DIMMU BORGIR – “Progenies of the Great Apocalypse” do “Death Cult Armageddon” (2003)

Os vocais de Shagrath nesta música soam como se sua garganta estivesse sendo cortada por um milhão de bisturis enferrujados, mesmo assim ainda há uma beleza ímpar na maneira que eles vem juntos da instrumentação maligna da banda. “Progenies of the Great Apocalypse” é uma grande peça do black metal sinfônico e deve estar em qualquer playlist do Halloween.

IRON MAIDEN – “Fear of the Dark” do “Fear of the Dark” (1992)

Ninguém poderia compor uma canção de metal como Steve Harris. O baixista e principal compositor do Iron Maiden foi responsável por sagas essenciais como “Seventh Son of a Seventh Son”, “Sign of the Cross” e a já mencionada “Rime of the Ancient Mariner”. Esta música, do álbum de 1992 do Maiden com o mesmo nome, é um dos momentos mais sinistros dos robustos ingleses. Com 7 minutos, “Fear of the Dark” se tornou um dos pontos altos dos shows ao vivo da banda nos últimos anos.

MORBID ANGEL – “God of Emptiness” do “Covenant” (1993)

Os tons de guitarra de Trey Azagthoth poderiam fazer ele estrear seu próprio filme de horror. A dissonância tensa e assombrosa sempre foi um dos focos dos lançamentos do Morbid Angel. Em “Gof of Emptiness”, o riff principal de Azagthoth soou como um gárgula rastejante, enquanto os vocais de David Vincent evocam imagens de terror e sofrimento. Eles certamente fizeram seus nomes por causa do material rápido, mas essa música lenta é o single mais macabro do grupo.

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1- Baseado neste artigo do site Noise Creep.

2- Estarei cubrindo os shows do Dragonforce no dia 8 de novembro e do Korpiklaani no dia 15 de novembro pelo Whiplash!

3- O show do Stratovarius foi ótimo! Quem não foi perdeu um dos melhores shows do ano. Vejam a resenha aqui.


Music is Very Porreta // Eluveitie: a melhor banda de Folk Metal da nova geração

E lá e de volta outra vez. Ando meio sumido? Na verdade nem tanto, pois se repararem o último texto do dossiê Iron Maiden foi quase que completamente escrito por mim. O Pedroca só colocou os álbuns de merda e eu arrumei as curiosidades e textos explicativos. Juro a vocês que depois criarei uma lista que valha a pena, só com álbuns bons! (Começando pelo X-Factor… o preferido de vocês que eu sei!)

E possivelmente alguém aqui estava esperando o “Comentando o Morto (3)”. Minha resposta para o Neto é a seguinte: “Ei, Neto! Vai tomar no cu copo!”. Algum dia meu comentário sai, até lá faço minhas palavras as de Lula: “Eu não sabia de nada, companheiro”. Voltamos agora a nossa programação normal.

Realmente quando você faz uma lista com algumas das bandas mais inovadoras SEMPRE falta alguém. Não importa o quanto você pesquise ou quanto queira tornar ela perfeita, sempre vai faltar uma e logo depois você vai dizer: “Puts! Essa não podia ter faltado!”

Estamos de frente para um caso destes meu amigo, Eluveitie é para mim a melhor banda de Folk Metal da nova geração. Erro! Korpiklaani é ótimo, é fantástico, mas NUNCA conseguirá ser mais inovador do que este octeto (!!!) suíço.

Cheguei a esta conclusão depois que ouvi uma porrada de vezes o último álbum da banda, “Evocation I: The Arcane Dominion”, um álbum de folk meio acústico meio metal que consegue superar totalmente as espectativas. Eu nunca havia ouvido um álbum completamente feito em uma língua que eu não posso entender bulhufas e achado o máximo… mas desta vez eu não pude deixar de sentir o que eles passam nas músicas, mesmo que estejam escritas em gaulês (sim, isso mesmo, a língua do Asterix!).


