Nerds Gonna Nerdar // Marvel Knights: Namor, As Profundezas

Voltando – finalmente – à quase esquecida seção de HQ`s aqui do blog. Nas próximas semanas vou postar reviews das Marvel Knights que eu já li. Foram elas: Namor, Homem-Aranha, Magneto, e mais uma ou duas que eu esqueci e quando estiver em casa (estou em Monlevade agora) eu venho aqui e corrijo.

Já tinha falado antes que apesar de ser um grande fã do Batman, eu sou Team Marvel. Não falo tanto pela diferença básica entre as duas grandes editoras, minha coleção (breve um link com a foto) diz por si só. Tenho, em uma proporção de 10:1, muito mais “revistinhas” Marvel que DC, e tenho que dizer que a série Marvel Knights vem me encantando. A cada nova edição eu sou obrigado a comprar (isso me lembra de comprar a do Magneto, que eu li no iPad), e gosto muito a cada edição que compro.

Bons roteiros, boas histórias, bons “reboots”. Entre aspas, porque a ideia do Marvel Knights é meio que pegar seus personagens mais famosos e recontar sua origem. Basicamente é isso. E funcionou muito bem até onde eu li. Talvez seja por causa da onda de filmes (principalmente da Marvel Studios, é óbvio), eu pessoalmente tenho certeza que é. MK do Homem-Aranha, teremos um reboot do Aranha nos cinemas. MK do Magneto, X-Men First Class está aí, além de várias outras. As graphic novels estão ganhando destaque, justamente por recontar a origem desse povo todo, ajudando o pessoal que não é muito fã de quadrinhos a conhecer um pouco dos personagens antes de ir para a sala escura.

A primeira vez que ouvi falar no Namor, foi ouvindo o MRG especial sobre as revistas Marvels, depois disso, ouvi lá mesmo no MRG a resenha dessa graphic novel aqui. A nota do Roberto foi tão alta que eu realmente fiquei empolgado (e olha, eu digo uma coisa que você pode confirmar com todo ouvinte do podcast, se a nota do Roberto foi alta, dificilmente você vai achar ruim). Comprei, em mais uma visita na melhor lugar para se comprar quadrinhos em BH, a Leitura da Savassi.

Esqueça completamente tudo o que você sabe sobre uma história em quadrinhos. Namor – As Profundezas é diferente de tudo que eu já li. Eu posso resumir a revista naquelas frases chavões que geralmente vemos em contracapas de livros: “Um dos melhores thrillers do ano, em quadrinhos”.

Imagine um filme de terror/suspense incrível. Que te mete medo – mas medo de verdade – do início ao fim. Agora imagine que esse filme é ambientado em um submarino, que tem a missão de encontrar, ou melhor, desmistificar o mito de Atlântida e de seu temível príncipe. Imagine que o filme tenha um roteiro incrível, que te faz comprar a ideia logo no início e que te prende a cada cena. Imagine ainda, que esse filme tem um ótimo diretor, um diretor de arte fantástico e um diretor de fotografia melhor ainda.

Agora imagine que ao invés de sentar em uma sala de cinema para ver esse filme você obteve o storyboard finalizado.

Pronto, você tem Namor, As Profundezas.

Os autores Peter Milligan (roteiro) e Esad Ribic (arte) fizeram um trabalho realmente memorável. Nunca vi uma revista assim, e acho que vou demorar a ver. A história é no mínimo corajosa porque o personagem principal de certa forma praticamente não aparece. Mas ele está lá do primeiro quadrinho ao último. Para você entender como isso é possível, leia a revista e comente aqui.

Eu queria muito, mas muito mesmo ver isso transformado em um filme. Logo no início, lembrei de um joguinho de PC, estilo Alone in The Dark, que se passava num submarino também, e que tinha um roteiro ultra sinistro. Se não me engano, tinha a ver com o impronunciável monstro Cthulu. Se alguém aí lembrar, agradeço imensamente.

Vale ainda ressaltar a maravilhosa edição que a Panini fez e vem fazendo de todas as Marvel Kights.

Comprem correndo.

Nota: 19

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Entendendo o sistema de notas do Crepúsculo.

A partir de agora, eu darei notas em todos os reviews que fizer. As notas vão de 1 a 5, essa porém é a classificação normal. Nesse caso as notas 1 e 2 são desempenhos péssimos, 3 é uma nota para algo bom e só bom. 4 e 5 para coisas ótimas, fantásticas.

