Alta Fidelidade // Blog Day – 2014

Você pode ter reparado e ficado feliz, ou cagado solenemente para isso, mas é fato de que eu tenho dado muito mais atenção ao blog ultimamente. Blogar tem sido… divertido. Eu estou focado em fazer isso dar um pouco certo de novo. Sem claro, deixar de escrever pro Papo de Homem. Enfim, isso ainda é um blog, e ele ainda é alimentado com carinho, amor e preguiça. O grande culpado disso é o grupo Rotaroots, um bando de blogueiras (e uns poucos blogueiros) que resolveram manter viva a chama da blogagem moleque, de raiz, de várzea.

blog day

Para você ter uma ideia, essa é a primeira vez, desde 2009 que eu participo do Blog Day. Não sabe o que é o ~dia do blog~, vem ká que eu explico. Ou melhor, a Victoria explica:

Você provavelmente era uma criança quando a primeira vez que este termo foi citado. A história começou no início da década de 90, com as primeiras comunidades virtuais e listas de discussão, mas o termo weblog foi criado por Jorn Barger em 17 de dezembro de 1997. Naquela época, poucas pessoas tinham acesso a rede mundial de computadores e poder ter uma página para chamar de sua dentro da Internet era quase uma utopia. No Brasil, nesta mesma época, surgiram os primeiros provedores de acesso à Internet e também, os primeiros sites de marcas e artistas. E quem diria que, pouco tempo depois, você teria um espaço para chamar de seu?

A popularização dos blogs começou na primeira parte da década de 2000, com o surgimento de plataformas como o Blogger, Blogspot, Webblogger e o Blig. De lá pra cá, os blogs mudaram e muito. Do layout ao conteúdo, passando pela evolução das plataformas e de tecnologias que facilitaram o ato de blogar. O que não mudou, para muitos, foi a paixão pela blogagem e por compartilhar coisas legais com dezenas, centenas, milhares e milhões de pessoas mundo à fora.

O Rotaroots nasceu como um tributo aos velhos blogs e principalmente, para valorizar e incentivar o conteúdo autoral, criativo e opinativo dos blogueiros. Queremos não só incentivar a produção de conteúdo, mas principalmente, promover a interação entre pessoas apaixonadas por seus blogs e reacender a paixão e a motivação muitas vezes adormecida dentro da gente.

Foi pensando nisso que nós decidimos fazer um tributo à um dos velhos hábitos da blogosfera de raiz, o Blog Day. Essa era uma iniciativa organizada por um grupo de blogueiros internacionais que instituíram o dia 31/08 como o Dia Internacional do Blog. Nesta data, estes blogueiros selecionavam seus blogs favoritos e compartilhavam com seus leitores em um post, fortalecendo a união entre os blogs e disseminando conteúdos interessantes. Com a morte do site oficial e os blogueiros cada vez mais distantes da blogagem de raiz, surgiu a ideia de promovermos esta iniciativa entre os participantes do Rotaroots, divulgando blogs interessantes e também, fortalecendo a união entre os bloggers.

Agora que você já entendeu do que se trata, eu vou enfim, indicar bom conteúdo pra você, separados em três categorias:

5 Blogs que não saem do meu feed

Já Matei Por Menos

A Juliana Cunha é uma das minhas pessoas preferidas na internet, pelo simples fato de que TUDO que ela fala eu considero certo. Mesmo que seja algo que eu, a priore, não concorde. Ela me faz refletir e eu acabo concordando com ela, 100% das vezes. Uma má notícia é que ela disse que irá “fechar” o blog. A boa é que ela vai continuar escrevendo em outro blog.

Melhores do Mundo

Pra mim, o maior exemplo do que blogar deve ser. O melhor site de cultura pop da internet, com a opinião mais sincera, mais zoeira e mais séria — dependendo de quem está escrevendo. O MdM já teve seus altos e baixos, mas está melhor do que nunca. Esqueça Judão, Omelete ou coisas do tipo. Passe pelo véu da zoeira e da loucura e encontre o ouro que é o conteúdo do meu site preferido da internet.

