Você nunca será dono de ninguém


Eu acho doidera quando escuto um “eu nunca deixaria a minha mulher fazer…”. As pessoas realmente acreditam que elas são donas de outras pessoas. Pais criam regras para seus filhos viveram sob sua muitas vezes cega mini ditadura, “pra viver na minha casa tem que viver sob minhas regras.” Casais (homens principalmente) se colocam e estabelecem tantas regrinhas que o que resta é viver algo que é tão mentiroso que é fadado ao fracasso. Chefes e donos de empresas se acham tão donos das almas de seus funcionários que são no mundo de hoje verdadeiros feitores e senhores de escravos.

Cara, na boa… você não é dono de ninguém. E enquanto você acreditar que é, você será um frustrado que morrerá velho, sozinho e esquecido. E isso não é nada mais do que você merece.

A Ingrid é a mulher que eu amo. Ela não é minha muié. E eu não sou dono dela, eu amo ela por tudo que ela é, da forma que eu a conheci. Se eu quiser moldar ela do jeito que eu acho que ela deveria ser, ela seria outra pessoa. Uma pessoa pela qual eu não meu apaixonei. Não faz o MENOR sentido alguém querer fazer isso.

Tem gente que se sente no direito de fazer isso “porque ela é minha namorada”.  Eu pergunto, MAS QUE PORRA ISSO DEVERIA SIGNIFICAR? Eu estou num relacionamento com uma pessoa, então eu tenho total direito de controlar a forma como ela deve viver a vida.

Oi?

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É isso mesmo que as pessoas acreditam? Porque mais uma vez, isso não faz o menor sentido. Assim com pra mim não tem a menor lógica a pessoa justificar a tortura dos filhos porque “eu sou o pai e eu sei o que é melhor pra eles”. Veja bem, não estou falando sobre seu filho não querer tomar um xarope porque tem gosto ruim, enfia ssaporra goela abaixo.

Estou falando sobre decidir qual corte de cabelo seus filhos pode ou não fazer aos 14, 15 anos. Porque você se preocupa tanto com isso? Quem fica ridículo de moicano é ele, não você. E se sua filha quer raspar metade do cabelo, o que tem demais?

Por que tantos pais se importam tanto com cortes de cabelo, cores de cabelo, piercings e tatuagens dos filhos? Talvez porque os pais deles não deram essa liberdade, desencadeando então o “se eu que sou dono da porra toda não pude, eles também não podem”. Ou porque ele fizeram e se sentiram meio ridículos e não querem que os filhos passem pelas mesmas coisas.

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Mas ei, seus filhos vão se foder grandão. Talvez não da mesma forma como você, mas a redoma que você (e eu mesmo quando tiver os meus) colocar ao redor deles vai quebrar. Faz parte da vida. Errar para aprender. Ao tentar proteger seus filhos das merdas da vida, vai só afastá-los de você.

Por fim, o último exemplo da pessoa que se acha dona de outra é o senhor de escravo moderno conhecido como “chefe”. Só eu acho a frase “Se você não fizer o que eu estou mandando eu te demito.”, assustadoramente parecida com a frase “Se você não fizer o que eu estou mandando você vai para o tronco.”?

Quantas vezes você já ouviu isso? Quantas vezes você teve medo disso e teve que atender ligação do chefe no fim de semana, ou teve que fazer uma pá de coisas que não está na sua descrição de trabalho para ~agradar o chefe~? E ai de mim se não atender meu chefe no domingo à noite!

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Quando um escravo consegue fugir, ou melhor, quando uma pessoa enfim não aguenta mais ser tratado como um escravo que deveria agradecer aos céus todos os dias por estar empregado, pede demissão, ele é “um mal agradecido do caralho”. Mal agradecido porque afinal o Chefe, essa alma boa e imaculada deu oportunidade, ensinou tudo que ele sabe, “ele não era ninguém quando veio trabalhar aqui.” Diz o Chefe.

O pior é escutar o argumento de que para ‘subir’ você tem que ralar mesmo. Tem que comer o pão que o diabo amassou “porque é assim que é”. Eu costumo mandar à merda quem usa esse argumento. Mas esse sou eu, você pode ignorar e riscar essa pessoa da sua vida.

O poder corrompe. O poder absoluto corrompe absolutamente. (Dizem que essa frase é do Tolkien)

Eu consigo entender que o Homem em uma relação, um Pai numa família e um Chefe (e sim, o fato de todos eles serem homens mesmo não é mera coincidência), na posição de poder em que se encontram – ou acham que se encontram – deixe que esse poder lhe corrompa. Afinal, eles fazem isso para o “nosso bem”.

E nada faz mais bem para essas figuras que o “nosso bem”.

Pedro Turambar

Já fui de um tudo nesta vida, mas há uma coisa que nunca deixei de ser: escritor. Escrevo para viver e manter minha sanidade em um mundo tão louco. Sou uma mistura de palavras, lágrimas e reclamações.

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7 Comentários

  • Renan
    03/12/2013 at 21:33

    “Eu acho doidera quando escuto um ‘eu nunca deixaria a minha mulher fazer…’.
    Se você não destacasse a palavra “mulher” eu interpretaria esse comentário de outra forma. Mas do jeito que você fez deu a entender que o problema é o homem chamar a mulher de “minha”. Bem, isso não está errado. “Mulher”, além de significar humano do sexo feminino, também significa o feminino de “marido”. Neste caso, “minha” é apenas uma referência, o “de quem” a pessoa é esposa, e não uma indicação de posse. É igualmente certo falar “meu marido”. Seria mais cuidadoso da sua parte criticar a frase pelo trecho “eu nunca deixaria…”.