A classificação diferenciada está nas notas Sem Nota e 19. Sem Nota é quando algo é tão ruim, tão tenebroso que eu nem sei porque estaria fazendo um review de algo tão ruim ou quando eu realmente não entendi e preciso de mais algum tempo para degustar. 19 significa algo épico, significa que você deve comprar original, ou melhor que você deve comprar tudo que tenha aquilo.

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1 – Eu tinha que começar com alguma coisa épica.

2 – Tem alguma coisa ruim na revista? Sim. Todos os personagens estão com o Rim ferrado.

3 – Não tenho nada para falar aqui, mas tenho que manter a tradição.


Crônicas do Cotidiano // Contos da Cripta: Carter’s Village Hotel

Seguinte, todos sabemos que o Crepúsculo tem uma longa história de promessas não cumpridas (da qual eu me orgulho de fazer parte), e uma delas é a coluna (sé é que pode ser chamada assim) Contos da Cripta. Como o Chefe havia prometido era pro troço (sim, Chefe, “troço”) sair semana sim, semana não, maaaas, como o senhor Turambar gosta de tradições, a coisa ficou no primeiro episódio mesmo e cabe à mim salvar a honra (em partes, claro) deste blog. Aprocheguem (não perguntem) aí!

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Quartos em hotéis antigos sempre o lembravam dos clássicos contos de terror que ouvia com seus amigos, no antigo clube abandonado – Passávamos horas naquela piscina velha… o vento fazendo barulhos que até mesmo o J.J. tremer de medo. Há uma vasta coleção de coisas que acontecem em hotéis e poucas delas são mais estranhas do que os rumores que rondavam o Carter’s Village Hotel: não são poucas as narrativas de corpos enforcados nos velhos lustres de cristal, bailes dignos da realeza acontecendo nas madrugadas e livros sendo folheados na ainda mais velha e empoeirada biblioteca.

Ele havia chego na cidade há pouco mais de uma semana, mas só se registrara no velho hotel havia algumas horas. Estava à procura de um certo Willian, que segundo o dono do bar próximo era gerente do hotel, que havia herdado nada menos que um relógio de bolso de família, que segundo a empregada da casa, tinha mais de 150 anos. Chegando no hotel, ele fora informado que o senhor Willian não era visto há mais de 3 dias, porém que esta era uma situação normal, uma vez que o gerende trancava-se para poder resolver os problemas financeiros que a má reputação do hotel causava há mais de 40 anos. O mais estranho é que todas as vezes que perguntava sobre o gerente, este não estava ou não sabiam de seu paradeiro.

– Asseguro-lhe, meu senhor, se o gerente continuar não me recebendo, voltarei para a capital, tendo entregue o relógio ou não!

– Mas senhor, o gerente estava aqui até o senhor entrar! Já procurei em seu escritório e mandei um recado para os seus aposentos, requisitando sua atenção, com urgência! Garanto-lhe que o senhor Willian responderá o mais rápido possível.

Nove dias e nada desse tal de Willian… não poderei ficar por muito mais tempo, tenho de voltar ao trabalho! Sendo onze da noite e sem sono algum, nada mais lhe sobrava a não ser preparar toda a papelada da herança. Após duas horas de trabalho faltava apenas entregar o maldito relógio e a assinatura do “muitíssimo pontual gerente”. Quem esse Willian pensa que é? Falarei algumas verdades para ele quando encontrar, tenho certeza disso! “Muitíssimo pontual” é?! Pois se ele não me receber até o meio dia, eu mesmo irei até os aposentos dele!

O sino da pequena igreja badalava pela quarta vez e o senhor, deitado em sua cama, ainda sem conseguir dormir, teve um sobressalto ao ouvir as batidas na porta de seu quarto. Sou eu, Willian, sei que ainda está acordado senhor. Estranhando a hora que o gerente escolheu para tratar de negócios, ele ficou desconfiado, mas já que estava com tudo pronto e não conseguia dormir, deixou o gerente entrar. Mesmo com o dossel de veludo ele pôde notar a figura alta e rechonchuda do gerente entrando e se sentando ao lado da cômoda. Abrindo o dossel e sentando-se os pés da cama, viu, pela primeira vez, a imagem abatida e preocupada do gerente.

– Desculpe-me pela demora, como já deve saber, o hotel está passando por sérios problemas financeiros e não sei se aguentaremos mais um ano… Mas não é isso que o traz aqui, fui informado de que recebi uma herança?