Loading Artist

Uma das melhores webcomics de TODAS, TODAS, TODAS! Feito por um artista astraliano (?) e com um humor muito, muito apurado, você não vai conseguir entrar no site sem ver tudo, do início ao fim. Uma pena é que são relativamente poucas. Eu tenho certeza que você já viu algum quadrinho dele internet a fora. Sucesso absoluto.

Como Eu Me Sinto Quando…

A vida inteira deveria ser retratada em gifs. E se você não conhece o CEMSQ, sinto muito, eu acabei com sua vida.

Brand New

Não sei se você sabe, mas por muito tempo eu fui (sou) designer. Não sou lá dos melhores, mas tenho bom gosto, enfim. Um dos motivos do gosto apurado, é a lista de sites que eu assino, que no decorrer do tempo foram ajudando a lapidar esse gosto. Desses, o Brand New é o meu preferido, sempre mostrando marcas novas, reformulações e tendências de design, sempre com comentários ácidos e precisos dos caras.

5 Blogs que eu conheci no Rotaroots

Uma coisa que eu tenho reparado bastante, visitando os blogs mais atuantes do Rotaroots, é que em algum momento, nos últimos anos, um tipo de blog, algo como uma fórmula, tomou conta de 90% dos ‘diarinhos virtuais’ femininos. É a fórmula Depois dos Quinze. A Bruna Vieira é um fenômeno da internet (lembro dela das antigas, quando ainda tava começando), e é compreensível que algo que deu tão certo acabe criando uma tendência. Isso nem é tanto uma crítica, é mais uma constatação.

Em suma, isso é ruim, acho que muitas meninas acabam se perdendo em tentar fazer algo parecido, quando o que é legal mesmo de ter um blog são exatamente as particularidades de quem o faz. E gente, sério, parem de se descrever como pessoas que gostam de livros, séries, música, cinema e fotografia. 430% da internet pode ser descrita assim. Bora ser mais criativo? Tipo a Tati – de um dos blogs que eu indiquei:

“Meu nome é Tati Lopatiuk, sou redatora, moro em São Paulo e espero que você esteja feliz agora.”

Não é (MUITO) mais legal?

Enfim, entre alguns blogs bons, ruins, não-tão-bons, ótimos, fantásticos e lindos, acabei escolhendo os cinco que eu indico para meus leitores.

Chocottone

Layout belíssimo, boas dicas, escrita gostosa. A particularidade aqui são as ilustrações belíssimas da Chell, autora do blog.

Primeira à Esquerda

Basicamente um blog de fotografia e inspiração, muito bem feito, inteligente e que com certeza toma bastante tempo e carinho da Luh, autora. Bom gosto é mato aqui.

Elvis Costello Gritou Meu Nome

De longe o nome mais criativo e a descrição de autora mais legal. Esse é como todo bom blog deve ser, um retrato de seu autor. Autêntico. É bem-humorado, tem um bom texto… simples e gostoso de ler saca?

Avec Mes Louboutin

Ê nome difícil de escrever. Eu adoro encontrar blogs ‘bagunçados’ como o meu. De todos que eu indiquei aqui, considero esse o mais parecido com o Crepz. Não visualmente, nem no conteúdo, mas na alma. É um conteúdo variado, só que bom, bem escrito e com bom humor. Pronto. Vai lá, leia e assine. ;D

New Romantic

Ninguém, absolutamente ninguém, faz resenhas tão completas e com fotos tão bonitas como a Evelyn. E cara, que blog lindo, que layout bonito, bem feito… assim como os posts. Dá uma inveja da porra ahahahaha, mas é da boa. Um dia terei um blog bem feito assim.

5 Blogs pra sair da rotina

Mundo Gump

É um dos blogs mais legais da internet desde sei lá quando. Curiosidades, variedades, coisas sinistras e absurdas. TUDO que é tipo de coisa você encontra aqui. É quase um repositório obrigatório da internet para qualquer pessoa. Você precisa ler o Mundo Gump. Sério.

