Capacitor de Fluxo // Coisas Que Marcaram Minha Infância – Programas de TV

Depois de algumas eras, eis que, finalmente, eu decido ressuscitar uma das melhores séries de posts desse blog de vampiros efeminados: CQMMI ou Coisas Que Marcaram Minha Infância.

Caso você não saiba, a série de posts tem uma série de posts (ahn? ahn?) sobre a delícia da nostalgia e o que marcou a infância dos lindos que nasceram no fim da década de 80. Até hoje eu falei de:

- Jogos de Super Nintendo

- Músicas

- Brinquedos, Jogos de Tabuleiro e Coisas do Tipo

- Filmes

- Dia das Crianças

Eu comecei também a evolução dessa série, chamada de Coisas Que Marcaram Minha Adolescência:

- Música/Clipes

- Show do Guns N’ Roses

POIS BEM! Chegou a hora de retomar esses posts — principalmente com a ajuda e chancela do Rotaroots, aquele lindo –, vamo nessa?

Programas de TV que Marcaram Minha Infância

1 – Mundo da Lua

coisa que marcaram minha infância mundo da lua

Acho que foi a primeira “série” mesmo que eu vi na vida. O que eu me lembro de verdade, era de simplesmente amar isso, primeiro porque eu — todos nós na verdade — éramos meio Lucas Silva e Silva. Pelo menos os garotos ‘estranhos’. Tenho a impressão, também, de que minha paixão por ficção científica começou exatamente aí.

2 – Castelo Rá-Tim-Bum

coisas que marcaram minha infância

Falar de Castelo Rá-Tim-Bum é chover no molhado. Todos da minha geração viveram, viram, amaram e idolatravam o programa, o sucesso absurdo da exposição que aconteceu em São Paulo só prova isso.

O programa em si era muito bom e tudo mais, todos os quadros eram ótimos, mas a grande genialidade mesmo eram os musicais. Nada na história da televisão brasileira superou ou vai superar isso.

3 – O Mundo de Beakman

coisas que marcaram minha infância mundo de beakman

Eu não gostava só de ficção científica, eu gostava de ciência de verdade também. E eu devo ao Mundo de Beakman o preenchimento da minha infinita curiosidade sobre as coisas, os adultos agradeciam, e muito, a existência desse programa.

Foi com o programa, também, que nasceu o meu amor eterno e sincero com os pinguins. O quadro dos pinguins era muito, muito genial.

4 – Família Dinossauro

coisas que marcaram minha infância

Preciso falar? Assim como Alf (que quase entrou na lista), é uma série “familiar” americana com requintes de ficção científica. Poxa, eram dinossauros. Muita das coisas que eu aprendi sobre a vida em família, suas peripécias, seus estereótipos, suas situações cotidianas, foi com Família Dinossauro. E ah, como eu amava a vovó.

A culpa, de certa forma, do meu ódio mortal digirido à pessoa que atende pelo nome de Daniela Mercury, vem da Família Dinossauro. Como não amar um programa assim?

5 – Trapalhões

Os Trapalhões

É, eu sou velho. Mas não tão velho, uma vez que o que eu assistia eram as reprises dos Trapalhões, o maior grupo de humor desde Monty Phyton. Didi, Dedé, Mussum e Zacarias não deixaram nada a dever para os deus do humor. Nem nos esquetes, nem nos filmes. Eles ensinaram mais de uma geração inteira de crianças a serem preconceituosas, zoeiras, trapaceiras, espertas e filhas da puta. Pode parecer ruim, mas isso preparou a gente para a vida.

Eu caso, no chão aqui, cinquentinha, que foi a falta de Trapalhões atrapalhou (ahn? ahn?) a formação dessas crianças mimadas de hoje em dia.

***

E você, me diga, quais foram os programas que marcaram sua infância?

.

