Sociedade Alternativa // A incrível geração de pessoas que precisam ter opinião própria

Leu o título? Agora veja o vídeo:

De tempos em tempos, surge na rede mundial de computadores, a internet, essa linda, um texto querendo definir uma geração, um gênero, um tipo de pessoa, um nicho. Junto com esse texto, vem outras dezenas de textos acabando com o original, para depois aparecer outros dizendo que na verdade, ele estava certo.

Isso aliás, acontece bem antes da internet. Não tenho dúvidas que um macaco, algum dia, escreveu sobre a geração que não quis descer das árvores. Esses, por sua vez, escreveram outros tantos textos rebatendo o primeiro, dizendo que descer das árvores é uma falácia e que tudo isso iria terminar mal.

Alguém, uma vez, nos convenceu que somos todos livres. Alguns acreditaram, outros foram obrigados a aceitar essa ‘verdade’. Você não é livre. Eu não sou livre. Mas, dentro dessa falsa liberdade, você não precisa, mesmo, de outros — tão cegos quanto nós — ditar como você deve viver sua vida.

Só faltaram nos convencer de que temos culpa. Somos ótimos em querer liberdade, ser donos da razão, ter opinião sobre tudo e bater no peito para falar que vive do jeito que quer. Só não somos bons em assumir culpa.

Nesse pouco tempo consciente que temos aqui, perca seu tempo fazendo coisas que você escolheu, certas ou erradas. Se você escolheu pautar sua vida pelo vício em likes, ou por textos que dizem como você deve viver a vida, pelo menos faça essa escolha conscientemente.

Viva como quiser, mesmo que alguns, tantos, ou ninguém concorde. Só seja verdadeiro o suficiente para aguentar as consequências sem transferir a culpa.

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Crônicas do Cotidiano // A Copa das Copas

A Copa das Copas na verdade mesmo foi a de 70. Foi porque lá desfilou, jogou e ganhou a Seleção das Seleções, aconteceu a Defesa das Defesas e claro, os Gols Perdidos dos Gols Perdidos do Jogador dos Jogadores. Além do mais, a final foi disputada no estádio mais incrível do mundo na minha opinão, o Azteca. A Copa de 70 está para as Copas o que Pelé está para todos os jogadores de futebol que vieram antes e depois dele. Um patamar fora da escala normal de realidade. Ela, por tanto, não entra na conta.

Dito isso, ao fim da terceira rodada — hoje, infelizmente #NaoVaiTerCopa –, já está cravado na história que a Copa de 2014, no Brasil é, contra absolutamente toda nossa expectativa, a Copa mais sensacional de todos os tempos. Se o mundo inteiro já acha isso, nós brasileiros, que temos uma relação tão particular com Copas do Mundo, e muito, muito especialmente essa, temos certeza.

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Você sabe muito bem que, quando a expectativa é ruim (muito ruim), e essa expectativa e virada do avesso e elevada à potência, causa uma impressão muito mais positiva que se esperássemos, de fato, algo bom. É a versão bizarra do Monstro da Expectativa. Monstro que ataca quando você cria muita expectativa positiva sobre algo, e tudo sai horripilantemente ao avesso. Como Batman Dark Knight Rises, por exemplo.

Para nós, brasileiros, sermos o país do futebol, sermos reconhecidamente os melhores na história do esporte, termos tantas lendas e mitos que envolvem o futebol, crônicas, livros, etc, é uma realidade comum, trivial. Nós sabemos disso desde o nascimento, é algo cotidiano pra gente. A nossa preocupação, correta diga-se, sempre foi com as contas da Copa, os elefantes brancos, o tal legado que será praticamente nulo, os absurdos das desapropriações e mortes de operários. Além dos desvios de verbas, do atraso das obras e do não cumprimento de tantas promessas.

Nós, povo brasileiro como um todo, mostramos a nossa insatisfação. Como o humorista inglês John Oliver disse naquele vídeo, compartilhado por Deus e o mundo. Como é complicado por dentro amar e odiar a Copa do Mundo ao mesmo tempo. O pior de tudo é que em campo, o futebol está fantástico.