[+18] [NFSW] Apimentadas

Um tumblr lindíssimo dos amigos do PdH, com belíssimas fotos — de muito bom gosto, diga-se — de mulheres lindas. É quase um drops de beleza diário.

MudeMe

Eu não sei bem como acabei encontrando a Andressa Jordano internetes afora, mas ela faz parte de uma turma que eu gosto muito de seguir. Acabei descobrindo também o blog dela, focando em uma vida mais saudável, pra ela e pros leitores. Eu, que preciso tanto, tanto, sair da minha rotina e começar a viver de forma ‘limpa’, foi um achado e tanto. Adoro o modo como ela fala sobre isso.

Boteco do JB

‘Julinho’ é simplesmente o crítico de gastronomia mais sensacional do Brasil. Conheci o blog dele depois de ler essa reportagem aqui. Ele é simplesmente um cara, que com um blog no blogspot, conseguiu desafiar os maiores chefs do país. Pergunta pro Alex Atalla. O Boteco do JB é genial, mesmo para quem não entende bulhufas de gastronomia (como eu), é lindo ver — e aprender — uma crítica bem feita. O cara é o MdM da comida.

Medium

Medium é uma plataforma de conteúdo. Para resumir, é um twitter de textos longos. É o meu mais novo vício na internet. Se Odin quiser, vou abandonar o facebook de vez e me ~distrair com o Medium apenas. Vai lá, experimente. É só entrar e começar a ler.

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Já que você chegou até aqui, toma um baby Groot dançando ;D

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Sociedade Alternativa // O que me inspira?

Essa pergunta do título é sempre uma das coisas mais difíceis que eu, vez ou outra, tenho que responder. Todos os dias eu acordo, tomo banho e saio da minha casa para exercer uma função que muito pouca gente entende, criar. Essa é a minha função. Eu preciso resolver ‘problemas’, de comunicação, criando estratégias, estímulos e coisas que estimulem as pessoas a comprar um produto ou uma ideia de alguma marca. Além disso eu escrevo textos, crônicas e contos de ficção, ou seja, há mais criação envolvida aí também.

Seja no meu emprego, seja meu hobby, eu preciso juntar dois ou mais elementos para criar algo minimamente original. Saber fazer isso não tem praticamente nada a ver com talento. Tem a ver com repetição, prática, bagagem cultural, um pouco de inteligência e um tiquinho de inspiração

Inspiração, para mim é algo que me motiva a criar. Ou seja, é algo que eu interajo — pode ser qualquer coisa, de uma pedra, a uma pessoa, passando por nomes, expressões, cheiros, sons… enfim TODO tipo de coisa — que me faz querer fazer algo tão bom, ou mesmo que me faça querer fazer qualquer coisaQUALQUER. COISA. Para alguma coisa te inspirar, ela precisa te emocionar. E o que te emociona hoje, você talvez não conhecia mês passado, ou você ama a vida toda. Não há regras.

Então, o que me inspira? Hoje, apenas duas coisas…

Doctor Who

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e ela.. para sempre ela, o amor da minha vida:

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<3

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*Esse post faz parte de uma iniciativa de um grupo fantástico de pessoas chamado Rotaroots, que tem o simples objetivo de resgatar a blogagem de raiz, a blogagem moleque, de várzea que reinava no início da primeira década. Se quiser saber mais, clique aqui e aqui.


Vortex // Do PdH – O erro, o Culpado e o Chefe

— O senhor queria falar comigo?

— Senta aí.

“Então vai ser assim”, pensou Marcelo apreensivo, enquanto sentava na cadeira vazia em frente à mesa do chefe de operações da unidade de São Paulo. A cara dele não era das melhores e a conversa seria complicada. Marcelo havia errado feio.