*Esse post faz parte de uma iniciativa de um grupo fantástico de pessoas chamado Rotaroots, que tem o simples objetivo de resgatar a blogagem de raiz, a blogagem moleque, de várzea que reinava no início da primeira década. Se quiser saber mais, clique aqui e aqui


Capacitor de Fluxo // Um bando de crianças brincando de adulto

Queria falar sobre um pensamento que me ocorreu nessa semana. Estava em companhia de alguns colegas de trabalho, engomados, roupas alinhadas. Até os sapatos eram sociais. O que me espanta é a postura ‘socialesca’, a maneira em que nós somos condicionados a nos portar de formas diferentes em lugares diferentes, de como somos um bando de crianças brincando de adulto. Deixamos a nossa essência dentro do apartamento. E só. No entanto, fica complicado que façamos a distinção da pessoa entre o que ela é em casa, no trabalho, com o chefe, no círculo social, com a mulher,  sendo o chefe ou no curso de culinária.

criança brincando de adulto

“Soraya, você pode desmarcar a reunião das 11?”

As maiores referências que fazemos as associações mais fantásticas de nossos corações tem sua gênese na infância. Por exemplo: quem nunca viu na rua alguém que te fazia referência a algum personagem dos Simpsons? Quem não tem um tio que faz a “hora do cafuné”, igual o Tio Ted do Fantástico Mundo de Bob? Ou, vai dizer que você nunca imitou o “Slot quer chocolaate”, lá dos Goonies? Você, como eu, que foi criança nos anos 90 tem boa recordação disso, tenho certeza.

Claro, isso não é exclusividade nossa.  A diferença é que nós fazemos parte de uma geração de transição.

Nossos pais, que tiveram seus 20 anos lá pelos tantos dos anos 70 ou 80, não participaram de nenhum momento de explosão tecnológica/social. Não excluindo fatores-chave, a exemplo da Guerra Fria, mas, há de se entender a grande monotonia que passamos hoje em dia, no aspecto de, realmente, sermos fruto de uma geração em que precisamos estar produzindo e nos divertindo fulltime e, as vezes, realizando mais de uma operação ao mesmo tempo. Velocidade, essa, que não era característica dos nossos pais. Esse papo doido de geração X, Y, Z…

"Pai?"

“Pai?”

E é justamente por causa dessa monotonia de hoje em dia que nossa mente só tem um lugar para recorrer, o único lugar onde todo mundo achava que era feliz, onde todo mundo achava que não tinha problema e que a pureza dos sentimentos estava ali, ainda, intocada: a infância. A pieguice da nostalgia! Mas é, justamente, isso que nos classifica como grupo hoje em dia. Isso que molda uma geração, que dá característica e, de certa forma, faz com que nos identifiquemos um com o outro.

Para a galera da criação, é de fundamental importância o retorno a essas referências para trazer de volta “velhos novos ares”. Criar identificação com o cliente, ou com o espectador, é fundamental para o sucesso do seu trabalho. Se você sabe com quem você está falando, se essa pessoa se identifica com a sua ideia, se essa pessoa se ver em você e gostar de você, na pior das hipóteses, você ganha um advogado para a sua marca.

Então, se você chegou no emprego novo, num escritório de advocacia, numa pequena grande empresa e ali você vê um cara de terno, grava alinhada e calça devidamente passada, ora, não tenha dúvida: Esse cara viu os mesmos desenhos que você. Esse cara fez cenário para os bonequinhos lutarem. Esse cara tentou memorizar os fatalities do Mortal Kombat e atirou o controle longe quando não conseguiu. Esse cara já ralou o joelho jogando boa. Ele já tocou a campainha e saiu correndo. Esse cara já teve medo do Brinquedo Assasino. Ele já riu do Geléia dos Caça Fantasmas. E, provavelmente, não perdia um episódio d’A Caverna do Dragão. E mais: não perdia só um episódio da TV Colosso.

Esse cara foi você ontem. Ele tá sendo um projeto daquilo que ele imaginou que gostaria de ser em um determinado período da vida dele.  Vai lá, dá um jóia pra ele. Bate um papo com ele.