A Copa do Mundo está linda, arquibancadas cheias, veio gente de tudo que é canto — eu tenho certeza de que, tinham mais colombianos em Belo Horizonte que na própria Colômbia —, os jogos estão sensacionais, tirando uns Nigéria x Irã da vida, só tem jogaço, com gols, com emoção, com histórias, com heróis e vilões, erros de arbitragens, pênaltis inexistentes, e tudo aquilo que faz o futebol ser maravilhoso.

Sabe desde quando não tínhamos uma Copa assim, destruidora de recordes, números e falácias? Isso mesmo, desde nunca. Me perguntando aqui, vendo as reações incrédulas e surpresas de puro êxtase dos jogadores que fazem gols nessa Copa — principalmente de jogadores não muito acostumados a tanto —, vendo também as entrevistas, e os sacrifícios que alguns fizeram para jogar esse mundial, cheguei à conclusão que esse é sim um torneio diferente.

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É o maior torneio, do maior esporte, sediado pelo maior representante desse esporte.

A questão, que nós não havíamos levado em conta, é o quão mágico isso é para qualquer outra pessoa no mundo que se importa com futebol. Os torcedores de fora do país, as seleções, os jogadores, a Copa do Mundo tem ainda mais valor, exatamente por ser no Brasil. Esse é o ingrediente que nunca existiu em uma Copa, em 50 não éramos o país do futebol. É isso que faz dessa, a Copa das Copas*. (E sim, o uso constante desse nome é completamente irônico, caso não tenha percebido. Essa Copa não é do governo, não é da Dilma, não é nem da FIFA. É de quem joga e de quem empurra).

Os Deuses do futebol, que um dia, certamente, o arrancará das garras podres da FIFA, são justos. Que na terra do futebol, se jogue futebol com tudo que ele tem de melhor (e de pior).\

Que lindo os hinos cantados à capella. Que lindo as seleções das américas conquistando resultados incríveis. Que lindo o garotinho costa riquenho chorando ao ver a improvável vitória contra o Uruguai. Que lindo o zagueiro do EUA, de 21 anos, chorando sem acreditar, porque fez um gol na Copa. Que lindo a festa da torcida colombiana no Mineirão. Que lindo o goleiro Ochoa, sem clube, fechando o gol contra o Brasil e entrando para a história. Que lindo os estádios cheios. Que lindo a união que o futebol traz. Que lindo Luisito Suárez, um mês após estar em uma cadeira de rodas, fazer os dois gols que dariam chances novamente ao Uruguai — para depois estragar tudo, é verdade, toda Copa tem um vilão. Que lindo a Costa Rica. Que lindo o mundo parando para ver a Copa do Brasil. Que lindo o gol de Van Persie. Que lindo o gol de Tim Cahill. Que linda a classificação da Argélia pela primeira vez. Que lindo os jogadores conversando com as crianças antes de entrar em campo. Que lindo os memes e as brincadeiras no twitter. Que lindo a homenagem da Colômbia ao mito Mondragón. Que lindo o garotinho chorando com Eto’o. Que lindo o futebol bem jogado. Que lindo a média de gols e de público. Que lindo o povo nas ruas, no mundo todo, juntos comemorando e festejando. Que lindo o futebol.

Copa das copas

É lindo mesmo. Só não é transcendental, porque o preço dessa Copa, infelizmente é alto demais como já disse… (desapropriações, mortes de operários, mega-ultra-super-duper-faturamentos das obras, etc). Para ser quase perfeita, só falta acontecer o que eu disse nesse texto aqui. Aí sim, essa poderá se equiparar à Copa de 70.

Lindo será mesmo, quando acontecer o que aconteceu na grande Copa das Copas. A de 70, quando o governo militar tentou limpar a sua imagem com toda aquela magia, e não deu certo. Não deu certo daquela vez, não dará de novo.