– Sim, é isso mesmo, mas devo lhe dizer que alguns cálculos e assinaturas podem esperar alguns momentos, considerando que estou aqui a trabalho e com pouquíssimo tempo de sobra!

– Sim, sim, estou ciente de que não fui respeitoso com o senhor, e em meu nome e do hotel, ofereço uma estadia completa para o senhor. Bem, creio que o senhor queira dormir, não? Então vamos resolver o assunto de uma vez…

– Muito bem – ele foi até sua bolsa de viagem e retirou os papéis nos quais trabalhara mais cedo – assine aqui e aqui. Assim que assinar, lhe entrego o relógio e parto pela manhã.

Foi com enorme surpresa que o senhor notou que o relógio havia desaparecido de sua bagagem, afinal, ele mesmo checara para ver se o relógio continuava em boas condições. O gerente, com um óbvio ar de desapontado – porém sem nenhum pingo de surpresa – concordou que ele deveria procurar o relógio, e pela manhã lhe entrar em mãos, em seu escritório. Acertado isso e alguns outros detalhes, o gerente deixou o único hóspede dos últimos meses pensativo, em seu quarto, até ele cair no sono.

Já eram dez da manhã e após intensa procura por todo o quarto, pela recepção do hotel e pelo bar, o relógio continuava desaparecido. É simplesmente impossível! O que direi à Willian?! Ninguém mexeu no relógio desde que cheguei aqui… a não ser eu mesmo, claro, mas por que eu roubaria um relógio de bolso velho? Já tenho o meu próprio! Sem muitas escolhas – e após procurar em mais lugares – ele decidiu subir ao escrito do gerente e lhe informar que o relógio havia evaporado o ar, que sentia muito pela perde e que iria ressarcir o gerente no valor do relógio.

Chegando ao escritório, bateu na porta de carvalho – Um belo trabalho de arte esse! Não se faz mais coisas como essa há muito tempo! – e não ouvindo uma resposta, resolveu entrar no escritório. Bastou apenas um olhar para que ele ficasse aterrorizado, sem poder se mover e nem mesmo gritar. Passados alguns minutos, ele vai e informa ao recepcionista que o gerente estava morto há dias, pendurado no velho lustre, bem como diziam os boatos.

A polícia fora chamada e para total perplexidade de todos, o relógio fora encontrado no bolso interno do gerente, marcando 12: 47 h, que segundo os oficiais, fora, com grande certeza, a hora da morte do gerente, há cerca de três dias atrás. Além do relógio, de seu lenço e de uma caneta, fora encontrado no bolso do gerente um recado, que está indexado no relatório da polícia sobre a morte de Willian Carter:

“Creio que devo explicações à todos. Aos meus funcionários e à minha família, meus mais sinceros pedidos de perdão por não conseguir fazer deste o hotel que fora um dia. Aos meus amigos, meus agradecimentos, por fazerem todos esses anos valerem à pena, tanto nos bons quantos nos maus momentos. E finalmente, meus agradecimentos ao senhor George Alvin, que há duas semanas atrás me presenteou com o relógio que fora de meu bisavô.”

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1 – Pensem aí.

2 – Escrevi isso com portas e janelas fechadas e com a luz acessa. Sério.

3 – Repito as palavras do Chefe: “Como esse é o primeiro conto peço um pouco de paciência. Prometo que vou melhorar com o tempo. Espero que gostem.”

4 – Se vocês forem filhos da puta, como eu, avisem seu chefe que você é um filho da puta, assim ele não tem razão em reclamar quando você o provoca.


Sociedade Alternativa // Contos da Cripta: Desespero

Como prometido em!

Antes do horário previsto… só porque é o primeiro.

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Quando Jonas olhou para a pilha de pastas em sua mesa, soube que ainda teria mais umas duas horas de trabalho antes de poder finalmente ir para casa e dormir por um curto período antes de voltar para o escritório. Não que ir para “casa” era algo que realmente valia como um prêmio para ele. Morava em um quarto de hotel de quinta no centro da cidade, quarto que ele carinhosamente chamava de O Cu do Mundo. Não era nada reconfortante pensar que depois de mais de 18 horas seguidas de trabalho – pelo terceiro dia consecutivo – ele teria que voltar a aquele antro para tentar dormir em meio ao cheiro de mofo e mijo impregnado nas paredes do hotel.