Capa de “Evocation I”: imagem representando o deus celta Cernunnos, Senhor do Submundo

O álbum é sensacional do início ao fim, completamente ambientalizado (neologismo legal) na mitologia celta. As músicas do álbum, menos três delas, foram escritas baseadas em lendas e canções da antiga mitologia gaulesa. Encontrados por arqueólogos os trechos de canções, histórias, lendas, feitiços, etc., foram utilizados pelo Eluveitie para nos colocar realmente dentro da vida e dos costumes deste povo, de que hoje pouco se sabe realmente.

A instrumentalização do álbum é fantástica. A formação do grupo, com guitarra, bateria, baixo, violino, apitos, gaita, flautas e a famosa gaita de foles realmente é completa! Juntamente com isso a banda conta com três ótimos vocalistas: o técnico Chrigel Glanzmann com seus vocais guturais ao estilo Melodic Death Metal (veja o In Flames na minha lista), a ótima Meri Tadic com a segunda voz e a belíssima Anna Murphy com o vocal feminino.

Dentre as diversas ótimas músicas do álbum algum destaque vai para “Brictom”, que fala sobre um feitiço feminino, “Voveso in Mori”, uma música calma com um leve som de violão ao fundo em uma atmosfera tristonha, e “Memento”, uma música que vai te levar diretamente para as festas celtas, com muitas mulheres belas e whisky escocês.

Mas o destaque máximo, fantástico, sensacional e monstruosamente perfeito vai para a música “Omnos”. Esta música chegou a perfeição do que pode ser a união de Metal com Folk sem utilizar nenhum vocal gutural e toda aquela coisa masturbatória horrorosa do Black Metal (coisa que o Eluveitie não tem, e é o que me faz não gostar de boa parte das bandas de Folk/Pagan/Celtic Metal). Sobre o tema desta música, Anna Murphy disse:

“É sobre uma garota e um lobo… a garota quer cantar e colher flores com ele, e o lobo do outro lado quer jogar ‘joguinhos malvados de lobo’ e ‘caçar a flor de sua juventude’. Eu acredito que é um pouco óbvio o que você pode interpretar com essas palavras…”

Além da música, o vídeo tem algo de especial que me chamou muito a atenção. Não sei bem o que foi, se foram os belíssimos olhos verdes da vocalista, se foi a música ou se faz parte até de uma mística, mas eu só sei que quando vi assisti um monte de vezes e não me cansei de vislumbrar esta obra. Confira você também:

Site Oficial: http://www.eluveitie.ch/

MySpace: http://www.myspace.com/eluveitie

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1- Coloquei no ar um review desta álbum no Whiplash. Obviamente ainda não está online, mas lá você tem um puxa saquismo comedido. Aqui você tem minha opinião verdadeira.

2- E o Coldplay com sua música “Viva la Vida” está colecionando acusações de plágio. Agora é Cat Stevens que acusa os britânicos com base na música. Como eu disse no Twitter: “Filho bonito todo mundo quer ser pai”. Mais informações aqui.

3- Uma das bandas mais fantásticas do Heavy Metal europeu irá se aposentar. O Running Wild oferece um álbum tributo como presente aos seus fãs. Veja aqui as músicas do álbum e as bandas que irão participar do tributo, uma inclusive é brasileira.

4- Aaaaaaahhhhh… direto da Revista Esquire: Um dia com Megan Fox. Só há uma mulher neste mundo mais bonita que ela e não, não é famosa, e eu também não direi quem é!


Music is Very Porreta // 15 Álbuns para se entender a nova geração do Heavy Metal

Sou grande fã de Rock e Heavy Metal. Dentre as bandas de Metal, ainda as que me chamam mais a atenção são as da nova geração, que adicionaram e difundiram conceitos diferenciados das bandas clássicas do Heavy Metal como Iron Maiden, Metallica, Judas Priest, Helloween e outras. Nesta lista, considero eu, você poderá conhecer melhor os gêneros e bandas do pós-80 que fizeram (e continuam fazendo) sucesso com novas fórmulas do Metal. Algumas vanguardistas, outras apenas adaptaram-se e aperfeiçoaram estilos da década de 80.

A ordem da lista é de suma importância, as bandas foram colocadas cronologicamente conforme sua aparição para a mídia musical. Não ocorre aqui uma lista de qualidade que não leva a lugar algum, mas sim uma lista de primordiais, grupos importantes que estão, no meu ver, transformando a música como nós conhecemos.

