Coisas que Marcaram Minha Adolescência: Hard Rock


É com um prazer quase sexual que inicio esse que com certeza será uma seção de sucesso, Coisas Que Marcaram Minha Adolescência não vem para substituir a já conhecida Coisas Que Marcaram Minha Infância, vem para complementar e para que quando eu estiver morrendo a seção se torne Coisas Que Marcaram a Minha Vida. De qualquer forma, esse não era o post inicial da seção, mas tive que mudar os planos depois de ontem.

Take me down to the Paradise City 

Where the grass is green and the girls are pretty

Ontem meu caro leitor, ou minha cara leitora, eu assisti ao melhor show da minha vida. E olha que eu já fui em um bocado de shows. Ontem eu vi dois Deuses da minha adolescência em ação. Sim, realizei um sonho antigo e me senti por 3 horas um moleque de 16 anos que queria explodir o mundo.

Ontem eu vi Sebastian Bach cantando 18 and Life.

Ontem eu vi Axl Rose tocando piano e cantando November Rain.

Ontem eu fui um adolescente. Ontem eu vivi algo que estará para sempre gravado na minha memória.

Ontem, FOI FODA!

Qual a característica essencial e obrigatória em todo adolescente? Não sei você, mas eu tenho quase certeza de que é o fanatismo. Fanatismo louco mesmo, cego, xiita e absurdamente louco. Um adolescente não gosta ou desgosta de alguma coisa, um adolescente é FANÁTICOLOUCOMALUCOPUTAQUEOPARIU com alguma coisa ou ele odeia da forma mais agressiva. 8 ou 80 é a maior marca de um adolescente.

Eu – e todos que passaram por essa fase – tinha um problema sério em relação a música, erámos fanáticos demais. O que era bom era foda e o que era ruim merecia um rage instantâneo, com a boca espumando. Isso é claro com quem gostava do bom e velho Rock N` Roll, nunca ouvi sobre ninguém fanático com… sei lá.. Exaltasamba na época de adolescente. Eu era assim, e amava Hard Rock. O vocalista geralmente era aquele cara que você sempre sonhou ser – bonito, comedor e rockstar – e o guitarrista fazia aqueles riffs que você ficava alucinado, além de quê uma Gibson Les Paul deixa qualquer um bonito.

Ontem eu presenciei, como já disse, dois Deuses do Hard Rock. O primeiro deles, Sebastian Bach.

*ok, eu também acho o Sebastian Bach uma menina. Mas é uma menina foda.

Um amigo até me contou uma história engraçada sobre ele, disse que quando tinha uns 11 anos de idade, entrou no quarto da prima, viu um poster do Skid Row e disse: “Nó, que minina gata!”

Parando com a zuação, vamos ao show.

Eu e meu velho companheiro de shows, bebedeiras e fossa @caioabbath fomos de carro até o Mineirinho para começar toda a via sacra que é ir a um show de rock: Cerveja, sanduíche de pernil, cerveja, um ou outro conhecido, amigos, cerveja, falar mal do som no Mineirinho, cerveja, fila, cerveja e entrada. Felizes da vida, entramos na arquibancada e fomos até o meio, pegar o palco de frente.

Foi o destino que fez com que entrássemos 5 minutos antes de começar o show do Sebastian, ficamos por ali mesmo. Sim, o som estava uma merda, mas de qualquer forma, ele estava tocando as músicas da carreira solo que sinto muito Sr. Bach eu não estava nem um pouco interessado, queria ser adolescente.

O show foi mais ou menos assim: não-sei, não-quero-saber, tão-tá-bom, tá-legal, já-pode-tocar-uma-clássica-em, 18 and Life, whatever, In a Darked Room (pra mim a música ícone do Hard Rock, que refrão meu deus, que refrão!), sei-lá, beleza, Monkey and Business, Essa-Eu-Não-Lembro-O-Nome-mas-Era-do-Skid, qualquer uma, I Remember You. Eu costumo dizer que para um show ser perfeito você é obrigado a sair dele e dizer que faltou pelo menos uma música. Faltou Wasted Time.

Mas Pedro, teve um tanto de música que você nem conhece, o som tava ruim e mesmo assim o show foi perfeito? WTF?

Olha, as músicas whatever dele, eu usei para conversar, beber, tirar foto, beber, e principalmente curtir o momento. Além é claro de reparar que mesmo com quase 42 anos, continua praticamente com a mesma aparência dos bons tempos. E o cara, além de ser um puta vocalista, é simpático pra caramba, uma presença de palco ABSURDA, e sabe fazer um show de abertura como ninguém. Sempre empolgando a galera falando do Guns que viria logo em seguida.

Foi fantástico.

Olha, eu achei tão bom, mas tão bom o show, que realmente acreditei que sairia de lá falando que o show de abertura foi melhor que o show principal. Aqui eu devo falar, que o palco, apesar de ter três decks e tal, acabava no paninho característicos de shows merdas em BH. Achei que o Guns seria assim também… uns paninhos ali e nada mais.

E assim como fez com um bando de críticos e com um BANDO de gente que deu de blasé, dizendo que não ia porque era fim de carreira, que o Mineirinho é merda demais (é bem merda mesmo), que o Axl não consegue mais cantar e blá blá blá. Axl Rose chutou bundas no Mineirinho. Axl Rose chutou muitas bundas cara.

NINGUÉM! MAS NINGUÉM esperava aquilo.