Mas Jonas sabia, que tudo isso, a vida de merda que ele levava e o sofrimento de 3 anos, ele finalmente tinha a chance de conseguir a promoção que sempre sonhou e que sempre mereceu. Desde que entrou na empresa, com 23 anos, ele sempre fora um funcionário exemplar, errava pouco e fazia o trabalho dele e consertava o trabalho de outros. Como acontece com todas as raras pessoas que são como Jonas, ele jamais recebia o reconhecimento que deveria. Até que esse último projeto apareceu e conseguiu assumir toda a responsabilidade por ele. Na verdade, ficou com ele pois ninguém mais tinha a coragem de assumir o projeto, que era um risco para a empresa, mas que se funcionasse, renderia um contrato tão grande que o diretor geral disse a ele que ele se tornaria Diretor de Projetos no mesmo dia.

Tudo valia a pena, tudo. Era o sonho de todo mundo que ele conhecera, ter a chance de se por a prova, ter a chance de crescer por méritos próprios e começar a ganhar um salário maior que a maioria dos colegas juntos. Era a chance da sua vida.
Já passava da meia-noite e não havia ninguém na empresa, a única luz era a do monitor e do pequeno abajur da Baia 38, o lugar que Jonas carinhosamente chamava de Casa. Ele parou por um minuto, se esticou na sua cadeira e decidiu que poderia fazer um pouco mais de café e fumar um cigarro no banheiro do almoxarifado. Ninguém usava o banheiro do almoxarifado desde que Carlos Lacerda praticamente o destruiu, passando a ser chamado pelos queridos colegas de Carlos La Merda depois do ocorrido.

Quando Jonas estava no meio do caminho da cozinha, uma coisa muito estranha ocorreu. No início, ele não entendeu o que estava acontecendo, até que todas as telas dos mais de 120 computadores de repente acenderam ao mesmo tempo. O andar, que estava praticamente sem luz alguma, ficou completamente iluminado com uma luz azul. Alguns fones ligados nos computadores fizeram ressoas o som das centenas de Windows sendo iniciados. Jonas olhava sem acreditar e com uma sensação muito forte de que algo estaria muito errado que fazia com que ele sequer respirasse um pouco mais fundo.

Depois do que pareceu a ele duas horas, ele conseguiu se mover – lentamente – em direção a cozinha. Conseguiu de alguma forma colocar a máquina do café para fazer a mistura fraca que eles diziam ser café. Jonas não podia de forma alguma pensar que aquilo devia ser o cansaço e que todos os computadores da empresa simplesmente não ligaram enquanto ele ia para a cozinha. A luz intensa dos monitores brilhavam de tal forma que ele nem precisou acender a luz da cozinha. Na verdade, ele tinha certeza que ficaria extremamente apavorado se tentasse o interruptor e a luz não acendesse que decidiu que não precisava de mais uma dose de tensão.

No caminho de volta, com a garrafinha cheia e uma xícara de café quente e ralo nas mãos, Jonas ainda andava devagar, com medo não sabia ao certo de que, mas tinha a impressão que se andasse rápido ele provavelmente correria para outro estado. Ele não conseguiu depois se lembrar direito, mas mais ou menos no mesmo ponto em que estava quando os computadores ligaram, todos sem exceção desligaram ao mesmo tempo.

Jonas permaneceu imóvel. De certo modo, assim que os computadores ligaram, ele teve a sensação que todos desligariam assim que estivesse a caminho de sua mesa. Isso não pegou Jonas de surpresa, por mais bizarro que pudesse parecer. Não se preocupou com o trabalho inacabado. Havia salvo os arquivos antes de se levantar. O que realmente pegou ele de surpresa e o deixou tremendo tanto que ele duvidou que conseguiria segurar a garrafa e a xícara por muito tempo, foram os passos pesados que ele escutou em pelo menos 3 pontos do escritório.

Um dos passos foi logo atrás dele, e pela respiração pesada que ele ouviu em algum ponto acima do seu ombro esquerdo ele duvidou que o que quer que fosse que estava atrás dele, fosse humano. E o pior, tinha certeza que não era pequeno. E exalava podridão, sangue e morte.

O suor descia profusamente da testa e metade do café que havia na xícara estava nas suas roupas e no chão. A “criatura” que estava atrás dele apesar de poder fazer isso, não o estava atacando, apenas sentindo o seu cheiro. E Jonas sabia qual cheiro ele exalava fortemente naquele momento: puro e claro medo. Ele não sabia como, mas nem das janelas ele via qualquer luz, seja das estrelas ou dos postes. Ele se sentia dentro de uma caverna, ou em uma tumba, pensamento que ele rapidamente tirou da cabeça.