Crônicas do Cotidiano , Music is Very Porreta // Coisas que Marcaram Minha Adolescência: Música/Clipes

Pois é, semana do rock, post repetido no dia e eu precisava realmente fazer algo novo e que prestasse de certa forma uma homenagem ao dia do rock. Você que gosta do estilo está cansado de saber quais são as maiores músicas de todos os tempos e tudo mais, então resolvi pular esse parte e fazer uma lista um pouco diferente para as comemorações. Depois do Coisas que marcaram minha infância (calma calma, a seção ainda tem muito post) eu apresento a vocês as Coisas que Marcaram Minha Adolescência. [Olha, eu sinceramente acho que já fiz um post nessa nova seção, mas eu esqueci, então estou fazendo de novo. Se eu não fiz, e estou maluco mesmo, me perdoe e esqueça esse comentário].

E o episódio de hoje são as músicas/clipes que marcaram a minha adolescência, e como eu presumo que você tenha mais ou menos a minha idade, acredito que esses clipes/músicas também marcaram a sua.

São épicos. Épicos. Muito mais pelos clipes do que pelas músicas e até pelas bandas. Víamos um zilhão de vezes, seja na MTV, seja naquele programa da Fernanda Lima, seja naquele da band que não me lembro – mas a apresentadora era gatinha -, seja pelos sensacionais dowloads super rápidos a 3kbytes por minuto. Baixar um clipe naquela época era o equivalente a parir uma criança. Mas nós amávamos isso.

Mesmo que não gostemos mais dessa ou daquela banda, mesmo que pensemos “caralho, como eu posso ter gostado disso?”, tenho certeza que você vai voltar uns 8, 10 ou 12 anos no tempo ao rever os clipes aí em baixo.

Aproveitem. E feliz semana/dia do rock. \m/

Antes que você reclame, tem muito clipe/música que não entrou porque OSFILHASDUMAPUTA das gravadoras não deixam embedar o vídeo, então eu troquei.

Blink 182 – Stay Together for the kids

Papa Rock – Between Angels and Insects

Linkin Park – In The End

SOAD – Aerial

Slipknot – Left Behind / Millencolin – Penguins and Polar Bears

Creed – My Sacrifice

Blink – All the Small Things

Nickelback – How You Remind me

Foo Fighters – Learning to Fly / Rage Against The Machine – Killing in the name of

Silverchair – Ana`s Song

Offspring – Pretty fly

Three Doors Down – Be Like That

Red Hot Chili Peppers – Californication

Bônus / Box Car Racer – There is Essa quem me conhece vai entender

***

1 – Eu defino essa “época” como aquela época em que lançaram American Pie.

2 – E foi foda demais.

3 – Fico com uma saudade da porra dessa época. A vida definitivamente era mais fácil.


Crônicas do Cotidiano // A boa sensação de reencontrar amigos

* Essa é uma história de ficção, e todos os personagens aqui descritos são ficcionais. Mas com certeza essa história – ou bem parecida – já aconteceu com alguém.

——————————————————————-

Revisitar a infância é algo realmente muito estranho. De vez em quando, tenho alguns insights que me fazem lembrar do quão pilantra eu fui na minha época de moleque. Todos os anos, eu e meus amigos do Ginásio nos reunímos para lembrar, comentar, rir e chorar de antigas histórias do saudoso Colégio Santo Agostinho.

O encontro do ano passado foi marcado para o dia 16 de outubro, no pátio e quadra do colégio. Lugar agradável, nostálgico e que, apesar das mudanças, tudo permanece igual. Boa sensação estranha em sobreviver ao tempo, mesmo que ele nos leve um pouco do corpo, nos traz muita sabedoria.