Ninguém esperava um palco completo com tudo, mas TUDO, que o bom e velho Hard Rock tem direito; viadagens mil, escadinhas, telonas, fogo subindo, fogo descendo, e claro, explosões… MUITAS explosões. Maluco, imagina um lugar todo fechado e um monte de bomba estourando lá, pois era assim que a gente se sentia quando explodia a parada. Falando em telões, amigo… sério, NUNCA NA MINHA VIDA eu tinha visto show com telões como aqueles. Imagem em HD, imagem ABSURDA, tomadas de gravação de DVD, parada profissional.

Foi um show de gente grande. Foi um show de uma “banda” de proporções inacreditáveis. Acho que pela primeira vez, eu realmente posso dizer que vi um show que tranquilamente eu veria sentado na minha sala com um Blu-Ray, no quesito de imagens, produção e tal. Talvez a galera teria que acertar algumas coisas no som. Mas de qualquer modo, foi uma sucessão incrível de explosão de cabeça. E fiquei assim, por saber que nem todas as bandas trazem a produção toda para alguns países, e menos bandas ainda fazem isso em Belo Horizonte.

O show do Guns N`Roses ontem foi ÉPICO.

Obviamente, Titio Axl não ia deixar barato e nos fez pagar um preço caríssimo por tudo isso e nem foi o preço salgado do ingresso. Foram as músicas do CD novo, Chinese Democracy, (CD que eu fiz um review favorável, guardadas as devidas proporções)o preço alto a se pagar e de quebra Titio Axl nos fez engolir seus 89 guitarristas fazendo cada um seu solo. Em alguns momentos eu realmente achei que ele ia perder o público. Mas ele é o Axl Rose né amigo.

E depois de entrar com a música Chinese Democracy ele já me fez ficar surdo por causa dos gritos enlouquecidos de todo mundo somente dizendo as palavras mágicas da introdução de Welcome to The Jungle. Aquele grito de que eu estava na selva, e de que eu iria morrer, ecoou na minha cabeça por anos e anos, e eu estava ali ouvindo aquele cara gritar do mesmo jeito na minha frente. Eu só não chorei porque estava ocupado demais berrando a letra da música e fazendo aquela dancinha by Axl.

Pelo menos, os solos intermináveis dos guitarristas – eu entendi o recado Tio Axl, você tem 3 ótimos guitarristas, que fazem e acontecem, tocam absurdamente bem, mas juntos estão longe de representar e de ser o que o Slash é – e as músicas do CD novo – em que Titio Axl se esforçava como um maluco e fazia de tudo para nos fazer acreditar ou até mesmo para ele próprio acreditar que eram demais – serviram para eu descansar.

Tirando isso, teve tudo o que temos direito. Menos é claro, a famosa música que falta, que nesse caso para mim foram duas; Estranged e Patience. Eu sei que eu liguei pra Deus e o mundo, acabei com meus créditos ligando pra Naya e gravando 3 minutos de November Rain que eu admito, fiquei com olhos marejados. Teve apitinho em Paradise City, música que fechou o espetáculo, com chuva de papel picado, fogo, explosão pra caralho, mais fogo e gritos. Teve Batendo na Porta do Céu, com Tio Axl conversando com a galera dizendo que estava de ressaca e que life is good.

Olha, foi lindo. Apesar das críticas que fiz, foi o melhor show que vi na vida.

E lembrando dos shows que eu fui, eu sou tão forte com o tal do Murphy, que os dois melhores shows que fui na vida, foram exatamente no maldito Mineirinho: Silverchair e Guns N`Roses.

***

1 – Hoje foi um dia tenso. Muito tenso.

2 – Dois posts em 4 dias. Tô demais em?

3 – Tem que ter um número 3.

Pedro Turambar

Já fui de um tudo nesta vida, mas há uma coisa que nunca deixei de ser: escritor. Escrevo para viver e manter minha sanidade em um mundo tão louco. Sou uma mistura de palavras, lágrimas e reclamações.

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5 Comentários

  • Liliana
    20/03/2010 at 15:56

    eu tenho 14 anos e minha bandA preferida é Guns mas na versão original é claro
    eu venero os Krs moro em itajai SC queria ir no show de porto alegre (mais é obvio q eu ñ fui eu tenho 14 anos, uma mãe pra me proibi, e nenhuma grana pra paga o ingresso)
    mas td bem a gente supera

    na real quando comecei a ler o post fiquei meio deprimida pq n iria no show

    mas kr n da pra n fika empolgada so de ouvir falar do Axl

    foi perfeito ler que o show foi épico

    mais o mehor foi ”Eu só não chorei porque estava ocupado demais berrando a letra da música e fazendo aquela dancinha by Axl”

    meu cara vc deixou meu dia mais feliz

    • richard fortus
      03/09/2010 at 09:56

      Verdade o guns n roses era bom com a formação original ,mas o eterno guns é axl

  • Nathalia
    12/03/2010 at 14:23

    Poxa… Guns’n Roses foi a minha banda preferida dos 10 aos 14! Um Hard Rock fodido com o “Titio Axl” (gostei)cantando, coisa que todos roqueiros criticam, porém não dispensam. E mesmo o Guns com apenas um integrante da formação original e, este estar velho, caído, derrotado… HEHE é com certeza a MELHOR banda da minha adolescência!
    Sorte de quem o viu e poderá ver, pois esta pode ser a última oportunidade, que claro, não irei aproveitar. =/

  • Bernardo
    12/03/2010 at 13:51

    caralho, só me deixa mais excitado pra ver eles aqui no Rio, na Apoteose. O show de abertura que eu não sabia que seria do Bach. só fica melhor, cara. *-*

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Gosto de escrever, reclamar e não tenho controle sobre chorar. Escrevo há 10 anos sobre a loucura de viver em sociedade, futebol e falo bem e mal das coisas que leio, vejo e ouço.

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