(1993) Angra – Holy Land (1996) – País: Brasil

Um projeto audacioso, assim era conhecido o Angra quando foi lançado para o público nacional. Aproveitando a onda internacional com o crescimento da popularidade de bandas como Helloween, Gamma Ray e Stratovarius, Andre Matos e Rafael Bittencourt criaram juntos um projeto que teria como objetivo aliar o poder das bandas europeias do Metal com a fusão de ritmos nacionais e folclóricos. Assim surgiu o Angra em 1993 ao lançar o álbum “Angels Cry”, ganhando reconhecimento da mídia e do público japonês e europeu. O som era muito diferente do que o público brasileiro estava acostumado, mas o apelo da música com o uso de histórias e sons da cultura brasileira fizeram a banda alcançar uma posição privilegiada que nenhuma outra banda de metal nacional já alcançou no Brasil, um som que fugia do underground do metal nacional e buscava um lugar ao sol. Aos moldes do Angra surgiram outras bandas que buscaram esta mesma fórmula, como o Aquaria, Tuatha de Danann, Hangar e depois o Shaman. Infelizmente o projeto de metal genuinamente brasileiro falhou, e estas bandas hoje estão no underground. Abaixo o videoclipe da música “Make Believe” do álbum “Holy Land”, um dos, se não o mais marcante, da história da banda.

(1995) Ayreon – The Human Equation (2004) – País: Holanda

Vanguardista, não há palavra melhor para retratar o holandês Arjen Anthony Lucassen, criador do projeto Ayreon. Arjen, além de talentoso vocalista, guitarrista, tecladista e produtor, também foi o primeiro a utilizar-se do estilo Ópera Metal em 1995 com “The Final Experiment”, baseado em álbuns conceituais de Ópera Rock como “The Wall” do Pink Floyd, “Tommy” do The Who e “Jesus Christ Superstar”. Ayreon já teve o prazer de receber músicos famosos e gabaritados, dentre eles algumas das maiores vozes do Metal, como Bruce Dickinson (Iron Maiden), Hansi Kürsch (Blind Guardian), Jorn Lande (Masterplan), Anneke van Giersbergen (Agua de Annique, The Gathering), Simone Simons (Epica), entre outros, além de apostar e revelar novos talentos para a música, como Marcela Bovio (Stream of Passion). “The Human Equation” é sem sombra de dúvidas o melhor álbum do projeto, contando a história de um homem que sofre um acidente misterioso e fica por 20 dias em coma. Durante este tempo deve rever seus erros e confrontar seus sentimentos se quiser continuar a viver. Vale lembrar que o Ayreon também foi o primeiro grupo de Metal a utilizar elementos de ficção científica em seus álbuns de forma bastante latente. Abaixo dois dos vídeos do álbum, com as músicas “Day Eleven: Love” e “Day Sixteen: Loser”.

(1995) Opeth – Blackwater Park (2001) – País: Suécia

O Opeth foi a principal banda responsável pela revolução do Death Metal, aplicando a ele os elementos do progressivo. Mikael Åkerfeldt, um dos melhores vocalistas desta nova geração da música, é bom tanto em seus vocais guturais e sombrios do Black Metal quanto nos vocais mais limpos do progressivo. A variação e a diversidade dos estilos aplicados sem perder a qualidade da música é uma das marcas da banda, que soube aplicar muito bem o progressivo ao estilo Dream Theater e o lado mais sombrio do Death, a primeira banda a criar o conceito de Death Metal, em uma singularidade única, que cria uma música totalmente diferente do que os fãs do metal estavam acostumados. É uma banda para ser ouvida e levada a sério.