Não somos tão bobos assim. Quando a festa acabar, vamos cobrar a conta. Ah, vamos.


Crônicas do Cotidiano // O carteiro eletrônico endoidou

Quando o email nasceu, muita gente ficou irritada. Diziam que não ia dar certo, e que, se desse, seria uma maldade com os carteiros, que estão aí desde que o Leônidas fez aquele rapaz correr uma maratona, para contar sobre os homens de tanquinho e a luta contra o Rodrigo Santoro. Um amigo do meu pai contou que, na verdade, quem ficou puto mesmo com essa história foram os colecionadores de selos.

Outra coisa que muita gente comemorou, além do fim do selo — que só faz sentido para colecionador —, foi o fim daquela inconveniência de carta faltando. Os Correios te mandavam uma carta para avisar que a carta que você mandou voltou. Mandavam também, para a pessoa que não recebeu a carta, outra carta avisando que tinha uma carta que eles não conseguiam entregar. Acho que alguém nos correios encheu o saco dessas metas cartas todas, e resolveu que devia existir uma maneira inteligente de fazer isso. Afinal, todo mundo sabe que por trás de toda grande invenção tem alguém puto da vida com alguma coisa.

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No início, tudo funcionava perfeitamente. Emails iam e vinham com a lindeza e a vagareza da internet discada. Um ou outro voltava, sem problemas. Era o nascimento do Mail Delivery Subsystem. Um sistema, criado por pessoas espertas, que reúne num galpão — deve ser um galpão — todos os emails que voltam. Um limbo para onde foi aquele Power Point que sua tia mandou para a ratinha_chorona14 ao invés de gatinha_mandona14 no ZipMail. O gerente do galpão avisava pra sua tia, que ignorava e tocava a vida.

Só que depois de tanto tempo, esse gerente, já meio doido, por tanto tempo sozinho lidando com todas essas frustrações, todos esses emails enviados errados, todos os casos de amor perdidos, amizades não retomadas e receitas de vó perdidas para sempre, perdeu completamente a noção. Ele um dia decidiu que bastava! Não é porque um e-mail não existia, ou não funcionava mais, que ele nunca mais iria funcionar. Então ele decidiu que essa porra ia mudar, e botou os emails pra rodar. 

É por isso que hoje, um email não se contenta em voltar. A mensagem não é mais aquela que seu email não foi entregue, e você que se foda. Agora eles — o gerente enlouquecido, provavelmente — incluiu uma mensagem “Message will be retried for ‘x’ more day(s)”.

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Mais que loucura gente. Será a vingança dos colecionadores de selos? Agora eu tenho que ser lembrado, todos os dias, em todos meus aparelhos — porque nós humanos, não nos contentamos com uma caixa de correios só — o quão tapado eu sou por mandar um email errado? É isso mesmo? Já não tenho sou eu frustrado o suficiente?

Não aceito. Estou mandando e-mails insistentes para o galpão, reclamando. Todos eles voltaram até agora. Mas eu não sou de desistir. Uma hora vai.

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Capacitor de Fluxo // Meus Amores Platônicos

Amor platônico é, por definição, o amor sem interesse algum, além da virtude. É o amor centrado na beleza do caráter e da inteligência — ou das habilidades — de uma pessoa, em detrimento dos atributos físicos, carnais ou sexuais. É quando você ama incondicionalmente uma pessoa, personagem — ou o ideal que você faz dela — mas a ideia de dividir a cama com ela é ridícula (no caso das mulheres dessa lista em particular, essa afirmação é totalmente duvidosa). Amizade, por exemplo, pode ser caracterizada por esse amor. O que não impede, que esse sentimento evolua, claro. Milhares de pobres coitados na friendzone dependem disso.