Sem perceber deixou a xícara se espatifar no chão. A luz de repente começou a voltar e em segundos o escritório estava da mesma forma como quando ele se levantara para fazer café. Jonas ainda segurava a garrafa térmica, mas a xícara estava em pedaços e havia café para todo lado. Suas roupas, já amareladas pelo intenso uso e pelo suor de cada dia, estavam grudadas no corpo. Ele tremia da cabeça aos pés.

Quando Jonas percebeu, ele estava de novo sentado na sua mesa, não conseguia pensar, simplesmente nenhum pensamento passava por sua cabeça. Tinha uma vaga lembrança do que estava fazendo ali na empresa até àquela hora, e não tinha nenhuma ideia sobre o que tinha acontecido momentos antes.
Jonas ficou ali parado por horas sem se mover, pelo menos pareceu a ele uma eternidade. Até começar a se mexer novamente. Foi ficando mais calmo, e voltou pegar os papéis e foi com o mouse até a pasta do projeto em que estava trabalhando no computador, tudo o que acontecera já parecia um sonho distante em sua mente. Até o momento em que ao abrir a pasta de arquivos, Jonas viu que a pasta estava vazia. Tudo que estava trabalhando havia semanas e intensamente nos últimos dias, se perdera.

Jonas perdeu o ar, procurou loucamente pelos arquivos. Nada, nenhum registro. Usou os programas que ele tinha para recuperação de arquivos deletados e nada. O computador estava dizendo a ele que aqueles arquivos nunca estiveram ali.

Jonas tremia, não de medo, mas de ódio.

Começou a gritar furiosamente. Seu mundo e sua mente se despedaçavam.

Virou sua mesa, e com o teclado destruiu completamente o seu computador. Levantou-se e foi em direção a porta para ir embora, ele sabia que se ficasse ali mais um minuto iria dar um jeito de explodir todo o andar.

Assim que colocou a mão na maçaneta, tudo ficou escuro novamente. O medo voltou como um soco no estômago e Jonas mal conseguiu se manter em pé. Tudo que ele pensava era, Me matem de uma vez! Por favor, me matem acabem logo com isso.

Ele conseguiu abrir a porta, saiu rápido para o corredor e foi direto para as escadas. Nem por um momento passou pela cabeça dele entrar no elevador. Jonas entrou e começou a descer as escadas. A empresa ficava no 8º andar e rapidamente ele chegaria à portaria do prédio. Prometeu a si mesmo nunca mais pisar naquele lugar.

Enquanto descia a razão começava a voltar e Jonas percebia que estava mais perdido que nunca. O certo seria voltar no outro dia e dizer o que tinha acontecido, tinham que acreditar nele. O que é que eu estou pensando? Nem eu mesmo acredito, eu nem mesmo sei o que aconteceu. Jonas então olhou para a placa na porta abaixo da escada: 3º Andar. Só mais um pouco, pensou ele.

Após descer mais três lances de escada Jonas nem olhou para a placa. Tentou abrir a porta, mas ela estava trancada, olhou para cima, mas seus olhos não acreditaram no que viram: 7º Andar.

Jonas foi se afastando da porta, olhou para baixo, no parapeito e depois para cima. Não viu nem fundo, nem fim. Desesperado, desceu pulando os lances de escada pelo menos 10 andares, olhou para a porta: 5º Andar. O peito subia e descia enquanto ele tentava respirar.

Subiu.

Chegou ao 8º Andar e girou a maçaneta. A porta estava trancada.

Gritou, desesperadamente e começou a chorar de desespero. O que estava acontecendo? Por que aquilo estava acontecendo com ele? Por que? O que significava aquilo? Pelo que exatamente estava sendo punido?

A essas perguntas, Jonas nunca conseguiu respostas.

A única coisa que ele conseguiu, foi parar com as perguntas. Ele conseguira, depois de muito esforço, rachar sua cabeça ao meio de tanto batê-la contra a porta do 8º Andar.

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1 – Como esse é o primeiro conto peço um pouco de paciência. Prometo que vou melhorar com o tempo. Espero que gostem.

2 – Já tenho algumas histórias na cabeça para pelo menos 4 posts do Contos da Cripta, o que é bom, já que isso quer dizer 8 semanas sem me preocupar com o conteúdo dessa coluna. Se eu me empolgar, posso transformar isso em semanal, mas acho difícil.

3 – Olha, não sei vocês, mas eu piraria foda se isso acontecesse comigo.