(1995) In Flames – The Jester Race (1995) – País: Suécia

O In Flames apareceu para a música juntamente com o Opeth. Um dos pioneiros do estilo Melodeath, que junta a impetuosidade e a força do Death Metal com o Metal Melódico mais intimista e com recursos mais amplos de som.
A criação do estilo, que também é conhecido como Gothenburg Metal, deu a eles, juntamente com as bandas At The Gates e Tranquility, o título de “Three Kings” (Os Três Reis), pela influência no estilo, que baseou toda uma legião de bandas no metal escandinavo no final do século XX.
Por terem surgido na mesma época do Opeth e terem criado juntos um espaço significativo para o Death Metal na Suécia, a comparação entre os dois grupos sempre acontece, porém a diferença entre a música dos dois é de fácil percepção. Eu sou mais o Opeth, mas é gosto pessoal, claro.

(1996) HammerFall – No Sacrifice, No Victory (2009) – País: Suécia

A “Revolução do Heavy Metal” era o que prometia o HammerFall na sua criação. E com o tempo o som deles, bastante baseado em guerras e no contexto do Power Metal foi se tornando uma das melhores bandas da atualidade. Inicialmente considerado uma fusão do Heavy Metal do Judas Priest e do Speed Metal ao estilo do desconhecido Accept, hoje eles, juntamente com o Sonata Arctica e Edguy, são as maiores representações da pluralidade do Metal. Tocando o bom e velho Power Metal, Heavy Metal, Hard Rock, utilizando melodias, corais e os temas que vão da motivação pessoal, as guerras e até as pegadas mais intimistas, o HammerFall soube captar muito bem as variações do estilos que hoje é vista em boa parte das bandas. O último álbum do grupo, “No Sacrifice, No Victory” demonstra toda a evolução da banda no decorrer de sua carreira. Abaixo vocês conferem um dos melhores clipes do ano até agora.

(1997) Nightwish – Once (2004) – País: Finlândia

O Nightwish surge como uma das primeiras bandas a utilizar o Metal Sinfônico. Muitos dos entendidos do gênero colocam a banda Therion como a responsável por iniciar o uso de sinfonias e orquestras no Metal, isso no final da década de 80, porém bandas como Stratovarius e Blind Guardian já aplicavam alguns elementos sinfônicos antes disso, sem citar os virtuoses como Yngwie Malmsteen, que desde a década de 80 se utilizavam de elementos neoclássicos para compor suas músicas. Independente disso, o Nightwish, juntamente com a banda holandesa Within Temptation, criaram um estilo único de Metal Sinfônico ao adicionarem vocais femininos líricos. Com uma temática mais sombria, fundiram elementos das bandas de Metal Gótico dos anos 80 e do início dos anos 90 para criar um formato que fez sucesso e criou diversas bandas, como Epica e After Forever, as mais conhecidas. Once (2004) foi um álbum que marcou pela mudança de temática, que com o tempo passou da mitologia e das histórias de ficção para um lado mais intimista, focado no ser humano e na melancolia. A música “Nemo” é ainda a mais conhecida do grupo, e por isso o clipe dela foi selecionado para esta lista.

(1997) Symphony X – Paradise Lost (2007) – País: EUA

Dentre as bandas do Metal Progressivo se destaca de longe o Symphony X, comandado pelo ótimo vocalista Russel Allen. Vindo das influências principalmente do Dream Theater e do Queensrÿche, as primeiras bandas que começaram a se originar no Metal com influências do Rock Progressivo do Pink Floyd, Yes, Rush e outros. O Symphony X se diferencia das outras bandas pela mescla do progressivo com música clássica. Paradise Lost (2007) é considerado um dos melhores álbuns da banda, que continua em grande evolução com a maturidade do grupo. Logo abaixo você pode conferir o clipe oficial do álbum, que foi baseado em um poema épico de John Milton com o mesmo nome. Outros trabalhos da banda também são focados na história. “V: The New Mythology Suite” fala sobre a mitologia egípcia e a astrologia, enquanto “The Odissey” fala sobre a saga histórica do grego Homero.