Porém, sabedoria me faltava na época de garoto, eu era arteiro, daqueles de sempre ser expulso da sala toda semana. O que fazer? Eu achava a escola um saco, um desperdício de energia decorar aquelas coisas. Chegava de manhã já pensando no recreio, e voltava do recreio já pensando na saída. Tem como aprender alguma coisa sem estar feliz? Já não basta na escola aprendermos a ter medo uns dos ouros, a nos compararmos e competirmos, ainda temos um ambiente frio, sem contato com a natureza e com a vida, onde a única salvação são os amigos que fizemos, e que tenho a sorte de revê-los até hoje, no auge dos meus 25 anos.

Contudo, caro leitor, vou deixá-lo por dentro desse dia tão maravilhoso, principalmente de uma lembrança que tive. Ao chegar no colégio, por volta das 8 da manhã, de cada encontrei Dig, grande amigo que não via há anos. Seu nome é Diego Hilário, e tivemos que reduzir para Dig pois seu nome é hilário,  não dá pra levar a sério. Dig também era um dos arteiros que me acompanhava em todas as merdas que fazíamos no colégio, e fora dele também.  Ele me mostrou que muita gente bacana já tinha chegado: Juninho, Bárbara, Cid, Cezão, Barba Azul (Pedro), Mocotó (Outro DIego), Mossoró (Alex) e muitos outros.

A frase que mais ouvíamos era “quanto teeeeeeeeeeeeempo!”. Principalmente da Bárbara, aquela amiga espalhafatosa que todos adoram, por seu jeito meigo e doce de ser. Dig fazia juz ao seu sobrenome, e logo tratava de lembrar de todas as mazelas da infância. Todos reunidos ali passamos bons momentos juntos, boa sensação estranha de voltar no tempo.

Papo vai, papo vem, e lembrei de um caso muito engraçado que tive com Dig, em sua casa, vou explicar: Eu e ele morávamos perto, algumas ruas de distância. Dig sempre dava um jeito, arranjava uma desculpa, de ir lá para casa depois do colégio. Era algum dever de casa que faríamos, ou jogávamos video-game e batíamos papo. Minha mãe, com seu bom coração, sempre oferecia: “Diego, quer almoçar aqui em casa?”. Ele respondia sem pestanejar: “Claro Tia, adoro sua comida!”. E assim seguia a vida.

Um dia reparei que nunca almocei na casa do Dig. Depois do colégio, dei um jeito de irmos até sua casa, provar os dotes culinários da mãe dele. Nitidamente ele não aprovou a ideia, mas Dig comeu tantas vezes lá em casa que ficou com vergonha de recusar.

Quando chegamos, Tia Sandra, mãe do Dig, já tinha feito a comida. Arroz, feijão, bife e purê de batata, “especialidade da casa”, disse Tia Sandra. Tratei de botar meu prato, e vi que Dig colocou apenas um bife no prato. Sentamos à mesa, esperamos a mãe do Dig se sentar e começamos a comer. Provei a primeira garfada, senti algo estranho. Um gosto diferente, peculiar, algum tempero fora do lugar. No alto dos meus 12 anos, eu era especialista em bife com purê. Idiota como sou, acabei dizendo: “Ahh! Dig! Agora está explicado porquê você come sempre lá em casa!”.

ku-medium

Tia Sandra me olhou atônita, não sabia como reagir. Nem eu sabia, só sabia que a merda que fiz era grande! Nunca vi Dig tão irritado, e não era pra menos. Ficamos em silêncio até o fim do almoço, me despedi e não sabia onde enfiar a cara.

Contei esse caso para os presentes na mesa. Bárbara deu aquela sua risada gostosa, Mocotó e Mossoró não acreditaram em mim, acho que só o Barba Azul me levou a sério. Não importa, Dig confirmou nossa história, e não aguentei e perguntei: “Dig, sua mãe aprendeu a cozinhar?”, ele respondeu: “Não sei cara, só volto pra almoçar em casa no Natal, e quando me certifico que foi minha vó que fez a comida!”.

Grande Dig, saudades dele.

.


Página 1 of 41234