    “Estou falando sobre decidir qual corte de cabelo seus filhos pode ou não fazer aos 14, 15 anos. Porque você se preocupa tanto com isso?”
    Educação, meu caro! Os pais têm a OBRIGAÇÃO de educar os filhos. E eles devem ser capazes de julgar o comportamento do filho como sendo uma besteirinha irrelevante, uma demonstração de revolta, uma experimentação, um modismo, entre outras possibilidades, para que o filho não se desvie de uma conduta mínima capaz de fazê-lo uma pessoa equilibrada, honesta e feliz. Tudo depende, é claro, de uma avaliação da situação.

    “O pior é escutar o argumento de que para ‘subir’ você tem que ralar mesmo.”
    Bem, para a maioria das pessoas, é. Só tenha cuidado com as definições arbitrárias da palavra “subir”, que variam muito, o que faz com que essa frase tenha significados diferentes para pessoas diferentes, significados geralmente baseados nos sonhos e anseios de cada um.

    E, sobre o chefe, você tem uma visão muito limitada da situação. Realmente existem casos de chefes que exploram seus funcionários com tarefas que não dizem respeito à sua posição, e muitas das vezes por meios psicológicos, mas a realidade é que o patrão é o responsável pelo investimento e pelo andamento do negócio. Se o funcionário fizer besteira, é o patrão que se responsabiliza. O dono da empresa é quem criou aquilo tudo! (ou comprou, herdou, etc…) Ele coordena o funcionamento da máquina produtiva para que ninguém perca seu tempo ou recursos inutilmente. O funcionário sensato precisa ser a empresa a partir da sua posição, e não simplesmente “exigir direitos”, ganhar aumentos, “ser respeitado” (do jeito que ele quer, seja lá qual for).

    • Pedro Américo
      06/12/2013 at 01:41

      Eu não destaquei a palavra mulher, destaquei “minha”. No caso, não há problema no dizer isso, mas em COMO é dito. Entende a diferença entre “está aqui é minha esposa, fulana” e “mulher minha nunca vai sair assim”? Foi isso que eu quis dizer. Mais uma vez, você interpretou as coisas de forma muito literal.

      Educar na minha visão é muito diferente de controlar. Pra mim educar é ensinar que eles devem ser responsáveis por suas ações, e não proibir porque eu acho certo ‘estilo’ ridículo.

      Você diz que eu tenho que tomar cuidado com o emprego das palavras, e eu digo que você deveria tomar cuidado com a interpretação literal de textos.

      A minha visão é baseada nas minhas experiências como funcionário e como “patrão”… mas entendo o que você quis dizer. Tem casos e casos, mas há inúmeras e incontáveis pessoas em posição de chefia que são simplesmente babacas e acham que seu pessoal são escravos pagos e não é bem assim.

      • Renan
        06/12/2013 at 11:11

        Opa! Desculpe o erro. Deveria comentar que você destacou a palavra “minha” mesmo. Na verdade, escrevi o resto pensando assim.

        “Entende a diferença entre ‘esta aqui é minha esposa, fulana’ e ‘mulher minha nunca vai sair assim’?”
        Sim, entendo. Por isso que preferiria o destaque do termo “eu não deixaria”, porque “minha mulher” não significa isso. Só uma opinião.

        Sim, educar é diferente de controlar. E quanto ao caso do corte de cabelo, bem, educar, antes de tomar uma atitude qualquer, incluiria analisar a situação. Também em outras situações, eu já vi casos reais que bastava o pai zoar o filho para ensinar alguma coisa, enquanto em outros, nem espancando resolvia. Cabe aos pais analisar a situação para que os filhos não façam besteiras irreparáveis.

        “Você diz que eu tenho que tomar cuidado com o emprego das palavras, e eu digo que você deveria tomar cuidado com a interpretação literal de textos.”
        Bem, até devido a outros comentários que fiz, vou considerar essa dica sim.

        Sobre o que você falou sobre empregado e patrão, concordo. Mas, para completar, eu queria dizer que comento desse jeito para tentar remover um preconceito muito difundido na sociedade, que diz que o empresário, o investidor, o empreendedor, etc, é o cara mau, que explora o povo. Quando há abusos de poder, vejo isso mais de forma pessoal.

        Voltando à interpretação… eu entendo sua crítica. Mas interpretar objetivamente textos com opiniões fortes, também com suas conotações, é importante para não sermos enganados. Aprendi isso quando quase virei um militante político daquilo que eu era contra! Foi um choque e uma lição de vida pra mim. E sei que tem muita gente sendo enganada por aí.

  • Aline Rezende
    12/10/2013 at 10:49

    Maravilha de opinião! Concordo! E começa tudo em casa… o poder em casa, na maioria das vezes, gera crianças muito obedientes pra sempre, uma pena!

  • Vítor Pimentel
    09/10/2013 at 11:24

    Pra variar… Foda pra caralho! Puta que pariu!

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Pedro Turambar

Pedro Turambar

Gosto de escrever, reclamar e não tenho controle sobre chorar. Escrevo há 10 anos sobre a loucura de viver em sociedade, futebol e falo bem e mal das coisas que leio, vejo e ouço.

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