(1997) Rhapsody of Fire – Dawn of Victory (2000) – País: Itália

Considerada a banda que melhor retrata o uso de sinfonias em suas músicas, o Rhapsody of Fire esbanja qualidade em seu som, utilizando de uma temática bastante épica e do uso de orquestras no seu mais alto nível. Enquanto as outras bandas citadas aqui utilizam orquestrações de maneira mais comedida – normalmente misturadas com os sons característicos do Heavy Metal – vemos no Rhapsody algo diferenciado: não é a sinfonia que se mistura a guitarra, bateria e vocal, mas sim estes que se misturam a sinfonia. O som deles é considerado, por eles mesmos, como sendo “Film Score Metal” – as sinfonias do Rhapsody parecem que foram feitas como trilhas sonoras de filmes épicos. Mesmo tendo me distanciado um pouco do som destes italianos, sou um grande fã do Rhapsody, pois foi uma das primeiras bandas de metal que ouvi, eles merecem toda a consideração e não poderiam ser deixados de fora nesta lista. Os vídeos abaixo não são do álbum, mas coloquei eles por causa do Christopher Lee, o cara além de ser bom ator ainda é ótimo vocalista!

(1998) Apocalyptica – The Worlds Collide (2007) – País: Finlândia

Muitos consideram apenas mais uma banda do metal sinfônico da década de 90, mas eu digo, estes caras são geniais. Não pela qualidade do som, que francamente é de estilo bem duvidoso e não agrada a todos os ouvidos, mas sim pelo modo como o Apocalyptica resolveu fazer metal. Auto denominam seu estilo como sendo o “Cello Metal”, basicamente uma banda formada com violoncelos e uma bateria. Não seria nada fantástico, principalmente pelo fato de que no metal atualmente o vocal e as letras das músicas estão em alta e fazem cada dia mais diferença para os fãs, para ter certeza disso basta conferir as outras bandas da lista. Porém o Apocalyptica consegue fazer sua música e passar sua mensagem sem a necessidade das letras. Pelo menos até o lançamento do último CD do grupo, o “Worlds Collide”, onde você tem o prazer de ouvir os cellos acompanhados da belíssima voz de Cristina Scabbia na música “S.O.S. (Anything But Love)” ou da voz de Corey Taylor na polêmica “I’m Not Jesus”, mostrando que a banda é boa com e sem vocais em suas músicas.

(1999) Sonata Arctica – Silence (2001) – País: Finlândia

Uma das novas bandas da cena finlandesa, o Sonata Arctica é conhecido por sua fusão de gêneros e estilos. Mesmo sendo reconhecida como uma banda de Power Metal que se influenciou principalmente dos seus conterrâneos do Stratovarius, o Sonata Arctica se manteve sólido ao fugir da sombra dos vanguardistas finlandeses, e criou um som bastante característico e próprio, com músicas que variam entre o Power Metal, Progressivo, Hard Rock, Melódico e Sinfônico. Esta variedade de elementos foi uma noção praticamente nova ao Metal, onde as grandes bandas da cena dificilmente ousam ao modificar sua fórmula de música, para desespero de uma parte da sua legião de fãs.  Os temas também se mantem distantes das primeiras bandas do estilo, com algumas letras de caráter religioso e diversas músicas sentimentais. “Silence” é o meu álbum preferido do grupo, pois no meu ver une todas as características que tornam o Sonata uma banda emocionante, e também por ter “Tallulah”, uma das músicas mais intimistas do Metal atualmente.

(2000) Kamelot – The Black Halo (2005) – País: EUA

Uma banda diferenciada, das primeiras a fazer sucesso nos EUA com o ritmo do melódico. Vale lembrar que a entrada do norueguês Roy Khan foi importantíssima para a elevação da qualidade do Kamelot, que somente começou a ganhar notoriedade com o lançamento de “Siege Perilous”, primeiro álbum com Roy Khan nos vocais e na composição de músicas, em parceria com Thomas Youngblood.

O diferencial da banda foi utilizar mais melodias em sua sinfonia (enquanto o Symphony X utiliza-se da velocidade nas composições, o Rhapsody retrata um lado mais épico e o Nightwish se foca mais nos vocais líricos e no piano), em uma pegada mais intimista e levemente melancólica nas músicas. O auge do grupo veio com os álbuns “Epica” e “The Black Halo”, onde se criou todo um conceito e uma história em volta dos lançamentos, com grandes convidados como Simone Simons (Epica), Shagrath (Dimmu Borgir), Luca Turilli (Rhapsody of Fire) e Jens Johanson (Stratovarius).

