Você consegue ver o coringa voador?


[Nota do Autor]

Você precisa saber algumas coisas antes de começar a ler o segundo capítulo da história do Coringa e do Ladrão. Sim, segundo. O primeiro capítulo você pode ler aqui. Eu sempre ouvi a música All Along The Watchtower pensando na história da letra, quem eram aqueles caras? Onde eles estavam? Bem, eu tentei responder. Depois disso, pensei que poderia usar a música Joker And The Thief do Wolfmother para continuar a história de Joe. 

A continuação é o que você lê abaixo.

[vc_wtr_divider type=”dots” divider_align=”center” height=”1″ width_p=”100″ width_q=”40″ color_line=”#e5e5e5″ color_element=”#a3a3a3″ color_icon=”#000000″ el_class=”” animate=”none” delay=”0″]

Leia ouvindo:

.

– Eu disse que o Coringa é um homem procurado…

– Você repete isso toda hora, não é?

– Você teima em não me escutar…

– Ele é escorregadio, safo… deve ter aprendido isso com o amigo que fez no ataque à Torre.

– Foi uma fuga. Você não sabe nada sobre eles…

– Então por que não me conta de uma vez por todas?

O ladrão da noite, disfarçado, puxou forte o charuto que trazia na boca e soltou uma grossa fumaça azul na saleta do detetive. “Ele encontra o seu caminho através da terra, quase como um Xamã… Pois bem, meu caro, vou lhe contar a história do Coringa e do Ladrão da Noite”

.

O ladrão mal podia acreditar naquilo. Estavam em um balão, pilotado pelo coringa e dado de presente pela estranha figura (O Vagabundo) acompanhada pelo lince cinzento gigantesco que se banqueteou com os “malditos engravatados” e suas mulheres. Joe parecia apenas estar seguindo um roteiro planejado há muito na sua jovem mente. Sempre rindo no meio do poder, sempre vivendo na hora final. “Há sempre doce no azedo” pensei em dizer para ele, mas mudei de ideia quando ele deu uma guinada na direção.

Não estávamos indo para casa.

Joe olhava para a Torre, que ainda parecia pulsar na cor púrpura brilhante. Ele gritava para ela: “Você pode ver o coringa sobrevoando? Hein, querida?”. A Torre, se respondia, fazia isso só para o Coringa, que se divertia. Ela, como um gigantesco monólito negro descansado num campo de trevo, apenas observava calmamente, assim como eu.

Gostaria de saber o que aconteceria se ele a levasse embora.

Pensando bem, melhor não saber.

Joe se virou para mim e disse:

– Prepare-se agora! O que você vê bem, você pode não saber, mas a realidade se desfaz. O que é real? O que é ilusão? Cuidado, meu velho e bom ladrão! Cuidado!

– Cuidado com o quê?

Assim que termino de perguntar, a Torre explode em brilho púrpura, cegando e matando todos que estavam lá embaixo. A sensação após ser atingido por aquela luz foi de extrema compreensão. Não só desse mundo e dessa realidade. Mas de todas. Vomitei. A compreensão do universo pode ser grande demais para um homem quase comum.

No campo de trevos, apenas o Vagabundo se mexia.

.

Ó, sim, senhor Detetive. Vou lhe contar TODA a história do coringa e o ladrão da noite.

.

Eu estava agora aos pés da Torre, com o detetive, que ainda tentava entender o que acontecia à sua volta. O que havia sobrado dos corpos dilacerados estava vivo, pedaços reanimados pela força vital da Torre. Todos erguiam os olhos ou as órbitas na direção da luz. A besta selvagem ainda estava à espreita, à procura. Quando o detetive se recuperara do enjoo, eu sussurrei em seu ouvindo: “Não, nós não vamos para casa.”

Eu conseguia sentir o cheiro do medo dele.

– Consegue ver o coringa nos sobrevoando? – perguntei apontando para o balão que rodeava a Torre.

– O que está acontecendo? Por que me trouxe aqui? O que significa isso!?

A Torre só nos observa, não faz mais nada, todos apenas observam enquanto ela descansa no campo de rosas.

– Gostaria de saber o que aconteceria se ele a levasse embora?

– Eu… eu não sei. Você disse que ele é um homem procurado…

– Isso! Mas disse que ele encontra o seu caminho através da terra.

– Mas ele não está em terra… ele está no ar!
Será que o detetive estava começando a entender?

– Ele não quer encontrar um caminho, Sr. Detetive. E infelizmente, o seu termina aqui. – fiz o que o curinga havia me dito. “Corte a areia.”

Todos aqueles seres que olhavam em transe para a Torre se viraram para nós. Inimigos.

Num piscar de olhos eu estava de volta ao balão, e o pobre do detetive lá embaixo, só e entregue à morte. Entregue ao sacrifício púrpura. Entregue à Deusa e à Torre.

Eu só conseguia repetir para ele “Você pediu, e eu disse que contaria toda a história do curinga e do ladrão da noite…”

Assine a minha newsletter aqui e receba artigos todo domingo de manhã. :D

Esse texto faz parte do meu livro, Crônicas do Cotidiano:

LIVRO

You may also like

Aprovahlla

Visitas

LEAVE A COMMENT

Quem?

Pedro Turambar

Pedro Turambar

Gosto de escrever, reclamar e não tenho controle sobre chorar. Escrevo há 10 anos sobre a loucura de viver em sociedade, futebol e falo bem e mal das coisas que leio, vejo e ouço.

Newsletter - ¡Desmotive-se!

Fanpage

Mais

Arquivos