— Entende o problema que você causou a essa empresa, Marcelo? Faz alguma ideia do que perder esse cliente significa?

— Na verdade, nós nunca perdemos algo que nunca tivemos.

— Se você for bancar o espertinho, nem vou me dar ao trabalho de ter essa conversa…

— Se você for me demitir de qualquer forma por ter errado, eu também não.

Nem Marcelo acreditou na coragem que teve para falar aquilo. No dia em que ele decidiu que faria as coisas da forma como fez na apresentação para o cliente, sabia que poderia chegar a esse ponto, se tudo desse errado. Era arriscado, era audacioso e com grandes chances de dar errado, e como Murphy nos ensinou, deu errado da pior forma uma vez que o cliente entendeu as ideias de Marcelo como chacota.

Leia o post completo >>

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Crônicas do Cotidiano // Contos do Ôns #7 – A Peidorreira

Geise era uma mulher simples. Desde cedo aprendeu que a vida não lhe daria nada, que se quisesse alguma coisa, sem depender de ninguém, devia acordar cedo, trabalhar duro e ficar calada. Nem ela, nem a mãe, que lhe ensinara sobre a vida e tudo “desse mundo cão,” conheciam outra forma. Numa sociedade machista, racista, elitista e arnaldo batista, como a que vivemos, ou você dança corforme o brega da vez, ou você dança.

A faxineira de nome errado — ‘Geise’ foi batizada assim porque o pai cismou que a mãe, mulher prática, não pariu a menina, fêz-la jorar! Igual “aqueles gêize”. — não tinha muita noção de humor. Dona Marta fez questão de ensinar pra ela o básico da vida, e que uma boa mulher trabalhava pra poder rir sozinha, e não ter que ficar dependendo de homenzarrão nenhum. “Homem só serve nesse mundo pra atazaná a vida de mulher. Deus que num sabe, mas esse trem de hômi não deu certo não.”

Um dia, indo pro trabalho, balançando de sono dentro do ônibus, Geize sentiu uma pinçada na barriga. Ou ela tava morrendo ou era “apêndis”. O medo era tão grande que ela se levantou abruptamente, passou pelo gordo — de olho em seu lugar — em pé ao lado da porta, e torçou para que o moço parasse e abrisse a porta. O ponto chegou, o freio gritou e as portas se abriram.

No momento em que os pés começaram a descer os degraus, Geize jorrou para dentro do ôns, o que é conhecido até hoje na capital mineira, como o peido mais poderoso já assoprado em terras brasileiras desde D. João VI após um balde de asas de galinhas. Naqueles instantes seculares, do ato de Geize descer os degraus até a calçada, toda a flatulência saíra, e completamente contida com o ato automático do fechar de portas do gigante azul.

As reações foram completamente opostas. As pessoas dentro do ônibus, sentiram uma genuína vontade de morrer. Geize se sentiu… livre! Pela primeira vez na vida ela se sentiu feliz de verdade. Primeiro pelo alívio inacreditável de entender que não estava morrendo. A vida era ruim, mas era vida. Segundo, pelo fato de se sentir o gosto da vingança contra o mundo. Ahhh, como era bom, jogar na cara daquele povo todo a realidade do mundo. Geize se sentia renovada, feliz, e disposta a um objetivo: se sentir, para o resto da vida, feliz.

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Ela era dona do próprio nariz, não devia nada a ninguém, e peidava ao sair do ônibus, para mostrar que a vida não é nenhum danoninho não, mas pode ser boa. Ela se sentia ainda mais satisfeita quando tinha um gordo em pé. Rico ou pobre, branco ou preto, católico ou evangélico, hétero ou gay. O gordo é sempre o peidorreiro.

Geize passou a ter mais um objetivo na vida. Os dois que a mãe havia ensinado: não depender de ninguém, fazer o que quisesse com o que fosse dela. E, claro, sair peidando em cada ônibus que ela entrasse. Dinheiro nenhum compra essa felicidade.

Veja os outros Contos do Ôns aqui.

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