Eu já tive, tenho e terei vários amores platônicos. Desde a infância, a enorme maioria deles foram/são personagens. Sem que eu, necessariamente, amasse as pessoas que interpretavam esses personagens. Até porque alguns deles nem interpretados eram, vinham de livros ou desenhos. Vai ser difícil manter em cinco, mas eu vou tentar. Vamos a eles:

Gillian Anderson/Dana Scully

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Ai meu deus do céu, essa mulher <3.

Meu primeiro amor platônico pra valer mesmo. Nesse caso, é personagem e intérprete mesmo. Escrevi um texto inteirinho só para ela no Judão. Você pode ver aqui. Sempre fui, e sempre serei apaixonado por essa mulher. 

Maximus Décimus Meridius

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Esse é o caso em que eu amo mesmo o personagem. Gladiador é o meu filme preferido de todos os tempos, nunca escondi isso. Assisti, e assisto de todas as formas possíveis, nunca vou me cansar, nunca vou enjoar. Se é para escolher um momento, em que o General me conquistou, é a eterna cena em que ele, escravo, desafia um Deus. Ninguém nunca ensinou tanto sobre coragem como Maximus Décimus Meridius. 

“Meu nome é Maximus Decimus Meridius, comandante dos exércitos do norte, general das Legiões Félix, servo leal do verdadeiro Imperador, Marcus Aurelius. Pai de um filho assassinado, marido de uma esposa assassinada e terei minha vingança nessa vida ou na próxima.”

PUTA. QUE. PARIU. Choro até hoje com essa cena.

Mr. Ozzy Osbourne

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Eu tenho muito motivos para amar esse hoje velhinho doido. Primeiro foi a voz, depois a história. Ozzy e o Black Sabbath mudaram a minha vida. Tudo mudou naquela tarde em que ouvi dois dos discos da minha vida, Paranoid e Sabbath Bloody Sabbath. Eu já falei um pouco naquele texto, e no que está linkado nele. Ele é o puto do Príncipe das Trevas. Meu cachorro se chama Ozzy. Meu primeiro nick na internet foi Ozzy, e eu amo toda e qualquer merda que ele faz. 

Foi amor a primeira vista. E se mantém firme e forte até hoje.

Videl

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Não sei explicar. Juro. Não faço ideia de como explicar, mas na época em que a TV Globinho passava a saga de Majin Bu eu meio que fazia questão de assistir Dragon Ball, única e exclusivamente por causa dela. Depois que ela aprende a voar e corta o cabelo então…

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É uma personagem que eu adorava, sei lá. Acho que era o nome. Provavelmente era a roupa, a blusinha branca e o shortinho preto… Ela tinha algo que a Bulma — motivo de sonho molhado de muito marmanjo por aí — nunca teve. 

Regina – Dino Crisis

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Eu nunca joguei Dino Crisis. Minto, joguei umas duas horas e larguei de lado. Eu me apaixonei por essa moça aí quando vi uma capa da extinta Ação Games, revista especializada, que logo após mudar sua identidade visual, me presenteou com uma capa inesquecível com ela:

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Ela é ruiva, linda e luta contra dinossauros. Tem como não amar? Eu cheguei a criar várias histórias onde a Regina se tornava a esposa do primeiro personagem que eu criei quando era criança. Juntos eles eram uma espécie de Sr. e Sra. Smith. <3

Menção honrosa – Túrin Turambar

Por que né? Turambar significa ‘Senhor do Destino’ em alto élfico. Túrin foi o senhor do seu destino, mas por ele foi destinado, como diz a frase em seu túmulo em Cabed-en-Aras. Ele foi amaldiçoado, humilhado, julgado e mesmo assim continuou levantando e agindo sempre da forma mais honrada possível. Apaixonou-se e casou-se, sem saber, com a própria irmã, e não suportou a morte dela, dando cabo da sua vida por sua espada negra.

Túrin, dizem alguns textos, foi o algoz de Melkor na Última Batalha, vingando assim a maldição do Inimigo Escuro do Mundo. 

O espada  negra de Nargothrond, Túrin Turambar, Senhor do Destino, Perdição de Glaurung


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