(2003) Korpiklaani – Tales Along This Road (2006) – País: Finlândia

Como todas as bandas de Folk Metal, o Korpiklaani fala das lendas folclóricas regionais (neste caso as da Escandinávia). Porém eles, como também a banda Vintersorg, fogem do estilo mais enlatado do Folk. Diferentemente de bandas como Amon Amarth, Cruachan e Ensiferum (e outras dentre as mais conhecidas bandas de folk) que vieram do Black/Thrash Metal para o Folk, retratando o Paganismo, a Bruxaria e as Mitologias europeias, o Korpiklaani fez o caminho contrário, é uma banda finlandesa de folk que adaptou o seu som para o metal. Além disso os temas de suas músicas fogem um pouco da parte mitológica, estando mais próximos da vida da população finlandesa, das festas e da cultura do povo. Abaixo a música “Happy Little Boozer”, a mais conhecida do grupo até hoje.

(2004) Mastodon – Leviathan (2004) – País: EUA

O Mastodon é, sem sombra dúvidas, o carro chefe do NWOAHM (New Wave of the American Heavy Metal). Um novo ritmo que apareceu nesta década nos EUA e vem gradativamente substituindo o Nü Metal, liderado por bandas como System of a Down e Slipknot. A decadência de um estilo e a ascensão de outro é bem comum nos EUA, onde a indústria tem forte influência sobre o público. O Sludge Metal, estilo seguido por estas bandas, foi criado das fusões com o Thrash Metal, Doom Metal, Hardcore (em especial o de Nova Iorque) e o punk, trazendo um novo estilo de som para o público norte-americano, mas que ainda encontra alguma resistência no resto do mundo (esta que vai gradativamente sendo quebrada). “Leviathan” é considerado o melhor álbum do grupo. Totalmente conceitual ele aborda a história de Moby Dick, livro mundialmente conhecido de Herman Melville.

(2006) Van Canto – Hero (2008) – País: Alemanha

No meu ver o grupo mais original surgido nos últimos tempos, o Van Canto é uma banda que canta Metal a capella, tendo em sua formação apenas vocalistas e uma bateria. É fantástico, pois quando você ouve este grupo alemão, pode concluir que eles tem alguma guitarra escondida em algum lugar atrás do palco de tão realista que o som deles fica. Eu coloquei aqui o segundo álbum do grupo, que contem músicas originais e diversos covers de músicas famosas do Heavy Metal, como “The Bard’s Song – In The Forest” do Blind Guardian e “The Wishmaster” do Nightwish, esta última que você pode ouvir logo abaixo (não liguem para o vídeo, realmente é MUITO mal feito).

(2006) The Sword – Gods of the Earth (2008) – País: EUA

Um grupo fantástico que marca um novo momento para a música. Como o Mastodon, o The Sword faz parte da nova geração do Metal norte-americano, apelidado de NWOAHM (New Wave of the American Heavy Metal), uma nova geração pós System of a Down e Slipknot (o famoso Nu Metal) que está marcando uma nova mudança total no estilo.

Muita gente conhece e ouve Stoner Rock, um estilo difundido e com diversas bandas famosas, como o Queens of the Stone Age. O The Sword é uma das bandas de vanguarda que está adaptando o Stoner ao Metal, com fusões para o Doom Metal e o Heavy Metal clássico. O som é bem diferente, mas eu achei realmente interessante e um tanto chamativo, espero que ele seja difundido e tenhamos o prazer de ter este novo estilo de metal entre nós.

PS: O The Sword não faz parte da lista por estilo, mas no meu ver, eles estão igualmente como o New Wave marca ndo uma nova postura na cena musical dos EUA.

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1- E você? Acha que alguma banda ficou de fora? Acha que a lista está uma droga e toda errada? Deixe seu comentário! Afinal ninguém é de ferro, eu sei que deixei um monte de música boa de fora…

2- Uma pesquisa idiota deve ter uma ideia idiota por trás. O Green Day foi eleito a melhor banda com nome de cor (???) pela Rolling Stone. O Hit na Rede explicou como surgiu essa ideia.

3- Novidade para os fãs do Scorpions, novo álbum da banda deverá sair em 2010, veja no Whiplash.